
Raupp foi condenado por propinas de R$ 500 mil da Queiroz Galvão
Paulo Roberto Netto
Estadão
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou em sete anos e seis meses a pena imposta ao ex-senador Valdir Raupp (MDB-RO), condenado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato. A ação penal tramitava na Corte desde 2017 e se trata de solicitação e pagamento de R$ 500 mil em propinas ao ex-parlamentar pela empreiteira Queiroz Galvão. Em troca, Raupp teria se comprometido a dar apoio à manutenção de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobrás.
Raupp foi condenado no último dia 06 de outubro junto da ex-assessora Maria Cléia Santos de Oliveira, acusada de operacionalizar o repasse das propinas da Queiroz Galvão. Outro auxiliar do ex-parlamentar foi absolvido por falta de provas.
VOTOS – A pena fixada é menor do que a solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu 12 anos de prisão. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, defendeu sete anos de reclusão e foi seguido pelos ministros Celso de Mello, que votou antes de se aposentar, e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski defenderam que a pena deveria ficar em cinco anos, com pagamento de multa.
A denúncia da Procuradoria acusou Valdir Raupp de solicitar e receber R$ 500 mil da Queiroz Galvão, propina que foi repassada ao diretório regional do MDB em Rondônia para dar suporte à sua campanha ao Senado em 2010.
O montante seria oriundo do esquema de desvios estabelecidos na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, comandada por Paulo Roberto Costa. Em troca das vantagens ilícitas, Raupp teria se comprometido a garantir que Costa continuasse na diretoria da estatal.
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COM A PALAVRA, OS CRIMINALISTAS ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY, E MARCELO TURBAY, QUE DEFENDEM VALDIR RAUPP
A defesa técnica do ex-Senador Valdir Raupp já se manifestou, quando se iniciou o julgamento em outubro, sobre a absurda, injusta e injurídica condenação. Reiteramos a confiança de que o Plenário do Supremo determinará a absolvição do ex-Senador, mantendo a coerência com toda a prova que foi produzida nos autos durante a instrução.
Hoje a Segunda Turma fixou a pena e determinou que o cumprimento se dê em regime semiaberto. Embora seja determinado o cumprimento da pena em regime que não corresponde a prisão, a defesa técnica entende ser a condenação desproporcional e injusta. Vamos aguardar confiando na manifestação do Plenário no recurso que será apresentado. Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay e Marcelo Turbay
Ao festejar a morte do voluntário que tomou a vacina, Bolsonaro perdeu o juízo e o pudor

A morte não teve nada a ver com a vacina. Foi suicídio
Merval Pereira
O Globo
O presidente Bolsonaro perdeu o juízo, o pudor, provou ser um comandante deplorável ao comemorar a morte do voluntário nos testes para a vacina chinesa contra a Covid-19. Vibrar porque a vacina foi teoricamente inviabilizada é vibrar com menos uma arma contra o vírus.
Mais uma vez fazemos comparação com Trump, que ficou furioso com o laboratório Pfizer por ter anunciado a eficácia de sua vacina dois dias após a vitória de Joe Biden. É o mesmo tipo de pessoa, que usa a vacina para fazer política.
DOIS RECORDISTAS – Não é à toa que Brasil e EUA sãos os dois países com maior número de mortes por Covid-19, pela forma relaxada com que seus presidentes trataram o combate ao vírus. Bolsonaro não tem nem escrúpulo, nem inteligência, porque poderia pensar que alguém estaria perdendo para ele ganhar. E quem perdeu não foi a China, foram os brasileiros.
E é possível que a Anvisa tenha agido pressionada por Bolsonaro, pois está claro que a morte do voluntário não tem relação com a vacina. O presidente do Instituto Butantã está certo disso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O portal UOL informa que a morte que causou a suspensão das pesquisas da vacina CoronaVac foi o suicídio de um voluntário de 32 anos ocorrido em 29 de outubro, conforme indicado no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) ainda não foi concluído. O caso foi usado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para interromper as pesquisas da vacina que eram lideradas pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês, E Bolsonaro aplaudiu a suspensão dos testes. (C.N.)