sexta-feira, outubro 31, 2025

Vitória da Conquista realiza a 19ª Semana da Cultura Evangélica com Marcha para Jesus e programação especial

 







“Será uma semana marcada por várias atividades culturais e esportivas, com shows, apresentações e a tradicional Marcha para Jesus.”



Foto Divulgação 



Começa nesta sexta-feira, 31 de outubro, e segue até o próximo dia 9 de novembro, a 19ª edição da Semana da Cultura Evangélica de Vitória da Conquista, um dos maiores eventos de fé e celebração cristã do Sudoeste baiano.


Promovida pela Associação dos Pastores Evangélicos de Vitória da Conquista (APEVIC), a programação reúne atividades cívicas, esportivas, culturais e musicais em diversos pontos da cidade.


Como ocorreu nas duas edições anteriores, a 19ª Semana da Cultura Evangélica de Vitória da Conquista tem o apoio do Governo do Estado, através da Superintendência de Fomento ao Turismo (SUFOTUR), dando todo suporte necessário para que o evento ocorra.


Com o tema “Jesus é o motivo da nossa alegria”, o evento reunirá igrejas, famílias e comunidades em um grande movimento de adoração, comunhão e valorização dos princípios cristãos.


Programação


A abertura oficial acontece nesta sexta (31), com o Culto Cívico na Igreja Batista Peniel, às 19h30, e o Congresso de Artes e Danças na Igreja Jesus Church, às 19h.


No dia 1º de novembro, jovens e adolescentes participam de um grande encontro no Ginásio da Sião, a partir das 19h, além da Copa de Jiu-Jitsu e Futevôlei, que acontece às 8h. A tradicional Ceia Reunida, também no Ginásio da Sião, será realizada no dia 2 de novembro, às 8h30.


O ponto alto da Semana acontece no dia 8 de novembro, com a Final da Copa Evangélica de Futebol Society, às 9h, na Praça Norberto Aurich, seguida pela grande Marcha para Jesus, com concentração às 14h no mesmo local. 


O evento contará com as participações de Fhop Music, Nívea Soares, Marcos Semeadores e Ministério Esdras Rodrigues.


Encerrando a programação, no dia 9 de novembro, acontece o Passeio Ciclístico “Pedalando com Jesus”, com saída da Praça da Bíblia, às 7h30.


Serviço:


Evento: 19ª Semana da Cultura Evangélica

Data: 31 de outubro a 9 de novembro

Local: Vitória da Conquista – BA

Realização: APEVIC – Associação dos Pastores Evangélicos de Vitória da Conquista

Instagram: @apevic.oficial

Pauta enviada pelo jornalista Fábio Almeida

Simone Morena leva sua música e carisma ao Norte do Brasil, neste fim de semana


A cantora Simone Morena promete agitar o Norte do país com uma sequência de apresentações com um repertório recheado de sucessos. 

A maratona de shows começa no sábado (01/11), em Manaus (AM) para se apresentar na Serenata do Mumu, evento conhecido por reunir grandes nomes da música e proporcionar noites de muita animação. A cantora promete encantar o público com hits que transitam entre o forró e outros ritmos populares, além de incluir no setlist seu mais novo sucesso, “Modo Sacana”, que já está conquistando ouvintes nas plataformas digitais.


O fim de semana termina no domingo (02/11), em Boa Vista (RO), onde Simone Morena será a atração principal do Forró dos Velhos, evento que celebra a tradição do forró com muita música e dança.

Pauta enviada pelo jornalista Fábio Almeida

Violência como plataforma eleitoral no Rio de Janeiro

 Violência como plataforma eleitoral no Rio de Janeiro


               * Paulo Baía 


Escrevo movido por inquietação e espanto diante do que estamos presenciando. A campanha eleitoral no Rio de Janeiro começa ancorada no simbolismo e na retórica da violência. A operação policial nos Complexos da Penha e do Alemão tornou-se não apenas um ato de Estado, mas um eixo discursivo e eleitoral. Os secretários de Segurança Pública e da Polícia Civil do RJ elevaram-se a porta-vozes tácitos de que a força bruta, a ocupação massiva e a letalidade sistemática são agora moeda política de valor.


Enquanto as pesquisas legitimam a lógica da força e do extermínio, a política se curva ao aplauso fácil das massas amedrontadas. Hoje mesmo uma carreata de forças policiais desfilou pela Praia do Flamengo sob aplausos e gritos de “matem mais”. É o retrato cru do tempo presente: a barbárie virou virtude pública. O governo estadual reforça o caminho da militarização, aprofundando uma estratégia que vem sendo planejada há mais de um ano. Nesse ambiente, o aparato repressivo assume a forma de espetáculo e o eleitorado se torna plateia.


O governo federal parece seguir o mesmo compasso. Com Rui Costa na Casa Civil e Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública, não se deve esperar rupturas com essa lógica repressiva, apenas a adequação ao que as pesquisas revelam como “vontade popular”. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro Ricardo Lewandowski ajudam a compor a retórica oficial segundo a qual o Império da Lei se impõe via balas, ocupações e carnificina silenciosa. É nessa moldura que a política de segurança pública se transforma em propaganda antecipada de eleição.


Estamos assistindo a uma celebração da violência como método político. E quem ousa discordar é empurrado para a margem, silenciado, esmagado. Somos minoria, mas uma minoria que pensa, sente e resiste.


Ver-se a rotina inexorável de policiais mortos, em números que não são aceitáveis em um Estado de Direito, é ver o próprio aparato estatal pagar com vidas humanas o preço de uma estratégia que se pretende “cirúrgica”, “implacável”, “popular”, quando na verdade se torna desencadeamento de tragédia. As corporações policiais vêm registrando perdas regulares em serviço, em confrontos que alimentam o ciclo da morte e da retaliação, num cenário onde a força torna-se propaganda. E ao mesmo tempo os moradores das favelas, vilas periféricas e bairros vulneráveis vivem sob um medo que não se dissolve; convivem com o Estado armado como rotina de contenção de toda uma população, e também com a subjugação de facções criminosas como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro e as milícias paraestatais que ocupam espaços vazios do poder público ou o próprio poder público permissivo.


A tragédia é dupla. Por um lado, o aparato que deveria proteger mata e morre; por outro, as comunidades que deveriam ser amparadas são palco e alvo de uma guerra sem anúncio. A operação que se pretendia “limpeza” torna-se para as comunidades faveladas espetáculo da ocupação, da munição, da patrulha, da morte. A própria noção de cidadania se desvanece quando a presença do Estado armado se impõe como normalidade, como cerimônia repetida de contenção.


Nessa lógica, a violência deixa de ser exceção para tornar-se método. A política se converte em espetáculo da força e o eleitorado em plateia aplaudindo o espetáculo. As palavras “segurança”, “ordem”, “força bruta” vêm entoadas como hinos e slogans de campanha. A eleição se condensa numa promessa implícita: se eleger é matar inimigos.


Os lamentos das comunidades atingidas, como as dos moradores do Alemão e da Penha que saíram às ruas para protestar e acusar de “genocídio” o governo estadual, são a evidência de que esse tipo de operação não é apenas repressão, mas projeto de dominação política. A lógica é cristalina: matar nos territórios periféricos para comover nas zonas centrais; pulverizar corpos anônimos como advertência; transformar residências em tabernáculos de medo. A campanha germina nesse solo febril.


Na esfera federal, o alinhamento entre o estado do Rio e setores conservadores nacionais amplia-se no discurso de que a “vontade popular” exige violência; e quem ousa discordar, quem propõe outro modelo de segurança, fica empurrado para a margem. As redes sociais, os especialistas, as colunas jornalísticas amplificam a lógica: “temos que ser duros”, “não há espaço para debate”, “quem não mata é cúmplice”. É uma campanha midiática que já se antecipou, que já corre nas ruas, nos aviões, nos outdoors, nas sirenes, nas viaturas, nas transmissões ao vivo das operações.


A retórica que celebra a força se alimenta de símbolos: blindados nas favelas, drones sobre o morro, bandeiras hasteadas no topo dos barracos, pichações de vitória. A imprensa, os analistas políticos e mesmo as redes sociais entram no compasso desse show. Cada operação é transformada em manchete-estrela, cada morte em escândalo momentâneo, cada prisão em troféu para o candidato que celebra o caos. O discurso da segurança pública se metamorfoseia em espetáculo de aço e pólvora.


Mas existe um abismo profundo entre o que o espetáculo promete e o que a vida entrega. A letalidade não significa ausência de crime. O tráfico, as facções, a corrupção policial, a opressão das periferias, todos continuam ferozes, talvez até mais. A militarização, a ocupação, a “limpeza” literal ou simbólica oferecem visibilidade, mas pouca transformação real. E no rastro da operação ficam os corpos, o choro, as famílias, o trauma. O eleitor que aplaude hoje, quantos serão atingidos amanhã?


No âmbito sociológico, observamos uma regressão: o Estado vigilante, o cidadão temoroso, a cidadania suspensa. O Império da Lei, que deveria garantir liberdade, segurança e justiça, regrediu à lógica da exceção permanente. A segurança pública como categoria de direitos se engarrafa em prisões, morticínios, operações espetáculo. O discurso das assembleias estaduais do Rio já mostrava isso há anos: a violência internalizada, o candidato que defende “atuar com tudo”, os parlamentares que falavam como se a guerra fosse rotina.


Politicamente essa trama é densa. A direita utiliza a repressão como dispositivo eleitoral, não apenas para derrotar o crime, mas para vencer eleições. Nesse cenário, o eleitorado inseguro, empobrecido, vencido pelo medo, torna-se alvo e objeto de espetáculo. A oposição que recusa esse modelo se vê reduzida à periferia do discurso ou se vê obrigada a aceitar algum grau de militarização para não perder conectividade com o “povo amedrontado”. A polarização não é apenas entre esquerda e direita; é entre campos de segurança, entre valores de vida e valores de morte.


E há mais: essa violência celebrada tem traços de colonialismo interno. Territórios pobres, negros, periféricos, favelas, são palco e sacrifício. A massa que vibra com “matar mais” raramente vive nas favelas; raramente sente o estampido de balas subitamente, o socorro que demora, a criança que não volta da escola, a mãe que perde o filho. O eleitor que aplaude está muitas vezes protegido pelos muros invisíveis da classe média ou das zonas nobres. A injustiça estrutural se torna espetáculo.


Do ponto de vista antropológico, esse fenômeno revela algo mais profundo: o desejo coletivo de segurança que se confunde com o desejo de punição e vingança. A civilidade converge com a lógica do inimigo interno. O Estado assume o papel de executor e garante do medo; e o cidadão que assiste a tudo torna-se cúmplice resignado ou celebrante. A democracia, nesse processo, se debilita. O debate se reduz à exaltação da força, às marchas da polícia, às carreatas de blindados. Votos se transformam em cartuchos.


Para reconstruir uma política democrática de segurança seria necessário inverter o cenário: priorizar investimento social, educação, habitação digna; promover a participação comunitária; desmilitarizar o cotidiano; tratar o problema do crime organizado com inteligência investigativa e respeito ao Império da Lei. Mas essa alternativa quase não existe no palco eleitoral que se monta para 2026 no Rio: domina o canto das sirenes, o estrondo das armas, o aplauso da multidão.


O que redefinimos como “virtude pública” hoje é a coragem de apertar o gatilho, ou pelo menos de gritar “que matem mais”. E a campanha eleitoral, longe de estar suspensa até o dia da votação, já corre solta no cotidiano da violência. Um cenário em que o governante em campanha é também o estrategista da opressão, e o derrotado talvez seja o próprio cidadão.


Somos minoria, mas uma minoria que pensa, sente e resiste. E esse momento demanda mais do que indignação. Exige vigilância crítica, solidariedade com as vítimas, denúncia dos processos de espetacularização do massacre e construção de uma narrativa alternativa. Porque se a barbárie virou virtude pública, cabe a nós lembrar que a virtude da política é outra: a preservação da vida.


             * Sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ

Inteligência, participação social e coordenação: como combater o crime sem chacinas

 Especialistas apontam formas mais efetivas e menos letais de combate ao crime; medidas estariam sendo ignoradas pelo RJ

Por JORNAL DO BRASIL com Agência Pública
redacao@jb.com.br

Publicado em 31/10/2025 às 06:59

Alterado em 31/10/2025 às 08:33

Moradora chora por morte de suspeito no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, tendo ai lado, enfileiradas, dezenas de corpos Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


Por Laura Scofield - Venda de gás, água, transporte e combustível. Para além do tráfico de drogas, há vários outros mercados lícitos que hoje alimentam e financiam o crime organizado. Por isso, o combate às facções, que assombram a vida de moradores e perpetuam a violência, deve passar por estratégias que vão além das incursões e operações policiais, já comprovadamente falhas. É o que três especialistas em segurança pública defenderam em entrevistas à Agência Pública.

“É necessário que haja maior fiscalização e regulação de mercados lícitos que hoje são controlados por diversos grupos armados em territórios populares”, explicou a pesquisadora Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela cita a fiscalização do setor de transporte, do mercado imobiliário, do setor de telecomunicações e da oferta de gás e água, que são controlados por grupos armados em territórios que eles dominam, como forma de atacar “as bases econômicas desses grupos”.

Grilo ressalta, entretanto, que esse não tem sido o caminho seguido pelo governo do Rio de Janeiro, liderado por Cláudio Castro (PL). “A principal estratégia de combate e de controle do crime no Rio de Janeiro tem sido uma política pública que já se provou ineficiente ao longo das últimas décadas: as operações policiais de incursão armada em território sob domínio de grupos armados”, explica.

“A política de segurança pública implementada pelo governador Cláudio Castro não visa à proteção dos moradores de favelas do Rio de Janeiro. Ela visa, na verdade, a criminalização daqueles moradores”, avalia a pesquisadora Dandara Soares, do Afrocebrap, núcleo de pesquisa sobre raça do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

Na última terça-feira (28), a capital fluminense se tornou palco da Operação Contenção, a mais letal da história do estado. A ação resultou em ao menos 121 mortes, incluindo a de quatro policiais. O governo ainda não apresentou provas da ligação dos mortos com o crime organizado, nem de que todos os assassinatos tenham ocorrido durante conflito. Em entrevista à imprensa, o governador classificou a ação como um “sucesso”.

Na Câmara dos Deputados, o deputado federal de direita e pastor, Otoni de Paula (MDB-RJ), disse que ao menos quatro mortos eram “meninos que nunca portaram fuzis”, filhos de pessoas de sua igreja. “Preto correndo em dia de operação na favela é bandido”, disse na tribuna da Casa legislativa. Testemunhas também denunciam mortes por tiros nas costas e marcas de facadas nos corpos resgatados em uma zona de mata.

“Foi se abandonando cada vez mais a ideia de uma política estruturada, integrada, baseada em metas e objetivos, e [se criando] uma política em que o empoderamento e autonomia das forças policiais foram dados como uma chave para lidar com esse tipo de problemas”, afirmou à Pública o pesquisador Pablo Nunes, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Operação contra setor de combustíveis
De acordo com o pesquisador, as autoridades de segurança pública devem investir em inteligência e coordenação, a fim de construir “estratégias de segurança pública que estejam à altura dos desafios que a gente enfrenta no Brasil”.

“Recentemente, a gente teve uma prova do que pode ser feito no combate ao crime organizado, de uma maneira mais inteligente, sem violência, e focando na face monetária que mantém essas organizações reproduzindo o seu modo de violência”, explica. O pesquisador se referia à Operação Carbono Oculto, que buscou desmantelar esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

O ICL Notícias revelou nesta quinta-feira, 30 de outubro, que Castro entrou na Justiça para liberar as atividades da Refinaria de Manguinhos (Refit), suspeita de ligação com o tráfico e alvo da Operação Carbono Oculto. Na segunda-feira, 27 de outubro, um dia antes da Operação Contenção, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ) atendeu ao pedido do governador e da empresa, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reverteu a decisão.

“A opinião pública não está devidamente informada sobre as alternativas que existem para um combate mais eficiente ao crime e essas operações espetaculosas, como a de ontem, são muito mais visíveis do que o trabalho silencioso de inteligência, por exemplo, realizado pela Polícia Federal”, afirma Grillo. Ela considera que “políticos mal-intencionados se aproveitam da sensação de insegurança da população, que vive com medo da criminalidade, para vender soluções fáceis”, acrescenta.

PEC da Segurança Pública levanta debate necessário
Após a repercussão da chacina, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, destacou “a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança”, a PEC 18/2025, que tramita desde setembro em comissão especial da Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE).

A proposta do governo federal inclui na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e confere à União a competência para estabelecer diretrizes gerais quanto à política de segurança pública e defesa social. Além disso, ela busca garantir a participação da sociedade civil na tomada de decisão e prevê a criação de órgãos de controle e transparência, para que eles apurem a “responsabilidade funcional dos profissionais de segurança pública e defesa social”.

Mendonça avalia, entretanto, que o texto original “não resolve o problema” do crime organizado no Brasil e defende “mudanças significativas” na proposta. O relator informou que quer apresentar sua versão do texto em novembro.

Grillo concorda que, apesar de importante, a PEC “não é a solução para o crime no país”. “A gente precisa de práticas do Poder Executivo muito mais do que no âmbito legislativo, de redirecionamento do trabalho policial e de ampliação das políticas sociais que têm se voltado para a juventude em situações de vulnerabilidade”.

Já Nunes destaca que a proposta é importante para iniciar o debate sobre a “falta total de cooperação entre os entes federativos em relação à segurança pública”. “O desenho constitucional de 88 não dá mais conta do grave momento de segurança pública que o Brasil enfrenta como um todo. É preciso repensar o papel dos municípios, e muito fundamentalmente, pensar o papel do governo federal frente à segurança pública”, afirma.

Soares ressalta que a sociedade civil deve ser incluída na discussão: “A partir do momento que as pessoas que vivem essa política forem ouvidas e levadas em consideração, vai haver avanços. São essas pessoas que vivem e pensam um outro futuro para esses territórios. E um outro futuro precisa ser desenhado, com uma política de segurança pública que tenha um caráter protetivo a esta população, e que não seja mais reativa, e sim preventiva”.

Governo Lula envia peritos para o RJ em primeira providência do escritório emergencial pós ação

 

Governo Lula envia peritos para o RJ em primeira providência do escritório emergencial pós ação

Peritos são da PF e da Força Nacional; PRF enviará 350 agentes para reforçar quadro

Por Raquel Lopes/Folhapress

30/10/2025 às 21:00

Atualizado em 31/10/2025 às 00:52

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Imagem de Governo Lula envia peritos para o RJ em primeira providência do escritório emergencial pós ação

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o governador Cláudio Castro (PL), em entrevista coletiva

O governo Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira (30) o envio de ao menos 30 peritos criminais para apoiar o Rio de Janeiro após megaoperação que resultou na morte de 121 pessoas, segundo o cálculo oficial.

Os peritos enviados ao estado apoiarão as forças estaduais de segurança em áreas como análise dos locais de crimes, balística, genética forense para identificação de DNA, medicina legal, exames de balística, necropsia, identificação de corpos, entre outras.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviará 20 peritos criminais da Polícia Federal. Também está prevista a mobilização de um contingente adicional de peritos da Força Nacional de Segurança Pública, entre dez e 20 profissionais.

Além disso, a Polícia Rodoviária Federal reforçará o efetivo com mais 350 agentes. Segundo a pasta, o objetivo é oferecer ao Rio de Janeiro o apoio necessário nas ações de enfrentamento à violência.

O envio desses servidores foi comunicado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ao governador fluminense, Cláudio Castro (PL), no início da tarde desta quinta-feira (30).

Segundo Lewandowski, a iniciativa é o primeiro resultado concreto do escritório emergencial de combate ao crime organizado no estado, anunciado no Palácio Guanabara na véspera.

"Nós tivemos a ideia de criar esse escritório extraordinário de enfrentamento ao crime organizado para agilizar a comunicação entre as forças federais e estaduais de segurança", disse o titular da Justiça.

"Não é um espaço físico, mas uma forma de se comunicar rapidamente e transmitir as necessidades que possam ser resolvidas sem maiores delongas. Um dos resultados é o envio de peritos criminais, médicos e de diferentes áreas da criminalística".

Nesta quinta (30), em reunião com familiares de mortos na operação e representantes da comunidade, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, prometeu que o governo vai encomendar uma perícia independente dos corpos dos mortos.

"Na nossa visão, a perícia no local está muito prejudicada", afirmou a ministra, que integrou uma comitiva do governo e da Câmara dos Deputados em visita ao complexo da Penha.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou que pediu para acompanhar as perícias nos corpos recolhidos, mas que foi negada a entrada no IML (Instituto Médico Legal).

A Polícia Civil afirmou que o acesso ao IML está limitado a policiais civis e membros do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Já a Defensoria argumenta que o acompanhamento faz parte da atuação na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

"Queremos entender as circunstâncias dessas mortes, gostaríamos de acompanhar. Ao Ministério Público a entrada foi oportunizada e à Defensoria não foi permitido o ingresso", afirmou a defensora Rafaela Garcez.

Em razão desse impedimento, a Defensoria Pública da União (DPU) protocolou na Justiça medida cautelar pedindo autorização para acompanhar perícias técnicas dos corpos das vítimas.

"A ADPF das Favelas estabeleceu parâmetros para a atuação das forças de segurança pública em territórios vulneráveis, determinando que tais operações devem ser excepcionais, devidamente justificadas e planejadas para minimizar riscos à população civil. O descumprimento dessas diretrizes representa violação a preceitos fundamentais e, para a DPU, compromete a efetividade do Estado Democrático de Direito", afirmou o órgão em comunicado de imprensa.

Na manifestação, a DPU solicita "assistente técnico indicado e outros profissionais especializados que se façam necessários" ou, caso não seja possível, "preservação integral de todos os elementos periciais e da respectiva cadeia de custódia, assegurando-se à Defensoria Pública da União a possibilidade de realizar contraprova pericial".

A Defensoria argumenta ainda que o acompanhamento das perícias é essencial para assegurar a transparência, a imparcialidade e a correta apuração das circunstâncias das mortes, em respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais de ampla defesa.

Projeto Antifacção é acelerado

Em outra frente, a crise de segurança pública no Rio de Janeiro decorrente da megaoperação contra a facção Comando Vermelho mobilizou integrantes do Palácio do Planalto e o próprio presidente Lula, num movimento que tem como pano de fundo a disputa eleitoral do próximo ano.

De acordo com relatos de auxiliares, o presidente, desde que retornou de viagem da Ásia na noite de terça, tem dado prioridade ao assunto e cobrado celeridade de sua equipe para o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei chamado de antifacção, que busca atualizar a Lei das Organizações Criminosas e outras normas. A expectativa é a de que o texto seja enviado ao Congresso na sexta (31).

Apesar de a segurança pública ser um tema de competência dos estados, há uma avaliação entre aliados do presidente de que essa crise poderá afetar a imagem da gestão petista, que vinha em uma espécie de maré positiva nas últimas semanas, com melhoria nos índices de aprovação do governo federal.

Além disso, o governo federal é alvo de críticas da oposição por não apresentar ações robustas para a área da segurança pública, tema que deverá ser prioritário na eleição de 2026. Interlocutores do presidente enxergam movimento eleitoreiro e oportunista de governadores da direita que usaram a megaoperação para atacar o Executivo.

PF deflagra oitava fase da Operação Overclean contra fraudes e corrupção em contratos públicos

 

PF deflagra oitava fase da Operação Overclean contra fraudes e corrupção em contratos públicos

A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal

Por Redação

31/10/2025 às 07:16

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Imagem de PF deflagra oitava fase da Operação Overclean contra fraudes e corrupção em contratos públicos

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (31), a oitava fase da Operação Overclean, com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de envolvimento em fraudes em licitações, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

Nesta etapa, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de valoressupostamente obtidos de forma ilícita. As diligências ocorreram em Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO). As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a PF, os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. As investigações continuam sob sigilo, com o objetivo de aprofundar a apuração das transações financeiras e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

Politica Livre

Megaoperação policial: PGR cobra explicações e STF pode exigir resposta do Governo do Rio

Publicado em 30 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

PGR e CNDH Reagem à Tragédia no Alemão e Penha

Daniel Gullino
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou questionamentos feitos ao governo do Rio de Janeiro pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e por um grupo de trabalho do Ministério Público sobre a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, realizada na terça-feira e que deixou ao menos 119 mortos. Cabe ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar se esses questionamentos devem ser enviados ao governo estadual.

Nesta quarta-feira, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, solicitou que o STF determinasse que o governo do Rio respondesse uma série de perguntas sobre a operação, como a justificativa formal para sua realização e quais as providências adotadas para assistência às vítimas

ADPF DAS FAVELAS – O pedido foi feito no processo conhecido como ADPF das Favelas, no qual o STF estabeleceu regras para operações policiais no Rio de Janeiro. Essa ação estava sem relator após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, mas na terça-feira foi enviada para Moraes, para análise de questões urgentes.

Moraes, então, deu 24 horas para a PGR se manifestar sobre a solicitação. Nesta quarta-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, respondeu que os esclarecimentos solicitados pelo CNDH são semelhantes aos que já haviam sido apresentados pelo grupo de trabalho, coordenado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), criado para acompanhar o cumprimento das determinações da ADPF das Favelas. Por isso, Gonet reiterou os questionamentos feitos pelos dois órgãos.

INFORMAÇÕES – “A Procuradoria-Geral da República reitera os mesmos pedidos de informações deduzidos pelo Coordenador do Grupo, o Procurador Regional da República e membro do Conselho Nacional do Ministério Público, Dr. Antônio Edílio Magalhães Teixeira, com os acréscimos de indagações do CNDH”, escreveu o procurador-geral.

Também na terça-feira, o conselheiro do CNMP e coordenador-geral do grupo de trabalho, Antônio Edílio Magalhães Teixeira, solicitou informações sobre o cumprimento das regras estabelecidas na ADPF, como a utilização de câmeras corporais pelos policiais, o respeito às regras de buscas domiciliares, a presença de ambulâncias e o princípio da proporcionalidade no uso da força.

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