O que aflige primariamente os jornais dos Estados Unidos é o fato de que o gigantesco desenvolvimento comercial destes jornais os obriga a atingir massas cada vez maiores de homens indiferenciados, e o de que a verdade é uma mercadoria que estas massas não podem ser induzidas a comprar.
As causas disto estão enraizadas na psicologia do Homo Boobus, ou homem inferior – ou seja, o cidadão normal, típico e predominante de uma sociedade democrática. Este homem, apesar de uma aparência superficial de inteligência, é, na realidade, incapaz de qualquer coisa que possa ser descrita como raciocínio.
As idéias que lhe entopem a cabeça são formuladas por um processo de pura emoção.
Como todos os outros mamíferos superiores, ele tem sentimentos muito intensos, mas, também como eles, falta-lhe capacidade de julgamento. O que o agrada mais no departamento de idéias – e, daí, o que ele tende a aceitar mais como verdadeiro – é apenas o que satisfaz os seus anseios principais.
Por exemplo, anseios por segurança física, tranqüilidade mental e subsistência farta e regular.
Em outras palavras, o que ele exige das idéias é o mesmo que exige das instituições – ou seja, que o deixem livre da dúvida, do perigo e daquilo que Nietzsche chamou de os acasos do labirinto. Acima de tudo, livre do medo, aquela emoção básica de todas as criaturas inferiores em todos os tempos e lugares.
Por isso este homem é geralmente religioso, porque a espécie de religião que conhece é apenas um vasto esquema para alivia-lo da luta vã e penosa contra os mistérios do Universo. E por isto ele é também um democrata, porque a democracia é um esquema pata protegê-lo contra a exploração dos seus superiores em força e sagacidade.
E é também por isto que, na miscelânia de suas reações às idéias, ele abraça invariavelmente aquelas que lhe parecem mais simples, mais familiares, mais confortáveis – que se ajustam mais prontamente às suas emoções fundamentais e lhe exigem menos agilidade, resolução ou engenhosidade intelectuais.
Em suma, ele é uma besta.
(Do "Livro dos Insultos" de H. L. Mencken, jornalista cultural de sucesso nos anos 20 e 30 nos EUA).
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