Corregedor vai investigar se senador mandou espionar adversários políticos
BRASÍLIA - O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), abre hoje investigação sobre o suposto envolvimento da Polícia Legislativa em espionagem de adversários políticos do presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Por ordem do presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), também será aberto inquérito policial.
A investigação ficará a cargo da Polícia Federal (PF), que recebe hoje a visita de Viana e Tuma para tratar do assunto. "É inaceitável qualquer prática desse tipo e exigimos a apuração completa dos fatos", disse o presidente em nota oficial. Se confirmada, a denúncia pode gerar mais um processo por quebra de decoro contra Renan, principal beneficiário da arapongagem, desta vez por prevaricação e abuso de poder.
Segundo a denúncia, publicada pela revista "Veja", um agente da Polícia do Senado teria contratado detetives particulares para investigar se o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), adversário de Renan, era sócio oculto das empresas Perdigão e Schincariol, instaladas em Goiás quando ele era governador.
Para verificar a movimentação financeira de Perillo em bancos no Brasil e no exterior, os arapongas teriam quebrado ilegalmente os sigilos bancário e fiscal do senador, que será o primeiro a ser ouvido por Tuma. O corregedor quer saber de quem partiu a ordem para a espionagem.
"É muito grave. Se a denúncia se confirmar, o caldo vai definitivamente a engrossar", avisou. Ele prometeu punição exemplar aos responsáveis, sejam servidores ou parlamentares. "Se for servidor, será demitido e processado criminalmente; se for parlamentar, responderá a processo por quebra de decoro", disse.
Tuma informou que já vinha investigando, há mais de um mês, suspeitas de espionagem ilegal contra Perillo e outro senador goiano, Demóstenes Torres (DEM), que também defende a cassação de Renan. "Quando estive em Goiás, não sabia do envolvimento da Polícia Legislativa", explicou.
Em entrevista coletiva realizada ontem, Perillo negou ser sócio de empresas e ter contas no exterior. Ele espera a apuração rigorosa do fato, mas evitou responsabilizar já o presidente licenciado do Senado. "Não quero ser leviano e acusar por antecipação. O caso será, em breve, esclarecido pela polícia e à corregedoria", disse.
Por meio de nota, a Polícia Legislativa do Senado negou envolvimento com espionagem de parlamentares e informou que já foi determinada abertura de investigação policial para apurar a denúncia. Renan não foi localizado para comentar a nova denúncia envolvendo seu nome.
O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse estar de acordo com a abertura da investigação. Ele disse também que considera inaceitável qualquer prática como a apontada pela revista. O senador exigiu a apuração completa dos fatos. Em relação à matéria da "Veja", Tião Viana afirmou que faltaram, no texto, elementos objetivos que pudessem explicar por que a Polícia do Senado investigaria um senador.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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