quinta-feira, fevereiro 09, 2023

Em 2003, quando assumiu, o governo Lula subiu os juros básicos de 25% para 26,5%

Publicado em 8 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Lula: 'Nunca vi mercado tão sensível como o nosso' - 10/11/2022 - Mercado - Folha

Lula esquece o próprio passado para criar um novo normal

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Depois de quatro anos de Bolsonaro com seus destemperos de cercadinhos, era possível esperar uma distensão na vida política nacional. Lula prometeu paz, estabilidade e previsibilidade. Em pouco mais de um mês de governo, na sua relação com o Banco Central independente, com o inevitável ricocheteio na economia, entregou beligerância e balbúrdia.

A contrariedade de Lula tem dois aspectos. Num, ele e seu ministro da Fazenda acham que a taxa Selic de 13,75% ao ano é exagerada. Noutro, ele acredita que a autonomia do Banco Central é uma “bobagem”. A respeito da taxa, a discussão está aberta. Quanto à “bobagem” não há o que discutir, a autonomia do Banco deriva de um ato do Congresso.

COMPARAÇÃO – Num de seus momentos de crítica, Lula formulou uma comparação: “Eu duvido que esse presidente do Banco Central, (Roberto Campos Neto) seja mais independente do que foi o [Henrique] Meirelles.”

Verdade, mas a diferença não está na figura de Campos Neto, está na de Lula. Do início de 2003 ao final de 2010, Henrique Meirelles presidiu o Banco Central e o então presidente Lula deixou-o em paz. Nunca se referiu a ele como “esse presidente” ou “esse cidadão”.

Passou o tempo e Lula entrou no seu terceiro mandato sem ao menos uma reunião protocolar com Campos Neto. Pior: durante a transição, enquanto sua equipe negociava uma Emenda Constitucional para desafogar seu primeiro ano de mandato, o presidente do Banco Central não sabia sequer para quem devia telefonar.

CARTA DO COPOM – Na sua última investida, Lula disse que “não existe justificativa nenhuma para que a taxa de juros esteja em 13,50% [ela está em 13,75%]. É só ver a carta do Copom para a gente saber que é uma vergonha esse aumento de juro”.

O Copom de hoje, como o do tempo de Meirelles, fixa a taxa de juros para segurar a inflação, essa sim, uma vergonha. Lula falou que houve aumento da taxa de juros, o que não aconteceu. Ela ficou onde estava. Aumento da Selic ocorreu em janeiro de 2003, no primeiro mês do mandato de Lula, quando o Copom elevou-a de 25% para 25,5%, Em fevereiro, subiu para 26,5%.

À época, ele não reclamou, pois estava de olho na credibilidade de seu governo. Obteve-a. (O vice-presidente José Alencar viria a criticar os juros altos, sem chamar quem quer que fosse de “esse cidadão”.)

IGUAL A BOLSONARO – Passados vinte anos, Lula pode até ser outro, mas, ao escolher o Banco Central para o papel de vilão, e seu presidente para o de bode, difere do que foi e assemelha-se ao seu antecessor. Emparedado pela pandemia do Covid, Bolsonaro transformou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta em bode, demitiu-o, e não foi a lugar algum.

Há um forte cheiro de intriga palaciana no que parece ser uma malquerença de Lula com Roberto Campos Neto. O presidente do Banco Central foi a alguns eventos onde não deveria ter aparecido, mas chamá-lo de bolsonarista é patrulha vulgar.

Num governo que teve no ministro Paulo Guedes um vendedor de sonhos, Campos Neto teve um comportamento institucional. Num sinal de novos (e velhos) tempos, além das críticas de Lula e de alguns de seus ministros, ele é envenenado na blogosfera, arma trazida para o cotidiano político pelo capitão Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Mais uma excelente análise de Elio Gaspari sobre a taxa de juros. E amanhã vamos publicar, com exclusividade, um artigo de Mathias Ertdmann sobre a necessidade de dar mais poder e metas ao Banco Central. É um texto definitivo, que liquida a questão. (C.N.)


Erro de cálculo que Banco Central anunciou teve pouco impacto no mercado de câmbio


Cambio | BLOG DO AMARILDO . CHARGE CARICATURA

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Luisa Purchio
Veja

Divulgado em 26 de janeiro pelo Banco Central em coletiva de imprensa, o erro de cálculo no total de 14,5 bilhões de reais no mercado de câmbio contratado entre outubro de 2021 a dezembro de 2022 tem pouco impacto no mercado de câmbio e na confiança da instituição, porém na análise de especialistas poderia causar abalos se persistisse.

“É sempre ruim porque adiciona incerteza sobre uma variável que o mercado acompanha, tendo efeitos negativos sobre o mercado de câmbio. Se esse tipo de erro persistir, a volatilidade do mercado tende a aumentar”, diz João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos.

FALHA DE COMPILAÇÃO – Nas estatísticas do BC, o erro ocorreu em alguns códigos do mercado de câmbio criados por uma resolução do BC e que entraram em vigor em outubro de 2021. “Por uma falha de compilação desses novos códigos, um deles não foi incluído” disse Rocha na coletiva.

O equívoco afetou o fluxo cambial nos últimos três meses de 2021, fazendo com que o valor total em importações aumentasse de 215,4 bilhões de dólares para 217,2 bilhões de dólares.

Já em 2022 todos os meses foram afetados, aumentando as importações de 238,1 bilhões de dólares para 250,9 bilhões de dólares, levando o mercado de câmbio a fechar em déficit de 3,2 bilhões de dólares no ano passado.

CÂMBIO E BALANÇO – O fluxo cambial é diferente do balanço comercial, que compila o total de compra e venda de produtos para o mercado internacional. Já o fechamento cambial é uma liberdade que o exportador tem de escolher se o dinheiro arrecadado com as vendas ficará fora ou dentro do país, de acordo com o que lhe for mais interessante do ponto de vista de valorização ou desvalorização do dólar em relação ao real.

“O balanço comercial teve no ano passado superávit, enquanto o fechamento cambial teve déficit. Isso significa que quem estava exportando não quis trazer o dólar com medo da desvalorização do real”, diz Simão Davi Silber, professor de economia da USP e pesquisador da FIPE, lembrando do impacto que as eleições presidenciais tiveram sobre a volatilidade cambial em 2022.

RECEIO DE CRISE – “As eleições, com os precatórios do Guedes e do Bolsonaro, deixaram os exportadores com medo de trazer os dólares para o Brasil e perder dinheiro, e efetivamente o real trocou de patamar. Já o importador faz o raciocínio contrário, ele tem de pagar em dólar então quanto mais cedo fizesse isso, mais barato ele pagava”, explica Silber.

Também para Silvio Campos Neto, sócio da Tendências, do ponto de vista de avaliação de mercado o erro de cálculo não é muito relevante.

“A única implicação de análise que vejo é a percepção de que o fluxo não foi positivo como na primeira informação. Mas o saldo negativo de 3 bilhões não é tão significativo porque o erro foi no fluxo comercial e não mexe com o fluxo financeiro, o que poderia sugerir um menor interesse de investidores em ativos brasileiros”, assinala o especialista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Enviada pelo sempre atento comentarista Batista Filho, a matéria é importante e as explicações do Banco Central, por óbvio, estão sendo usadas pelos petistas para atacar o presidente do BC. No entender dos especialistas do mercado, porém, a retificação de dados é coisa normal e demonstra a seriedade de quem reconhece o erro involuntário. No caso dos governos do PT ocorreu o contrário. Houve erro proposital pela equipe de Guido Mantega, que desde o governo Lula praticava as chamadas maquiagens fiscais, que depois passaram a ser conhecidas como pedaladas e causaram o impeachment de Dilma Rousseff. No início, ela desprezava as acusações e até comprou uma bicicleta para passear todo dia de manhã e ironizar as pedaladas. Hoje, deve se arrepender muito de tanta idiotice que fez(C.N.)


Banco Central precisa ter ainda mais poder e metas, como nos EUA e na Nova Zelândia


Com novas resoluções, BC traz ESG para a regulação bancária; entenda  |  Reset

Contestar a autonomia do BC é uma postura irracional

Mathias Erdtmann

É possível fazer uma crítica construtiva ao BC sem ameaçar sua autonomia. E no núcleo dessa critica pode ser feita uma proposta, em um formato que pode agradar gregos e troianos. É muito simples, basta “copiar a matriz”, uma proposta que deveria, a princípio, ser bem aceita pelo mercado, e satisfazer os desígnios do governo — que o BC brasileiro tenha duas metas, de forma semelhante ao dos EUA.

Aqui, o BC tem uma missão: controle da inflação. E para isso ele tem um arsenal cuja arma preferida é a definição da taxa de juros (pedais do acelerador e freio da economia).

DUPLO MANDATO – Nos EUA funciona o chamado “duplo mandato” desde 1977, com duas missões: (1) controle da inflação e (2) manutenção do pleno emprego. Além da taxa de juros, outra ferramenta muito usada é o controle da base monetária (dinheiro em circulação) com os afrouxamentos (“quantitative easining”) e tensionamentos (“quantitative tightening”).

No Brasil, com a única missão, a maior eficiência da ferramenta dos juros ocorre quando o banco opera com base monetária muito pequena, com os enxugamentos, ou retiradas do dinheiro em circulação dos bancos (de forma remunerada mediante depósitos compromissados), que tanto são criticados pela Dra. Maria Lúcia Fattorelli.

Isso tudo é fácil de comprovar ao analisar a base monetária M2 como percentual do PIB, disponível na página de dados abertos do BC e do FED (base de dados do BC dos EUA). Nos EUA a base monetária (ou dinheiro em circulação – agregado M2) está hoje em 82% do PIB, enquanto no Brasil está – como sempre – em 50% (mais baixo que o mínimo da história norte-americana).

POBREZA ARTIFICIAL – Essa versão brasileira cria uma pobreza artificial e os bancos ficam “sem dinheiro” pra emprestar, aumentando o spread, que é a diferença entre o juros do governo e o juros para as pessoas.

Ora, neste duplo mandato, o BC não pode esfolar a “real economy” dos empregos das pessoas em troca de uma missão meramente bancária, e com isso ganha uma sensibilidade adicional — sem perder a autonomia, e sem requerer que o presidente da República ou o ministro da Fazenda façam o triste papel de pedir compaixão aos banqueiros.

Lá nos EUA as metas são definidas e aprovadas anualmente no congresso, sendo atualmente uma inflação a 2% (+-1 %) e desemprego em 4,4% (+- 1%) – esses números praticamente não mudam de um ano pra outro.

PLENO EMPREGO – Para trabalhar dentro das margens, se o desemprego crescer, o Banco Central americano tem que aceitar ir ao limite superior da inflação para aquecer a economia, por exemplo.

Esses 4,4% de desemprego caracterizam o pleno emprego, pois é esperado que sempre exista uma parcela (pequena) da população que esteja trocando de empregos, formando um colchão de mobilidade que ainda permite algum poder de barganha aos patrões e empregados.

Vejam que assim a autonomia e o poder do BC vêm junto com uma missão que inclui o bem-estar geral a partir do emprego, garantindo a dignidade e oportunidades ao povo americano.

OUTRO EXEMPLO – Na Nova Zelândia, foram até mais longe no sistema BC autônomo + meta de inflação, instituindo “triplo mandato”: (1) inflação baixa e positiva; (2) pleno emprego; (3) preços de aquisição de casas com baixa inflação.

A terceira meta buscaria evitar a inflação de ativos, que é uma das principais fontes de desigualdade, pois a parcela mais rica, possuidora de mais ativos, se beneficia com ela, enquanto os mais pobres são prejudicados pelo aumento dos aluguéis. Com essa política, o sistema financeiro do governo busca estabilidade da economia com emprego e chance de moradia digna para as pessoas.

Vejam que estes sistemas não ferem a autonomia dos BCs, muito pelo contrário:  dão mais poder para algo que funciona (a certo grau, até melhor que outras esferas do governo), ao mesmo tempo que insere o banco nas questões de bem-estar social – sem fazer política diretamente, mas através do emprego.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mathias Erdtmann é um dos intelectuais brasileiros que eu mais respeito e admiro. Seus artigos, que são redigidos exclusivamente para a Tribuna da Internet, deveriam ser republicados por toda a grande imprensa para vitalizar nas redes sociais. Mas quem se interessa por uma discussão de tamanho nível? O presidente da República, é claro, deveria ter assessores com esse padrão de conhecimento, mas está cercado de áulicos pessimamente instruídos, que só sabem bater palmas para as asneiras que Sua Excelência espalha diariamente aos borbotões. É pena. (C.N.)


Marcos do Val é um imbecil, pensa (?) que vai afastar Moraes e beneficiar Bolsonaro


Do Val diz que denúncia para grampear Moraes foi 'estratégica'

Marcos do Val parece ter um parafuso a menos na cabeça

Carlos Newton

A política brasileira vive um momento paradoxal e surrealista, com um ex-presidente fora do ar e outro que também não demonstra o menor interesse em apaziguar o país e se empenha diariamente em incentivar confrontos entre pobres e ricos, entre povo e elite, entre petistas e bolsonaristas, comporta-se como um agente provocador.

Nesta quarta-feira, o advogado e economista Celso Serra comentou aqui na Tribuna: “A sensação que tenho quando escuto Lula é que ele está com problemas mentais”. Realmente, dá essa impressão. Mas o antecessor Jair Bolsonaro também era assim, já deveríamos estar nos acostumando a isso. Aliás, na política brasileira o que não falta são desequilibrados.

UM BOM EXEMPLO – Vejam o caso desse estranho senador Marcos do Val (Podemos-ES), que diz ser vitorioso nos Estados Unidos, posando de “instrutor” dos policiais da SWAT, e agora reclama da baixa remuneração dos parlamentares brasileiros, que estão entre os que têm maiores salários e regalias no mundo.

Nesta quarta-feira, dia 8, o irrequieto e distraído parlamentar, que não lembra se esteve no Palácio da Alvorada ou na Granja do Torto, deu misteriosas declarações sobre sua participação na trama golpista com o Bolsonaro e Daniel Silveira.

As declarações de Marcos do Val foram dadas ao youtuber Ronny Teles, que compartilhou as imagens.  Confiram o que disse o senador, ao ser foi questionado a respeito da denúncia que fez sobre a articulação golpista. 

— Tudo é estratégico — disse Marcos do Val, sobre suas mudanças de versão sobre a trama.

— Mas parece que a Justiça não está tratando muito bem essa estratégia — disse o youtuber.

— Eu acho que o resultado está dando certo — rebateu o senador.

— Acha que está sendo positivo? — insistiu Teles.

— Acho não, tenho certeza disso — afirmou Marcos do Val, enquanto sorri.

— Qual o seu objetivo? — questionou o youtuber.

— Com o tempo vocês vão saber qual é. Vocês podem ter certeza que com o tempo vocês vão saber qual é. O objetivo foi atingido, e é claro que eu fiz essa manipulação de notícias desencontradas, mas um dia vocês podem entender isso daí — diz o senador.

Teles então perguntou se Marcos do Val pretende pedir o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

— Com o tempo vocês vão ver o que vai acontecer e ficarão muito felizes — finalizou o parlamentar.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Marcos do Val é uma versão menos musculosa do que Daniel Silveira, mas os dois são iguais em matéria de carência de neurônios.

Os objetivos do senador são claros  — pretende repetir a mesma estratégica que destruiu a Lava Jato. Ou seja, através da sua troca de mensagens com Alexandre de Moraes, existente no celular que entregou à Polícia Federal, ele sonha em provar a parcialidade do ministro e fazer com que seja afastado do Supremo.

Outro objetivo e evitar a delação premiada de Daniel Silveira, que tem capacidade para destruir toda a família Bolsonaro e mais uma porção de políticos agregados, todos envolvidos no esquema golpista, como o próprio Marcos do Val.

LEMBRANDO GARRINCHA – O problema é que o senador do Podemos demonstra ser um completo imbecil, que desconhece a história das copas do mundo e não sabe da pergunta que Garrincha fez ao técnico Vicente Feola, em 1958, após ouvir as instruções: “O senhor já combinou com os russos?”.

Da mesma forma, o patético Marcos do Val esqueceu de combinar com os ministros do Supremo, que jamais ficarão contra Alexandre de Moraes, não importam as provas que sejam exibidas contra ele.

Isso significa que a estratégia do senador bolsonarista não tem o valor de uma cédula de três dólares. Ou três reais. Está arriscado a fazer companhia a Daniel Silveira, caso o ex-deputado marombeiro não faça delação premiada.

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P.S. –
 Se estivéssemos na Inglaterra, onde há milhares de casas de jogos, já estaríamos apostando em quem ficará na cadeia, porque Daniel Silveira já está, mais pode sair, se fizer delação. Para evitar isso, os bolsonaristas prometem o céu e a terra à mulher de Silveira, que estava com R$ 270 mil em espécie quando os federais deram a mais recente busca na casa dela. Como as contas do marido estão bloqueadas há mais de um ano, alguém entregou o dinheiro a ela. E o resto é folclore, como diz o mestre Sebastião Nery(C.N.)

quarta-feira, fevereiro 08, 2023

Lula não quer Roberto Campos Neto na presidência do BC. E agora?

Publicado em 8 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Campos Neto não pode exercer o cargo em conflito com Lula

Pedro do Coutto

Na posse de Aloizio Mercadante na Presidência do BNDES, na última segunda-feira,o presidente Lula da Silva voltou a atacar fortemente o Banco Central pela decisão de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, o que representa uma despesa de praticamente R$ 800 bilhões para o governo, uma vez que a Selic remunera os títulos do Tesouro que lastreiam a dívida interna brasileira.

A dívida do Brasil é de aproximadamente R$ 6 trilhões. Os bancos, os fundos de investimentos e os fundos de pensões das estatais  são os credores que recebem a remuneração pelo índice anual da Selic.  Como se observa, cada ponto da Selic equivale a algo em cerca de R$ 60 bilhões.

DESPESA – Para se ter uma ideia sobre esse valor, basta dizer que o orçamento da Prefeitura do Rio de Janeiro para 2023  é de R$ 43,9 bilhões. É muito dinheiro, muita despesa, que não é considerada no déficit orçamentário. O fato predominante é que o presidente da República não sintoniza, como os fatos comprovam, com Roberto Campos Neto.

Na edição de ontem de O Globo, reportagem de Letícia Cardoso, Carolina Nalin, Sérgio Roxo, Jennifer Gularte, Geralda Doca e Fernanda Trisotto, focaliza o assunto sob o título “Artilharia contra o BC”. O assunto tem sido tema de debates variados, especialmente na GloboNews. Pessoalmente, acho que Lula tem razão de estranhar esse nível.

A despesa real com a Selic elevou-se 8% num prazo de 12 meses, ampliando assim (já que um ponto vale R$ 60 bilhões) em R$ 480 bilhões de desembolso anual. Alega-se que a Selic e os juros altos são para frear a inflação. Ao contrário, os juros altos aumentam a inflação e a concentração de renda, é claro. Sobretudo na medida em que faz com que aumente a diferença entre a inflação do país e a taxa Selic.

CONCENTRAÇÃO – Mas não é apenas isso. Com a remuneração de 13,75% ao ano, as aplicações de capital dos bancos e dos fundos de investimentos vão se concentrar no mercado financeiro e bloquear investimentos de ordem mais reprodutiva, com reflexo no mercado de trabalho. Por outro lado, com uma remuneração garantida de 13,75% ao ano, os bancos vão manter os juros altos na cobrança de seus empréstimos. Por isso é que eles estão basicamente no crédito direto na escala de 30% anuais.

A contradição entre Lula e Roberto Campos Neto, apesar da tentativa do ministro Fernando Haddad de reduzir as tensões entre o Planalto e o Bacen, existe por outros motivos que influem na rejeição que Lula mantém em relação a Campos Neto. A reportagem do O Globo, assinala que Roberto Campos Neto participava de um grupo do WhatsApp em que se integravam vários ex-ministros de Bolsonaro. Além disso, nas eleições presidenciais de outubro, Roberto Campos Neto foi votar vestindo as cores da campanha de Bolsonaro.

Lula, portanto, não confia nele. E conforme já escrevi, não importa que o presidente do BC tenha um mandato estabelecido em lei. Na verdade, ninguém pode exercer um cargo dessa importância em conflito com o presidente da República. Não há a menor possibilidade de superação do que está ocorrendo. Provavelmente, Lula tenha um nome de sua confiança para substituir Campos Neto no Banco Central.

POUPANÇA –  Renan Monteiro, O Globo desta terça-feira, revela que no mês de janeiro deste ano, as retiradas das cadernetas de poupança somaram R$ 334 bilhões e os depósitos R$ 307 bilhões. Com isso, houve uma redução de R$ 33 bilhões aproximadamente. A maior verificada até hoje para um só mês.

O motivo principal está nos compromissos dos depositantes que se elevam sempre em janeiro com despesas sobretudo no setor de ensino. Mas não é apenas esse o único motivo. É também o endividamento de mais de 60% das famílias brasileiras com os pagamentos de juros dos cartões de crédito. O total de inadimplentes atinge quase 70 milhões de brasileiros e brasileiras.

Em destaque

O OUTRO LADO DA MOEDA R$ 1.007.574.000.000,00 em juros da dívida

O Outro Lado da Moeda Por Gilberto Menezes Côrtes gilberto.cortes@jb.com.br   Publicado em 30/01/2026 às 16:26 Alterado em 30/01/2026 às 17:...

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