sábado, maio 03, 2025

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é comemorado no dia 03 de maio.



Não Adianta Censurar o Blogdedemontalva: Liberdade de Imprensa É Pilar da Democracia

Por: José Montalvão
Matrícula ABI -C-002025

Em um tempo em que a informação circula à velocidade de um clique e em que cada cidadão pode ser emissor e receptor de conteúdo, a tentativa de censura se revela não só ultrapassada, mas profundamente autoritária. Silenciar vozes críticas como a do Blogdedemontalvao é um ataque direto à liberdade de expressão e ao direito do povo de ser informado com verdade e coragem.

Como bem afirma a Associação Brasileira de Imprensa (ABI):

“Informação é poder, e por isso a tentativa de controlar os meios de comunicação sempre existiu e se chama censura. A censura é o contrário da liberdade de imprensa, e é comum nos regimes ditatoriais não democráticos. Mas a luta pela liberdade de imprensa é constante, porque mesmo nos regimes democráticos a censura pode aparecer, de variadas maneiras.”

Censura Não É Opção em Uma Sociedade Livre

A história nos mostra que governos autoritários sempre tentaram controlar o discurso público. E fazem isso calando jornalistas, perseguidos por expor a verdade; ameaçando comunicadores independentes; ou tentando desacreditar os meios que ousam criticar o poder.

Mas a ABI deixa claro:
"Sem uma imprensa livre, não há democracia!"

E nós reforçamos: sem liberdade de expressão, sem jornalismo independente, sem espaço para a crítica e o contraditório, não há progresso, não há cidadania plena — só a sombra da tirania.

Por Que a Liberdade de Imprensa É Essencial?

A imprensa livre cumpre funções vitais numa sociedade democrática. Ela:

  • Informa o cidadão, oferecendo dados, fatos e análises para decisões conscientes;

  • Fiscaliza o poder, expondo desvios, abusos e irregularidades;

  • Promove o debate público, ampliando vozes e opiniões diversas;

  • Garante a transparência, permitindo que a verdade venha à tona.

É por isso que qualquer tentativa de silenciar veículos como o Blogdedemontalvao deve ser denunciada e enfrentada com firmeza. Não se trata apenas de defender um blog — trata-se de defender o direito de informar e ser informado.

O Blogdedemontalvao Não Vai se Calar

O Blogdedemontalvao nasceu com a missão de informar com independência e compromisso com a verdade. Não deve lealdade a políticos, a grupos de interesse ou a conchavos. Deve lealdade ao povo. E é por isso que incomoda. Porque diz o que muitos preferem esconder.

Tentativas de censura — disfarçadas de processos judiciais, intimidações, ameaças ou pressões — são sinais de que a verdade está doendo em quem tem muito a esconder. Mas a resposta será sempre a mesma: resistência.

Neste 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, reafirmamos nosso compromisso com a informação livre, com a coragem de dizer o que precisa ser dito e com a luta por uma sociedade mais justa, transparente e democrática.

O Blogdedemontalvao seguirá firme. Porque censurar nunca foi e nunca será a solução.
Informar é um direito. E resistir é um dever.


Dia Mundial da Liberdade de Imprensa


02/05/2025

 Arte: Geraldo Cantarino

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é comemorado no dia 03 de maio.

A data celebra o direito de todos os profissionais da mídia de investigar e publicar informações de forma livre.

Informação é poder, e por isso a tentativa de controlar os meios de comunicação sempre existiu e se chama censura. A Censura é o contrário da Liberdade de Imprensa, e é comum nos regimes ditatoriais não democráticos. Mas a luta pela liberdade de imprensa é constante, porque mesmo nos regimes democráticos a censura pode aparecer, de variadas maneiras.

Historicamente foram cometidos muitos crimes contra a liberdade de imprensa, principalmente durante a Ditadura Militar no Brasil.

Origem do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi criado pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura através da Decisão A/DEC/48/432 de 1993.

A data foi criada para alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais.

O dia 3 de maio serve como um lembrete aos governos sobre a necessidade de respeitar seu compromisso com a liberdade de imprensa e também é um dia de reflexão entre os profissionais da mídia sobre questões de liberdade de imprensa e ética profissional. Igualmente importante, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é um dia de apoio à mídia que é alvo da restrição ou abolição da liberdade de imprensa. É também um dia de memória para os jornalistas que perderam a vida na busca por uma história.

Este ano, a comemoração global do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa se concentrará na profunda influência da Inteligência Artificial (IA) no jornalismo e na mídia, sob o tema: Reportagem no Admirável Mundo Novo – O Impacto da Inteligência Artificial na Liberdade de Imprensa e na Mídia.

A IA está transformando o jornalismo, fornecendo ferramentas que aprimoram o jornalismo investigativo, a criação de conteúdo e a verificação de fatos. Ela permite maior eficiência, acessibilidade multilíngue e melhor análise de dados. No entanto, esses avanços também trazem riscos: desinformação e informações enganosas geradas pela IA, tecnologia deepfake, moderação tendenciosa de conteúdo e ameaças de vigilância a jornalistas. Além disso, o papel da IA ​​no modelo de negócios da mídia levanta preocupações sobre a remuneração justa do conteúdo jornalístico e a viabilidade da mídia.

O evento explorará essas questões complexas, reunindo jornalistas, formuladores de políticas, profissionais da mídia e atores da sociedade civil para garantir que a IA fortaleça, em vez de minar, a liberdade de imprensa e os valores democráticos.

Os principais jornais brasileiros participam, no sábado (3), de duas campanhas alusivas ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Viabilizada pela AMI – Associação Colombiana de Meios de Informação, a primeira iniciativa destaca que, infelizmente, 70% dos governos em todo o planeta impõem restrições à prática jornalística. A campanha tem o apoio da Associação Nacional de Jornais (ANJ), de entidades latino-americanas, da World Association of Newspapers and News Publishers (WAN-IFRA) e da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP, na sigla em espanhol). A segunda mobilização envolve peças produzidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), cujo tema central chama a atenção para fato de que “sem jornalismo, a realidade fica incompleta”.

As campanhas contam com anúncios impressos, digitais, redes sociais e vídeos. “Essa é uma data para não ser esquecida jamais. A liberdade de expressão é a base da liberdade de imprensa, que é o direito de a sociedade ser informada livremente, muito antes de ser uma liberdade para a imprensa”, destaca o presidente-executivo da ANJ, o jornalista Marcelo Rech.

A campanha coordenada pela AMI Colômbia foi concebida e desenvolvida pela agência de publicidade espanhola Portavoz. “Queremos alertar a sociedade sobre esse perigo crescente e, ao mesmo tempo, apoiar os jornalistas que, apesar das ameaças, continuam a realizar seu trabalho tão necessário com comprometimento e coragem”, enfatiza Juanma Soriano, diretor criativo da agência.

A iniciativa da UNESCO, por sua vez, está integrada a uma série de eventos pautados pelo tema “O impacto da Inteligência Artificial na Liberdade de Imprensa e na Mídia”. Segundo a organização, a IA está transformando o jornalismo, fornecendo ferramentas que aprimoram o jornalismo investigativo, a criação de conteúdo e a checagem de fatos.

A ABI reafirma seu histórico compromisso com a luta permanente em defesa da liberdade de imprensa e de expressão. Sem uma imprensa livre, não há democracia!


https://www.abi.org.br/dia-mundial-da-liberdade-de-imprensa/


Novo ministro da Previdência estava em reunião que teve alerta sobre descontos no INSS

 Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados/Arquivo

O ex-deputado federal Wolney Queiroz Maciel (PDT-PE), escolhido pelo presidente Lula (PT) para substituir Carlos Lupi no ministério da Previdência Social02 de maio de 2025 | 21:16

Novo ministro da Previdência estava em reunião que teve alerta sobre descontos no INSS

brasil

O escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para substituir Carlos Lupi no ministério da Previdência Social, o ex-deputado federal Wolney Queiroz Maciel (PDT-PE) estava na reunião do Conselho Nacional da Previdência Social em que foi feito um alerta de que as denúncias de irregularidades em descontos em benefícios vinham crescendo.

Segundo a ata da reunião realizada em 12 de junho de 2023, a advogada Tonia Galleti, representante do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), relatou ter pedido a inclusão do tema dos acordos de cooperação técnica na pauta. O pedido foi negado, dado que o conteúdo do encontro já estava fechado.

Ela reforçou a solicitação, “tendo em vista as inúmeras denúncias feitas” sobre esses acordos, que permitem o desconto de mensalidades de associações diretamente dos benefícios previdenciários pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A Polícia Federal investiga fraudes nas autorizações e participação de servidores do instituto no esquema.

Wolney estava na reunião como secretário-executivo do Ministério da Previdência Social. O titular da pasta, que pediu demissão nesta sexta (2), levou cerca de um ano para tomar providências.

Na reunião de 2023, Galleti pediu que fossem apresentadas as entidades que têm acordo com o INSS, a curva de crescimento dos associados nos últimos 12 meses e uma proposta de regulamentação que trouxesse maior segurança aos trabalhadores, ao INSS e aos órgãos de controle.

De acordo com o documento, o ministro registrara que a solicitação do sindicato era relevante, mas que não haveria condições de fazê-la de imediato, “visto que seria necessário realizar um levantamento mais preciso”.

Sobre esse assunto, Lupi disse há alguns dias que o INSS fez uma auditoria para apurar denúncias de descontos irregulares. Ele disse que, ao longo desse trabalho, o diretor de Benefícios do instituto foi exonerado “para que conseguíssemos ter um diagnóstico e tomar as providências cabíveis”.

Procurado, o Ministério da Previdência não se pronunciou.

O Sindnapi, representado por Galleti, é uma das associações investigadas no caso.

A fraude é investigada pela CGU (Controladoria-Geral da União) com a Polícia Federal. A operação Sem Desconto, que deu luz ao caso, calculou que entre 2019 e 2024 foram descontados R$ 6,3 bilhões em benefícios previdenciários.

Os órgãos apuram o quanto desse valor foram de descontos ilegais e elaboram um plano para ressarcir os beneficiários.

Braço direito de Carlos Lupi, filiado ao mesmo partido que ele e então secretário-executivo do Ministério da Previdência, Wolney Queiroz Maciel, 52, é uma escolha que mantém o status quo da pasta.

O novo ministro foi deputado federal pelo PDT (partido o qual Lupi é presidente, mas está de licença) por seis mandatos consecutivos desde 1995. Ele não conseguiu se reeleger em 2022 e foi chamado para o cargo de secretário-executivo da Previdência.

Em sua última passagem pela Câmara dos Deputados, foi líder de um bloco de oposição ao governo de Jair Bolsonaro, que reunia parlamentares de esquerda.

Nascido em Caruaru, Pernambuco, é filiado ao PDT desde os 19 anos e nunca foi filiado a outro partido.

Começou a vida pública em 1993, como vereador em sua cidade natal. Foi eleito deputado federal pela primeira vez no ano seguinte e tomou posse em 1995, aos 22 anos. Na época, era o parlamentar mais jovem do país. Na Câmara, foi presidente das comissões de Educação e Cultura; e Trabalho, Administração e Serviço Público.

A escolha de Wolney mantém o Ministério da Previdência Social com o PDT, partido que integra a base do governo Lula 3, e que também esteve nas outras gestões do petista e de Dilma Rousseff.

Fernanda Brigatti/Maeli Prado/Folhapress

Carlos Lupi esvaziou competências e isolou Wolney na Previdência, afirmam servidores

 Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo

O ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi02 de maio de 2025 | 21:30

Carlos Lupi esvaziou competências e isolou Wolney na Previdência, afirmam servidores

brasil

O ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi esvaziou funções de seu secretário-executivo, Wolney Queiroz, desde o começo da gestão e as delegou ao chefe de gabinete Marcelo Panella, incluindo nomeações, exonerações e transferência de servidores, segundo técnicos da pasta.

Portaria de fevereiro de 2023 determinou que o chefe de gabinete, que é tesoureiro do PDT e homem de confiança de Lupi, seria responsável por nomeação e exoneração de cargos em comissão de direção e assessoramento superiores e cargos comissionados executivos.

A nomeação, exoneração, designação e dispensa de cargos e funções de nível mais alto —secretários e diretores— ficaria a cargo do próprio ministro.

Também não passava por Wolney a autorização para concessões de diárias e passagens referentes a deslocamentos de servidores no país, conforme a portaria.

Segundo interlocutores no Ministério da Previdência, Lupi tinha receio de que o secretário-executivo, primeira opção do presidente Lula para comandar a pasta, conspirasse para tomar seu lugar. Por isso, ele foi esvaziado nos últimos dois anos. Não participava das principais decisões executivas do ministério e nem era chamado para reuniões importantes, dizem técnicos.

Na avaliação de pessoas próximas, Wolney agora vai conseguir exercer gestão no ministério e tem um perfil que ajuda na reconstrução de relações com o INSS, em um cenário de crise provocada pelos descontos indevidos de associações.

Danielle Brant/Folhapress

Queda de ministro de Lula tensiona relação tumultuada entre PDT de Ciro e PT

 Foto: Pedro Ladeira/Folhapress/Arquivo

Pedetistas veem desprestígio junto ao presidente em meio à demissão de Carlos Lupi após investigações no INSS03 de maio de 2025 | 07:17

Queda de ministro de Lula tensiona relação tumultuada entre PDT de Ciro e PT

brasil

O pedido de demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi, deve tensionar ainda mais a já tumultuada relação entre PT e PDT, partidos que disputaram o protagonismo na esquerda, foram adversários em eleições presidenciais e têm um histórico de idas e vindas.

Lupi pediu demissão do cargo no governo Lula (PT) nesta sexta-feira (2) em meio à crise dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O ministro não era investigado, mas enfrentou desgastes por, na avaliação do governo, não ter adotado providências para deter o problema.

A saída de Lupi do governo tem potencial de abalar a aliança entre os dois partidos e levar o PDT a uma posição de independência no Congresso. Com 17 deputados federais, o partido esteve entre os mais fiéis nas votações de pautas de interesse do governo nesta legislatura.

Membros da bancada federal do PDT avaliam que Lupi sofreu um processo de fritura dentro do governo e foi desprestigiado por Lula ao não participar da indicação do novo presidente do INSS.

O procurador Gilberto Waller Júnior foi escolhido para chefiar o instituto, em substituição a Alessandro Stefanutto, demitido após operação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) para combater o esquema de descontos ilegais.

Nesta sexta-feira, após o pedido de demissão de Lupi, o presidente Lula convidou o ex-deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE), atual secretário-executivo da Previdência, para ocupar o cargo de ministro.

Dentro do PDT, a escolha é vista como da cota pessoal de Lula. O partido que não vai indicar um novo nome para o ministério, mas também não vai vetar a nomeação de Queiroz para pasta.

Nacionalmente, o histórico de embates entre PT e PDT vêm desde o final da ditadura militar, quando os dois partidos disputavam a hegemonia no campo da esquerda.

Após a redemocratização, o PT despontou na eleição presidencial de 1989, quando Lula surpreendeu e foi ao segundo turno contra Fernando Collor por margem estreita, deixando em terceiro lugar o líder pedetista Leonel Brizola.

Na época, Brizola era um dos principais líderes da esquerda e símbolo da luta contra a ditadura. Em 1982, após ter retornado do exílio, foi eleito governador Rio de Janeiro.

Desde então, PT e PDT tiveram uma relação de idas e vindas. Estiveram juntos na eleição de 1998 em uma chapa formada por Lula candidato a presidente e Brizola a vice, derrotada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Seguram caminhos opostos nas eleições de 2002 e 2006, ambas com vitória de Lula, e voltaram a se aproximar em 2010 e 2014, na eleição e reeleição de Dilma Rousseff (PT).

Lupi foi ministro do Trabalho e também pediu demissão e deixou o governo Dilma Rousseff (PT) em 2011 após uma sequência de denúncias que colocavam em xeque suas relações com ONGs. Na época, a Folha revelou que o então ministro foi durante cerca de seis anos funcionário fantasma da Câmara dos Deputados.

Nas eleições presidenciais de 2018 e 2022, o PDT apostou na candidatura de Ciro Gomes, saindo derrotado no primeiro turno nas duas ocasiões.

Mesmo na oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL), o PDT manteve distância do PT, estreitando alianças com o PSB nas eleições de 2020 para criar um novo bloco na esquerda. Na mesma época, se aproximou de candidatos de partidos de direita em capitais como em Salvador.

Na campanha presidencial de 2022, Ciro distribuiu os ataques entre Lula e Bolsonaro de forma equivalente, posicionamento que irritou os petistas que faziam um movimento de voto útil em Lula ainda no primeiro turno.

Também em 2022, os dois partidos romperam uma aliança histórica no Ceará, berço político de Ciro, após o PDT escolher o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio para concorrer ao governo.

Os petistas, que preferiam que a reeleição da então governadora Izolda Cela, não acataram a escolha e lançaram Elmano de Freitas para o governo. Ele venceu a eleição no primeiro turno.

O movimento resultou no rompimento entre Ciro e o seu irmão, o senador Cid Gomes, em uma briga marcada por acusações de traições e arbitrariedades. Cid manteve a aliança com o PT e se manteve afastado da sucessão estadual. Em 2024, migrou para o PSB, levando com ele 40 prefeitos.

No ano passado, petistas e pedetistas voltaram a se engalfinhar na disputa pela prefeitura de Fortaleza, com rusgas que levaram parte do PDT a apoiar o bolsonarista André Fernandes (PL) no segundo turno. O petista Evandro Leitão saiu vencedor na disputa.

O PDT se reaproximou do PT no segundo turno das eleições de 2022, quando anunciou apoio a Lula na disputa contra Bolsonaro. Na ocasião, Ciro disse que seguiria a posição do partido, mas não se juntou à frente ampla que fez campanha pelo petista.

A aliança foi selada após a vitória de Lula com indicação de Lupi para o Ministério da Previdência. Na época, contudo, membros do PDT indicavam insatisfação com o pouco peso político da pasta.

João Pedro Pitombo, Folhapress

EUA, China e União Europeia disputam parceira com Brasil e América Latina


Reuters O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o presidente da China, Xi Jinping, durante a cúpula de líderes do G20 em Osaka, Japão, em 29 de junho de 2019.

Quanto mais eles brigam, é melhor para a América Latina

Jamil Chade
do UOL

Dividida e enfraquecida, a América Latina se transforma em uma zona de disputas de potências internacionais na busca por mercados, influência e matérias-primas. Documentos europeus obtidos pelo UOL revelam que China, EUA e a UE não disfarçam a ambição sobre a região — nem o temor de que rivais possam controlar o continente.

A disputa promete ser feroz nos próximos anos, com o governo de Donald Trump convencido a recuperar seu “quintal”, enquanto Xi Jinping acolherá presidentes de toda a região em duas semanas. Admitindo que perderam oportunidades, os europeus alertam sobre o risco de que sua tradicional presença no continente seja reduzida e planejam ações para não ficar de fora da disputa pela América Latina.

DIZ O ESTUDO – Elaborado para dar subsídios  aos debates no Parlamento Europeu, um informe técnico de fevereiro de 2025 confirma: “A região [latino-americana] tem importância estratégica para o futuro da economia global devido à sua abundância de recursos e matérias-primas essenciais, como o lítio e o cobre.”

A grande preocupação se refere aos avanços feitos pela China e à resposta dos EUA sobre a região. “Em apenas duas décadas, a China passou de um ator insignificante a uma força dominante na América Latina, ao lado dos EUA e da União Europeia. As previsões sugerem que, até 2035, a China poderá até mesmo ultrapassar os EUA como o parceiro comercial mais importante da América Latina”, destaca o relatório.

O documento também constata que, nos últimos anos, “a China está fortalecendo suas relações políticas com a região, principalmente por meio do fórum Celac (China-Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe)”.

MARCANDO PRESENÇA – Em 2024, o presidente chinês Xi Jinping fez sua sexta visita à região desde 2013. Entre 2013 e 2024, ele visitou a região mais vezes do que os presidentes Obama, Trump e Biden juntos.

Xi aproveitou sua recente participação em grandes cúpulas na América Latina para atualizar o acordo de livre comércio com o Peru, inaugurar obras e elevar a parceria estratégica entre o Brasil e a China.

“Isso resultou na assinatura de 37 atos internacionais em áreas como comércio, investimento, energia, mineração e finanças”, observa o levantamento.

INFRAESTRUTURA – Para os europeus, uma das principais ações da China foi incluir a América Latina, a partir de 2018, em sua vasta estratégia de desenvolvimento de infraestrutura global — a Iniciativa Cinturão e Rota.

“Um exemplo recente de investimento estratégico chinês na região é o megaporto de Chancay, no Peru, que pode ser um divisor de águas na logística do subcontinente, pois redirecionará o comércio entre a América Latina e a Ásia, contornando o Atlântico e o Canal do Panamá”, explica.

Desde 2018, a China assinou quase mil acordos bilaterais com países da América Latina para facilitar e promover o comércio, o investimento e a cooperação em uma ampla gama de setores.

POLO ESTRATÉGICO – De acordo com os europeus, um dos principais motivos pelos quais a China está expandindo sua presença na América Latina é “garantir seu fornecimento de matérias-primas essenciais e reforçar seu domínio global em tecnologias estratégicas e emergentes”.

Para a UE, “a negligência de outros permitiu que a China se estabelecesse rapidamente como um importante participante na América Latina”.

“Os EUA e a UE negligenciaram a América Latina por muito tempo. Alguns analistas atribuem a perda da posição exclusiva dos EUA e da UE na região a políticas externas desatentas, ao crescente ceticismo interno em relação aos acordos tradicionais de livre comércio, e à incapacidade de monitorar as implicações de segurança da crescente presença da China no hemisfério ocidental”, afirmou.

TIRO NO PÉ – Para os europeus, porém, o risco é de que a ação agressiva da Casa Branca sob Donald Trump na região seja um tiro no pé.

“As ações recentes do governo Trump com o objetivo de combater a influência da China na América Latina, podem, inadvertidamente, fortalecer ainda mais a posição da China na região, como foi visto durante o primeiro governo Trump”, alertou.

De acordo com o documento europeu, Trump tomou medidas que muitos países da América Latina consideram “inamistosas”. Por exemplo, os EUA suspenderam — e ameaçaram eliminar — muitos de seus programas de assistência externa, deportaram migrantes de volta para a Colômbia, afirmaram que retomariam o Canal do Panamá, alegando que ele era operado pela China, e impuseram mais tarifas comerciais.

RELAÇÃO CRESCENTE – “Além do fato de o governo dos EUA ter obtido alguns possíveis sucessos de curto prazo na limitação da influência do país asiático, as indicações são de que a relação da China com a América Latina continuará a crescer”, diz o informe para o parlamento.

O relatório prevê que um volume de transações sem precedentes, acompanhado por maiores investimentos e fluxos financeiros, aumentará ainda mais a importância econômica do país asiático para os países da região. “Até 2035, a China e os EUA competirão pela posição de principal parceiro comercial da América Latina”, alerta o documento, dizendo que, para a Europa, o Brasil, o Mercosul e América Latina são “mais estratégicos que nunca”

O informe alerta para a urgência da Europa em lidar com a ofensiva dos EUA e da China na América Latina, principalmente votando a aprovação de um acordo comercial com o Mercosul.

MATÉRIAS-PRIMAS – “Para a UE, que precisa urgentemente de um suprimento diversificado de matérias-primas essenciais para navegar na transição limpa e digital de sua economia, a América Latina é agora mais estrategicamente importante do que nunca”, diz.

“A conclusão do acordo com o Mercosul testará o compromisso da UE de aprofundar a parceria com a América Latina. Espera-se que o Parlamento Europeu vote a proposta durante sua atual legislatura”, frisa o documento.

A UE chegou a um acordo político sobre a parceria em 6 de dezembro de 2024, mas sua implementação continua incerta devido à oposição de alguns países-membros da UE, como a França e a Polônia. Enquanto isso, a China, cada vez mais vista pela UE como concorrente e rival sistêmica, está pronta para solidificar ainda mais seus laços econômicos com a América Latina, especialmente com o Mercosul, lembra o documento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Uma constatação importante. Em tradução simultânea, fica provado que o economista Carlos Lessa e o consultor Darc Costa (presidente e vice do BNDES), junto com o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães (secretário-geral do Itamaraty) tinham razão quando priorizaram as relações com a América Latina, em 2003. Mas o então presidente Lula da Silva não entendeu nada e demitiu Lessa, por causa de uma briga com Palocci, Na sequência, Darc pediu demissão, Guimarães foi cuidar da vida, e a estratégia está sepultada desde então. É decepcionante, não (C.N.)


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