sábado, abril 10, 2021

Jantar em São Paulo foi “arranjo” e a rejeição empresarial ao presidente está aumentando


Ministroc da Economia, Paulo Guedes, da Saúde, Marcelo Queiroga, da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e o da Comunicação, Fábio Faria, falam com a imprensa após jantar do presidente Bolsonaro com empresários

Guedes e Queiroga foram atrações da produção de marketing

Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico

Se o jantar oferecido pelo dono da empresa de segurança Gocil, Washington Cinel, ao presidente da República tinha por objetivo propagandear o apoio desfrutado por Jair Bolsonaro no meio empresarial, o tiro saiu pela culatra. Grupos de WhatsApp de grandes empresários e investidores amanheceram indignados com a percepção vigente sobre o encontro.

A avaliação é de que o Palácio do Planalto foi bem sucedido em passar a percepção, que asseguram equivocada, de que Bolsonaro tem apoio na elite econômica do país.

GENTE DA CASA – A reunião, dizem, limitou-se a um punhado de empresários e banqueiros que responde a um dos critérios ou a ambos: são do núcleo duro raiz do bolsonarismo e estão sempre a assediar o presidente de plantão. A casa que sediou o jantar é um reflexo simbólico desta percepção.

Vizinha do ex-deputado Paulo Maluf, nos Jardins, em São Paulo, a casa um dia pertenceu a um dos grandes industriais do país, José Ermírio de Moraes, e hoje é do empresário da segurança privada, ramo que cresceu junto com violência decorrente da falta de rumos do país.

A posição do grande empresariado e da grande finança estaria bem mais refletida, na visão deste interlocutor, em iniciativas como a Coalizão Brasil e a Concertação pela Amazônia, motivadas pelos equívocos da política ambiental brasileira, ou mesmo o apoio ao manifesto dos economistas por saídas para a pandemia.

GRUPOS FORTES – Essas mobilizações reúnem CEOs de grupos como Itaú, Klabin, Gerdau, Amaggi, Natura, Ambev, Gávea e Marfrig. Jantares do gênero são comuns em momentos de descrença sobre o apoio empresarial a um presidente em crise, mas a baixa representatividade do encontro de quarta-feira saltou aos olhos.

A política dos “campeões nacionais” e a fartura do BNDES poupou a ex-presidente Dilma Rousseff de quóruns tão pouco representativos, o que não a impediu de cair.

A tentativa do presidente da República de ressuscitar o antipetismo para fisgar de volta o apoio empresarial perdido, diz este interlocutor, tampouco surtirá efeito. Entre aqueles que, de fato, ditam os rumos da economia nacional, este discurso não adiciona um único voto para o presidente da República em 2022.

TERCEIRA VIA – Uma parte deles reconhece que se o PT estivesse no poder o país não teria afundado tanto e a grande maioria recebe esse discurso do presidente da República como um estímulo redobrado para a busca por uma terceira via.

A presença do ministro Paulo Guedes tampouco sensibilizou os empresários que ficaram de fora do jantar. Se o ministro da Economia já não empresta prestígio ao presidente da República, a recíproca também é verdadeira. Guedes hoje é visto como ministro de um país imaginário onde todos gostariam de viver, mas que, infelizmente, ninguém acredita existir senão em seus devaneios.

Apesar do incômodo gerado pelo jantar, cuja divulgação teve o empenho pessoal de ministros palacianos, não haverá mobilizações adicionais para mostrar o azedume com este governo. E o principal motivo é a pandemia.

Os CEOs críticos ao bolsonarismo estão recolhidos em suas casas porque temem aquilo que o presidente despreza, a agressividade da covid-19. Cresce, porém, neste grupo, a percepção de que Bolsonaro, no limite, chegará a 2022.

O cerco da imprensa internacional a Bolsonaro reflete-se no comportamento dos parceiros internacionais desses empresários. Edições das duas principais publicações financeiras do mundo, “The Economist” e “Financial Times”, mostraram que o dano à imagem internacional do presidente é irreversível.

CABEÇA OCA –  A revista “The Economist” trouxe uma charge contestando que a resposta brasileira à pandemia seja conduzida por um cabeça-oca, mas sim por um “ignorante, teimoso e arrogante”.

Já o jornal da City londrina trouxe uma reportagem sob o título “Bolsonaro mais isolado do que nunca” em que uma dirigente da Organização Pan-Americana de Saúde reportou preocupação com o espraiamento das variantes brasileiras por 15 vizinhos das Américas. É a percepção do Brasil como ameaça global que cresce no mundo e preocupa os grandes empresários brasileiros.

Não há, por outro lado, percepção sobre saídas fáceis à vista. Há empresários deste meio que se aproximaram do vice-presidente Hamilton Mourão por conta de sua atuação no Conselho Nacional da Amazônia mas não há qualquer mobilização real para apear o presidente da República do poder por conta da percepção de que o Congresso quer mantê-lo no cargo.

DISSE MOURÃO – O artigo do vice-presidente publicado na terça-feira, 6, no jornal “O Estado de S. Paulo” (“O que os brasileiros esperam de suas Forças Armadas”) foi lido como uma manifestação clara de que Mourão não endossou o comportamento de Bolsonaro na recente crise militar e que subscreve a atuação estritamente constitucional das Forças Armadas em defesa das instituições nacionais.

Um dos empresários descrentes do bolsonarismo diz ter sido procurado por ministro de origem militar em busca de sua percepção sobre a conjuntura. O constrangimento do ministro ante seu pessimismo lhe deixou a impressão de que os militares deste governo têm a consciência de que estão em nau à deriva.

Este empresário não mantém contato com o vice-presidente Hamilton Mourão. Tem a convicção de que, assim como o ex-ministro do TSE Herman Benjamin estava com a razão quando dizia que a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer deveria ter sido cassada por excesso de provas, é preferível dois impeachments em cinco anos a um crime de responsabilidade por dia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente matéria, enviada pelo advogado e economista Celso Serra. A jornalista Maria Cristina Fernandes é uma fera na análise política e nos mostra o ridículo que reveste certas iniciativas de marketing político, que são desmascaradas com a maior facilidade. (C.N.)

sexta-feira, abril 09, 2021

Está difícil entender que as causas de intervenção não são militares, mas políticas

Publicado em 9 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Jorge Zaverucha
O Globo

Está mal direcionado o esforço para responder à questão: ‘Quais são as características do establishment militar de uma nova nação que facilitam o envolvimento militar na política doméstica?’. A questão está confusa, porque as causas mais importantes da intervenção militar na política não são militares, mas políticas. Refletem não as características sociais e organizacionais do establishment militar, mas as estruturas políticas e institucionais da sociedade.” Estas sábias palavras são do finado cientista político Samuel Huntington.

O fato é que desde 1985 os militares deixaram o governo, mas não o poder. Um excessivo número de prerrogativas militares continua em vigor, assim como enclaves autoritários passeiam pela Constituição Federal. Destaque para o artigo 142.

Sempre bom lembrar que os constituintes resolveram abolir o dispositivo, mas o então general Leônidas Gonçalves afirmou que suspenderia o processo constituinte caso isto acontecesse. Os civis se curvaram, e o artigo foi mantido.

DUPLA INTERPRETAÇÃO – O artigo 142 é ambíguo e pode ser interpretado de modos distintos, de acordo com os interesses dos atores envolvidos. A raiz do problema é saber quem define o que é ordem e que tipo de lei, ordinária ou constitucional, as Forças Armadas devem defender.

Em suma, o artigo permite o golpe de Estado constitucional. Um oximoro. Por isso mesmo, nenhuma democracia que se preze o insculpiu em seu texto constitucional.

Não é por acaso que tal artigo vem sendo, comumente, lembrado ao logo do governo Bolsonaro. O presidente sondou, no ano passado, o Exército sobre a possibilidade de fechar o STF usando o artigo 142 como bandeira. Segundo relato da imprensa, sua proposta foi rejeitada pelo Alto-Comando do Exército. Desde então, sua relação com o general Pujol não teria sido mais a mesma.

ÂNCORA DO GOVERNO – Bolsonaro já afirmara que o Exército era a “âncora do seu governo”. Nenhuma autoridade civil o contestou. Era uma aposta de que os interesses da instituição — Forças Armadas — convergiriam com os do governo. Bolsonaro nomeou vários militares para o aparelho de Estado nas suas mais diversas esferas de poder. E distribuiu benesses salariais, previdenciárias e orçamentárias. Com anuência do Congresso. A Casa Civil virou uma espécie de Casa Militar.

A política, todavia, tem sua própria dinâmica. E o governo Bolsonaro está enfrentando uma séria crise econômica, social, humanitária e política. Grupos civis subvertem uns aos outros, o STF viola a Constituição, e compromissos não são respeitados.

A crise entra no Palácio do Planalto grande e sai, muitas vezes, maior ainda. As pesquisas de opinião pública já detectaram isto.

MORTOS DA COVID – Embora a culpa não seja só dele, a população jogará, majoritariamente, a conta dos mortos na pandemia no colo do presidente. Sua reeleição já não é mais fava contada.

Acuado, o presidente jogou uma cartada cujas consequências nem ele esperava. Afastou o ministro da Defesa e com ele os três comandantes militares de uma só vez. Algo inédito na história republicana. Queria maior apoio castrense para suas medidas políticas. Só que os interesses das Forças Armadas não mais convergem, necessariamente, com os do governo. O Exército quer ser âncora dele mesmo.

 

 A nomeação do novo comandante militar do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, é uma derrota para Bolsonaro. Não era o nome de sua preferência.

TERCEIRA ONDA – Quando responsável pelo setor de recursos humanos do Exército, o general deu entrevista dizendo acreditar que em dois meses haverá a terceira onda da Covid.

Em entrevista, ressaltou que a taxa de mortalidade na instituição é de 0,13%, bem abaixo do índice de 2,5% da população em geral. E é a favor do distanciamento social e do uso de máscara, bem como de higienização das mãos. Todas as cerimônias militares foram suspensas nos quartéis. Esta entrevista irritou Bolsonaro.

Mesmo assim, Nogueira é o novo comandante do Exército. Uma clara mensagem do Alto-Comando do Exército ao presidente da República: as linhas entre a instituição e o governo foram demarcadas. O presidente entendeu o recado.

Prefeito Deri, o senhor está chorando depois do leite derramado, mas antes das eleições o senhor não enxergava as aglomerações.

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O que me deixa indignado é o prefeito de Jeremoabo querer zombar da inteligência do povo,  com essa falsa preocupação, que só poderá colar para os puxa-sacos ou mesmo para os fanáticos.
Na vida todos nós colhemos o que plantamos, infelizmente Jeremoabo hoje está colhendo o que o prefeito e seu vice-prefeito plantaram nas aglomerações, nas carreatas e nos comícios.
Extasiado, cego pela permanência no poder pelo poder, não quis saber das consequências, nem tão pouco estava se lixando para quem fosse se contaminar com o COVIC-19; e. consequentemente com a morte dos inocentes, o poder estava acima de tudo e de todos. 
Lembro-me das inúmeras matérias que fiz alertando a população do que iria acontecer, a resposta que recebia era criticas de irresponsáveis que não zelava pela própria vida, e o pior, colocando a vidas dos demais em constante perigo.
Hoje não adianta lamentar pelo leite derramado, estamos no mesmo barco a deriva, só nos resta lutar enquanto tivermos forças.
Lamento que os justos estejam pagando um preço muito alto  pela  irresponsabilidades dos outros. 
De que adianto a propaganda enganosa do hospital?



Brasil não conseguirá domar pandemia só com vacina, diz OMS

por Ana Estela de Sousa Pinto | Folhapress

Brasil não conseguirá domar pandemia só com vacina, diz OMS
Foto: Reprodução / Poder360

O Brasil não vai conseguir domar a pandemia de coronavírus se priorizar apenas a vacinação, afirmou nesta sexta (9) a OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Temos que parar de pensar que a crise se resolve com uma ou outra medida. A vacina é apenas um componente, e é preciso adotar ações amplas, apoiadas por líderes, apoiadas pelos governos", disse a líder técnica para Covid-19 da entidade, Maria van Kerkhove.

Ela afirmou que, apesar do avanço nas campanhas de vacinação, "a trajetória desta pandemia está indo na direção errada": "Estamos há seis semanas com os números de casos e de mortes em alta."

Segundo a OMS, embora seja crucial imunizar idosos e profissionais de saúde para reduzir mortes desnecessárias, continua sendo essencial identificar pessoas infectadas e isolá-las rapidamente. Além disso, é preciso evitar contatos entre as pessoas para segurar a transmissão e evitar o aparecimento de novas variantes que escapem da vacina.

O conselheiro sênior da direção-geral da OMS Bruce Hayward também afirmou que a vacinação pode proteger pessoas mais vulneráveis e reduzir hospitalizações, mas não vai afetar a dinâmica da pandemia na população. "São as medidas básicas de distanciamento físico que seguram a transmissão", disse ele.

Isso ocorre porque, até agora, não há informação suficiente sobre a capacidade da vacina de reduzir o contágio nem sobre a duração da imunidade provocada por ela. Além disso, faltam no mundo imunizantes para acelerar a proteção das populações.

De acordo com Van Kerkhove, nos países em que as medidas não estão sendo adotadas, é necessário entender por quê: "É um problema das políticas públicas? Falta apoio para que as pessoas possam ficar em casa?".

Os diretores da OMS voltaram a descrever o quadro brasileiro como "muito grave" e afirmaram que a organização está em contato com equipes de saúde pública em todos os níveis para tentar ajudar a reduzir infecções e mortes por Covid-19 no Brasil.

O Brasil vive uma situação crítica, com recordes trágicos se acumulando. O ano atual concentra os 32 dias com mais vidas perdidas em 24 horas. Desses, 30 dias ocorreram em março ou abril.

Na quinta, pelo segundo dia na mesma semana e na pandemia, o Brasil registrou mais de 4.000 mortes em 24 horas. Foram 4.190 óbitos. O recorde de mortes, alcançado na última terça, é de 4.211.

Além dos EUA, que tem uma população consideravelmente maior, é o único país no mundo com registros mais regulares a atingir essa marca.

No estado de São Paulo, metade dos municípios registrou mais mortos do que nascidos em março deste ano, segundo os números de certidões de óbito e nascimento emitidas pelos cartórios locais. De acordo com especialistas, o impacto da pandemia do novo coronavírus foi fundamental para a ocorrência desse fenômeno

Bahia Notícias

Início de vacinação contra a gripe em Sergipe será no dia 19 de abril, diz SES

 

Por G1 SE

 


Vacina contra a gripe  — Foto: Divulgação/Arquivo

Vacina contra a gripe — Foto: Divulgação/Arquivo

O início da Campanha Nacional  de Vacinação Contra a Influenza em Sergipe será no dia 19 de abril. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9), após reunião entre representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) dos 75 municípios sergipanos.

“Atendendo a solicitação dos municípios, decidimos por iniciar a campanha no dia 19 porque recebemos o informe técnico do Ministério da Saúde na quinta-feira. Os secretários escolheram por haver um diálogo maior com as equipes com relação à imunização contra a gripe. Como também estamos no processo de imunização contra a Covid-19, a orientação é que as doses dos imunizantes não sejam aplicadas no mesmo dia. Todo esse diálogo sobre a aplicação das vacinas é para melhorar o processo de vacinação”,explicou a enfermeira do Programa de Imunização da SES, Ana Lira.

Segundo ela, de acordo com informe técnico do Ministério da Saúde, considerando a ausência de estudos de coadministração para a vacinação contra Influenza e Covid-19, não é recomendado a aplicação das duas vacinas ao mesmo tempo, é necessário haver o intervalo de no mínimo 14 dias.

O informe disse ainda que as pessoas contempladas no grupo prioritário para a vacinação contra Influenza que buscarem uma Unidade Básica de Saúde e ainda não foram vacinadas contra a Covid-19, preferencialmente, devem dar prioridade a vacina da Covid-19 e agendar a vacina da Influenza.

A vacinação contra a gripe foi dividida em três fases:

1º fase: de 19 de abril a 10 de maio
Grupos prioritários são crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde.

2º fase: de 11 de maio a 8 de junho
Serão contemplados os idosos com 60 anos ou mais e professores.

3º fase: de 9 de junho a 9 de julho
Contempla pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, forças de segurança e salvamento, Forças Armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade, e adolescentes em medidas socioeducativas.

https://g1.globo.com/

Pacheco critica negacionismo de Bolsonaro e diz que dará liberdade total à CPI da Pandemia


Presidente do Senado defende definição de mandato para ministros do STF -  Diário do Poder

Presidente do Senado condena os equívocos de Bolsonaro

Leandro Colon e Renato Machado
Folha

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirma que não mexerá “um milímetro” para impedir a atuação da CPI da Covid, embora diga ser contrário à sua instalação neste momento.​ “Uma vez instalada, vou permitir todas as condições que funcione bem e chegue as conclusões necessárias”, afirmou. “Aliás é muito importante que ela cumpra sua finalidade na apuração de responsabilidades”​, disse.​

Na entrevista, Pacheco disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro “não contribui” com seu discurso negacionista. “Para bom entendedor, um pingo é letra. Quando ele [Bolsonaro] prega qualquer tipo de negacionismo, eu vou criticar o negacionismo e consequentemente estou criticando a fala dele”, disse.

O senhor tem dito que a CPI é questão de conveniência e oportunidade. Mas é também instrumento de minoria, desde que tenham o fato determinado e as assinaturas mínimas. Com esses requisitos cumpridos, não era um dever do senhor instalá-la?
É um direito da minoria, não há dúvidas, mas há também por parte da presidência [do Senado] um juízo de oportunidade e conveniência neste momento do país e do Senado. No momento, de excepcionalidade, em que não funcionam os órgãos do Senado, uma CPI também em tese não poderia funcionar. Mas diante da decisão do STF, agora vou fazer todo o esforço para que tenha funcionamento pleno, com a garantia de saúde àqueles que participem e que consiga atingir seus resultados.

Na quinta-feira, o senhor falou que temos de olhar para frente e que a CPI olharia para o passado. Mas mais de 300 mil brasileiros morreram, em meio a uma clara omissão do governo federal. A CPI não existe justamente para que se busque os responsáveis?
Ela também deve cumprir esse papel. O fato é que estamos no ápice da pandemia e, infelizmente, nem todos os fatos que podem ser objetos de uma CPI ainda aconteceram. Seria mais inteligente, oportuno e conveniente que fosse instalada após a estabilização do país.

Quando o senhor assumiu a presidência do Senado, em 1º de fevereiro] eram cerca de 1.000 mortos por dia, 225 mil mortos no total no país. Hoje são 4.000 mortos por dia e mais de 300 mil no total. Vamos esperar chegar a 500 mil mortos para brecar essa omissão por parte das autoridades?
Estamos falando de vidas. Essa lógica sua serve para poder instar os órgãos públicos, as instituições para tomarem decisões eficientes para a busca de soluções. Não me parece que a CPI se proponha a buscar soluções para o número de mortos, para a ausência de leitos, para a ausência de oxigênio, para a falta de insumos e medicação. O que precisamos é de um comitê de acompanhamento da Covid, como o que existe no Senado, com uma análise técnica e profunda.

O senhor foi eleito com o apoio público do Planalto. Até que ponto isso contribui para a resistência que o senhor tem a uma CPI que o governo não quer?
Isso é absolutamente independente e nenhuma influência tem nas minhas decisões. Tanto não tem que fui também apoiado pela oposição. Então meu compromisso é com o Senado, com os senadores e todas as forças políticas.

 

Dá para confiar que a CPI vai funcionar? Ou vai ter uma ação da parte do senhor e de outros senadores para tentar retirar assinatura ou trabalhar contra a CPI?
Eu afirmo com toda a lisura, com toda a transparência, com toda a decência que é algo próprio do meu caráter: não vou trabalhar um milímetro para mitigar a CPI nem para que não seja instalada nem para que não funcione. Eu considero que a decisão judicial deve ser cumprida. Há um direito de minoria que reconhecia que, no momento certo, precisava ser garantido, mas houve a precipitação dessa instalação a partir da decisão judicial, que cumprirei. Então, uma vez instalada, vou permitir todas condições para se dar segurança àqueles que ali estarão, segurança de saúde, inclusive, e permitir que funcione bem e chegue às conclusões necessárias de uma CPI.

Embora seja instrumento de minoria, possivelmente vai ser controlada por uma base de governo, não?
Base de governo no Senado, isso depende da matéria. Por exemplo, para votar a PEC Emergencial, que era um desejo do governo, mas era também do Senado, foram 62 senadores a favor. Mas temos outras discussões aí que não necessariamente as ideias do governo encontram guarida e são derrubadas. Então isso é muito relativo, é difícil aferir qual vai ser o andamento em relação ao governo. Então teremos CPI. Teremos CPI instalada por conta de decisão judicial do Supremo, é importante essa premissa.

Quando isso deve ser feito?
Na primeira sessão do Senado, que deve ser terça (13).

O senhor disse que a CPI seria um ponto fora da curva. Mas não é um ponto fora da curva termos quatro mil mortos por dia e um governo negacionista?
Evidentemente, isso é além de um ponto fora da curva, isso é inaceitável, nós estarmos nessa situação crítica no Brasil, por conta de fato da mutação do vírus mas também de muitos erros que foram praticados.

Quais erros?
Atraso na vacinação, não termos contratado em tempo hábil as vacinas, programado os leitos de UTI um ano atrás. Podíamos ter hoje uma condição melhor de atendimento, inclusive através dos hospitais de campanha. Podíamos ter nos preparado com a produção de oxigênio, com o estabelecimento de uma rede de distribuição mais eficiente para atingir toda a população que esteja internada. E podíamos ter feito uma política externa melhor para garantir de maneira mais rápida os insumos da vacina e os medicamentos necessários.

Alguns senadores reagiram à decisão de Barroso, apontando projetos para restringir atuação do Supremo. O presidente Bolsonaro falou em impeachment de ministro. Há espaço para retaliar o Supremo nesse sentido, em termos de mudar regras de indicação, fazendo andar impeachment?
Um Senado da República não pode agir com revanchismo, muito menos com retaliação a quem quer seja, muito menos em relação a outro poder da República.

Mas, por exemplo, instituir mandato para ministro do Supremo, como o senhor vê isso?
Vejo com bons olhos. Mas vamos ter cuidado com isso, porque as minhas opiniões sobre o STF, o Judiciário brasileiro, são sempre muito respeitosas, são ideias que tenho ao longo do tempo, de vida inclusive como advogado, que são consonantes inclusive com muitos membros do Judiciário, são ideias de bem antes. Eu não queria tratar disso, nesse momento, para não parecer que estou dando ideias aqui de um caráter revanchista ao STF e não o é.

O senhor conversou com o ministro Barroso sobre a decisão? Não, nós conversamos na segunda-feira, depois ao telefone, participamos de um evento juntos da OAB, mas eu sabia apenas que havia um mandando de segurança com ele. Mas em momento nenhum pedi a ele, tampouco ele pediu alguma coisa a mim. Decisão judicial, aprendi uma coisa na vida: você não conversa com juiz antes. Você espera a decisão

Conversou depois?
Não.

O senhor mencionou o comitê do Senado, mas após a primeira reunião, Bolsonaro não foi e depois participou de um outro sem máscara e minimizando a questão do distanciamento social. Até que ponto podemos acreditar em um comitê cujo coordenador trabalha contra as principais políticas de combate à pandemia?
 Se não for por nenhum outro motivo de se acreditar nesse comitê, que se acredite nos demais membros, no ministro da Saúde, no presidente do Senado e no presidente da Câmara, que têm um discurso uniforme de enfrentamento com ações concretas. A fala do ministro da Saúde é a que precisa ser ouvida em relação ao distanciamento social, ao uso de máscara, higienização das mãos, vacinação. E o presidente tem suas convicções pessoais e quem sou eu para poder tirar dele o direito de dizê-lo. Mas não é uma recomendação de cunho científico, de base de medicina que deva a população se pautar.

O senhor já disse que o negacionismo é uma ‘brincadeira macabra’ e critica grupos que difundem essa linha, mas não individualmente. Estamos falando do presidente da República, que dialoga diretamente com milhões de seguidores nas redes sociais. Por que o senhor segue evitando criticá-lo?
Para bom entendedor, um pingo é letra. Quando digo que negacionismo virou no Brasil uma brincadeira de mau gosto, macabra, medieval, desumana, está claro que discuto ideias, propostas, e essas ideias de negacionismo são isso tudo que estou dizendo. Se o presidente as profere, isso vale para o presidente ou para um cidadão comum. Não preciso criticar o presidente. Posso criticar as ideias, quando ele prega qualquer tipo de negacionismo, eu vou criticar o negacionismo e consequentemente estou criticando a fala dele.

Mas o comportamento dele não atrapalha?
Não contribui. O comportamento que se prega o negacionismo de quem quer que seja no Brasil não contribui para o enfrentamento à pandemia. Eu prego tudo isso que o ministro da Saúde também está pregando, que temos que cumprir no enfrentamento à pandemia.

​Mas o senhor se frustra com isso, de sair de uma reunião com um grande debate técnico e o coordenador do comitê contrariar tudo o que foi discutido?
Não vou me dizer que me frustro. Eu discordo. Respeito a posição de todos e me apego ao que verdadeiramente me importa que é o discurso do Ministério da Saúde e do ministro da Saúde de agora, que defende aquilo que eu penso, pelo menos até aqui defende aquilo que eu penso e é nisso que eu tenho que me apegar e acreditar que a população brasileira depois de um ano de pandemia e com todo esse sofrimento que estamos vivenciando já tenha plena compreensão do que precisa ser feito.

O senhor também já se manifestou contra o impeachment. Quando será possível investigar e punir essas responsabilidades do negacionismo do governo em relação a pandemia? O Congresso não está sendo omisso?
O Congresso não está sendo omisso, tem trabalhado muito em projetos de lei, aprovação de medidas provisórias, de Emenda à Constituição. A nossa busca de consenso com o governo federal é uma sinalização muito positiva para poder cuidar de combater o coronavírus com ações que sejam efetivas e inteligentes.

Fala-se que o senhor e o presidente Arthur Lira [Câmara] não vão admitir vetos ao Orçamento.
Se o Congresso não concordar com o veto, que se derrube o veto. Mas eu não posso dizer que não admito veto. O ministro da Economia [Paulo Guedes] e sua equipe, a Secretaria de Governo, acompanharam o trabalho da comissão mista do orçamento. E aí tudo o que foi feito foi alinhado com o governo. Não pode depois de aprovado dizer que estava tudo errado. Isso não é um comportamento adequado. Mas isso não desnatura os bons propósitos, as boas ideias, os bons méritos da política da equipe econômica, que tem meu integral apoio.​

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Parece que está surgindo um político de verdade na presidência do Senado. Deu uma entrevista notável e veraz. Nem tudo está perdido, portanto(C.N.)

A AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL CONTRA O PREFEITO E VICE-PREFEITO DE JEREMOABO CONTINUA VIVO.

 

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