SALVADOR - O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, em greve de fome há 16 dias em protesto contra as obras de transposição do Rio São Francisco, recebeu com tranqüilidade a decisão do governo de continuar com o projeto, mesmo depois da reunião, na manhã de ontem, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a direção nacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. "Estou satisfeito por ter o apoio da CNBB nesta luta".
Em telefonema após a reunião com Lula, o presidente nacional da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que vai visitar d. Cappio, nos próximos dias, para conversar pessoalmente sobre a greve de fome. "Neste momento, estou mais preocupado com a saúde da democracia do Brasil do que com a minha própria", diz d. Cappio, já cinco quilos mais magro.
De acordo com ele, as obras de transposição, do jeito que estão sendo feitas - à revelia da Justiça, com o uso do Exército, sem a conclusão dos estudos de impacto e apresentado à sociedade de "forma falaciosa" - mostram o caráter autoritário da administração federal. "Parece que estamos entrando em uma ditadura, se já não estamos vivendo nela", acredita.
"O uso do imaginário da seca, da sede da população, para justificar uma obra de mais de R$ 6 bilhões que vai beneficiar sobretudo a fruticultura irrigada, a criação de camarão e a siderurgia é revoltante", afirma d. Cappio.
"Se o foco das obras fosse mesmo acabar com a sede das populações do semi-árido, seriam feitas as obras mostradas pela Agência Nacional das Águas (ANA), do próprio governo federal, no Atlas Nordeste, por exemplo. Custariam a metade do previsto para a transposição e beneficiariam 1.356 municípios em nove estados - e não 397 municípios em três estados, como vende a propaganda da transposição".
O Atlas prevê uma série de pequenas obras localizadas, como construção de poços, adutoras para interligar açudes e de barragens subterrâneas, que beneficiariam todas as cidades de mais de 5 mil habitantes do interior nordestino, ao custo total estimado de R$ 3,6 bilhões.
"Do ponto de vista do consumo humano, são obras muito mais importantes, mas de menos visibilidade", diz d. Cappio. "Enquanto isso, metade dos açudes públicos do Nordeste não estão disponíveis para quem precisa e os projetos de irrigação da Bacia do São Francisco estão paralisados".
O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) para o Projeto São Francisco, Ruben Siqueira, que acompanha d. Cappio desde o início do jejum, acrescenta que a transposição não tem nada a ver com a seca. "É um projeto de uso econômico, que usa a sede da população apenas para ter a aprovação da população", aponta.
"A transposição não passa de um acordo entre o governo federal e as grandes empreiteiras, para justificar os financiamentos de campanha. Não tem nada a ver com o desenvolvimento do Nordeste". Sobre as declarações do presidente Lula de que o governo está disposto a discutir melhorias no projeto de transposição, Siqueira ironiza. "O governo fala isso, mas não quer mudar nada" acredita.
"Essa obra vai ser a delícia das empreiteiras nas próximas décadas, vai promover a `mercantilização' da água bruta vai encarecer a água para a população como um todo, e pior: o povo do sertão vai ver a água passar e não vai ter acesso à ela. Isso tudo o governo não conta - e é isso que queremos mostrar aqui".
Fonte: Tribuna da Imprensa
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