segunda-feira, maio 04, 2026

Lula deve ir aos Estados Unidos para se reunir com Trump nesta semana

 

Lula deve ir aos Estados Unidos para se reunir com Trump nesta semana

Expectativa é que reunião entre os presidentes seja na quinta-feira (7)

Por Caio Spechoto/Isabella Menon/Folhapress

04/05/2026 às 13:25

Atualizado em 04/05/2026 às 14:44

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula deve ir aos Estados Unidos para se reunir com Trump nesta semana

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá viajar nos próximos dias para os Estados Unidos, onde deve se encontrar com o chefe do governo do país, Donald Trump. A expectativa é de que a reunião seja na quinta-feira (7).

Havia a expectativa de Lula e Trump se encontrarem em março, mas a ideia não foi adiante na época.

O presidente deve viajar junto com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que esteve nos EUA durante as reuniões da primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e anunciou no início de abril uma parceria estratégica entre os dois países para o combate ao crime organizado transnacional.

Integrantes do governo e diplomatas ainda adotam cautela e evitam dar como certa a visita porque a informação não foi oficialmente divulgada pelas autoridades americanas. Do lado brasileiro, há o receio de confirmar a informação antecipadamente e o governo americano cancelar o compromisso.

Lula e Trump estão de lados opostos do espectro político mundial. O brasileiro costuma fazer diversas críticas ao chefe do governo americano. É uma forma de tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, adversário do petista e apoiador de Trump.

Um dos momentos de maior popularidade do petista foi no ano passado, quando Lula conseguiu encaixar um discurso de soberania nacional depois de os Estados Unidos imporem um tarifaço contra produtos brasileiros.

Trump, à época, relacionou as tarifas ao processo contra Jair Bolsonaro (PL) –meses depois, o ex-presidente seria condenado a 27 anos e três meses de prisão por causa da trama golpista.

O governo brasileiro fez movimentos diplomáticos para reverter o tarifaço, e conseguiu derrubar as taxas de diversos produtos. Em setembro daquele ano, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro: conversaram rapidamente em Nova York, durante a assembleia geral da ONU.

Depois, eles se falaram por telefone. Em outubro de 2025, por exemplo Trump afirmou que uma conversa telefônica com Lula havia sido ótima e que poderia visitar o Brasil.

Em janeiro, Lula afirmou que iria em março aos Estados Unidos encontrar o presidente americano. "No começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro", declarou o petista à época.

Aliados de Lula avaliavam que a reunião não seria realizada caso não acontecesse até o fim de junho. O motivo seria a eleição deste ano, quando Lula tentará um novo mandato à frente do Planalto. A agenda de pré-campanha e campanha costuma dificultar viagens do presidente da República para o exterior.

O entorno do petista teme que Trump tente algum tipo de intervenção na eleição brasileira. No mês passado, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, foi até a Hungria fazer campanha para o então primeiro-ministro, Viktor Orbán.

Modelo para vários líderes da direita global, Orbán, responsável por um processo de deterioração da democracia húngara, foi derrotado por Péter Magyar.

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Pedro do Coutto

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não foi apenas um revés político — foi um choque institucional de grandes proporções. Pela primeira vez em mais de um século, o Senado recusou um nome indicado à mais alta Corte do país, expondo fissuras profundas entre Executivo, Legislativo e até o próprio Judiciário.

Diante desse cenário, a análise do jornalista Elio Gaspari, publicada na Folha de S. Paulo e no O Globo, vai além do episódio imediato. Ela aponta para uma encruzilhada estratégica: se o presidente Lula da Silva quiser evitar uma nova derrota, não basta recompor articulação política — será preciso mudar o eixo da escolha.

INDICAÇÃO DE UMA MULHER – Gaspari sugere que a saída mais segura é a indicação de uma mulher para a vaga ainda aberta no Supremo. Não por um gesto simbólico isolado, mas por cálculo político. Segundo a leitura do colunista, há um constrangimento institucional e social que tornaria muito mais difícil ao Senado rejeitar uma candidata mulher, especialmente em um ambiente já marcado por desgaste e polarização.

Essa hipótese não surge no vazio. A história recente do STF mostra que nomes como Cármen Lúcia, Rosa Weber e Ellen Gracie foram indicadas sem enfrentar níveis extremos de rejeição política. Não se trata de ausência de controvérsia — algo inexistente em Brasília —, mas de um padrão menos conflituoso na aprovação.

Ainda assim, a tese de Gaspari, embora pragmática, merece leitura crítica. Apostar exclusivamente no fator de gênero como blindagem política pode simplificar demais um problema mais complexo: a perda de controle do governo sobre sua base no Senado.

FALHAS NA ARTICULAÇÃO – A rejeição de Messias revelou algo mais estrutural — falhas de articulação, leitura equivocada de forças e, sobretudo, autonomia crescente de lideranças parlamentares. Ou seja, indicar uma mulher pode reduzir o risco imediato, mas não resolve o problema central: a fragilidade da coordenação política do Planalto.

Há também um risco silencioso nessa estratégia. Se a escolha for percebida como instrumental — uma tentativa de evitar nova derrota, e não uma decisão baseada em critérios técnicos e institucionais —, o efeito pode ser o oposto do esperado. Em vez de pacificar, pode alimentar resistências veladas.

Por outro lado, ignorar o conselho e insistir em uma indicação tradicional — especialmente alguém identificado como próximo ao presidente — pode levar a um cenário ainda mais delicado. Uma segunda rejeição, em sequência, não seria apenas desgaste: seria a cristalização de um governo incapaz de influenciar decisões-chave do Congresso em pleno ano eleitoral.

AUTORIDADE POLÍTICA – E aqui está o ponto central: mais do que preencher uma cadeira no Supremo, Lula precisa reconstruir autoridade política. A escolha do próximo nome será menos um ato jurídico e mais um teste de governabilidade.

No fim, a equação não é apenas sobre gênero, nem apenas sobre mérito. É sobre timing, leitura de forças e capacidade de adaptação. Em política, como a própria história de Lula demonstra, sobreviver não depende de evitar derrotas — mas de saber reagir a elas antes que se tornem irreversíveis.

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Celso de Mello rejeita reformas por impulso político

João Pedro Abdo
Folha

Para o ministro aposentado e ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello, um redesenho nas instituições de Justiça não deve ser “obra de gabinete, produto de ressentimento político, reação episódica a decisões judiciais ou instrumento de pressão conjuntural sobre juízes e tribunais”.

Segundo ele, a discussão sobre as diversas propostas de reforma do Judiciário que apareceram nas últimas semanas é “importante, legítima e necessária”, pois “nenhuma instituição republicana está imune ao debate público”. As opiniões do ministro foram veiculadas em texto publicado no jornal Integração, de Tatuí, cidade do interior paulista e terra natal de Celso de Mello, e encaminhado à Folha. A publicação é editada pelo jornalista José Reiner Fernandes, amigo de longa data do magistrado.

PROCESSO PÚBLICO – O ex-presidente do Supremo afirma que a aprovação pelo Legislativo de uma eventual reforma não deve refletir apenas a vontade da maioria do Congresso, mas também “um processo público de audiência, reflexão, ponderação e amadurecimento institucional”. Para ele, a legitimidade de uma reforma depende do grau de participação dos diversos setores da sociedade.

“Quanto mais aberta for a discussão, maior será o grau de legitimação democrática da decisão política que dela resultar. Quanto mais ampla for a participação dos setores diretamente interessados– não apenas os integrantes do sistema de Justiça, mas sobretudo os cidadãos que dele dependem–, mais consistente será a solução institucional a ser adotada”, afirma o ministro.

A imparcialidade dos juízes, diz Celso, não representa privilégio corporativo, mas sim direito dos cidadãos: “independência judicial não é prerrogativa pessoal do magistrado; é garantia pública do jurisdicionado”.

EXEMPLOS EUROPEUS – O ministro mobiliza exemplos de reformas judiciais em países europeus –como Espanha, Reino Unido e Itália– para demonstrar que enxerga mudanças institucionais como parte do “repertório normal das democracias constitucionais”.

O STF e o Judiciário vivem uma crise perante a opinião pública, agravada pela revelação da relação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master. As suspeitas levaram à troca da relatoria do caso no Supremo.

Em meio à crise de imagem do STF e às disputas internas entre integrantes da corte, o ministro Flávio Dino propôs neste mês uma nova reforma do Poder Judiciário. A iniciativa, exposta pelo ministro em artigo publicado no portal ICL Notícias, abriu uma nova frente de embate com o grupo do presidente da corte, Edson Fachin, em torno de uma agenda ética e moral para a magistratura.

ÓRGÃOS DE CONTROLE – As últimas mudanças substanciais e coordenadas no sistema de Justiça brasileiro aconteceram há 22 anos, com a aprovação da emenda constitucional 45/2004, que tramitava no Congresso desde 1992. Entre as inovações, houve a criação de órgãos de controle, como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

Celso defende que o exemplo dos países europeus reafirma a importância desses conselhos contra “interferências indevidas de outros Poderes”. Os órgão de controle não devem ser confundidos com “instrumentos de submissão do Judiciário ou do Ministério Público a interesses externos”, diz.

“Reformar a Justiça não é diminuí-la. É qualificá-la. Não é submetê-la. É fortalecê-la. Não é retirar-lhe a independência. É torná-la mais apta a servir, com eficiência, imparcialidade, transparência e autoridade moral, à Constituição e às leis da República”, conclui.

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