segunda-feira, agosto 09, 2021

E o Congresso, cadê?

 



O Brasil está em guerra pela democracia, mas a ‘casa do povo’ cuida dos próprios interesses

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Primeiro, o Congresso triplicou o fundo eleitoral para escandalosos R$ 5,7 bilhões em plena pandemia de covid-19 e de desemprego. Depois, tratou de reduzir os mecanismos de controle sobre essa dinheirama, propondo um código que tira a Justiça Eleitoral da frente e praticamente deixa a “fiscalização” do fundo e das campanhas por conta dos... partidos.

O País está no pior dos mundos, com mais de 560 mil mortos pela covid-19 e enfrentando uma crise institucional de um presidente da República que ameaça rasgar a Constituição contra o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior Eleitoral e os próprios ministros, que resistem bravamente em nome da democracia. E o Congresso, onde está?

STF, TSE, milhares de empresários, intelectuais e líderes religiosos, sociedades de ciência e direitos humanos, entidades profissionais e religiosas, subprocuradores da República e grupos de parlamentares cerram fileiras contra os ataques de Bolsonaro à Constituição e às eleições. A resistência, porém, não encontra o devido eco na “casa do povo”, onde a maioria está mais preocupada com a própria reeleição e com o próprio bolso do que com a democracia.

O Congresso está nas nuvens, cuidando dos próprios interesses, ampliando seus privilégios. Na Câmara, com apoio explícito do presidente Arthur Lira (PP-AL). No Senado, com a atitude excessivamente, digamos, elegante do presidente Rodrigo Pacheco (quase exDEM-MG). É preciso mais. É preciso gritar e articular uma defesa enérgica das instituições, da democracia.

E é urgente, depois que o líder do Centrão Ciro Nogueira abocanhou a “alma do governo” e tem de pagar com a alma do Congresso. Nogueira é unha e carne com Arthur Lira, fiel guardião do cofre onde estão em torno de 130 pedidos de impeachment, e acaba de ignorar a derrota do voto impresso na Comissão Especial. Vai tentar ressuscitar a proposta – atual obsessão de Bolsonaro – no plenário. O regimento permite, mas nunca se viu.

Há, porém, focos de resistência democrática também no Parlamento, ativos e ruidosos. No Senado, a CPI da Covid confirma o quanto o governo, sob o descaso ou a inspiração de Bolsonaro, virou uma casa da mãe Joana aberta a picaretas e picaretagens na pandemia. Na Câmara, a união de 11 partidos pela urna eletrônica e de parlamentares de diferentes orientações ideológicas pró Supremo, democracia e eleições.

Num único dia, Bolsonaro sofreu tripla derrota: o presidente do Supremo, Luiz Fux, rompeu o diálogo com ele; o PIB e a inteligência brasileira finalmente deram as caras pela democracia e as eleições; e, por 23 votos a 11, a Comissão Especial da Câmara rejeitou a volta do famigerado voto impresso. Com 11 partidos contrários, a proposta deve sofrer nova derrota em plenário. Se passar, vai enfrentar uma muralha no Senado, como o presidente Pacheco anuncia.

Nada disso, porém, consegue disfarçar o esforço parlamentar para criar o “distritão” e um Código Eleitoral obscurantista. Pelo “distritão”, só terão chance de vitória para a Câmara as celebridades, os pastores de almas, os muito ricos, os que já têm mandato e... as milícias. E a proposta de Código Eleitoral reduz as cotas da diversidade e o poder de fiscalização e punição da Justiça Eleitoral, com as raposas tomando conta do galinheiro.

Logo, a poderosa resistência que ganha corpo no Brasil deve não apenas mirar nas ameaças contumazes do presidente da República à democracia, mas também nas “boiadas” no Congresso contra a moralidade pública, a lisura das campanhas eleitorais, o meio ambiente. Bolsonaro não dá bola para nada, mas deputados e senadores são suscetíveis à opinião pública e aos setores responsáveis da sociedade. O grito deve ser: sim à democracia, não às “boiadas”!

O Estado de São Paulo

Bolsonaro enfrenta a mais dura reação a seu governo

 



Desde 29 de julho, o presidente Jair Bolsonaro repete com insistência uma afirmação feita por ele ainda quando era candidato ao Palácio do Planalto, sempre sem provas: a de que as urnas eletrônicas usadas no Brasil não são confiáveis e foram usadas para fraudar as últimas eleições. Desta vez, porém, as informações falsas veiculadas na transmissão ao vivo pelas redes sociais do dia 29 tiveram consequências. Após a "live bomba" com ameaças golpistas, Bolsonaro enfrentou a mais dura reação, além de se tornar investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A polêmica do voto impresso e os ataques do presidente a magistrados mobilizaram o debate nos últimos dias e ofuscaram um momento que poderia ser considerado positivo para o governo. A semana nervosa viu a Câmara aprovar a privatização dos Correios, uma das principais pautas econômicas do Planalto; a vacinação contra a covid avançou no País e Bolsonaro divulgou detalhes sobre o novo Bolsa Família. Com valor maior, o programa se chamará agora Auxílio Brasil. Nenhum destes assuntos, porém, foi tão comentado quanto o voto impresso e as investidas do chefe do Executivo contra a democracia.

Embora tenha fracassado na tarefa de apresentar provas de fraude nas eleições, Bolsonaro conseguiu triplicar, na última live de julho, a média de visualizações em relação às transmissões ao vivo que faz toda quinta-feira. Foram 900.717 visualizações até o momento no canal oficial do presidente no YouTube, que registra, em média 258 mil a cada aparição desse tipo. No Facebook, a "live bomba" com retransmissão da TV Brasil, uma emissora pública, alcançou a marca de 1,2 milhão de visualizações, quando normalmente tem entre 250 mil e 400 mil.

Depois desse episódio, no qual Bolsonaro e um coronel da reserva apresentaram vídeos antigos com acusações inverídicas para sugerir, sem qualquer evidência, que houve adulteração nas urnas, em 2018 e 2014, as ameaças feitas pelo presidente contra as eleições ganharam ainda mais destaque. O TSE abriu inquérito administrativo contra Bolsonaro, que também foi incluído pelo Supremo na investigação das fake news. Empresários e intelectuais divulgaram manifesto a favor das eleições, assim como a cúpula do Ministério Público.

A proposta do voto impresso foi rejeitada na comissão especial da Câmara, mas na sexta-feira o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), puxou a emenda para o plenário. A previsão é de que o texto seja votado até quarta-feira. Lira avisou Bolsonaro, porém, que, se o governo for novamente derrotado, e ele não respeitar a decisão, o Centrão deixará de ser aliado. Citou até mesmo um "botão amarelo" a ser acionado, sinal de que tem às mãos a possibilidade de abrir caminho para o impeachment.

Para o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), o País precisa "se acostumar" ao comportamento do chefe do Executivo. "O presidente Bolsonaro é o presidente Bolsonaro. Precisamos nos acostumar com isso. Já é presidente há dois anos e meio, e todo mundo sabe o jeito dele. Ele reage. Está tudo dentro do que era esperado que fosse. Não consigo ver como isso estaria fora do padrão do comportamento dele", disse Barros ao Estadão.

O deputado também minimizou a importância do manifesto de empresários em defesa das eleições e as respostas do Judiciário ao presidente. "Quantos empresários são? Isso tudo é narrativa. Todo mundo quer pegar uma carona cada vez que isso surge como assunto. Isso não é um movimento consolidado, organizado. São os que querem fazer média (...). No Judiciário também tem muita gente querendo fazer média", afirmou Barros, alvo da CPI da Covid.

A resposta do líder do governo é contestada pelo cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Leonardo Avritzer. "É bom o Brasil não se acostumar ao ‘jeito Bolsonaro de ser’. O melhor é que Bolsonaro se acostume com a democracia no Brasil, e não que o Brasil se acostume com os seus arroubos autoritários", afirmou Avritzer, um dos principais pesquisadores sobre democracia no País.

Na sua avaliação, o discurso de Bolsonaro é muito mais do que bravata. "A gente vive um processo de erosão das instituições democráticas. O presidente está questionando a segurança do voto e, com isso, erodindo a confiança de um conjunto grande da população acerca da lisura do processo eleitoral, que é um dos fundamentos principais, se não o principal, da democracia brasileira", disse o professor. Para Avritzer, as declarações do presidente podem "ser o ponto de partida para um questionamento do resultado eleitoral de 2022, o que pode gerar muita turbulência política e até mesmo violência".

Cálculo político

Trata-se de um comportamento calculado, no diagnóstico do cientista político Bruno Carazza. Há a percepção de que Bolsonaro age assim para "energizar" sua base à medida que se vê acuado por fatores como pandemia de covid e crise econômica, além de desafiado pela liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

"Ao questionar as eleições e o Judiciário, Bolsonaro dá elementos para essa base de apoio, que não é desprezível, e soma hoje de 20 a 25% do eleitorado", observou Carazza, professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral. Autor do livro Dinheiro, Eleições e Poder: as engrenagens do sistema político brasileiro, ele observou que, ao decidir entregar a "alma do governo" ao Centrão, com a nomeação do senador Ciro Nogueira (Progressistas) para a Casa Civil, Bolsonaro sofreu cobranças de seus apoiadores. "Isso é mais um motivo para ele tensionar, desviar a atenção da base dessa composição que fez com o Centrão no Congresso".

A reação às investidas de Bolsonaro contra a democracia têm se ampliado cada vez mais. "Não acho que bravatas levem a golpe. Eu acredito fielmente nas instituições e vamos continuar solidificando a democracia", disse o ministro do STF Alexandre de Moraes, que conduz o inquérito das fake news.

Subprocuradores da República cobraram uma ação do procurador-geral, Augusto Aras, visto hoje como aliado de Bolsonaro. Um manifesto assinado por 29 subprocuradores diz que o chefe do Ministério Público Federal deve agir em "defesa do STF e do TSE, de seus integrantes e de suas decisões, não lhe sendo dado assistir passivamente aos estarrecedores ataques àquelas Cortes e a seus membros".

Diante dos ataques de Bolsonaro, o presidente do Supremo, Luiz Fux, cancelou a reunião entre os Poderes e também cobrou de Aras uma posição enérgica. Ele manteve o silêncio. Bolsonaro não recuou. Ao contrário: chamou Barroso de "filho da p..." , anteontem, numa conversa com apoiadores, em Santa Catarina. O vídeo com o xingamento foi postado em suas redes sociais e apagado em seguida. "Querem decidir as coisas no tapetão", disse ele ontem, após "motociata" em Florianópolis. Dessa forma, Bolsonaro vai pautando a agenda política do País. Até quando? "O botão amarelo continua apertado. Segue com a pressão do meu dedo. Estou atento, 24 horas atento", avisou Lira.

Estadão / Estado de Minas

O presidente descabrestado

 



Presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada

POR GILBERTO MENEZES CÔRTES

Jair Messias Bolsonaro é uma perigosa metamorfose ambulante. Formado na arma de Artilharia pela Academia Militar de Agulhas Negras (Aman), em 1977, na mesma turma do tríplice coroado ex-comandante do Exército, Edson Leal Pujol, com quem disputava, e muitas vezes perdia, o pódio em provas que exigiam vigor físico (nas provas de QI Pujol sempre se destacou), foi expulso do Exército, onde fez carreira no Batalhão de Paraquedistas, por indisciplina, em 1988, depois de liderar manifestos por reivindicações salariais e tramar, com desenhos que serviram de prova para sua exclusão da força, a explosão da adutora do Guandu, em Campo Grande (RJ), que deixaria sem água 10 milhões de pessoas no Grande Rio. O ex-presidente Geisel, sempre cioso da disciplina nas forças armadas, dizia que Jair Bolsonaro era “um mau militar”.

Posto na reserva como capitão, ingressou na política, sendo eleito como vereador na cidade do Rio de Janeiro em outubro de 1988, pelo PDC. Em 1990 se elegeu como o deputado federal mais votado no RJ pelo mesmo partido, iniciando uma carreira de sete mandatos, sem que tivesse aprovado ou proposto projetos relevantes. A maior parte de suas moções era voltada a pleitos dos integrantes das forças armadas (da ativa e reserva) e de policiais militares e bombeiros. Sempre defendeu os personagens mais duros do regime militar, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-CODI do II Exército (SP) no período mais cruel da ditadura militar (1970-1974) no governo do general Garrastazu Médici. Com o tempo, também passou a elogiar e propor comendas a notórios integrantes das milícias do Grande Rio.

O tempo comprova a sua falta de coerência. Em 1993, defendeu abertamente o voto eletrônico, como forma de evitar fraudes eleitorais. Agora, quando sentiu que a possibilidade de sua reeleição começou a esfarelar, defende o voto impresso. Ou a não realização de eleições. No fundo, deixa escancarado seu desapreço pela Democracia e a preferência pelo golpe para, se possível, estabelecer um governo ditatorial, apoiado pelas forças armadas. Com a proposta recusada, na 5ª feira, 5 de agosto, por 23 a 11 votos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, conseguiu com seu aliado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) que a questão seja submetida ao Plenário. Só passa se tiver 308 votos dos 513 deputados.

Será bom mesmo que a questão eleitoral se decida pela vontade soberana dos representantes do povo, eleitos em 2018. É certo que muitos dos que votaram em Bolsonaro em 2018 e nos nomes que o apoiavam para a Câmara e o Senado hoje mudariam o voto. Mas a democracia é assim. Mudanças têm de se dar pelo rito democrático. Em alterações de lei e emendas da Constituição por maioria de 2/3 dos votos da Câmara e do Senado. O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que é também, como presidente do Congresso, que é a expressão máxima do Poder Legislativo, já disse que não vai submeter a questão ao escrutínio do Plenário de 81 senadores, todos também eleitos pelo voto popular (em 2018 e 2014).

No momento em que, arrastado pela amargura da perda de apoio popular que pode custar sua reeleição, o presidente da República envereda por uma perigosa trilha do golpismo e da tentativa de solapar as instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal e seus 11 ministros e o Superior Tribunal Eleitoral (cuja presidência é exercida, em sistema de rodízio, por um dos ministros do STF, acompanhado de dois colegas e representantes do Superior Tribunal de Justiça, os órgãos máximos do Poder Judiciário, foi extremamente importante que o presidente do Poder Legislativo, Rodrigo Pacheco, se alinhasse com o Poder Judiciário na defesa intransigente da Constituição de 1988 e se seus pressupostos democráticos, entre os quais se destaca o exercício do respeito harmônico dos três Poderes aos ditames da Constituição. Constituição que Jair Messias Bolsonaro jurou solenemente respeitar na cerimônia de posse em 1º de janeiro de 2019 e que, agora, como diria Leonel Brizola, procura “costear o alambrado”, buscando atalho militar para um golpe que atropele a Democracia.

A popularidade presidencial anda em queda livre diante da péssima conduta negacionista de Jair Bolsonaro durante a pandemia da Covid-19. Ele começou por desdenhar da “gripezinha”, que já matou mais de 560 mil brasileiro e ameaça causar mais vítimas com a proliferação de novas cepas, como a perigosa variante Delta. A progressão do novo coronavírus foi facilitada no Brasil com a recusa sistemática do presidente ao uso de máscaras, num nefasto exemplo para toda a população, e a insistência em tratamentos comprovadamente ineficazes. Quando o mundo avançou em direção à vacina, Bolsonaro não seguiu o exemplo do bravo remador baiano Isaquias Queiroz, que ganhou medalha de ouro em Tóquio. Remou em sentido contrário à ciência, à lógica e à sabedoria dos bons governantes. Primeiro, fez corpo mole pela contratação de vacinas. Depois, procurou desacreditar a eficácia daquelas que não estavam no cardápio secreto de negociações do Ministério da Saúde.

O resultado disso é que o índice de vacinação com a 2ª dose, que realmente imuniza e minimiza a gravidade da doença segue muito baixo. De um lado pela lentidão da vacinação. De outro, pela resistência de muitas pessoas em se imunizar, seja por crendice religiosa, seja por seguir os princípios de Bolsonaro – que disse que será ”o último a se vacinar” – ou por simples ignorância. Levantamento feito no município do Rio de Janeiro mostra que 95% dos internados com Covid-19 em hospitais da cidade não tinham tomado sequer uma dose de vacina. Preocupados com o avanço da variante Delta, surgida na populosa Índia (1.380 milhões de habitantes) os principais países do mundo, incluindo a China (1.400 milhões de habitantes, onde os surtos ressurgiram com mais intensidade do que em Whuan, em dezembro de 2019) estão programando novas restrições de circulação e a obrigação do uso de máscaras (após terem feito reaberturas de atividades, graças à queda de contágios e mortes em decorrência da vacinação de mais de 50% da população com duas doses). Não dá para baixar a guarda ante o minúsculo e poderoso inimigo.

O desprezo pela ciência e, em última instância, a falta de empatia pelos milhões de brasileiros enlutados, foi reafirmada pelo presidente Jair Bolsonaro esta semana diante de altas autoridades estrangeiras. No encontro, dia 2 de agosto, com o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto o líder do país que já vacinou 57% da população com duas doses estava de máscara, para cumprir as normas sanitárias recomendadas, mesmo para quem estava plenamente imunizado, o presidente brasileiro se exibia, irresponsavelmente sem ela. Vale dizer que Jair Bolsonaro fez a desfeita de não prestigiar o represente luso na cerimônia de reabertura do Museu da Língua Portuguesa, dia 31 de julho, em São Paulo, com a presença ainda do presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Preferiu cumprir agenda eleitoral de suas motociatas de fins de semana. No mesmo estado de São Paulo, mas na distante Presidente Prudente, na divisa com Mato Grosso do Sul. No dia 5 de agosto, foi a vez de se revelar novamente um presidente imprudente ao receber no Palácio do Planalto o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan. O primeiro representante de peso da Casa Branca no governo Biden, que conseguiu vacinar completamente 46% da população (o ritmo só não avança devido à resistência plantada pelo ex-presidente Donald Trump junto a seus fanáticos seguidores), estava corretamente de máscara e o presidente brasileiro sem qualquer proteção.

Bolsonaro ignora o bom senso e a Constituição e parece ter se preparado, enquanto a CPI da Covid no Senado retomava seus trabalhos revelando a mistura de inépcia com descaso e corrupção deslava em seu governo, para criar uma cortina de fumaça e dividir as atenções na mídia. Sempre que acuado, usa essa tática diversionista. Mas desta vez foi longe demais. A sociedade civil (à frente empresários, banqueiros, acadêmicos, intelectuais e artistas) lançou manifesto pela Democracia e o respeito aos ritos democráticos no dia 5 de agosto. E, diante das ofensas aos ministros Alexandre de Morais, que mandou a Polícia Federal investigar sua própria responsabilidade na divulgação de “fake news” sobre as urnas eletrônicas, e ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o presidente do STF, líder do poder Judiciário, Luiz Fux, cancelou reunião tripartite marcada para esta próxima semana com os presidentes do Poder Legislativo (Rodrigo Pacheco) e do Executivo (o próprio Jair Bolsonaro), por falta de clima de harmonia entre os Três Poderes. Diria falta de civilidade, compostura e respeito ao rito democrático. Confesso que não gostei de Fux dizer que o “Supremo Tribunal Federal estava unido e coeso”. Isso é vocabulário típico das Ordens do Dia dos comandantes militares no tempo da ditadura militar. Quem sabe, Fux quis passar uma mensagem subliminar aos comandantes militares da coesão do STF e da sociedade civil contra os inimigos solertes da Democracia.

A verdade é que, confiando no apoio do Centrão, com a ida para o comando da Casa Civil, antes ocupada pelo general Luiz Eduardo Ramos, de um dos seus líderes, o presidente do PP e senador pelo Piauí, Ciro Nogueira, e na blindagem do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) à instauração de mais de 130 pedidos de “impeachment”, Jair Messias Bolsonaro está cada dia radicalizando mais e ficando insensível às ponderações de bom senso dos graduados generais que o cercam e aconselham no Palácio do Planalto. Em especial, o trio liderado pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o mais veterano, formado na arma de Cavalaria na Aman, em 1969. O 2º mais experiente, o vice-presidente Hamilton Mourão, da Turma da Aman de 1975, está há algum tempo afastado do companheiro de chapa. Luiz Eduardo Ramos, formado na Artilharia na Aman, em 1979, que apesar de mais jovem mantinha certa ascendência sobre o presidente, viu sua autoridade diminuída, mesmo continuando no Palácio do Planalto. E o general Walter Braga Neto, ministro da Defesa, formado na Cavalaria da Aman, em 1978, parece ter sido o mais enquadrado por Bolsonaro.

Quando era um brioso atleta na Aman, como gosta de se jactar, Bolsonaro era tão vigoroso e impulsivo que puseram-lhe o apelido na turma de 1977 de “Cavalão”, por sua saúde de ferro. Quem já criou cavalos sabe que há várias formas de domesticar um potro bravio. Na internet há dois fenômenos que domesticam cavalos sem precisar de freios ou selas, como um cowboy americano que acalma os animais mais selvagens com um simples olhar, ou o mais famoso deles, o francês que adotou o pseudônimo italiano “Lorenzo” e chega a comandar, simultaneamente, seis a sete cavalos sem qualquer adereço ou arreamento. Nas fazendas e haras, a melhor lida começa com os animais ainda jovens potros, que se acostumam com a voz e a presença humana, que os escova e acaricia. O contato vai avançando progressivamente até que recebam cabrestos, mantas, freio ou bridão e finalmente a sela para futura montaria. Com a grosseira agressão, 6ª feira, em Joinville (SC) ao presidente do TSE, Luiz Roberto Barroso, em almoço de empresários e apoiadores organizado pelo dono da Havan, Luciano Hang, desde o início contrário às restrições de circulação e uso de máscaras, o presidente da República parece mesmo um “cavalão” descabrestado. Só isso explicaria a manchete do site Metrópolis na 6ª feira: “Bolsonaro xinga Barroso de “filho da puta” em vídeo postado no Facebook e apaga publicação”. Depois de ver o tamanho da ofensa, quis apagar.

O presidente da República tem de ter compostura e saber a responsabilidade do cargo que ocupa. Mas no dia seguinte, após participar de café da manhã com Hang, empresários, militares, o ex-senador Magno Malta e o pastor Silas Malafaia, Bolsonaro liderou motociata em Florianópolis, levando na garupa o fiel escudeiro da CPI da Covid, o senador Jorginho Mello (PL-SC), e voltou ao tropel de meias verdades e agressões à democracia e à Constituição: “Agradeço ao povo brasileiro que reconhece o momento que o Brasil atravessa, reconhece o que está em risco na política. Querem no tapetão decidir as coisas no Brasil, não pode ser dessa maneira. Democracia nasce do voto responsável e contabilizado”, declarou. Alguém tem de fazê-lo se submeter ao manto da Constituição

Jornal do Brasil

Ex-aliado de ACM Neto, Rodrigo Maia acusa ex-prefeito de entregar DEM-RJ a Malafaia


Ex-aliado de ACM Neto, Rodrigo Maia acusa ex-prefeito de entregar DEM-RJ a Malafaia
Foto: Reprodução/Youtube

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (sem partido), acusa o ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, de “entregar” o comando do partido no estado do Rio de Janeiro nas mãos do bolsonarismo. Ex-aliado de Neto, Maia ironiza o fato do ex-prefeito negar aliança com o presidente Jair Bolsonaro, mas ter “entregado o partido nas mãos de Silas Malafaia”. O pastor é um dos defensores e figuras ligadas ao presidente Bolsonaro. 

 

Segundo Maia, o comando do DEM no RJ passou para o deputado Sostenes, que segundo ele, “só faz o que Malafaia fala”.

“Entregar o partido ao principal aliado do presidente não é sinalização de distanciamento, mas sim de apoio”, disse Maia em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da rádio Salvador FM 91,2, nesta segunda-feira (9). O deputado federal ainda citou uma publicação do jornal O Globo em que ACM Neto diz não descartar apoiar Bolsonaro. 

 

Maia também ponderou que são muitas as figuras do DEM ligadas ao Bolsonarismo, e que isso fica claro ao observar os estados. Como exemplo ele citou o estado de Goiás.

 

Nos bastidores, a informação que circula é de que essa eventual aproximação entre Bolsonaro e ACM Neto intermediada por Malafaia foi uma acusação alimentada por Rodrigo Maia.

Bahia Notícias

Aliança com PSL de Datena fortalece Simone Tebet (MDB) como candidata da terceira via

Publicado em 9 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

José Luiz Datena acalmou fãs após passar por procedimento no coração

Datena sinaliza que deverá optar pela candidatura ao Senado

 

Pedro Venceslau
Estadão

Depois de eleger 52 deputados federais na esteira de Jair Bolsonaro, em 2018, e romper com o presidente no ano seguinte, o PSL fechou uma aliança estratégica com o MDB para tentar se manter relevante nas articulações políticas visando as eleições de 2022.

A aproximação entre as legendas começou durante um jantar em São Paulo, no início de junho, que reuniu o ex-presidente Michel Temer, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), e o presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE).

CANDIDATURAS PRÓPRIAS – Pelo acerto inicial, as duas siglas vão lançar um programa conjunto produzido pelas fundações Indigo (PSL) e Ulysses Guimarães (MDB), e apresentar candidaturas presidenciais próprias com o intuito de convergir em uma chapa única no começo do ano que vem. Os emedebistas apostam na senadora Simone Tebet (MT) e o PSL, no apresentador José Luiz Datena.

Nos bastidores, porém, Datena já avisou que prefere disputar o Senado, e Bivar, então, seria indicado como vice de Simone nas negociações que buscam um nome da terceira via para enfrentar Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

Em outra frente, o PSL mantém acesa a possibilidade de uma fusão, seja com o MDB ou outra sigla. Ao “Estadão”, Bivar admitiu negociações nessa linha e disse que as fusões são uma “tendência” no longo prazo.

LARGAM NA FRENTE – Independentemente da sucessão presidencial, MDB e PSL querem estar juntos nas disputas estaduais e já trabalham na construção de um mapa nacional que privilegie essa dobrada.

“O MDB e o PSL largaram na frente e estarão irmanados. Lá na frente vamos conversar sobre quem será nosso candidato (a presidente)”, disse o deputado federal Júnior Bozella (SP), vice-presidente do PSL. Segundo ele, quem estiver “mais bem posicionado” vai indicar a cabeça de chapa.

Nas eleições de 2018, os dois partidos viveram momentos opostos. O MDB caiu de 66 deputados eleitos em 2014 para 34, enquanto o PSL saltou de 1 para 52.

PROBLEMAS ESTADUAIS – Apesar das tratativas, há obstáculos como a proximidade de emedebistas com Lula e o PT em palanques estaduais prioritários —incluindo Pará, com Jader e Helder Barbalho; e Alagoas, com Renan Calheiros e Renan Filho.

Em meio a essas tratativas, foi Baleia Rossi quem articulou a ida de Datena para o PSL. O objetivo foi isolar a ala bolsonarista da sigla, que ainda tem influência do deputado Eduardo Bolsonaro (SP).

“Há uma tentativa de juntar as fundações dos dois partidos em uma reflexão conjunta sobre os rumos do país. Até meados de setembro vamos apresentar um documento conjunto”, disse o presidente da Fundação Indigo, Marcos Cintra. O documento já tem nome: “Ponto de Equilíbrio”.

BANDEIRAS LIBERAIS – “A gente não se curvou. Seria mais fácil ter ficado no projeto de poder do Bolsonaro, como fez o Centrão. Mas não nos deixamos seduzir. Ficamos fiéis aos nossos objetivos: as bandeiras liberais”, afirmou Bozzella.

Dono da segunda maior fatia do fundo eleitoral e do tempo de TV (atrás do PT), o PSL é cortejado ainda por Progressistas e Podemos, que vislumbram uma fusão ou federação partidária, caso esse modelo seja aprovado no Congresso.

A articulação também envolve o DEM e culminaria na formação de um “superpartido”, hoje com 121 deputados e 15 senadores.


Se Bolsonaro tivesse apoio militar já teria desfechado o golpe de seus sonhos

Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Matheus Teixeira, Folha de S.Paulo deste domingo, coloca em destaque o que identifica como uma estratégia conjunta do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral contra a narrativa e a investida golpista de Bolsonaro, que aliás não oculta sua intenção e, ao contrário, a destaca diária e seguidamente.

Na minha opinião, se Jair Bolsonaro tivesse apoio militar para desfechar um golpe contra a Constituição e contra as eleições de 2022, essa é a verdade, já teria praticado a sua intenção sombria e sinuosa que seria um reencontro de 2021 com o Ato Institucional nº 5 de 1968.

PRETEXTOS – Bolsonaro busca pretextos absolutamente incompatíveis com o regime democrático, aliás conforme eu disse ontem, com ofensas a ministros do STF em busca de uma crise da qual pudesse sair como vítima e não como culpado e autor.

Não obtendo esse apoio, Bolsonaro fica sem caminho de saída na estrada constitucional brasileira. O desfecho que ele pretende não tem o respaldo e o apoio que ele supõe ser necessário para tornar-se em 2021 o sucessor de D. Pedro II em 1889. Portanto, o Supremo Tribunal Federal e o TSE necessitam apenas da lei e dos limites que ela e a Constituição impõem a todos os brasileiros e brasileiras.

PRÓPRIA IMAGEM – A estratégia contra Bolsonaro está na sua própria imagem, em suas palavras, em seus atos, em suas intenções. Está enfraquecido. Se não o estivesse, a realidade do país não seria a qual nos deparamos a cada dia.

Jair Bolsonaro não tem saída, ou sequer a deseja dentro da ordem e do progresso. Esta, inclusive, é a sua contradição essencial maior do que todas as outras contradições que ele próprio produz contra si mesmo e contra o país.

JOGOS OLÍMPICOS –  Foi uma belíssima edição a que marcou  o encerramento dos jogos de Tóquio e  o anúncio da Olimpíada de 2024 em Paris. A orquestra  às margens do Sena interpretou a bela e eterna Marselhesa, um hino de emoção que, mais uma vez, renova o compromisso e a esperança da humanidade como o seu próprio futuro.

Nós, brasileiros, não podemos nos queixar dos resultados da madrugada deste domingo. A disputa do voleibol feminino com os Estados Unidos não deu nem para torcer. Afastada a emoção, as coisas todas se tornam tristes ou comuns. Perdemos o confronto mal quando ele começou. O entusiasmo americano congelou qualquer esperança da nossa seleção. Mas ficamos com a prata e isso acrescenta a nós mais do que consola.

BOXE – O esporte é assim. Pessoalmente lamento a decisão dos jurados do boxe que deram a vitória à irlandesa sobre a brasileira Bia Ferreira. Ela demonstrou disposição muito maior do que a irlandesa para o combate. Só um julgamento frio de socos que não encaixaram e pontos que isso representa podem explicar uma decisão para mim tão surpreendente. O que fazer?

A vida é assim mesmo. O fato é que vencemos no futebol, vencemos com Rebeca Andrade, com Rayssa Leal, com Ana Marcela Cunha, com Isaquias Queiroz, entre tantos outros. Vemos, portanto, vários capítulos e páginas de uma história que será lembrada como um momento glorioso do esporte brasileiro.

PARIS – Aguardemos Paris. Estarei mais uma vez vibrando com a aventura do esporte que nos leva à emoção, às lágrimas, tanto as de vitórias quanto as de derrotas. Já testemunhei tantas vitórias e derrotas que posso verificar que o saldo é positivo para todos aqueles que fazem da dúvida o melhor caminho para se chegar a uma certeza. No fundo da questão, a certeza nasce da dúvida, do  não conformismo, da não aceitação do conservadorismo como uma concepção humana.

O não conformismo, principalmente em relação à miséria, à humilhação, à corrupção. É preciso reagir sempre, pois a reação já é uma verdade em si própria. Vamos caminhar com as gerações que estarão presentes em Paris no eterno processo de viver. Seja nas artes, na ciência, nos esportes, sem emoção todos nós nos transformaríamos em robôs. A emoção é que distingue as pessoas, seus encontros e desencontros, seus destinos.


Movimento “Vem Pra Rua” pede que Supremo obrigue Arthur Lira a aceitar pedido de impeachment

Publicado em 9 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Vem pra rua, vem pra cova...

Charge do Vitor Teixeira (Humor Político)

Deu no UOL
(Estadão Conteúdo)

O movimento Vem Pra Rua acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar obrigar o presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), a analisar a admissibilidade de um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apresentado no fim de junho.

SEM RESPOSTA – No mandado de segurança, o Vem Pra Rua argumenta ter apresentado a denúncia contra Bolsonaro por suposto crime de responsabilidade em 29 de junho e, passados mais de 30 dias, Lira não cumpriu com o artigo 19 da lei nº 1.079/50, “que determina a leitura da denúncia oferecida contra o presidente da República no expediente da sessão seguinte”.

“Diante da reiterada inércia do presidente da Câmara dos Deputados, não resta aos impetrantes [Vem Pra Rua] alternativa senão a de se valer do presente mandamus [mandado] para ver reconhecido seu direito líquido e certo ao encaminhamento da denúncia por si oferecida em face do presidente da República para leitura no expediente da sessão subsequente ao recebimento da intimação por essa Corte [STF]”, afirma.

DANOS IRREPARÁVEI – “É manifestamente absurdo que todos os presidentes anteriores tenham tido denúncias por crime de responsabilidade contra si processados, muitos por crimes em quantidade e gravidades menores que as apresentadas em face do atual presidente, ao passo que este não tenha ainda tido contra si qualquer denúncia em tramitação”, diz ao STF o movimento Vem Pra Rua.

A petição ainda argumenta que a “omissão” de Lira pode causar danos irreparáveis a milhares de pessoas “que podem continuar a ser lesadas pelas condutas omissivas ou comissivas do impetrado [Bolsonaro] à frente da administração pública federal”, além de possibilitar o cometimento de novos crimes por parte do presidente.

PRECEDENTE – STF já negou pedido similar No final de julho, a ministra Cármen Lúcia, do STF, arquivou uma solicitação anterior apresentada pelo PT. O partido também pediu ao Supremo que obrigasse Arthur Lira (PP-AL) a analisar um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro feito pela sigla no ano passado. Na ocasião, a ministra avaliou que conceder o mandado prejudicaria o princípio de separação entre os Poderes.

“O juízo de conveniência e de oportunidade do processo de impeachment é reserva da autoridade legislativa, após a demonstração da presença de requisitos formais”, escreveu Cármen.

“SUPERPEDIDO” – Em 30 de junho, parlamentares e movimentos sociais enviaram à Câmara dos Deputados um “superpedido” de impeachment que lista 23 crimes de responsabilidade atribuídos a Bolsonaro. O documento unifica 122 pedidos que já foram apresentados, mas não foram pautados nem por Lira, nem por seu antecessor no cargo, deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ).

O “superpedido” foi protocolado com 46 assinaturas, com nomes que vão da esquerda à direita. Integram a lista os deputados federais Joice Hasselmann (PSL-SP), Alexandre Frota (PSDB-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP), por exemplo, além de entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Logo depois, porém, Lira sinalizou que não daria sequência ao processo, dizendo que uma ação deste tipo exigiria “materialidade”.

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