terça-feira, maio 05, 2026
Lula avalia nova indicação de Jorge Messias ao STF e estuda momento político
Lula avalia nova indicação de Jorge Messias ao STF e estuda momento político
Por Redação
05/05/2026 às 08:17
Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil
Jorge Messias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que pretende indicar novamente Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, mesmo após a rejeição do nome pelo Senado. Apesar da intenção, Lula avalia o melhor momento político para fazer a nova indicação, considerando evitar uma nova derrota. A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.
Entre as estratégias em análise está adiar a indicação para depois das eleições de outubro, quando o governo acredita que poderá ter maior força de articulação no Congresso, especialmente junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Outra possibilidade é indicar outro nome para a vaga atual no STF e retomar o nome de Messias em uma futura oportunidade.
Nos bastidores, o Planalto demonstra incômodo com a rejeição, que não foi compreendida pelo presidente. Ainda assim, Lula não pretende adotar retaliações públicas e deve conduzir a situação com cautela, avaliando tanto o cenário político quanto o futuro de Messias no governo, incluindo possíveis mudanças de função dentro da administração federal.
Politica Livre
PGR resiste a pedido de Gilmar para incluir Zema em inquérito das fake news

Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido
Rafael Moraes Moura
O Globo
Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer. Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão.
BANHO-MARIA – Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso. Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.
O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.
“ACABA QUANDO TERMINA” – Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.
“A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.
Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”
HOMOFOBIA – Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega. Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema.
Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.
ARQUIVAMENTO – “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.
Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.
Levantamentos em quatro estados revelam resistência feminina à direita e evangélica ao lulismo

Pesquisas indicam divisão por gênero e religião
Eduardo Moure
O Globo
Os recortes por segmentos nas mais recentes pesquisas Genial/Quaest para governador dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul mostram que as disputas locais espelham dificuldades enfrentadas pelo bolsonarismo, entre o eleitorado feminino; e pelo petismo, no caso de eleitores evangélicos.
Nesses quatro estados, as primeiras colocações nas pesquisas são ocupadas até aqui por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). As disputas locais indicam que os candidatos mais à direita performam melhor entre os homens e têm desempenho inferior entre as mulheres, enquanto nomes do campo lulista enfrentam barreira semelhante entre os evangélicos.
EMPATE TÉCNICO – Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) abre ampla vantagem no eleitorado masculino, com 44% das intenções de voto, contra 23% de Fernando Haddad (PT). Já entre as mulheres, a diferença diminui e há empate técnico na margem de erro: Tarcísio aparece com 33%, enquanto o petista soma 30% de apoio no eleitorado feminino.
Na disputa pelo governo do Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera com vantagem nos dois públicos, mas também registra disparidades no desempenho a depender do público. Se entre católicos, ele chega a 38%, entre evangélicos, segmento ao qual vem fazendo acenos, pontua 10 pontos percentuais a menos (28%).
Já o presidente da Assembleia do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio, tem mais que o dobro do apoio masculino em relação ao feminino. Enquanto 13% dos homens indicam apoio ao candidato do ex-governador Cláudio Castro, apenas 6% das mulheres declararam voto no bolsonarista.
MORO À FRENTE – No Paraná, o senador Sérgio Moro (PL), que concorre ao governo do estado, aparece à frente em ambos os grupos. Porém, assim como os outros candidatos de direita, tem desempenho discrepante entre homens e mulheres — atrai 44% dos homens, contra 31% das mulheres. Por outro lado, seu principal adversário, o segundo colocado na pesquisa eleitoral, Requião Filho (PDT), chega a 21% no eleitorado feminino, ante 14% entre os homens.
No Rio Grande do Sul, o cenário é mais equilibrado e o fenômeno se manifesta apenas no recorte por gênero. Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) estão empatados tecnicamente na disputa do primeiro turno. Enquanto a neta de Leonel Brizola lidera entre as mulheres com 21%, ante 16% de Zucco, o bolsonarista aparece numericamente à frente entre os homens, com 27%, contra 26% de sua adversária.
ACENOS DOS CANDIDATOS – A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), explica que a preferência das eleitoras por nomes mais à esquerda passa por fatores culturais, mas também pela dificuldade da direita em atender demandas desse segmento.
— Historicamente, as mulheres foram associadas a áreas como cultura, educação e assistência social, como se tivessem uma aptidão natural para esses campos. A própria sociedade delega a elas o cuidado com crianças, idosos e pessoas com deficiência, por exemplo. Isso faz com que parte do eleitorado feminino identifique em candidatos de esquerda uma maior sensibilidade para essas pautas. É uma percepção que se naturalizou ao longo do tempo. Além disso, o voto feminino tende a ser mais crítico, e muitas vezes as propostas da direita não dialogam diretamente com as demandas e prioridades dessas eleitoras — avalia.
REJEIÇÃO FEMININA – Na pré-campanha, Flávio já tem intensificado seus discursos voltados para as mulheres como forma de evitar repetir a forte rejeição do eleitorado feminino a Jair Bolsonaro. Pesquisas eleitorais na campanha de 2022 mostraram que a rejeição das mulheres ao então presidente ultrapassou os 60%. Como mostrou O Globo, Flávio passou a citar números da segurança pública como argumento de que, no governo de seu pai, as mulheres eram “mais protegidas”.
Já Lula tem feito sinalizações aos evangélicos, segmento que aderiu a Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais. Em fevereiro, enfatizou que “90% dos evangélicos recebem benefícios sociais do governo” durante um discurso. O petista, no entanto, viu a relação com lideranças religiosas sofrer um desgaste provocado pelo desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio. A escola, que homenageou o presidente este ano, levou para avenida a ala “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias dentro de latas, algumas com adereços com referência religiosa.
TEMA DELICADO – O cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Josué Medeiros, lembra , contudo, que a erosão dessa relação começou ainda em 2010, na primeira eleição de Dilma Rousseff (PT), quando o tema aborto começou a ser explorado nas campanhas por seu então adversário José Serra.
— Até então o evangélico tendia a votar em Lula, em uma convergência com o eleitorado mais periférico e de menor renda, alinhado à agenda social que marcou seus governos — explica Medeiros. — Depois (hoje senadora) Damares Alves se aproximou de Jair Bolsonaro para fazer oposição ao governo no Congresso. Desde então, essa inflexão se aprofundou e se consolidou, formando o cenário atual, em que entre 60% e 70% do eleitorado evangélico tende a votar em candidatos de direita à Presidência.
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