sábado, fevereiro 14, 2009

Vacina contra o ronco

Pesquisadores paulistas testam injeção para acabar com o barulho durante o sono
Greice Rodrigues


NOITES INSONES 40% dos brasileiros roncam, prejudicando o descanso dos parceiros
Não há nada mais desagradável do que ser incomodado por algum barulho durante o sono. Pior ainda se esse ruído for aquele ronco persistente que se estende noite adentro. Para muita gente, é intolerável conviver com um roncador. O problema é que eles, os roncadores, são muitos: estima-se que 40% dos brasileiros façam barulho durante o sono. Um novo tratamento, porém, promete noites mais tranquilas para boa parte dessas pessoas e também para quem vive com elas.
A terapia consiste no uso de uma injeção que, ao ser aplicada no céu da boca, enrijece a musculatura da região. Dessa maneira, vai direto à raiz do problema. Isso porque o ronco é causado pelo barulho resultante da passagem do ar durante a expiração por músculos flácidos e relaxados. É a vibração provocada nesses tecidos que origina o ruído. "As substâncias injetadas deixam os músculos firmes, acabando com o som", diz Michel Cahali, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Essa espécie de vacina contra o ronco é objeto de estudo da tese de mestrado do otorrinolaringologista Fábio Lorenzetti, em desenvolvimento no hospital paulista. O tratamento está sendo testado em 18 pessoas, com bons resultados. "Pelo menos 80% dos pacientes tiveram melhora significativa", diz Cahali. Na prática, quer dizer que a maioria parou de roncar ou pelo menos não causa mais incômodo. A recepcionista Loureta de Oliveira, 44 anos, é uma das que comemoram o sono sem barulho. "Estou feliz. Antes, incomodava a todos em casa. Quando viajava com amigos, ficava muito constrangida", conta.
Porém, a novidade não é indicada, por exemplo, a todos os portadores de apneia do sono, distúrbio causado pela interrupção momentânea da respiração durante o sono. Apenas aqueles com grau leve (entre cinco e 15 ocorrências em uma noite) podem se beneficiar. Em casos mais sérios, estão envolvidas outras complicações, além da flacidez muscular, que tornam o tratamento inócuo. Os médicos estimam que a técnica esteja disponível dentro de um ano.
Hoje, há algumas opções de tratamento. Entre elas estão o uso de aparelhos dentários especiais e a aplicação de ondas de radiofrequência para enrijecimento da musculatura do palato.

Fonte: ISTOÉ

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