Josué Maranhão Visite o blog do Josué - REATIVADO
BOSTON – “A vida imita a arte, ou a arte imita a vida?”O antigo (e supérfluo) dilema, na atualidade, no Brasil, resolve-se pela primeira alternativa. Na realidade, somente em novelas de televisão, creio eu, se havia presenciado tamanho clamor público, tão imensa histeria conjunta, como tem ocorrido em decorrência do bárbaro assassinato da menina Isabella, em São Paulo. As tramas dos folhetins televisivos, com freqüência, conduzem as massas à perda de controle, à insanidade coletiva, na ânsia de desvendar os crimes e punir os culpados. Há não muito tempo, no Rio de Janeiro, um ator que interpretava na novela o personagem que havia cometido bárbaro e misterioso crime, ao ser revelada a autoria, se viu ameaçado de agressão, na via pública. Era tamanha a insanidade que a narrativa havia determinado, que o povo pretendia justiçar o criminoso. Confundindo a fantasia com a realidade, desejavam punir na vida real aquele que apenas emprestara o seu corpo ao personagem.O estardalhaço com que a mídia tem tratado o crime e as investigações ainda em curso, determinou o comportamento insano de milhares de pessoas que acompanham o desenrolar do inquérito policial. Afora isso, autoridades têm se comportado de forma indevida, fazendo insinuações a respeito da autoria do crime. É o caso, por exemplo, do representante do Ministério Público que acompanha as investigações. Repete-se, no caso, situações que têm se tornado habituais. Ante o assédio da mídia, promotores e procuradores agem como mariposas, atraídos de forma irresistível pelas luzes dos holofotes e dos flashes. Como consequência da revelação incompleta de detalhes das investigações, o povo saiu às ruas, cercou repartições policiais onde estavam presos os pais da menor assassinada e, em fúria incontrolável, pretendeu agredir aqueles que, supostamente, seriam os autores do bárbaro crime. O comportamento do povo, incitado pela mídia e por autoridades irresponsáveis, resulta em um julgamento apressado, em que se condena alguém que, até que se prove o contrário, é inocente. Condenados arbitrariamente os pais da menor, na cabeça de cada um do povo, ocorreu verdadeira rebelião contra a decisão da Justiça que, liminarmente, determinou que o casal fosse colocados em liberdade. Diante de casos famosos, em que os criminosos (ou aqueles apontados como tal) são mantidos em liberdade, o povo decide promover o justiçamento, descrente na ação do Poder Judiciário . A revolta é o reflexo de situações da vida real, em que, por conta de firulas legais (que o povo não entende), alguns criminosos são mantidos em liberdade, enquanto outros são trancafiados, sem que sejam observadas aquelas mesmas fírulas, A diferença, que torna alguns mais iguais do que os outros, é que os beneficiados com a adoção dos detalhes da lei que os protege, geralmente são ricos e/ou famosos. E os presos, para manter o adágio, se qualificam conforme os 3 P: são pobres, pretos ou putas.Entre os beneficiários dos “detalhes” legais, invoca-se o caso, por exemplo, daquele jornalista , autor confesso do assassinado da namorada. Julgado e condenado, permanece em liberdade, desde quando ocorreu o crime, há aproximadamente oito anos. Ou a história do banqueiro , autor de um golpe bilionário contra a União. Teve facilitada a fuga para o exterior, amparado em uma liminar que o colocou em liberdade, a pretexto de descumprimento de filigranas jurídicas, apesar de já comprovada judicialmente a sua culpabilidade. A leniência contumaz da Justiça revolta o povo, principalmente quanto incitado, O resultado é a reação irracional, tentando fazer justiça com as próprias mãos. O clamor público atinge tamanha altura, que ocorreu um fato inusitado: o desembargador que mandou soltar os pais de Isabella, ao vivo e em cores, enfrenta os holofotes e concede, em sua residência, entrevista à televisão. E, por que o faz? Justifica, perante o povo, porque não manteve presos aqueles que, no entendimento popular, seriam os criminosos, apesar de ainda sequer comprovada a culpa. Há um detalhe, no entanto, a destacar: o povo não entendeu o que disse o desembargador.A alucinação generalizada revela uma desconfiança crescente na Justiça.
Fonte: Última Instância
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