Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Assim que tomou posse, em 2003, o presidente Lula compareceu como convidado, a uma reunião dos países ricos. Discursou falando do "Fome Zero", ou seja, exortou os chefes de governo presentes para a necessidade de todo ser humano fazer ao menos três refeições diárias. Todos aplaudiram, prometeram pensar no assunto e o tempo passou. Naquele ano, pelas estatísticas da FAO, era de 750 milhões o número de famintos nos cinco continentes, com ênfase para a África.
Pois hoje, novos números são liberados pela instituição internacional: o mundo tem 925 milhões passando fome. Se a situação melhorou no Brasil, claro que nem tanto quando alardeia a propaganda oficial, lá fora só fez agravar-se. A crise que assola a economia dos Estados Unidos e se estende pelo mundo diz respeito a contas bancárias, não às panelas americanas, mas seus efeitos sobre a banda pobre do planeta já se fazem sentir. Aumentou o preço dos alimentos, bem como reduziu-se a produção.
Significa o quê esse quadro desolador, se analisado globalmente? Significa que o modelo neoliberal exauriu-se. O mercado, que era para dar solução a todos os problemas, mostra-se incompetente não apenas para reduzir a fome, mas até para manter as contas bancárias. Na catedral do neoliberalismo, o poder público vem sendo chamado a intervir. Em vez de privatizar, estatizam.
E nós? Nós andamos para trás em ritmo um pouco mais veloz do que os outros, porque o estrago feito em nossa economia durante os anos do sociólogo ainda gera conseqüências. Vamos imaginar, apenas para argumentar, que vá para o vinagre uma dessas megaempresas que compraram patrimônio público com dinheiro do próprio governo.
Para não fechar e criar monumental desemprego, o presidente Lula providenciará ajuda financeira. Talvez nem se lembre de reestatizá-la, mas a conseqüência será, aqui como nos Estados Unidos, recursos públicos utilizados para atender necessidades privadas. Fecha-se então o círculo, explicando-se porque aumentou a fome no mundo.
A reforma do Judiciário
Pelo menos desde a proclamação da República que se fala da reforma do Judiciário. O Congresso já foi até fechado em nome dela, nos idos do general Ernesto Geisel, mas não adiantou nada. Mesmo assim, deve-se louvar quantos esforços se façam nesse sentido. O último deles corre por conta do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro César Asfor Rocha.
Ele reconhece a necessidade da remoção de certas facilidades que levam advogados a procrastinar processos, muitas vezes até a prescrição. Não se trata de suprimir direitos e prerrogativas, mas de agilizar a tramitação judicial. Hoje, em andamento em toda a Justiça, no País, existem 60 milhões de processos. Se de um lado esse número exprime o estímulo do regime de franquias democráticas ao cidadão comum, de outro mostra a importância de serem revistos os ritos processuais. Tomara que desta vez a reforma do Judiciário aconteça...
Certeza ninguém tem
Faltando duas semanas para o primeiro turno das eleições municipais, com raríssimas exceções, ninguém tem certeza de nada, em se tratando das prefeituras das capitais e principais cidades. As pesquisas sucedem-se no ritmo de sempre, quer dizer, chegou a hora de as empresas de consulta começarem a compatibilizar os números com as tendências do eleitorado. Porque até agora, sendo pagas a muito bom preço, a maioria das pesquisas acontecia para agradar ou pelo menos não desagradar o freguês. Senão ele não volta.
Para não desmoralizar-se, porém, os institutos precisam ficar mais ou menos perto dos resultados. Por isso alguns chegam ao ridículo de ressalvar a tal margem de erro, que já foi de dois, passou para três e agora chega a quatro pontos, "para cima ou para baixo". Não demora muito e em eleições posteriores a margem de erro será de vinte pontos, fazendo todo mundo acertar e faturar.
De qualquer forma, mesmo sem dar exemplos nominais, é bom prestar atenção em candidatos financeiramente muito bem dotados que, de um mês para cá, saltaram de um dígito para mais de 50% das preferências populares, e agora vão caindo. Como o eleitorado não é doido, qual das três tendências era a verdadeira? Um dígito? A imensa maioria? Ou a incógnita que faz ninguém ter certeza de nada?...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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