Patrícia França, do A TARDE
Elói Corrêa/Agência A TARDE
João: “A gente deixa de pagar a merenda escolar e a compra de remédios para garantir a festa”
As declarações do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) à Agência Brasil, acusando o governo do Estado de não colaborar com a organização do Carnaval, provocou uma crise política que também teve desdobramento no DEM – o mais novo aliado de João na prefeitura –, no PSDB e nas Associações de Blocos de Trios (ABT) e Blocos Independentes (ABTI).
João disse que não teve ajuda de nenhum dos governadores – Paulo Souto (DEM) e Jaques Wagner (PT) – e que recebeu de seu antecessor, o ex-prefeito Antônio Imbassahy (ex-PFL, agora no PSDSB), um “modelo péssimo de gerenciamento do Carnaval, extremamente deficiente”.
Na entrevista concedida à jornalista Luciana Lima, na última quarta-feira, quando participou em Brasília do Encontro de Prefeitos com o presidente Lula, João Henrique queixou-se do tratamento a ele dispensado pelos governadores baianos. “Nem o primeiro governador (Paulo Souto) me ajudou e nem o atual (Jaques Wagner) me ajuda, como o governador do DEM (Paulo Souto) ajudava o prefeito do DEM (Antônio Imbassahy), que praticamente cobria todas as despesas do meu antecessor”.
Ao falar das dificuldades de captação de recursos para o Carnaval, com previsão de custo de R$ 30 milhões, o prefeito disse que a prefeitura estava sacrificando, inclusive, a merenda escolar e a compra de remédios para garantir a realização da festa. “Eu não tive essa benevolência de nenhum dos dois governadores. Nem o do DEM e nem o atual do PT, com quem eu até tenho boas relações administrativas, mas o modelo é que é absurdo”, reclamou. “A gente deixa de pagar a merenda escolar, os remédios dos postos de saúde, para pagar as despesas do Carnaval. Tenha paciência. Minha folha de pessoal do mês é R$ 40 milhões. Então um Carnaval pra mim é quase uma folha de pagamento por mês”, comparou o prefeito à Agência Brasil. Com a crise global na economia, João Henrique acredita que não conseguirá os recursos na iniciativa privada para bancar o Carnaval. Ele informou que o consórcio Tudo-OCP, coordenador pelo publicitário Nizan Guanaes, captou até agora, faltando seis dias para a festa momesca, apenas R$ 5,55 milhões, bem abaixo dos R$ 9,3 milhões esperados este ano e dos cerca de R$ 10 milhões obtidos em 2008 com a venda das cotas de patrocínio. “Estamos correndo o pires para ver se chegamos o mais perto possível do valor que precisamos”, revelou. João Henrique também fez críticas aos trios, acusando as empresas que animam o Carnaval de não contribuírem com a festa, apesar do elevado lucro que têm. “Os trios elétricos particulares, que faturam alto no Carnaval, pagam uma taxa mínima para desfilar no Circuito Barra-Ondina, que conta com as apresentações dos gigantes do Carnaval baiano como Ivete Sangalo, Asa de Águia e Chiclete com Banana. Já os trios chamados independentes, menores e resultantes de agremiações carnavalescas que desfilam no Campo Grande, não pagam nenhuma taxa. “Como eles tocam para o povão, a prefeitura é que paga a eles”, destacou. Irresponsabilidade – As afirmações do prefeito deixaram indignados o governador Jaques Wagner, que considerou um absurdo as declarações (leia abaixo), e o ex-prefeito Antônio Imbassahy, que definiu como “irresponsabilidade” de João a opção de não pagar a merenda escolar e o fornecimento de remédios para fazer caixa para o Carnaval. “Um bom gestor público tem que fazer provisões para fazer uma boa administração. Se ele está fazendo isso, é uma irresponsabilidade”, disse o tucano. Imbassahy falou, ainda, que o prefeito está faltando com a verdade quando diz que na sua gestão o Carnaval era bancado pelo governo Paulo Souto. “É mentira dele”, reagiu o ex-prefeito, informando que o ex-governador, na sua gestão, garantia a segurança pública e dava uma ajuda direta de cerca de R$ 2,5 milhões. Mas que a prefeitura assumia os gastos com limpeza pública, iluminação, saúde, fiscalização etc. O ex-governador Paulo Souto, disse que a verdade será restabelecida. A TARDE quis ouvir o prefeito, na quinta-feira, 12, mas sua assessoria disse que divulgaria nota, mais tarde negada. O secretário da Saúde, José Carlos Brito, afirmou “que não está sendo desviado dinheiro da Saúde para o Carnaval, e que os recursos são para os serviços de saúde durante a festa”.
Fonte: A Tarde
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