sábado, novembro 01, 2025

Na engrenagem invisível do crime, a propina sustenta o poder do Comando Vermelho


O crime sobrevive ao se infiltrar nas brechas do poder

Pedro do Coutto

A recente reportagem de O Globo sobre o Comando Vermelho (CV) lança luz sobre um aspecto pouco discutido, porém decisivo, da atuação da facção: a profissionalização da corrupção. Segundo as investigações, dentro da estrutura da organização criminosa há até um “especialista em propinas” — alguém cuja função é administrar pagamentos a agentes públicos e negociar vantagens que mantenham o império do tráfico funcionando com mínima interferência do Estado.

Essa revelação, mais do que um detalhe, expõe a essência do crime organizado no Brasil: ele não sobrevive apenas à base da violência, mas sobretudo pela capacidade de corromper e se infiltrar nas brechas do poder.

ALIANÇA – O Comando Vermelho, nascido nas prisões cariocas durante a ditadura, evoluiu de uma aliança de detentos para uma máquina empresarial do crime, expandindo-se por diversos estados e até alcançando conexões internacionais.

O que antes era um grupo armado, hoje é uma rede que movimenta bilhões e controla territórios com a mesma eficiência de uma corporação. O tráfico de drogas e de armas continua sendo a espinha dorsal, mas o diferencial contemporâneo é a capacidade de operar financeiramente — lavar dinheiro, investir em empresas de fachada e comprar silêncio.

É a economia paralela do crime, sustentada por um mercado de propinas que vai desde o policial de base até setores mais sofisticados da máquina pública. O caso revelado no Complexo da Penha, onde um integrante da facção atua exclusivamente como articulador de propinas, é o retrato dessa engrenagem invisível. Ele não dispara armas, não negocia drogas — negocia impunidade.

FERRAMENTA ESTRATÉGICA – Essa função demonstra que a corrupção deixou de ser uma consequência eventual e se tornou uma ferramenta estratégica. A propina garante o fluxo de informações, o alívio em fiscalizações, a liberdade de circulação de drogas e armas. Em outras palavras, é o óleo que faz girar a máquina do crime.

O problema é que esse sistema corrompe não apenas as instituições, mas a própria ideia de Estado. Quando o crime consegue comprar tolerância ou inação, o poder público deixa de ser a instância legítima do território. Nas comunidades dominadas, o Comando Vermelho dita regras, impõe horários, regula conflitos e até presta “serviços” sociais — papel que deveria ser do Estado. O dinheiro da propina, nesse contexto, não é apenas um suborno: é uma forma de poder.

ESQUEMA – As investigações recentes mostram o tamanho da estrutura financeira envolvida. Em 2025, a polícia descobriu um esquema de lavagem de dinheiro do CV que movimentou cerca de R$ 6 bilhões em um ano, com notas mofadas e marcadas pelo cheiro de drogas.

Em outro caso, planilhas apreendidas indicavam um caixa de R$ 13,8 milhões em apenas um mês, usado para custear advogados, armas e operações. Tudo isso revela um modelo de negócio altamente sofisticado, que depende tanto da violência quanto da capacidade de corromper.

O Estado, por sua vez, continua refém de uma lógica reativa: operações policiais grandiosas, confrontos em favelas, prisões pontuais — sem atacar o núcleo do problema, que é o dinheiro. Enquanto a repressão se concentra no varejo do tráfico, a elite do crime aperfeiçoa seus mecanismos de lavagem e influência.

FRONTEIRA – O enfrentamento eficaz exigiria outro tipo de estratégia: investigação financeira, rastreamento de fluxos, transparência institucional e controle rigoroso sobre servidores e empresas que interagem com o poder público. O que está em jogo vai além da segurança. É uma disputa pelo controle simbólico e prático do Estado. A propina, nesse contexto, é o instrumento que dilui a fronteira entre legalidade e ilegalidade. Cada agente comprado, cada licitação desviada, cada olhar desviado diante de um crime alimenta essa fronteira cinzenta onde o Comando Vermelho prospera.

A reportagem do Globo não apenas revela um crime — revela um sistema. E enquanto o país continuar tratando a corrupção como uma anomalia, e não como parte essencial da engrenagem que sustenta o poder paralelo, continuará condenado a enxugar gelo. O verdadeiro combate ao crime organizado não se faz apenas com fuzis ou helicópteros, mas com integridade, investigação e vontade política. Porque o poder do Comando Vermelho não está apenas nas armas — está, sobretudo, no bolso de quem se vende para mantê-lo.

 

Baiano é o mais cotado para assumir AGU para lugar de Jorge Messias

 

Baiano é o mais cotado para assumir AGU para lugar de Jorge Messias

Por Política Livre

31/10/2025 às 22:00

Atualizado em 01/11/2025 às 01:16

Foto: Agência Brasil

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O advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva

O advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, é o nome mais cotado para assumir a Advocacia-Geral da União (AGU) caso o atual titular, Jorge Messias, seja indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Baiano, Wellington César, hoje, está em um dos cargos estratégicos mais influentes da estatal, com atuação direta em todas as decisões e discussões jurídicas da companhia. 

Ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, ele também teve uma breve passagem pelo Ministério da Justiça, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), onde permaneceu por 11 dias em março de 2016.

Politica Livre

Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz Júnior Friboi, irmão de Joesley

 

Muito do que contaram a Trump sobre Brasil não é verdade, diz Júnior Friboi, irmão de Joesley

Júnior Friboi diz ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço

Por Joana Cunha/Folhapess

31/10/2025 às 19:45

Atualizado em 31/10/2025 às 22:40

Foto: Felipe Gonçalves/Divulgação Lide

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José Batista Junior, o primogênito dos irmãos Batista conhecido como Júnior Friboi

Passadas as conversas que levaram à abertura de diálogo entre os governos americano e brasileiro sobre o tarifaço de Donald Trump, José Batista Junior, o primogênito dos irmãos Batista, avalia que a polarização teve impacto na crise.

Júnior Friboi, como é conhecido o empresário da família gigante do setor de carnes, diz que ainda não se encontrou com Joesley depois que o irmão esteve pessoalmente com Trump para tratar do tema em setembro.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (31), durante evento do Lide, que reuniu empresários em Londres, Júnior fez um relato sobre o encontro de Joesley com Trump. Ele afirmou que a ideia era falar do tamanho das operações que a família possui nos Estados Unidos. Com isso, relatou Júnior, Joesley também conversou com o presidente americano sobre a realidade brasileira.

"Tem muita conversa distorcida, e nós fomos falar a verdade, a realidade do que está acontecendo no Brasil. E ele escutou e deu toda a atenção. E achou que seria muito favorável encontrar com o presidente do Brasil para que os dois países continuassem a conversar e a fazer bons negócios e voltar a ter um bom relacionamento. Tem muita coisa que estão dizendo para o governo americano que não é verdade", disse Júnior aos jornalistas.

Quando anunciou o tarifaço contra o Brasil, em julho, Trump citou expressamente entre as justificativas o caso de Jair Bolsonaro na Justiça brasileira em meio às movimentações do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, em Washington.

Questionado se Trump foi enganado antes de decidir sobretaxar o Brasil, Júnior afirma que algumas palavras podem ter sido incompatíveis.

"Eu não digo que enganou, mas eu acredito que, em função da polarização em que o Brasil está hoje, da divisão política em que o Brasil está hoje, algumas informações para alcançar o poder, para tentar voltar ao poder, eu acredito que faz toda influência. Eu acho que tem algumas palavras, algumas conversas, que não são compatíveis com a realidade do que nós estamos passando hoje. É basicamente isso, nada diferente do que nós falamos para eles, que o Brasil é um país pacífico", relatou Júnior.

Do ponto de vista econômico, ele afirma ter visto prós e contras nos desdobramentos do tarifaço.

"Por um lado, é ruim porque você deixa de vender. Por outro lado, foi muito bom, porque nós abrimos outros mercados que não tínhamos. Deu uma grande oportunidade. Essas tarifas impostas pelos Estados Unidos fizeram com que o mundo procurasse o Brasil", disse Júnior.

"Abrimos [mercado em] China, Indonésia, Vietnã, abrimos tantos outros mercados. Os mercados asiáticos que nós começamos a buscar estão buscando o Brasil para substituir alguns produtos americanos por causa dessas condições de taxação americana", afirmou.

Júnior afirmou que, a despeito da taxação imposta por Trump, a exportação ainda compensa. "Ainda é viável exportarmos para os EUA por causa da diferença do preço que está no mercado interno americano para o mercado interno brasileiro.

"Para se ter uma ideia, o boi nos EUA hoje está a US$ 120 a arroba. No Brasil é US$ 60", disse.

Ele argumenta que os Estados Unidos estão reduzindo a produção de rebanho, o que eleva a necessidade de carne brasileira para a indústria.

Alcolumbre insiste em Pacheco no STF, e senador evita buscar outro partido até decisão de Lula

 

Alcolumbre insiste em Pacheco no STF, e senador evita buscar outro partido até decisão de Lula

A incerteza sobre a indicação tem feito Pacheco aguardar o desfecho antes de decidir seu futuro político

Por Thaísa Oliveira/Folhapress

01/11/2025 às 07:30

Foto: Roque de Sá/Arquivo/Agência Senado

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Rodrigo Pacheco

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem insistido no nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF (Supremo Tribunal Federal) e deixado claro que não pretende se esforçar para que o preferido de Lula (PT), o advogado-geral da União, Jorge Messias, seja aprovado.

A incerteza sobre a indicação tem feito Pacheco aguardar o desfecho antes de decidir seu futuro político, além de travar negociações em torno de um novo partido para uma possível disputa pelo Governo de Minas Gerais, candidatura estimulada por Lula para ter um palanque no estado.

Reservadamente, a avaliação de senadores é de que Alcolumbre não deve auxiliar nem atrapalhar Messias. Parlamentares também acham improvável que o presidente do Senado estique a corda com Lula segurando a sabatina durante meses, como fez com Jair Bolsonaro (PL) em 2021 na indicação de André Mendonça.

A mensagem foi transmitida diretamente ao petista, segundo relatos, durante a conversa que os dois tiveram a sós no último dia 20. Alcolumbre afirmou ao presidente que não poderá trabalhar a favor da aprovação de Messias porque o sentimento dele ao fazer isso será o de traição a um amigo —Pacheco.

Apesar da conhecida amizade entre Pacheco e Alcolumbre, senadores hoje fazem coro pelo nome do colega e dizem que não é só o presidente do Senado que faz questão de que o mineiro seja o próximo ministro do Supremo. Dois nomes importantes da Casa afirmam, sob reserva, que até votarão a favor de Messias, mas não pedirão votos.

Parlamentares dizem que o presidente da República precisa entender que pela primeira vez na história o Senado tem a oportunidade de ter um ex-presidente da Casa no STF. Um líder diz que Lula nem sequer faria qualquer indicação agora, não fosse a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.

Até mesmo a complexa situação política de Pacheco em Minas Gerais tem sido citada. Enquanto o senador diz ainda não saber se vai se candidatar a governador em 2026, como quer Lula, o partido dele, PSD, definiu que o candidato será o recém-filiado Matheus Simões, vice-governador de Romeu Zema (Novo).

Durante a semana, um aliado de Pacheco disse que o episódio pode ser usado como trunfo na corrida pelo Supremo e o aconselhou a não procurar outro partido por hora. Pacheco, continuou ele, teve a legenda praticamente tomada —deixando ainda mais difícil uma potencial candidatura ao governo.

Interlocutores do senador admitem que ele não vai negociar sua filiação com nenhum partido político antes da definição de Lula sobre o próximo ministro do Supremo.

Senadores da base também desconversam sobre a falta de palanque para o PT em Minas (segundo maior colégio eleitoral do país) nas eleições do ano que vem.

Se faltam candidatos a governador de centro ou de esquerda dispostos a apoiar o petista no estado, dizem, Pacheco não pode ser culpado por isso. Para os colegas, inclusive já está mais do que claro de que o senador não tem vontade de ser governador, como gostaria o presidente.

Apesar da preferência do Senado por Pacheco, auxiliares de Lula avaliam que a indisposição com Messias só vai durar até o dia em que a indicação for formalizada. Afirmam ainda que o advogado-geral da União entende a mobilização dos senadores e está sereno.

Inicialmente, Lula pretendia indicar o ministro da AGU para o STF antes de viajar à Ásia. Após a reunião com Alcolumbre no dia 20, o presidente resolveu adiar o anúncio.

Segundo pessoas próximas ao petista, Lula ainda pretende indicar Messias para a vaga de Barroso, mas quer primeiro falar pessoalmente com Pacheco. A conversa também deve passar pelas eleições do ano que vem, onde o presidente depende hoje da candidatura do senador ao governo mineiro.

Barroso poderia ficar no Supremo até 2033, quando completa 75 anos, mas anunciou sua aposentadoria no último dia 9. O próximo presidente da República terá a oportunidade de indicar três ministros, uma vez que Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes atingirão a idade máxima em 2028, 2029 e 2030, respectivamente.

A idade compulsória para aposentadoria foi alterada pelo Congresso em 2015 em retaliação à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) pela indicação do ministro Edson Fachin. Com a aprovação da chamada "PEC da Bengala", os congressistas elevaram a idade de 70 para 75 anos e impediram a ex-presidente de indicar outros cinco ministros.

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Publicado em 31 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

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