terça-feira, março 12, 2024

Reeleição do presidente fortalece Executivo em relação ao Legislativo

Publicado em 12 de março de 2024 por Tribuna da Internet

Charge do JCaesar | VEJA

Charge do JCaesar | VEJA

Marcus André Melo
Folha

“Não tem nenhum país importante do planeta que não tenha reeleição”, disparou o presidente Lula numa roda de senadores no Palácio da Alvorada. Lula está errado. Já discuti aqui esta questão. Na região do mundo que concentra a vasta maioria das democracias presidencialistas do planeta —a América Latina— os países que ocupam o topo nos rankings de democracia —Uruguai, Costa Rica e Chile— não permitem a reeleição imediata de presidentes. Tampouco o México, cuja importância não precisa ser enfatizada.

Fora das Américas não há democracias presidencialistas puras. Nos regimes semipresidenciais da África, Ásia e da Europa do leste, os presidentes são criaturas institucionais radicalmente distintas. E obviamente, nas autocracias a questão perde totalmente o sentido, como assistimos agora com a farsa da reeleição de Putin e de Maduro.

PARLAMENTARISMO – A Europa é fundamentalmente parlamentarista, e aqui não há mandato fixo para o primeiro-ministro — ele pode ser de alguns meses ou anos. No semipresidencialismo francês e português, só é possível uma única reeleição do presidente.

Mas na França, a coabitação leva o presidente a se resignar a conviver com um primeiro-ministro adversário nomeado pelo Parlamento que assume o poder Executivo. Os limites aos mandatos assumem outro sentido à luz dessa dinâmica.

Vale destacar um aspecto absolutamente singular do caso brasileiro. A dinâmica política da discussão entre nós não envolve apenas presidentes, mas também governadores e prefeitos, sobretudo os primeiros.

OUTROS EXEMPLOS – Nos EUA e Argentina, o problema não se coloca pela diversidade de arranjos institucionais, sobretudo nesta última, onde as constituições provinciais variam quanto à possibilidade de reeleição, à existência de bicameralismo (várias delas têm Senado), regras eleitorais, regimes municipais etc.

A emenda da reeleição (PEC 16/1997) em nosso país teve apoio massivo dos governadores e prefeitos que eram titulares do cargo.

Seu efeito institucional mais amplo foi ter fortalecido o poder Executivo vis-à-vis o Legislativo, como mostrei em “Reformas constitucionais no Brasil: instituições políticas e processo decisório” (Revan, 2002).

EFEITO PATO MANCO – O efeito esperado da vedação da reeleição ora proposta no Brasil é o oposto: reduzir o poder de fato do Executivo pelo efeito pato manco.

O cálculo individual do apoio no caso atual passa mais uma vez pelos governadores, com base nos possíveis cenários para a eleição de 2026, mesmo que a proposta de mudança preveja a vedação só a partir de 2030.

A proposta de vedar a reeleição consecutiva do poder Executivo no país está atrelada à simultânea sincronização das eleições legislativas, de difícil viabilização, mas poderá caminhar sozinha.


Por que o governo protege acusado de violência contra mulher?

 em 12 mar, 2024 8:28

Adiberto de Souza

O principal assunto nas esquinas de Sergipe é a medida protetiva aplicada contra um secretário do governador Fábio Mitidieri (PSD), acusado de violência contra a própria esposa. Publicamente, o nome do dito cujo está sendo preservado porque o processo corre em segredo de justiça, porém, à boca miúda, todo mundo sabe de quem se trata. A pergunta recorrente é por que o governo mantém o acusado no cargo, mesmo depois de ter punido com a exoneração o meteorologista Overland Amaral, suspeito de praticar o mesmo crime. Ora, qual a explicação para o Executivo usar dois pesos e duas medidas? Aliás, como estão se sentindo os demais auxiliares do governador, particularmente as mulheres, diante dessa evidente proteção a quem cumpre medida protetiva? Pior é que o silêncio do governo encoraja o suplicante, que tem comparecido aos eventos oficiais como se não fosse com ele a acusação de infringir a Lei Maria da Penha. Resta aguardar para ver se o governador afastará o acusado, até para que este tenha tempo de se defender da grave acusação que pesa sobre sua cabeça. Home vôte!

TV no currículo

Reportagem do site Brasil 247 revela que o PT deve ter candidatos próprios na disputa pelas prefeituras de 13 capitais, entre as quais Aracaju. Diz a matéria que nas outras capitais, o partido abrirá mão de liderar as chapas majoritárias para apoiar candidatos de legendas aliadas ao governo federal. A jornalista Candisse Carvalho é citada na reportagem como pré-candidata petista em Aracaju, sendo identificada apenas como ex-reporter da TV Globo [TV Sergipe]. Custava o  site Brasil 247 ter informado que a fidalga vem a ser esposa do senador Rogério Carvalho (PT). Marminino!

Aviso aos mentirosos

Essa notícia interessa aos políticos que andam por aí espalhando mentiras, prática tão condenável para Deus que é um dos pecados capitais. Pois bem, em preparação para a Páscoa, seis igrejas católicas de Itabaiana realizam, de hoje até o próximo dia 22, um mutirão de confissões. O atendimento aos fiéis pecadores ocorre todos os dias, a partir das 19 horas. E então, você que é um inveterado demagogo vai perder essa oportunidade de se “limpar” com Deus, para voltar a mentir desbragadamente na campanha eleitoral que se avizinha? Misericórdia!

Jornalista infarta

O jornalista Diógenes Brayner, articulista político do site de notícia Faxaju, infartou nessa segunda-feira. Segundo os familiares, o comunicador foi levado às pressas para o Hospital do Coração, em Aracaju, onde se submeteu a um cateterismo e passa bem. Não há previsão para o jornalista receber alta médica. Melhoras, amigo!

Nova sergipana

Nascida na cidade baiana de Ilhéus, a juíza de Direito Juliana Nogueira Galvão Martins, é a mais nova cidadã sergipana. Em sessão solene realizada na Assembleia, a magistrada recebeu o Título de Cidadania proposto pela deputada estadual Áurea Ribeiro (Republicanos). Segundo a parlamentar, a juíza tem uma atuação forte em políticas públicas voltadas para os direitos da criança e do adolescente. Por sua vez, a nova sergipana agradeceu a homenagem e ressaltou as boas parcerias entre o Judiciário e o Poder Legislativo. Ah, bom!

Lero-lero político

Ao longo desta semana, os PSDB, Rede Sustentabilidade e Republicanos exibirão propagandas partidárias em rede nacional de rádio e televisão. As inserções serão transmitidas na programação noturna das emissoras hoje, quinta-feira e sábado próximo, sempre entre 19h30 e 22h30. Ao todo, serão três minutos de propaganda para o PSDB, dois minutos e meio para o Republicanos, além de um minuto para a Rede. No sábado, somente o Republicanos terá o programa partidário veiculado. Aff Maria!

Contra abelhudos

Um projeto de lei apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB) quer proibir que órgãos e agentes públicos usem ferramentas de monitoramento de celulares e outros aparelhos sem autorização judicial. O projeto também proíbe qualquer tipo de espionagem a jornalistas e advogados no exercício da profissão, ou seja, a interceptação de conversas estritamente vinculadas à atividade profissional. O objetivo da proposta é preencher uma lacuna legislativa e impedir que pessoas tenham informações privadas acessadas de forma ilegal por órgãos e agentes públicos, civis e militares. Crendeuspai!

Posse no TCE

Está agendada para amanhã, a posse de Eduardo Santos Rolemberg Côrtes como novo procurador-geral do Ministério Público de Contas do Estado de Sergipe. A solenidade será no auditório Lourival Baptista, na sede do TCE, em Aracaju. Eduardo Côrtes afirmou que pretende dar continuidade às ações realizadas pelo atual procurador-geral. Do ponto de vista externo, Eduardo vai promover uma contínua aproximação com a sociedade, o fortalecimento da atuação preventiva do Ministério Público e uma atenção especial na promoção do desenvolvimento sustentável. Então, tá!

Água na canoa

Numa crítica indireta aos líderes do bloco político da situação, o ex-governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), disse achar um absurdo a existência de cinco pré-candidaturas a prefeito de Aracaju no mesmo agrupamento. “Como pode um candidato do bloco disparar em pesquisas com tanta concorrência interna?”, questionou o “Galeguinho”, ao ser entrevistado pela jornalista Rita Oliveira. Chagas não entende o fato de o governador Fábio Mitidieri (PSD) diga que o pré-candidato dele é o pedetista Luiz Roberto, enquanto o presidente nacional do PSD defende a candidatura de Katarina Feitoza (PSD): “Tá correto isso?”, pergunta Belivaldo. Tá não!

Ministra na terrinha

E que está em Aracaju é a ministra Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação. Veio assinar com a Prefeitura de Aracaju termo de fomento para realização do programa Jovem Tech na capital sergipana, uma iniciativa voltada à formação tecnológica. O evento está agendado para às 16 horas, no auditório do Centro Administrativo Aloísio Campos. O programa objetiva capacitar mão de obra local na área de programação, com foco em jovens maiores de 18 anos que concluíram o ensino médio em escolas públicas. Supimpa!

Amigo sogro

Namorado de Lurian Cordeiro, filha mais velha do presidente Lula da Silva (PT), o advogado Danilo Segundo (PT) tentou surfar nas redes sociais com o envio de recursos do Novo PAC  para Barra dos Coqueiros, cidade da qual é pré-candidato a prefeito. Esta informação foi publicada hoje pelo jornalista Igor Gadelha, no site Metrópoles. Segundo a matéria, Danilo publicou em suas redes sociais postagens que associam o envio de recursos do PAC a Lurian. “Um belo presente! No aniversário de Lurian, a Barra dos Coqueiros foi contemplada com: Creche/ Escola de Educação Infantil e duas Unidades Básicas de Saúde – UBS – Porte l”, diz uma das frases que acompanha uma foto de Lula, Danilo e Lurian. Jesus do céu!

Tenha fé

E aí, amanheceu Durang Kid, sem um tostão furado no bolso e devendo a meio mundo? Pois corra a uma casa lotérica e faça uma fezinha na Mega-Sena. O prêmio para quem acertar as seis dezenas, nesta terça-feira, é de R$ R$ 12 milhões. E então, vai ficar aí, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar? Mexa-se e fique rico, meu camaradinha!

INFONET

Chefe da Abin de Lula é citado como investigado em inquérito da PF

 Foto: Marcos Oliveira/Arquivo/Agência Senado

Luiz Fernando Corrêa12 de março de 2024 | 07:06

Chefe da Abin de Lula é citado como investigado em inquérito da PF

BRASIL

Documentos sigilosos do inquérito da Polícia Federal sobre a suposta arapongagem ilegal no governo Jair Bolsonaro (PL) mostram que o atual diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Luiz Fernando Corrêa, foi objeto de ao menos quatro relatórios, sendo que um deles o classifica como “investigado”.

A Folha teve acesso a esses documentos, que estão inseridos na investigação sob relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

As decisões de Moraes tornadas públicas até agora listam apenas manifestações da PF no sentido de que a atual gestão da Abin tomou atitudes que, na visão dos investigadores, atrapalharam as apurações, mas não havia uma menção direta a Corrêa como investigado.

Moraes também não faz qualquer citação direta ao atual diretor-geral da agência em suas decisões, se limitando a reproduzir, em alguns pontos, as afirmações da PF.

A investigação tem como foco o uso do software espião FirstMile durante a gestão de Bolsonaro na Presidência da República e de Alexandre Ramagem (hoje deputado federal) na Abin.

Corrêa assumiu o comando da agência em maio de 2023 e é um antigo auxiliar de Lula, tendo sido diretor-geral da PF no primeiro mandato do petista. Em entrevista recente, o presidente da República reafirmou manter a confiança no chefe da agência de inteligência.

“O companheiro que indiquei para ser diretor-geral da Abin é companheiro que foi meu diretor-geral da PF entre 2007 e 2010, é pessoa que tenho muita confiança.”

Um dos documentos a que a Folha teve acesso é um relatório da Divisão de Contrainteligência Policial datado de 3 de novembro de 2023, 14 dias depois da deflagração da primeira operação da PF no caso, que incluiu busca e apreensão na sede da Abin em Brasília.

Ele trata especificamente de Corrêa e de seu então número 2, Alessandro Moretti. Há, nos dois casos, uma “qualificação dos investigados” com fotos de ambos, a data de nomeação de cada um na Abin e informações pessoais como número de documentos e dos respectivos telefones celulares.

O relatório é endereçado ao delegado da PF Daniel Carvalho Brasil Nascimento, responsável pelo inquérito.

Moretti acabou exonerado do cargo após a segunda operação da PF, de janeiro. A polícia afirma que ele teria dito, em uma reunião com servidores da Abin, que haveria fundo político nas investigações e que tudo iria passar.

O segundo documento, da Divisão de Operações de Inteligência Cibernética da PF, é datado de 11 de janeiro e trata do depoimento de Corrêa na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, ocorrida em 25 de outubro do ano passado.

“Foi identificada a apresentação realizada por Luiz Fernando Corrêa na reunião”, diz o documento da PF, que reproduz, em seguida, os slides que o chefe da Abin mostrou na reunião com os congressistas, que foi sigilosa.

O relatório, que também é direcionado ao delegado responsável pelo inquérito, lista uma nota divulgada pela Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) em que ela faz críticas ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Além de dizer repudiar declarações do chefe da PF no sentido de uma ação institucionalizada de arapongagem ilegal da Abin na gestão Bolsonaro, a associação afirma que maus profissionais existem em qualquer corporação, inclusive na PF, e que “o desvio de poucos não pode ser atribuído à totalidade dos servidores”.

A associação diz também que é preciso separar o que classifica como uso correto do software FirstMile, cuja contratação ocorreu com chancela da Advocacia-Geral da União, de eventual mau uso.

A Abin está no foco de investigação da PF desde março do ano passado, quando veio à tona a informação de que a gestão Bolsonaro usou o FirstMile para investigar ilegalmente adversários políticos por meio da localização geográfica de telefones celulares.

O inquérito já resultou em duas operações com prisões e buscas e apreensões, uma em outubro e a mais recente em janeiro.

O terceiro documento do inquérito cujo foco é Corrêa trata de análise de material apreendido na primeira operação de busca, em outubro de 2023, entre eles agenda de anotações e um grupo de WhatsApp que mostram reuniões e diálogos entre ele e outros integrantes da agência.

Bloco de anotações apreendido com um então diretor da Abin registra reuniões de Corrêa do final de março à primeira quinzena de maio de 2023, e conclui: “Verifica-se que Luiz Fernando Corrêa participou de reuniões da diretoria da Abin antes de ser nomeado para o cargo de diretor-geral.

Lula indicou formalmente Corrêa para o cargo em 2 de março de 2023, por meio da publicação de mensagem presidencial no Diário Oficial da União. A sabatina e aprovação do nome pelo Senado, porém, só ocorreram em maio. O decreto de nomeação foi publicado pelo governo em 29 de maio.

O quarto documento é análise de um material apreendido na operação de outubro, nesse caso um telefone celular de Paulo Maurício Fortunato, então número 3 da agência.

Ele lista mensagens de grupo de WhatsApp de integrantes da nova gestão da Abin, desde janeiro de 2023, época em que a decisão política para a escolha de Corrêa já havia sido tomada.

Em uma das mensagens, por exemplo, datada de 8 de fevereiro, Corrêa diz ao restante do grupo que Lula provavelmente não formalizaria ainda a indicação naquele dia. “Vamos respeitar o tempo deles. Enquanto isso, vamos adiantando a preparação das ações de início de gestão. O preço disso será, com certeza, a continuidade das nomeações. Vamos ter que suportar o desgaste de desfazer aquelas que não estiverem alinhadas com nosso modelo.”

Assim como no documento anterior, a conclusão repassada ao delegado responsável pelo inquérito é a de que Corrêa participou de reuniões da diretoria da Abin antes de ser nomeado.

Procurados, Corrêa e a PF afirmaram que não se manifestam sobre investigações em andamento.

A Abin afirmou que “continua contribuindo com as investigações”. A Folha não conseguiu falar com Moretti.

Ranier Bragon/FolhapressPolíticaLivre

À PF, ex-comandante da Aeronáutica diz que Anderson Torres participou de plano de golpe

 Foto: Divulgação

12 de março de 2024 | 08:28

À PF, ex-comandante da Aeronáutica diz que Anderson Torres participou de plano de golpe

BRASIL

Em depoimento à Polícia Federal (PF), nessa segunda-feira (11), o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, envolveu o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, na tentativa de golpe de Estado. A informação é da coluna de Bela Megale, do jornal O Globo.

O brigadeiro afirmou que Torres seria quem dava embasamento jurídico para que o ex-presidente Jair Bolsonaro decretasse um estado de defesa ou de sítio.

O depoimento do militar demorou cerca de dez horas e aconteceu antes da oitiva do ex-comandante do Exército Freire Gomes, que falou aos investigadores no início do mês. As informações que ambos deram como testemunhas no inquérito do plano golpista foram levadas ao ex-ajudante da Presidência e hoje delator, Mauro Cid.

O ex-comandante também confirmou a participação na reunião em que Bolsonaro debateu uma minuta golpista com chefes das Forças Armadas, mas disse que se colocou contra a medida. Além disso, Baptista Júnior teria sido categórico ao afirmar para os delegados que não houve fraude nas eleições e destacou que sua base são as conclusões do relatório militar sobre as urnas na comissão de transparência da Justiça Eleitoral, o que também teria reforçado para Bolsonaro.

Para a PF, o depoimento do brigadeiro aponta que, mesmo após ter informações seguras sobre a lisura das urnas, o ex-presidente insistiu na tese da fraude para justificar o plano de golpe.

PF mira empresa beneficiária de programa para setor de eventos por suposta lavagem de dinheiro

 Foto: Divulgação

PF mira empresa beneficiária de programa para setor de eventos por suposta lavagem de dinheiro12 de março de 2024 | 09:01

PF mira empresa beneficiária de programa para setor de eventos por suposta lavagem de dinheiro

BRASIL

A Polícia Federal, a Receita Federal e a Fazenda Municipal de São Paulo cumprem na manhã desta terça (12) mandados de busca e apreensão para avançar num investigação sobre crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro supostamente praticados por empresas do setor de eventos e de autopeças.

Uma das empresas investigadas, afirma a PF, é beneficiária do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), que está no centro de uma disputa entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o o ministério da Fazenda. Nomes dos alvos da investigação não foram divulgados.

Como mostrou a Folha, a pasta comanda por Fernando Haddad alertou lideranças do Congresso Nacional que o Perse teria aberto margem para operações de lavagem de dinheiro de atividades ilícitas no país.

No caso investigado pela PF de São Paulo, o inquérito aberto em 2022 descobriu transações financeiras suspeitas envolvendo contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.

De acordo com a PF, essas contas “estariam sendo utilizadas para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita e não declarados ao Fisco, sendo identificadas diversas movimentações, a crédito e débito, com terceiros laranjas (indivíduos sem capacidade financeira) e empresas fictícias (inexistentes) ou de fachada”.

Parte dessas movimentações, dizem os investigadores, está relacionada a pessoas com “extensa ficha criminal” por crimes como tráfico de drogas e organização criminosa.

“Um dos empresários investigados foi autuado pela Receita Federal do Brasil, no ano de 2023, em valores que superam os R$ 43 milhões. Em face das provas coletadas na investigação policial, a Receita Federal irá instaurar novas ações fiscais, desta vez contra as pessoas jurídicas, uma delas beneficiária do PerseE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos)”, diz a PF.

A ação foi batizada de Latus Actio e são cumpridos 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (SP), Guarujá (SP), Itu (SP) e Indaiatuba (SP).

A Justiça também decretou o bloqueio de valores em contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas investigadas até o limite aproximado de R$ 1 bilhão e o sequestro de bens imóveis e veículos avaliados em mais de R$ 60 milhões.

“Na atual fase das investigações foram reunidos elementos de prova dando conta que os investigados praticaram diversos atos com vistas à ocultação da origem, destino e natureza de valores movimentados através do Sistema Financeiro Nacional, ensejando, inclusive, a decisão cautelar do Juízo pelo sequestro/ bloqueio de bens e valores dos investigados”, diz a PF.

Fabio Serapião e Adriana Fernandes/FolhapressPoliticaLivre

iFood quer contribuição ao INSS de 5% a 11% sobre renda dos motoboys

Segunda-Feira, 11/03/2024 - 18h00

Por Cristiane Gercina | Folhapress

iFood quer contribuição ao INSS de 5% a 11% sobre renda dos motoboys
Foto: Thiago Gadelha

O iFood defende uma tabela progressiva de contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em um novo modelo de Previdência Social, para custear benefícios e regulamentar o trabalho de motoboys e ciclistas.
 

Os trabalhadores pagariam alíquotas de 5% a 11% sobre o rendimento, conforme a faixa de ganhos.
 

O setor —chamado de duas rodas— não faz parte do projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso na semana passada para motoristas de aplicativos de transporte de passageiros, que cria a categoria de trabalhador autônomo por plataforma, com pagamento de 7,5% ao INSS, controle de jornada e remuneração mínima.
 

O modelo proposto pelo iFood é semelhante ao do empregador doméstico, no qual o patrão paga 20% sobre o salário do empregado para custear benefícios previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), mas parte das despesas sociais com esse profissional é subsidiada pelo governo.
 

"A gente deveria ter uma tabela progressiva de Previdência, por exemplo, nos moldes do que a gente tem na lei do empregador doméstico. Não estou falando que são as mesmas alíquotas, mas o mesmo racional", afirma Lucas Pittioni, vice-presidente de políticas públicas do iFood.
 

Segundo ele, a empresa considera o modelo de Previdência proposto pelo governo para os motoristas de passageiros inadequado para os motoboys, que têm ganhos mais baixos.
 

"Existe um consenso de que o modelo que o governo propôs é um modelo que não vai conseguir promover a inclusão dos trabalhadores no regime de seguridade em função das características desse setor."
 

A inadequação do projeto estaria ligada ao fato de que os motociclistas trabalham uma quantidade menor de horas por semana e têm rendimento menor, fazendo com que não atinjam o valor de um salário mínimo para contribuir com a Previdência.
 

Neste caso, seria necessário complementar a contribuição ao INSS para que o profissional estivesse amparado pelos benefícios previdenciários, a exemplo do que já ocorre hoje com outras categorias de autônomos.
 

Os modelos de contribuição previdenciária variam atualmente entre trabalhadores, conforme o tipo de contrato. Quem é regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) paga contribuição ao INSS que varia de 7,5% a 14%, em uma tabela progressiva que leva em consideração a faixa salarial. Essa regra é a mesma aplicada para empregadas domésticas.
 

Autônomos pagam alíquota mensal de 11% ou 20% sobre o rendimento, no plano simplificado ou normal, respectivamente. Donas de casa de baixa renda podem contribuir com 5% sobre o salário mínimo ao mês, assim como os MEIs (microempreendedores individuais). Nos dois casos, o modelo de previdência é custeado pelos cofres públicos no momento da aposentadoria ou liberação de outros benefícios.
 

A nova proposta poderia colocar fim ao impasse entre empresas e entregadores, que não chegaram a consenso durante as negociações do grupo de trabalho criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano passado para discutir a regulamentação do trabalho por aplicativo.
 

Os aplicativos concordam que o modelo de Previdência deveria ser diferente, mas ainda não bateram o martelo sobre o que seria mais adequado. Defendem o subsídio federal, mas concordam que os cofres públicos poderão sofrer um rombo, reforçando ainda mais o déficit previdenciário.
 

Para os trabalhadores, a questão previdenciária seria um segundo ponto a ser discutido, depois da definição do tipo de remuneração, se pela hora logada ou hora trabalhada, e o valor mínimo a ser pago.
 

Gilberto Almeida, o Gil, presidente do Sindmoto-SP (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo) e da Confederação Nacional dos Sindicatos dos Motoboys e Motoentregadores, diz que os trabalhadores não abrem mão de receber R$ 25 por hora, remuneração já paga hoje pelo iFood.
 

O valor final oferecido a eles ficou em R$ 17, abaixo dos R$ 32,10 que consta no projeto de lei dos motoristas de aplicativos de passageiros. E foi um dos motivos de discordância entre aplicativos de trabalhadores. O novo modelo de Previdência também é impasse.
 

O sindicalista diz que as empresas não querem contribuir com percentual maior para a Previdência e querem deixar a conta para o governo. Para os trabalhadores, no entanto, quanto menor o percentual a ser descontado de seus ganhos, melhor.
 

"Reconhecemos que essa é uma categoria que menos paga e que mais usa. Precisa de uma discussão que leve para a ponta do papel as contas do governo", diz.
 

Por ele, as empresas e os entregadores devem voltar a negociar e, como a Folha já adiantou, encaminhar a solução via Congresso Nacional, no projeto de lei dos motoristas de aplicativo de passageiros.
 

Pittioni diz que o iFood também quer voltar a negociar e tomou como positiva a fala do presidente Lula no evento de entrega do projeto dos motoristas, que orientou a retomada dos debates.
 

"A gente recebe com muito agrado esse convite do presidente Lula para dialogar porque a gente reconhece que esse diálogo vai ser crucial para criar um modelo de financiamento novo que seja adequado."
 

As negociações, no entanto, estão travadas, mas podem ser retomadas no final deste mês. Questões de saúde do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ligado diretamente às conversas, impedem o avanço imediato dos debates.
 

Sobre questões trabalhistas, as empresas de aplicativo concordam entre si com a regulamentação já proposta no setor de passageiros. Mas os motoboys, não.
 

"Nós reconhecemos que o projeto de lei que o governo apresentou contém avanços significativos no campo trabalhista, no reconhecimento de uma nova forma de trabalho, com a figura do autônomo subsidiado por plataforma", diz Pittioni.
 

"Nossa categoria tem muitas particularidades, é uma categoria precarizada, precisa, por exemplo, de vale-alimentação", diz Gil.

Em destaque

O OUTRO LADO DA MOEDA R$ 1.007.574.000.000,00 em juros da dívida

O Outro Lado da Moeda Por Gilberto Menezes Côrtes gilberto.cortes@jb.com.br   Publicado em 30/01/2026 às 16:26 Alterado em 30/01/2026 às 17:...

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