sexta-feira, novembro 06, 2020

Collor que “luta pelo país” já foi um “grande mentiroso” e “sem moral”, segundo Bolsonaro

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A conveniente bipolaridade não é exclusiva de Bolsonaro

Daniel Gullino
O Globo

Apesar de hoje descrever o senador Fernando Collor como alguém que “luta pelo interesse do Brasil”, o presidente Jair Bolsonaro usava palavras duras contra ele no período em que Collor ocupou a Presidência da República (1990-1992), como “grande mentiroso” e “sem moral”.

Então deputado federal de primeiro mandato, Bolsonaro fez diversas críticas a Collor por suas políticas para as Forças Armadas. Em novembro de 1991, por exemplo, Bolsonaro acusou Collor de não cumprir promessas que tinha feito na campanha eleitoral para militares:”Sr. Presidente, meus colegas, uma pessoa que não honra a palavra, não honra o que escreve, não é digna de nossa confiança, não é digna de ser Presidente da República”.

“GRANDE MENTIROSO” – O então deputado voltou ao tema três meses depois, incomodado com uma confraternização entre Collor e os chefes das Forças, e chamou o presidente de “grande mentiroso”: “Aprendi, na caserna, que o Chefe que mente não merece credibilidade. E o Sr. Presidente da República, Chefe do Supremo das Forças Armadas, não deixa de ser um grande mentiroso”.

Em setembro de 1992, quando já estava em curso o processo de impeachment contra Collor, Bolsonaro afirmou que ele impunha “grande sacrifício” à população: “Sua Excelência ataca aqueles que declaram o seu voto a favor do impedimento. Mas este ataque não é justo, porque decidiremos este caso através do voto. Não se justifica toda essa, ira do Sr. Presidente da República, porque ele tem impingido à população brasileira sacrifícios, e sacrifícios vãos e inúteis, através de votos nesta Casa, principalmente mediante vetos, presidenciais, que, caso fossem derrubados, teria sido feita um pouco menos de injustiça ao trabalhador”.

“SEM MORAL” – No mesmo discurso, o deputado afirmou que não tinha dúvidas de seu voto favorável ao impeachment e descreveu Collor como alguém “sem moral” para comandar o país: “Sr. Presidente, jamais mudarei a minha posição quanto à votação pró-impedimento do Sr. Presidente da República — afirmou. — Luto com todas as minhas forças para tirar o Presidente que aí está, sem moral para governar o país”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Infelizmente, a conveniente bipolaridade não é exclusiva de Bolsonaro, mas um traço comum a boa parte da classe política. Inimigos no passado, hoje fazem alianças, se abraçam e juram eterno amor. Todos querem é poder ! E o povo que se lasque. Todos ansiosos pelo troféu Piada do Ano! desta Tribuna. (Marcelo Copelli)

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