
A morte não teve nada a ver com a vacina. Foi suicídio
Merval Pereira
O Globo
O presidente Bolsonaro perdeu o juízo, o pudor, provou ser um comandante deplorável ao comemorar a morte do voluntário nos testes para a vacina chinesa contra a Covid-19. Vibrar porque a vacina foi teoricamente inviabilizada é vibrar com menos uma arma contra o vírus.
Mais uma vez fazemos comparação com Trump, que ficou furioso com o laboratório Pfizer por ter anunciado a eficácia de sua vacina dois dias após a vitória de Joe Biden. É o mesmo tipo de pessoa, que usa a vacina para fazer política.
DOIS RECORDISTAS – Não é à toa que Brasil e EUA sãos os dois países com maior número de mortes por Covid-19, pela forma relaxada com que seus presidentes trataram o combate ao vírus. Bolsonaro não tem nem escrúpulo, nem inteligência, porque poderia pensar que alguém estaria perdendo para ele ganhar. E quem perdeu não foi a China, foram os brasileiros.
E é possível que a Anvisa tenha agido pressionada por Bolsonaro, pois está claro que a morte do voluntário não tem relação com a vacina. O presidente do Instituto Butantã está certo disso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O portal UOL informa que a morte que causou a suspensão das pesquisas da vacina CoronaVac foi o suicídio de um voluntário de 32 anos ocorrido em 29 de outubro, conforme indicado no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) ainda não foi concluído. O caso foi usado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para interromper as pesquisas da vacina que eram lideradas pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês, E Bolsonaro aplaudiu a suspensão dos testes. (C.N.)