sábado, fevereiro 05, 2022

Articulações para governos estaduais vão se basear nas pesquisas do Datafolha e do Ipec

 Publicado em 5 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

A partir do mês de abril terão início as articulações dos atuais governadores dos 27 Estados em torno das eleições de outubro nas quais serão eleitos 12 novos governadores, além de senadores, deputados e o presidente da República. Quinze governadores vão disputar a reeleição, quatro governadores  deixarão os cargos para concorrerem a outros postos. É o caso de João Doria, por exemplo, Wellington Dias, governador do Piauí, Flávio Dino, governador do Maranhão, e Camilo Santana, governador do Ceará.

Pela legislação, eles têm que renunciar aos postos atuais até seis meses antes do pleito. Portanto, o dia 2 de abril é o limite. O governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e atualmente no PSDB, não pretende disputar a reeleição para o governo estadual. Pode ser que concorra à Presidência da República pelo PSD a convite do presidente da sigla, Gilberto Kassab. Há um grupo de governadores já reeleitos, mas que vão exercer o mandato até o final, não concorrendo às eleições: Rui Costa da Bahia, Paulo Câmara de Pernambuco, Belivaldo Chagas de Sergipe e Waldez Góes do Amapá.

TENDÊNCIAS ELEITORAIS – Na minha opinião, as articulações, como é natural, irão se basear nas tendências eleitorais tanto para a Presidência da República quanto para os executivos estaduais nas tendências reveladas pelo Datafolha e pelo Ipec. Os levantamentos podem não indicar favoritos absolutos, mas funcionam para definir os que não possuem possibilidade de se eleger. Os palanques para os cargos majoritários, caso da Presidência da República,  do Governo e do Senado são essenciais para as candidaturas a governador.

O mesmo não acontece em relação aos candidatos da Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Isso porque para eleições proporcionais, a base tradicional está nos redutos e na influência que os políticos exercem nos municípios e nas comunidades, pois são votações concentradas em áreas de influência.

POUCA INFLUÊNCIA – No caso do Senado, governo estadual e Presidência da República, os redutos pesam muito pouco no conjunto do eleitorado e não podem ser levados em conta como decisivos para este ou aquele nome. Eleitores e eleitoras formam um universo geral que não se mostra sensível às investidas setoriais na base de comunidades e obras de interesse local. São fatores que pesam, porém pouco no universo geral. Daí porque as articulações estaduais sempre levam em conta – e desta vez mais ainda – as situações favoráveis e desfavoráveis apontadas pelas pesquisas dos institutos.

Eu disse que pesam este ano mais ainda em face da polarização no âmbito federal entre Lula da Silva e Bolsonaro, em relação à qual ainda não surgiu uma terceira alternativa. João Dória ainda não pontuou de forma expressiva e os ataques de Ciro Gomes a Sergio Moro representam uma luta pelo terceiro lugar na opinião pública. Mas os índices de ambos, com vantagem para Moro, não afetam o equilíbrio geral registrado até agora, critério em que o desfecho fica restrito a apenas dois nomes.

BARROSO E O TELEGRAM – Numa entrevista a Beatriz Bulla, correspondente do Estado de S. Paulo em Washington, o ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que a posição do Telegram em relação às fake news voltadas para o plano político é preocupante. Barroso foi a Washington participar de uma reunião de Tribunais Eleitorais na OEA exatamente para debater os rumos das justiças eleitorais em relação às eleições deste ano.

Luís Roberto Barroso disse não gostar da ideia de banir uma plataforma na internet, referindo-se ao Telegram, pois revelou  já ter estabelecido parcerias com o Facebook, com o WhatsApp e o TikTok a respeito de investidas voltadas à desinformação. Entretanto, em relação ao Telegram, o panorama é diferente. Disse que não houve resposta ao pedido de reunião feito por ele em dezembro sobre o mesmo tema e que sem representação no Brasil, o Telegram não recebe e cumpre ordens judiciais.

FORA DE CONTROLE – Sua sede é na Rússia e ele se torna um território fora de controle. No aplicativo russo, acrescentou Barroso, não há limite para encaminhamento de mensagens e o número de pessoas presentes em grupos pode chegar a 200 mil, o que facilita o disparo de notícias falsas.

Preocupa em face do uso abusivo das redes sociais. O Telegram, frisou ainda, tem sido o serviço preferido entre os bolsonaristas. Mas qualquer ato relevante na comunicação social tem que estar sujeito à justiça brasileira, já que está operando no país. Barros voltou a atacar fortemente a desinformação que se torna um veneno no processo político e social de qualquer nação.

REAÇÃO DOS MÉDICOS –  Médicos mostram-se preocupados com a ômicron e a contaminação que vem atingindo os próprios médicos que se encontram sobrecarregados de trabalho, o que decorre em parte da absurda campanha contra a vacinação: 57% da classe médica afirmam que a interferência absurda leva  grupos de pessoas a minimizar ou negar o problema.

Para 55% trata-se de uma situação totalmente absurda, pois afinal de contas ninguém de bom senso pode ser contra a vacinação e ainda por cima fazer propaganda contra as vacinas, incluindo a imunização infantil, único caminho para conter o processo do coronavírus e suas variantes. De fato, é uma ação criminosa, a meu ver, pessoas poluírem as redes sociais, fazendo campanha contra uma forma de preservar a saúde e até a vida humana.

Abuso de poder': após bloqueio de bens, Moro vai processar subprocurador

 




Após bloqueio de bens, Moro diz que vai processar subprocurador por "abuso de poder"

Lucas Furtado, subprocurador do TCU, alegou suspeita de sonegação de impostos nos pagamentos recebidos do escritório Alvarez & Marsal pelo ex-ministro

Por Luana Patriolino 

O ex-juiz Sergio Moro afirmou que se sente perseguido e que vai processar o subprocurador-geral do  Lucas Furtado por abuso de autoridade. O Tribunal de Contas da União (TCU) pediu, nesta sexta-feira (4/2), o bloqueio dos bens do ex-ministro como medida cautelar por suspeita de sonegação de impostos nos pagamentos que recebeu da consultoria na Alvarez & Marsal - responsável pela administração judicial de empresas condenadas pela Lava-Jato.

Por meio de nota, Moro afirmou que já prestou todos os esclarecimentos necessários sobre o montante recebido. "Coloquei à disposição da população os documentos relativos à minha contratação, serviços e pagamentos recebidos, inclusive com os tributos recolhidos no Brasil e nos Estados Unidos", declarou.

O ex-juiz afirmou que vai fazer uma representação contra o subprocurador por abuso de autoridade. "Fica evidenciado o abuso de poder perpetrado por este procurador do TCU. Pretendo representá-lo nos órgãos competentes, como já fez o senador da República, Alessandro Vieira (Cidadania-SE), e igualmente promover ação de indenização por danos morais", disse Moro.

Na mira do TCU

Em ofício enviado ao ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), o subprocurador-geral Lucas Furtado pediu que a Corte declare a indisponibilidade de bens do ex-ministro da Justiça Sergio Moro como medida cautelar por suposta sonegação de impostos sobre os pagamentos que Moro recebeu da consultoria Alvarez & Marsal, responsável pela administração judicial de empresas condenadas pela Lava-Jato.

Para Furtado, "há risco da inviabilização do ressarcimento e do recolhimento de tributos aos cofres públicos", caso não sejam investigadas as contas de Moro, que teria recebido cerca de R$ 3,6 milhões da consultoria.

Correio Braziliense / Estado de Minas

Os ricos, os tributos e a hipocrisia




Por Everardo Maciel (foto)

Em janeiro passado, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, um grupo de mais de 100 milionários, autodesignado Milionários Patriotas, divulgou carta em que reconheciam que suas fortunas cresceram com a pandemia e que os sistemas tributários eram injustos. Piedosamente, pediam para ser mais tributados.

Logo me veio à lembrança a frase atribuída ao pensador francês La Rochefoucauld (1613-1680): “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

É certo que os ricos, especialmente os milionários, pagam desproporcionalmente menos impostos que os demais contribuintes. Porém é igualmente certo que as leis tributárias, que lhes permitem pagar menos impostos, não decorrem, por óbvio, de pressão política dos pobres. Ao contrário, como se constata na forte oposição, no Congresso norte-americano, às propostas tributárias do Presidente Biden.

Para evitar o pagamento de impostos, grandes multinacionais e milionários não praticam a vulgar sonegação. Recorrem a talentosos e bem remunerados especialistas que produzem requintados planejamentos tributários, invulneráveis a alíquotas nominais elevadas ou a pretensões de tributação das fortunas. Essa arma, não tão secreta, ainda que desconhecida para os leigos, é um agente formidável na geração de desigualdades entre pessoas e países.

Compungidamente, os que se valem do planejamento abusivo alegam que tão somente lançam mão de brechas na legislação tributária, como se elas nascessem por geração espontânea.

Dia após dia, são divulgadas informações que atestam o que vem a ser, no meu entender, o maior escândalo da história da tributação.

Em 2021, Chuck Collins, professor do Institute for Policy Studies, em Washington, publicou um livro (The Wealth Hoarders) em que mostra como os bilionários pagam milhões para esconder trilhões e assim acumular riquezas, por meio de astuciosos planejamentos.

Assinala o autor, entre muitos exemplos, que quase a metade das empresas norte-americanas têm inscrição fiscal em Delaware, conhecido paraíso fiscal. Acrescenta que um único endereço em Wilmington, mais populosa cidade daquele Estado, é o domicílio fiscal de 285 mil empresas.

Em maio do ano passado, com base em dados oficiais, os jornalistas investigativos do site ProPublica demonstraram que os 25 maiores bilionários norte-americanos, entre 2014 e 2018, pagaram imposto de renda à alíquota efetiva média de 3,4%, bem inferior à média dos demais contribuintes. Os Milionários Patriotas, timidamente, não reagiram.

Jornal Metrópoles

Covid: o que é a subvariante BA.2 da ômicron, agora com casos confirmados no Brasil




Variante ômicron responde por mais da metade das infecções no mundo

A variante ômicron altamente transmissível agora é responsável por metade das infecções por covid-19 no mundo. Mas a ômicron é um termo abrangente para várias linhagens intimamente relacionadas ao SARS-Cov-2, sendo a mais comum a linhagem BA.1.

Agora, mais países, principalmente na Ásia e na Europa, estão registrando um aumento de casos causados ​​pela BA.2.

Nesta sexta-feira (4/2), o Ministério da Saúde confirmou três casos de infecção pela linhagem BA.2 no Brasil, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Não há informações detalhadas sobre essas pessoas e por onde passaram.

A BA.2 às vezes é chamada de subvariante "furtiva", porque não possui o marcador genético que os pesquisadores estavam usando para identificar rapidamente se uma infecção era um caso de ômicron "regular" (BA.1 ) ou de delta.

Covid: o que é a subvariante BA.2 da ômicron e há razão para preocupação?

Tal como acontece com outras variantes, uma infecção por BA.2 pode ser detectada por testes PCR e antígeno, mas eles só indicam se o caso é positivo ou negativo para covid - não conseguem distinguir as variantes. Para isso, são necessárias mais verificações.

A BA-2 parece ser mais transmissível do que as variantes anteriores, mas, felizmente, nenhum dado até o momento sugere que seja mais grave.

Então, quão preocupados devemos estar com essa variante emergente? Confira o que sabemos sobre ela.

'Índia é país onde subvariante BA.2 parece estar ganhando terreno mais rapidamente'

O que é a BA.2?

À medida que os vírus se transformam em novas variantes, às vezes eles se dividem ou se ramificam em sub-linhagens. A variante delta, por exemplo, é composta por 200 subvariantes diferentes.

O mesmo movimento ocorreu com a ômicron, que inclui as linhagens BA.1, BA.2, BA.3 e B.1.1.529.

A BA.1 responde pela maioria dos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 99% do DNA viral submetido ao banco de dados global GISAID (em 25 de janeiro de 2022) foi sequenciado como essa subvariante.

Não está claro onde ela se originou, mas a BA.1 foi detectada pela primeira vez em novembro, em sequências carregadas no banco de dados das Filipinas.

Onde a BA.2 está se espalhando?

Desde novembro, 40 países adicionaram milhares de sequências BA.2 aos seus bancos de dados.

Segundo a OMS, a subvariante já está se tornando dominante nas Filipinas, Nepal, Catar, Índia e Dinamarca. Em alguns lugares, seu crescimento foi acentuado.

Segundo o Instituto Estatal Serum da Dinamarca, cerca de metade dos novos casos de covid-19 do país é causada ​​por BA.2.

'Testes regulares não conseguem distinguir subvariante da infecção'

A Índia é outro país onde BA.2 está substituindo rapidamente as variantes delta e ômicron BA.1, segundo levantamento conduzido pelo biólogo molecular Bijaya Dhakal.

O Departamento de Saúde das Filipinas (DOH, na sigla em inglês) disse que a sub-linhagem BA.2 já era predominante nas amostras recebidas no final de janeiro.

E, na Inglaterra, mais de mil casos confirmados de BA.2 foram identificados, conforme a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês).

Ela foi designada como uma "variante sob investigação" pelas autoridades de saúde britânicas, o que significa que eles a estão acompanhando de perto, mas neste momento não estão muito preocupados com ela.

As infecções por BA.2 na Alemanha também estão crescendo mais rápido do que a BA.1 e a delta, de acordo com Meera Chand, diretora de covid-19 da UKHSA.

A BA.2 é mais transmissível?

Um estudo com 8,5 mil famílias e 18 mil indivíduos conduzido pelo Instituto Estatal Serum da Dinamarca descobriu que BA.2 era "significativamente" mais transmissível do que BA.1. Ela infectou com mais facilidade indivíduos vacinados e com doses de reforço do que as variantes anteriores, segundo o estudo, embora as pessoas vacinadas tenham mostrado menos probabilidade de transmiti-la.

Outro estudo, do Reino Unido, também encontrou maior transmissibilidade para BA.2 em comparação com BA.1.

Mas uma avaliação preliminar não encontrou evidências de que as vacinas seriam menos eficazes contra doenças sintomáticas para qualquer uma das subvariantes.

'Autoridades de saúde britânicas classificaram a BA.2 como uma "variante sob investigação"

A BA.2 é mais perigosa?

Não há dados que sugiram que BA.2 leve a uma doença mais grave do que as subvariantes anteriores da ômicron.

"Observando outros países onde a BA.2 está agora ultrapassando a (BA.1), não estamos vendo nenhum aumento maior na hospitalização do que o esperado", disse Boris Pavlin, da Equipe de Resposta à COVID-19 da OMS, na terça-feira (2/2).

Pavlin acrescentou que, mesmo que a BA.2 substitua a BA.1, isso pode ter pouco efeito na trajetória da pandemia e na forma de tratar as pessoas.

"É improvável que seu impacto seja substancial, embora sejam necessários mais dados", disse ele.

Assim como nas variantes anteriores, os especialistas acreditam que as vacinas continuarão sendo altamente eficazes contra doenças graves, hospitalização e morte.

"A vacinação oferece profunda proteção contra casos graves, inclusive para a ômicron", disse Pavlin.

Chand, do Reino Unido, acrescentou: "Até agora, não há evidências suficientes para determinar se a BA.2 causa uma doença mais grave do que a BA.1, mas os dados são limitados e a UKHSA continua investigando".

"Devemos permanecer vigilantes e tomar as vacinas. Todos devemos continuar a nos testar se sintomas aparecerem".

BBC Brasil

Círculo vicioso: a aliança da corrupção com o caos econômico.




O Brasil precisa quebrar este modelo sob pena de estar condenado a miséria e a pobreza.

Por Marcio Coimbra (foto)

Quando olhamos para as decisões emanadas de Brasília, fica uma certeza: O Brasil gasta muito e gasta mal. Precisamos entender as razões destes gastos, que passam longe das necessidades dos brasileiros e alimentam privilégios vergonhosos. Vivemos uma aliança da corrupção com caos econômico, um círculo vicioso que se retroalimenta e que se não for debelado, seguirá consumindo as riquezas e a renda que produzimos no país.

As mazelas de nossa economia, que vão do desemprego até a inflação, possuem clara relação com a corrupção e o modelo de compadrio e privilégio em vigência no Brasil. Jamais solucionaremos os problemas de nossa economia se não atacarmos de frente a questão da corrupção, principal gargalo de dinheiro público que conhecemos. A Lava Jato provou que o sistema brasileiro está apodrecido e se não for reformado, condenará nosso país a instabilidade econômica e social.

Investimentos públicos de qualidade somente ocorrem em um sistema transparente e oxigenado, com respeito aos instrumentos legais e com atuação severa de órgãos de controle. Do contrário, o gasto público torna-se apenas instrumento para execução de desvios, dando corpo a um sistema podre e corrupto, que atua simplesmente pela sua manutenção no poder, gerando serviços de péssima qualidade para uma população cada vez mais empobrecida.

O Brasil não gasta pouco. Nossos gastos públicos são maiores que muitos países emergentes e proporcionalmente maiores que a maioria do mundo desenvolvido. Somos o país que mais gasta com proteção social, cerca de 13% do PIB, enquanto países desenvolvidos aplicam 7% de sua riqueza e emergentes 4%.

Somos o 7º país que mais gasta com funcionalismo, mais que Suécia e Inglaterra, nações com serviços públicos de alta qualidade. Como vemos, o Brasil gasta mal. Nosso modelo nacional de gestão pública é ultrapassado, somos reféns de corporações que visam apenas manter seus privilégios e a corrupção corrói qualquer chance de mudança.

É preciso que os brasileiros entendam que não faltam recursos. Falta seriedade com o dinheiro dos pagadores de impostos. Sobram gargalos de gastos. Faltam sistemas de controle efetivo. São cargos demais. Falta auditoria. Sobram esquemas. Falta punição. Sobra corrupção. Falta reação da sociedade. Sobram acordos de bastidor e compadrio. Falta meritocracia. Sobram empresas públicas. Nenhum país sobrevive com um sistema perverso assim. A mudança é urgente.

O Brasil precisa quebrar este modelo sob pena de estar condenado a miséria e a pobreza. Sabemos que nossa nação merece e pode mais do que isso. É preciso romper com o velho, com os mesmos projetos que jamais foram capazes de erguer nosso país ao patamar que sabemos poder alcançar. Se quisermos dar o primeiro passo em direção ao resgaste de nossa nação e de nossa economia, precisamos de meios efetivos para combater a corrupção e limitar o tamanho do governo.

Vivemos um círculo vicioso, uma aliança da corrupção com caos econômico. É preciso debelar este sistema perverso que se retroalimenta das misérias de nosso país.

*Márcio Coimbra é presidente da Fundação da Liberdade Econômica. Cientista político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal

O Estado de São Paulo

Congresso dá um passo para que EUA sejam mais competitivos frente à China

 




Em um novo episódio da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a Câmara de Representantes aprovou nesta sexta-feira (4) um projeto de lei para relocalizar em território americano a produção de chips eletrônicos, essenciais para a fabricação de 'smartphones' e automóveis.

O texto foi aprovado por 222 votos a 210 horas depois da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, uma demonstração da influência chinesa e que os Estados Unidos boicotaram em nível diplomático.

O "America COMPETES act" prevê um investimento de 52 bilhões de dólares para revitalizar a indústria americana de semicondutores, atualmente fabricados sobretudo na Ásia.

Um texto similar já foi aprovado no Senado em junho, votado por congressistas dos dois partidos. Mas será preciso harmonizar os dois projetos de lei e isto implicará longas negociações no Capitólio.

Os chips de computador são essenciais para um grande número de setores e produtos, de automóveis e telefones inteligentes a equipamentos médicos e aspiradores. E a pandemia provocou uma queda alarmante das reservas de semicondutores.

- "Segurança nacional" -

O governo Joe Biden assegura que esta escassez tem um efeito direto na inflação galopante nos Estados Unidos e que afeta o índice de popularidade do presidente democrata junto à opinião pública.

O projeto de lei da Câmara de Representantes também prevê 45 bilhões de dólares para fortalecer a cadeia de abastecimento americana.

Responde ao "imperativo econômico e de segurança nacional de apoiar a indústria e os trabalhadores americanos", afirmou nesta sexta-feira a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi. Permite que os Estados Unidos "não fiquem à mercê de outros países", disse em coletiva de imprensa.

Mas quase por unanimidade, os republicanos da Câmara de Representantes se opuseram ao projeto de lei, dizendo que não faz o suficiente para que a China preste contas por suas violações dos direitos humanos e prevê investimento um investimento alto demais no combate às mudanças climáticas.

A China, em guerra econômica com os Estados Unidos desde o governo do ex-presidente Donald Trump, é um dos poucos temas em que o presidente democrata coincide com seu antecessor republicano.

Pequim acusa Washington, por sua vez, de exagerar a chamada ameaça chinesa.

- "Fabricado nos Estados Unidos" -

O governo Biden exorta o Congresso a adotar rapidamente um texto final, com a aprovação das duas câmaras, com a esperança de poder apresentar estes investimentos em seu discurso de política geral, previsto para 1º de março.

Biden reforçou em janeiro o enorme potencial econômico destes chips. Deu como exemplo os carros, dos quais atualmente 4% dos componentes são semicondutores. Em 2030, estes vão representar 20% da fabricação de automóveis.

Biden quer que os fabricantes relocalizem a produção nos Estados Unidos e defende o "produzido nos Estados Unidos" ("made in America").

A gigante de chips Intel já anunciou a construção de duas fábricas de semicondutores em Ohio, antigo reduto da produção de aço.

- América Latina e Caribe -

Uma das seções do projeto refere-se à América Latina e concentra-se em promover o fortalecimento da competitividade econômica, governança, direitos humanos e estado de direito nesta região.

Também promove a Iniciativa Energética do Caribe como Alternativa à Nova Rota da Seda da China por meio da cooperação regional com países do Caribe para melhorar a segurança e eficiência energética, reformar os mercados de energia e investir em energia mais limpa.

Por outro lado, visa promover condições de maior resiliência de longo prazo no Caribe diante de desastres naturais e de um ambiente oceânico em mudança.

Para fazer frente à "diplomacia educacional e cultural da China na América Latina", o texto defende a elaboração de "uma estratégia que avalie e expanda os programas existentes" para promover os objetivos da política externa americana.

Nos últimos 20 anos, a China ganhou terreno contra os Estados Unidos na região das Américas, tornando-se o primeiro parceiro comercial de quase todos os países sul-americanos, concedendo empréstimos a juros baixos e investindo em projetos de energia, portos e rodovias, entre muitas outras obras.

AFP / Estado de Minas

Ex-chanceler alemão Schröder assumirá cargo em estatal russa




Schröder tem uma amizade pessoal com o presidente russo Vladimir Putin

Social-democrata Gerhard Schröder comandou a Alemanha de 1998 e 2005, foi nomeado para o conselho de administração da poderosa estatal russa de energia Gazprom. Anúncio foi criticado por alguns políticos alemães.

O ex-chanceler federal da Alemanha Gerhard Schröder foi nomeado para integrar o conselho de administração da poderosa estatal energética russa Gazprom, a empresa anunciou nesta sexta-feira (04/02).

Schröder, que comandou o governo alemão de 1998 a 2005, pelo Partido Social-Democrata (SPD), vem provocando controvérsia desde que deixou o cargo devido aos seus laços estreitos com a Rússia e sua amizade pessoal com o presidente Vladimir Putin. Ele foi amplamente criticado  por chamar, em 2004, o presidente russo de "democrata impecável".

O anúncio do seu possível novo cargo não foi bem recebido por alguns políticos alemães.

"O comportamento de Gerhard Schröder está prejudicando a Alemanha", disse Stefan Müller, deputado da União Democrata Cristã (CDU). Ele afirmou que todos os partidos alemães deveriam discutir a retirada dos benefícios pagos com dinheiro público ao ex-chanceler. "Aqueles que se permitem ser pagos por autocratas não precisam de dinheiro dos contribuintes alemães", disse.

Confirmação na diretoria deve ocorrer em junho

O ex-chanceler deve ser admitido na diretoria da Gazprom em uma reunião anual do comando da estatal em 30 de junho, em São Petersburgo. Schröder já ocupa vários cargos relacionados ao setor energético russo.

O alemão de 77 anos é também presidente do conselho de administração da petrolífera estatal russa Rosneft.

Seus outros cargos incluem a presidência do comitê de acionistas da Nord Stream AG e presidente do conselho de administração da Nord Stream 2 AG. Ambos os cargos envolvem gasodutos que ligam a Rússia e a Alemanha e estão no centro de um intenso debate no cenário internacional.

O gasoduto Nord Stream 2 também se tornou um importante ponto de discórdia na atual tensão entre a Rússia e o Ocidente sobre a Ucrânia.

Os críticos do gasoduto, principalmente os Estados Unidos, argumentam que eles criam uma dependência excessiva da Europa em relação ao gás russo. Eles temem que possam ser usados para pressionar os governos europeus a recuar caso Moscou tente uma invasão da Ucrânia.

Tensões na fronteira da Ucrânia

A Rússia reuniu cerca de 100 mil soldados perto de sua fronteira com a Ucrânia, mas afirma que não está planejando uma incursão militar. No final de janeiro, Schröder acusou a Ucrânia de fazer bravatas intimidatórias em resposta às tropas russas próximas de suas fronteiras.

O atual chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, também do SPD, disse em uma entrevista à emissora pública ZDF na quarta-feira que não consultou Schröder sobre como lidar com a Rússia, para onde Scholz viajará em breve para uma reunião com Putin. 

"Eu não pedi a ele conselhos e ele também não me deu nenhum", disse Scholz. Questionado sobre a mensagem que estava sendo enviada pelo ex-chanceler, Scholz afirmou: "Se eu entendi corretamente a ordem constitucional da República Federal da Alemanha, existe apenas um chanceler. E esse sou eu."

Deutsche Welle

A frustração com o próximo governo




Cenário econômico, bombas fiscais, orçamento capturado e disputas radicais tendem a tornar uma futura gestão muito difícil

Por Ricardo Corrêa (foto)

Vivendo o início de um conturbado ano eleitoral, o cidadão brasileiro olha para 2023 com a esperança de solução dos enormes problemas e contradições que vivenciamos nos tempos atuais no Brasil. Em nome dos fatos já colocados e das perspectivas para os próximos meses, é preciso dizer logo: muito provavelmente, o brasileiro vai se frustrar. Qualquer que seja o escolhido em outubro, em 2023 tem verdadeiras chances de decepcionar grandes parcelas de seus eleitores quando se deparar com o terrível cenário que o aguarda quando tomar posse.

As dificuldades de ordem política e econômica serão muito mais acentuadas do que as vividas até aqui. Com fundamentos econômicos deteriorados e efeitos de longo prazo da mortal pandemia que nos assola, o futuro governo terá, no campo fiscal, que lidar com bombas já armadas e que ainda serão produzidas no ano eleitoral para explodir apenas em 2023. No colo do próprio Bolsonaro, de Lula ou de qualquer nome da terceira via cairá o peso de um substantivo aumento da tarifa de energia - com o início do pagamento pelas operações das térmicas e subsídios no período pandêmico e  dos possíveis efeitos das medidas eleitoreiras que se discutem para reduzir artificialmente o preço dos combustíveis.

O aumento da conta de luz e o esgotamento dos mecanismos para tentar frear a alta dos combustíveis tendem a piorar a situação de milhões de vítimas da crise econômica instalada, que devem chegar a 2023 curvadas pelo peso da inflação acima da meta por dois anos seguidos, penduradas nos serviços de proteção ao crédito, em um país com alto índice de desemprego, indústria devastada  e economia estagnada.

Para enfrentar o problema, o futuro governo encontrará um orçamento esmagado pelo teto e pelo crescimento da dívida pública gerado pela alta dos juros. Com pouquíssima capacidade de investimento e capturado pelo Congresso. O controle da execução de verbas, obtido pelo Legislativo em meio aos momentos de fragilidade do atual governo, dificilmente será recuperado. O orçamento secreto, paralelo, não apenas reduzirá a capacidade de o governo injetar recursos seguindo uma política única de enfrentamento do problema, como tornará a articulação política uma tarefa ainda mais sofrível.

Já seria ruim no cenário atual de um Congresso dominado pelo centrão. No que virá, ainda mais conflagrado, vitaminado pelo impulso das candidaturas de Lula de um lado e de Bolsonaro de outro, será tarefa duplamente difícil. Eis aí uma constatação que se pode fazer qualquer que seja o vencedor: Bolsonaro e Lula vão eleger muitos deputados, que serão conduzidos sobretudo pela ideologia. A oposição será pesadíssima e implacável.

Não bastasse isso, haverá ainda a necessidade de aprendizado e convivência com problemas que serão trazidos pelas federações partidárias. Essas estruturas agirão em conjunto no Congresso, sob lideranças únicas, mas reunirão toda sorte de desavenças das disputas regionais de 2024. Como precisam estar juntas por quatro anos e verticalizadas, as federações tendem a ampliar as guerras políticas por candidaturas nas mais de 5.500 cidades brasileiras.

Num país dividido, como estava por exemplo após as eleições de 2014, não se deve esperar o tradicional período de lua de mel de seis meses, que permite que o governo articule sem sofrimento suas pautas no Senado. Sendo outro o eleito, que não Bolsonaro, também não há quem espere uma transição tranquila, colaborativa e organizada. Na melhor das hipóteses, será apenas pacífica no sentido mais básico da palavra: sem tentativa de ruptura.

Diante de tal cenário caótico, sem condições ideais de articular reformas e na urgência de investir sem dinheiro para isso, há grande chance de que o caminho escolhido seja novamente o mais fácil, principalmente quando não é ano eleitoral: aumento de impostos e mais sacrifícios à população. E aí se completará a frustração. Não digam que eu não avisei.

O Tempo

O Rio de Janeiro não precisa de problemas inventados




Eis que surgem imagens do brutal assassinato do negro e os criminosos eram negros e mulatos. Branco, só o socorrista que apareceu depois.

Por Bruna Frascolla (foto)

Em outros tempos, um crime de ódio racial que leva a vítima a óbito tinha um contorno claro no Ocidente: uma pessoa (em geral um homem) andava por uma rua escura quando um grupo de skinheads covardes o atacava. O homem podia ser um judeu ou um negro, um árabe ou um hispânico, a depender do país. O Brasil não era pródigo em crimes de ódio racial, pelo simples fato de que por aqui não acreditamos em raça, mas sim em cor. Além disso, é necessária uma grande uniformidade de raças (lá entre os países de formação protestante) ou de cores (entre nós) para que um homem sozinho possa ser “o diferente”. Judeus religiosos são um bom alvo, já que são sempre minoritários (exceto talvez em Israel) e botam um solidéu marcando a identidade. Um negro, quando minoritário, sequer tem a chance de esconder a raça: todo a sua pele o delata. Por isso, é um excelente alvo em locais onde é minoria.

Por questões demográficas e culturais (a crença em raças é um dado cultural), os crimes de ódio racial tendem a aparecer em países protestantes ricos e brancos. Por questões demográficas e históricas, outro habitat dos crimes de ódio racial é a Argentina e sua circunvizinhança. Nazistas transformaram aquele local em refúgio e mantiveram a sua cultura política. O país é de maioria branca, com uma colossal migração italiana tardia, ocorrida até o segundo quartel do século XX. Junta-se o caldo de cultura peronista (que apoiou os nazistas mesmo após a queda) à imigração contínua daqueles que vêm do país que aclamou ou em breve ia aclamar Mussolini. Perón e Mussolini eram dois capachos de Hitler amados pelos seus povos. A Argentina é um lugar complicado.

Delírio coletivo na imprensa comum?

Agora as manchetes anunciam um crime de ódio racial no implausível Rio de Janeiro. Não contra um oriental – que é um tipo raro no Rio – mas contra um negro; mais precisamente, Moïse, natural do Congo. Ainda que houvesse surgido uma célula neonazista no Rio, não é uma ideia minimamente exequível a de pegar todos os negros e matá-los na porrada. E isso por uma questão demográfica: negros no Rio estão longe de ser aquela minoria chamativa numa multidão de brancos.

Eis que surgem imagens do brutal assassinato do negro e os criminosos eram negros e mulatos. Branco, só o socorrista que apareceu depois.

Estamos presenciando um delírio coletivo? Mais ou menos. Estamos presenciando a imposição de um dogma que vandaliza o vocabulário e nos impede de olhar a realidade. O dogma é de que o nada mais negro é que uma eterna vítima do “racismo estrutural”. Negros não são seres humanos dotados de agência e de personalidades complexas. Todo o comportamento de um negro será explicado por uma agência externa, que é o tal do racismo estrutural. Se um negro se suicidar após receber o diagnóstico de uma doença incurável, sua decisão, nas mãos desses desumanizadores dogmáticos, será explicada como resultado do racismo estrutural. Porque eles são incapazes de olhar para o negro como um ser humano.

Com esse dogma, vandaliza-se o conceito de racismo. Se aceitarmos que o racismo é algo que só pode ser exercido por quem tem poder, então Hitler na cadeia não era racista.

Os problemas do Rio

Depois de nos proibir de olhar para os negros como seres humanos, o dogma nos proíbe de enxergar a cidade com seus problemas mais evidentes. Já contei aos leitores que passei este réveillon na Zona Oeste do Rio de Janeiro ouvindo tiros de fuzil junto com fogos. Comemoração. Contei também que o pessoal da Zona Oeste é neófito em matéria de tiro de fuzil: quem mora na chique Copacabana ouve. Eis a foto que tirei este ano na Rua Visconde de Pirajá, altura do cruzamento com a Vinícius de Moraes, no bairro de Ipanema:

O território está marcado. Não é o Estado brasileiro quem manda ali.

Eu poderia dizer pela enésima vez que isso remonta a Brizola. Poderia reclamar de Fachin, que impede a polícia de entrar em área dominada. Mas os leitores já estão carecas de saber disso tudo. Então vou dizer apenas que é aviltante a discussão girar em torno da cor do morto. Ah, bom, se fosse mais claro ou brasileiro, podia!

Quando ouvir ou ler isso, desligue a TV ou o rádio, cancele a assinatura, porque é um desrespeito à dignidade humana e à nossa inteligência.

Problemas anteriores ao tráfico

Desta vez, como é Zona Oeste, o tráfico é exculpado e os olhos se voltam para as milícias. Eu não conheço a Barra da Tijuca direito; mas, se Ipanema é área dominada, faz perfeito sentido que a Barra o seja também. A Barra é a área nobre da Zona Oeste. É o prolongamento da orla da Zona Sul após a interrupção por vários acidentes geográficos que impedem banho de mar.

A milícia de fato tem uma dinâmica econômica bastante diferente da do tráfico carioca, já que sua principal mercadoria é a segurança. (Digo “tráfico carioca” porque o PCC, em São Paulo, também parece ter uma receita variadíssima e incluir a segurança de comunidades no pacote. Inclusive o primeiro produto vendido pelo PCC é a segurança, dentro dos presídios, para os presidiários). Traficante à carioca é escandaloso, ostenta fuzil e mata à toa. Sua principal mercadoria é droga. Havendo compradores em suas bocas, todo o resto da cidade pode ir para os ares – e é bom que vá para os ares, pois terrorismo é um método eficaz de intimidação.

A milícia é bem diferente disso; é mais parecida com o PCC. A mais famosa, que era a do Rio das Pedras, já teve o nome de Liga da Justiça. Não sei que fim levou, e li em algum lugar que houve uma decisão política, entre eles, de não serem reconhecidos por nenhum nome. Hoje, as organizações usualmente apontadas como ligadas à milícia são as Associações de Moradores. É tudo muito discreto e você não vai ver nenhum estilo musical louvando milícia

As milícias vinham aparecendo no noticiário por causa de prédios que caíram. Em minha opinião, a questão dos prédios é uma das coisas que mais deveriam atrair a atenção de quem quisesse entender o Rio de Janeiro. Simplesmente algumas pessoas derrubam mata, sobem prédios imitando os de classe média e vendem. A prefeitura fica com drones tentando flagrar as construções; volta e meia derruba um. Aí sobem de novo.

De todo modo, acho interessante notar que a ideia dos prédios não saiu da cabeça dos milicianos. Sendo a área do Rio das Pedras plana, os migrantes nordestinos construíram prédios. Eis como é uma favela plana da Zona Oeste:

A origem desse tipo de construção não é difícil de apontar, já que os paraibanos e cearenses que ocuparam a área parecem ter alterado seu estilo de construção acrescentando pavimentos indefinidamente.

Uma questão que nunca vi aventada, porém, é a semelhança entre as milícias da Zona Oeste e a máfias italianas. Essa é uma questão relevante porque a Zona Oeste de fato foi um local de colônia de italianos do Sul. Em famílias da região de origens calabresas, contam-se histórias de vendetta como solução para segurança. Se uma família de taxistas de origem calabresa perdeu, ali pela década de 50, um dos seus num assalto covarde, a solução não é chamar a polícia: o patriarca calabrês vai chamar os filhos e eles farão emboscadas para matar assaltantes. Como os funcionários públicos não queriam trabalhar mesmo, o resultado deixa todo mundo feliz e ninguém reclama.

Então juntamos italianos brabos de área de máfia, nordestinos do semiárido com cultura de honra e polícia ausente (alô, Brizola!), e eis o resultado da Zona Oeste.

A única coisa que me espantou no caso de Moïse foi a cara de pau de fazer isso em plena área turística.

Gazeta do Povo (PR)


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