terça-feira, dezembro 10, 2024

O Brasil é ruim demais e o governo não sabe fazer contas


Governo paga horas extras de forma ERRADA! Entre com processo! : Sindserv  Santos

Charge do Bruno (Arquivo Google)

Marcelo Leite
Folha

Todos sabem que estudantes brasileiros vão muito mal em matemática nas provas do Pisa. Não é culpa deles, mas do ensino. Já congressistas, juízes, promotores, servidores de alto escalão, colunistas de economia e empresários ricos não têm desculpa para o desprezo que devotam à aritmética e à lógica.

A emergência climática, maior problema do mundo, não merecia ser objeto de enganação oficial nas metas para descarbonizar a atmosfera.

PROMESSA Và– O governo promete zerar até 2050 emissões nacionais de CO2 e outros gases do efeito estufa, mas trabalha para seguir poluindo o planeta.

Nossa maior fonte de carbono está na agropecuária, com três quartos do total de emissões. Não só desmatando biomas por corte raso (cerrado e amazônia acima de tudo), mas também com queimadas para pasto e metano da digestão do gado ruminante, num país com mais bois que gente.

Sim, o desmatamento caiu, mas só na floresta amazônica. No cerrado sobe, assim como as queimadas em ambos. Sim, o Pará sediará a COP30 em Belém, mas o governador Helder Barbalho (MDB) vê seu estado aumentar incêndios ao mesmo tempo em que apregoa venda de créditos duvidosos de carbono.

EMPULHAÇÃO – A conta não fecha. Empulhação similar encena a Petrobras com a conversa de mobilizar renda do petróleo para financiar a transição energética –isso, usar gasolina para apagar a fornalha do aquecimento global.

Só numa opinião pública avessa à coerência se aceita que um diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da estatal de energia fóssil –Mauricio Tolmasquim– defenda ser um dos exportadores remanescentes de combustíveis fósseis em 2050. Não era esse o prazo para zerar emissões?

Tudo somado e subtraído, a concentração de CO2 na atmosfera continuará a subir enquanto se queimar petróleo. Simples assim. Produtores e consumidores de fósseis não vivem em planetas separados, e as tecnologias para captura e armazenamento de carbono ainda são ficção economicamente inviável.

E AS AUTORIDADES? – Como entram nessa história mal contada os congressistas, juízes, promotores, servidores de alto escalão, colunistas de economia e empresários ricos do primeiro parágrafo?

Alguns são latifundiários e pelejam para reverter leis ambientais ou meter jabutis na legislação de energia, verdade. Por outro lado, tratam os números do ajuste fiscal como animais nas fazendas de seus avós, espancando-os sem dó.

Enchem a boca para ruminar cortes de gastos, desde que não na própria carne, só na dos beneficiários de programas sociais. Absurdo isentar do imposto de renda quem ganha até R$ 5.000, bem agora, e já se movimentam para tirar do cálculo compensatório a tributação para quem fatura mais de R$ 50 mil (eles próprios).

PENDURICALHOS – Impedir a farra das indenizações que catapultam seus vencimentos muito além do teto governamental? Nem pensar, reagem magistrados, promotores, procuradores e defensores públicos alérgicos à justiça distributiva.

Revogar o privilégio de 17 setores da economia (imprensa incluída) que tiveram desoneradas as folhas de pagamento? Fora de questão. Argumentam, sem corar, que haverá demissões, ao mesmo tempo em que deploram pressões inflacionárias do desemprego em queda recorde.

O Brasil é ruim demais. Com as contas, com a Terra e com sua gente.

Militares são antipetistas e querem parar as investigações

Publicado em 10 de dezembro de 2024 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva: Enquanto isso, nos quartéis... - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais esquisita e surrealista. Até agora não foi entendido o que realmente pretendiam os comandantes militares, quando foram incomodar o presidente Lula da Silva no Palácio da Alvorada, no último dia 30, um sábado.

A jornalista Eliane Cantanhêde, do Estadão, publicou que na reunião os chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, acompanhados pelo ministro da Defesa, José Múcio, pediram que Lula defendesse a anistia aos golpistas, uma informação importantíssima, com absoluta exclusividade e enorme repercussão.

E O MOTIVO? – A colunista do Estadão deu a notícia secamente, sem especular as razões que levaram os militares a tomar essa posição num fim de semana, fora da agenda presidencial. A informação teve forte reação na mídia e nas redes sociais, causando sobretudo estranheza, ninguém sabe por que os chefes militares estão agindo assim.

Cabe, portanto, uma tradução simultânea. E a explicação principal é de que as Forças Armadas querem mesmo é parar as investigações. Se prosseguirem, logo ficará claro que a quase totalidade dos oficiais da ativa e da reserva suportam Lula com enorme contrariedade.

Como se sabem, eles aceitaram a contragosto que o criador do PT tenha sido libertado por uma jogada do Supremo, que para tanto transformou o Brasil no único país da ONU (são 193) que não prende criminosos após condenação em tribunal.

E TEM MAIS – Os militares também jamais concordaram com a decisão do STF que anulou as condenações de Lula na Lava Jato, incluindo até a sentença proferida pela juíza Gabriela Hardt no caso do Sítio de Atibaia, que nada tinha a ver com erros atribuídos ao juiz Sérgio Moro na força-tarefa da operação. Ou sejam, foram decisões tomadas fora da lei pelos ministros.

Aliás, esse sentimento de repúdio a Lula sempre foi consenso entre os militares. Assim, se as investigações prosseguirem, essa situação logo virá a público e ficará claro que praticamente todos os oficiais das três Armas aceitavam o golpe, desde que houvesse algum indício de fraude nas urnas eletrônicas ou na apuração.

Como o governo Bolsonaro e o PL não conseguiram provar qualquer fraude, os oficiais superiores então caíram na real e os Altos-Comandos do Exército e da Aeronáutica refluíram para uma posição legalista, enquanto apenas a Marinha insistia na aventura.

VERSÃO IDEAL – Portanto, para as Forças Armadas, o ideal é que prevaleça a narrativa hoje em vigor, de que havia apenas alguns oficiais conspiradores, que foram em boa hora travados pela maioria legalista.

Mas no fundo todos sabem que essa versão é uma balela diante o apoio ostensivo das Forças Armadas aos acampamentos bolsonaristas, algo jamais visto e até considerado inimaginável.

Assim, se as investigações prosseguirem, se houver delações e se militares forem condenados por participar de uma trama que era objetivo comum, vai ser impossível esconder o sentimento antipetista dos militares. É justamente por isso que eles estão interessados na aprovação da anistia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Analisando-se a situação sob esse ponto de vista, talvez seja até melhor aprovar logo a anistia e ir cuidar da vida. Afinal, a quem interessa essa discussão interminável sobre um golpe que ia ocorrer, mas nunca existiu… (C.N.)

Entenda as novas regras para aulas on-line na pós graduação

 Aulas gravadas, que não acontecem em tempo real, estão proibidas

Tamiris Gomescolaboração para a CNN

De acordo com portaria publicada nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial da União, a norma traz metodologias que englobam a interação entre ambientes presenciais e digitais “para potencializar as diversas atividades acadêmicas realizadas no percurso formativo.”

O que ficou proibido:  

  • O emprego de atividades remotas assíncronas (que não acontecem em tempo real) para o cálculo de carga horária didática;
  • A oferta de disciplinas ou o percurso formativo de forma completamente remota (on-line). 

O que está permitido:  

  • Aulas e seminários síncronos que utilizem ambientes virtuais de aprendizagem;
  • Estudos de caso, leituras dirigidas e debates realizados em plataformas digitais;
  • Atividades redacionais e produção de artigos científicos com suporte de ferramentas colaborativas online;
  • Orientação de pesquisas temáticas e disciplinares através de encontros virtuais síncronos;
  • Organização de grupos de estudo que integrem participantes de diferentes instituições nacionais ou internacionais;
  • Práticas laboratoriais adaptadas para ambientes digitais ou remotos, com o uso de simulações e outros recursos tecnológicos;  
  • Banca de qualificação e de defesa de dissertação, de tese ou de outra modalidade de trabalho de conclusão de curso, com a possibilidade de participação remota de avaliadores. 

A portaria da Capes ainda pontua que os “experimentos de laboratório, trabalhos de campo, vivências e oportunidades regulares de convivência e troca de experiências como cursos, palestras, atividades de extensão e seminários devem ser realizados preferencialmente de forma presencial.” 

A novas normas entram em vigor a partir desta segunda-feira, data da publicação. 

Confira países da Europa com bolsas de estudo para brasileiros

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/entenda-as-novas-regras-para-aulas-on-line-na-pos-graduacao/ 

segunda-feira, dezembro 09, 2024

Síria: O fim de um Regime e o futuro incerto do País

 Síria: O fim de um Regime e o futuro incerto do País


O Oriente Médio é uma região do mundo que frequentemente comvive com conflitos intensos. Dessa forma, quase todos os meses surgem notícias de guerras e disputas políticas, ideológicas e religiosas neste local. Neste domingo, dia 08 de dezembro de 2024, a atenção mundial voltou novamente para essa área, dessa vez sobre a Síria.


O país atravessa um momento histórico para seu povo, pois o presidente Bashar al-Assad saiu do poder, após mais de uma década de conflitos e destruição. Assim, o que até então parecia improvável, agora é real: o regime de Assad, que resistiu por anos a ataques internos e internacionais, finalmente renunciou. 


O surgimento do conflito


Desde 2010, manifestações populares começaram a se organizar para derrubar o governo e exigir reformas democráticas no país. Naquela época houve um fato importante que virou estopim para uma Guerra Civil interna. Em março de 2011, jovens ativistas foram presos em Daraa por conta de pinturas em grafites pedindo liberdade.


Assad, que assumiu o poder após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, em 2000, reagiu violentamente. Com essa repressão brutal contra os manifestantes, diversos grupos se colocaram contra o regime, incluindo forças rebeldes, organizações jihadistas e kurdos, cada um com seus próprios interesses. 


Logo, o mundo inteiro passou a conhecer o que estava acontecendo na Síria. Foi essa intervenção externa que permitiu o conflito se estender por muito tempo. O país se tornou um dos pontos cruciais de uma espécie de nova ‘Guerra Fria’. A Rússia, aliada de Assad, e os Estados Unidos, que apoiaram grupos rebeldes, desenvolveram ações para fortalecer seus interesses.


A queda de Assad


Bashar al-Assad anunciou sua renúncia neste início de semana. O processo de decadência já começou desde 2011, quando o regime enfrentou sanções econômicas e ataques militares coordenados por coalizões internacionais. Dentro desse contexto, num cenário caótico ao povo sírio, houve o enfraquecimento das forças leais ao regime, que não sustentaram o presidente no poder.


De acordo com a analista política Liliane Bouer, em uma entrevista recente à imprensa brasileira, essa renúncia de Assad acontece por causa da perda de legitimidade. “A Síria, que antes era um bastião de influência da Rússia no Oriente Médio, viu-se dividida e sem uma base de apoio sólida”, lembra ela.


Os rebeldes e a nova governança


Um fato curioso para a derrubada do regime foi a união de grupos da oposição, antes dispersos e desorganizados, que conseguiram, nas últimas semanas, realizar intensas negociações para cuminação da tomada de poder. Por exemplo, o Exército Livre da Síria e outras facções moderadas, receberam apoio dos Estados Unidos, Turquia, entre outros agentes externos, que forneciam armamento e treinamento.


Diante disso, esses grupos têm o desafio de governar um país devastado pela guerra. Segundo o internacionalista Fernando Lins, a Síria não pode ser dividida entre facções, o que prejudicaria ainda mais o povo que já sofre há anos. “Isso aprofundará ainda mais os conflitos sectários. O ideal seria a formação de um governo de transição que represente todas as minoria", completa ele.


A Religião e a Política no Oriente Médio


Política e religião não se colocam em divórcio no Oriente Médio. Síria, por exemplo, o regime de Assad tinha em seu alto escalão uma minoria alauíta, vertente do islamismo xiita. Por isso, a questão religiosa desempenhou um papel central no conflito, com grupos religiosos buscando o controle político e social.


Para quem pensa que com a saída de Assad, o contexto religioso na Síria se tranquiliza, pode se enganar. O novo governo terá de lidar com a coexistência de diferentes grupos religiosos e étnicos. Com isso, o desafio é, além de reconstruir o país, evitar um colapso social e político, como o que ocorreu nos vizinhos Iraque e Líbia após a queda de Saddam Hussein e Muammar Gaddafi, respectivamente.


O papel das Potências Internacionais


A Rússia, que apoiou Assad, poderá seguir com apoio militar na Síria, mas agora negociando com as novas autoridades. Já os Estados Unidos e seus aliados querem que o novo governo não seja dominado por facções extremistas ou “estado falido", como em outros locais do Oriente Médio.


Assim, especialistas dizem que as reações internacionais irão ocorrer à medida que o processo de transição se desenrolar. "Se houver um processo de reconstrução liderado por uma coalizão multilateral, as potências internacionais terão mais facilidade em apoiar a Síria", disse a diplomata Maria Clara Pereira, em uma recente análise.


A situação dos Brasileiros na Síria


A comunidade brasileira na Síria é composta, principalmente, por descendentes de sírios e libaneses. A segurança e a repatriação dessas pessoas viraram temas de debate. De acordo com informações da Agência Brasil, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu nota, na tarde do sábado (7), orientando os brasileiros que moram neste país a procurar a Embaixada em Damasco: "O Itamaraty insta a todos nacionais que se encontrem no país a que busquem sair da Síria". 


O futuro: Uma solução Jurídica?


A questão da Síria é complexa. Portanto, a resolução do conflito dependerá de um processo político negociado com diferentes grupos, internos e externos. Além disso, deve-se destacar que a solução jurídica para o país pode chegar ao tribunal internacional, que pode investigar crimes de guerra cometidos durante o conflito. Neste âmbito também poderá estabelecer responsabilidades para a reconstrução do país.


Segundo o advogado Dr. João Valença, da VLV Advogados, o Direito Internacional deve entrar em cena. “Á proteção aos direitos humanos, será fundamental para a reconstrução e estabilização da Síria. Tudo que tem ocorrido nestes últimos anos precisa ter investigação e justiça. Além disso, os atores internacionais têm a responsabilidade de garantir que a transição política não resulte em mais violência", finaliza ele.


Conclusão


Em suma, a Síria enfrenta um conflito violento há décadas e a saída do presidente pode ser um caminho de mudança no país. Todavia, a paz e estabilidade ao povo sírio ainda pode passar por diversos desafios. Questões internas e externas complexas devem exigir um processo político cuidadoso. O respeito aos direitos humanos e à diversidade religiosa e étnica do país precisam ser levados em conta, em qualquer decisão futura.


Portanto, o futuro da Síria envolve a vontade da maioria de seus cidadãos e dos interesses das potências internacionais. Apesar do colapso total, se o país iniciar uma reconstrução sólida, poderá oferecer uma lição valiosa ao mundo sobre a importância da resolução pacífica, mesmo em contexto de devastação.


João de Jesus, radialista e assessor de imprensa, além de jornalista, recém graduado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.


Temer muda o tom e diz que PF levantou ‘indícios fortíssimos’ de tentativa de golpe

 Foto: Tiago Queiroz

Ex-presidente Michel Temer (MDB)09 de dezembro de 2024 | 12:17

Temer muda o tom e diz que PF levantou ‘indícios fortíssimos’ de tentativa de golpe

brasil

O ex-presidente Michel Temer (MDB) voltou a falar sobre a investigação da Polícia Federal (PF) que indiciou o também ex-chefe do Executivo federal Jair Bolsonaro (PL) e militares de alta patente por supostamente planejarem um golpe de Estado em 2022. Em entrevista divulgada neste domingo, 8, pela revista Veja, Temer afirmou que ainda não se pode condenar os indiciados, mas que há “indícios fortíssimos” da intentona golpista.

“A investigação tem que ser feita. Houve, por tudo o que se sabe, por tudo o que a Polícia Federal já levantou, indícios fortíssimos. Agora, eles estão sendo investigados”, afirmou Temer, se posicionando desta vez sobre as provas levantadas pela corporação. “Acho que a partir daí é que se pode chegar a alguma conclusão. Se o ex-presidente sabia ou não sabia, ele nega permanentemente, eu não saberia dizer.”

O ex-presidente também repetiu que, no caso em questão, “talvez uns e outros das Forças Armadas pretendessem”, mas que o conjunto delas “não quis o golpe”. Para Temer, a hipótese de uma quebra institucional é “difícil”, já que avalia que “há uma consciência em todos os setores de que a democracia é o melhor sistema para o nosso País”.

Sobre as invasões de 8 de Janeiro, o ex-presidente afirmou que o ataque representou uma “aspiração pelo golpe” e uma “agressão aos Três Poderes”, mas que “não prosperou”.

Há duas semanas, o emedebista foi questionado sobre o indiciamento de Bolsonaro pela trama golpistas, inclusive com plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A resposta foi de que “não havia clima” para golpe no País, sem valorar as provas colhidas pela PF.

“Embora haja tentativas, o fato é que não vão adiante. Não vão adiante porque não há clima no País. E, convenhamos, golpe para valer, você só tem quando as Forças Armadas estão dispostas a fazer”, disse.

Na mesma ocasião, ele minimizou a participação de militares na tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder após perder as eleições de 2022, afirmando que o plano era obra de “alguns militares”, e não das instituições como um todo. “Não foi a instituição como um todo. Seja Exército, Marinha, Aeronáutica, não participaram disso como instituição. Participaram figuras”, afirmou.

Karina Ferreira e Henrique Sampaio / FolhapressPoliticaLivre

Moraes vota para condenar Roberto Jefferson a mais de nove anos de prisão

 Foto: Divulgação

Ex-deputado federal Roberto Jefferson09 de dezembro de 2024 | 12:03

Moraes vota para condenar Roberto Jefferson a mais de nove anos de prisão

brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta segunda-feira (9) para condenar o ex-deputado federal Roberto Jefferson a nove anos, um mês e cinco dias de prisão pelos delitos de atentado ao exercício dos Poderes, calúnia, homofobia e incitação ao crime.

O ministro propôs condenação ao pagamento de R$ 200 mil em danos morais coletivos.

Jefferson foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na acusação, o Ministério Público listou entrevistas em que o político teria incentivado a população a invadir o Senado Federal e a “praticar vias de fato” contra senadores. Além disso, teria defendido a explosão do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao longo das investigações neste procedimento, Jefferson foi preso preventivamente. Em uma das ocasiões em que foi determinada a sua volta à prisão, ele resistiu à ordem e atacou policiais a tiros.

Ao longo das investigações neste procedimento, Jefferson foi preso preventivamente. Em uma das ocasiões em que foi determinada a sua volta à prisão, ele resistiu à ordem e atacou policiais a tiros.

A análise ocorre no plenário virtual, formato de julgamento em que os ministros apresentam seus votos na página eletrônica da Corte. A deliberação, que começou nesta segunda, deve terminar na próxima sexta-feira (13).

O que diz a PGR
A PGR defendeu que Jefferson seja condenado pelos crimes. E que, além de ter uma pena de prisão, a ser fixada, que ele seja obrigado a reparar danos causados pelos delitos.

Para o MP, há provas de que os crimes ocorreram e foram cometidos por Jefferson.

“O réu Roberto Jefferson Monteiro Francisco, diante de reiteradas manifestações com teor antidemocrático em entrevistas e publicações em redes sociais, demonstrou aderência voluntária ao núcleo da organização criminosa – composto por figuras públicas, expoentes de ideologias extremistas – que agia com o objetivo de atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral, reforçar o discurso de polarização e ódio, gerar animosidade na sociedade brasileira e, enfim, tentar desestabilizar os poderes constitucionais”, afirmou.

O que diz a defesa

Advogados de Roberto Jefferson consideram que não é competência do STF julgar o caso. Também apontam que as provas colhidas no processo são ilícitas. Sustentam, ainda, que houve nulidades durante a tramitação do processo.

Por fim, pedem que a denúncia seja rejeitada, porque consideram que não houve crimes.

“No caso concreto, a denúncia se revela flagrantemente inepta em relação a todas as imputações, por não expor os fatos com todas as suas circunstâncias, por tecer flagrante equívoco entre a conduta típica do crime de incitação e a imputação do crime supostamente incitado. E, ainda, não descreve a adequação típica da conduta, incorrendo em flagrante presunção para subsidiar a sua conclusão”.

Voto do relator
No voto, Moraes ressaltou que a conduta de Jefferson foi grave. Além disso, pontuou os danos causados pela difusão dos delitos pela internet.

“O réu, ao se valer da internet para a prática dos crimes, além de conferir um alcance praticamente imensurável aos vídeos criminosos por ele publicados, também se aproveita para divulgar posicionamentos criminosos e beligerantes, causando significativos distúrbios e reiterados ataques, por parte de seu público, às instituições democráticas, ao Poder Legislativo, ao Supremo Tribunal Federal, ao Tribunal Superior Eleitoral e à comunidade LGBTQIAP+”, escreveu.

“As manifestações do réu, conforme reiteradamente assentado nestes autos, revelam-se gravíssimas, pois não só atingem a honorabilidade e constituem ameaça ilegal à segurança de Parlamentares e dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, como se revestem de claro intuito visando a impedir o exercício da atividade fiscalizatória parlamentar e da judicatura, notadamente a independência do Poder Legislativo e Judiciário e a manutenção do Estado Democrático de Direito, e direcionar ataques a comunidade vulnerável e que vem sofrendo violência”, prosseguiu.

“É completamente absurda que a atuação vil de um ex-Deputado Federal, que exerceu mandato em várias legislaturas, e ex-dirigente de Partido Político, com utilização dos recursos recebidos desta organização (não há notícias do réu exercer outra atividade), cause os relevantes e duradouros danos revelados, em completa deturpação da expectativa de filiados e pretensos eleitores, através de violação dos princípios constitucionais consagrados no Brasil”, completou.

Com informações do G1PolitcaLivre

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