quinta-feira, abril 08, 2021

Núcleo duro da Lava Jato aceita estratégia de Fachin sobre incompetência de Curitiba

Publicado em 8 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Deltan Dallagnol é um dos signatários do recurso ao STF

Rayssa Motta e Rafael Moraes Moura
Estadão

O núcleo duro da extinta força-tarefa da Operação Lava Jato enviou de um memorial ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo que o plenário da Corte analise a decisão do ministro Edson Fachin que declarou a incompetência da Vara Federal de Curitiba para processar as acusações contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), anulando as condenações do petista nas ações do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

Os advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, que defendem os procuradores, que os 11 ministros devem decidir sobre os recursos da Procuradoria Geral da República e da própria defesa de Lula para ‘evitar decisões divergentes e contraditórias’ das turmas em relação às deliberações plenário.

NOVA MANOBRA – O movimento é uma manobra para retomar a estratégia inicial de Fachin. Ao anular as condenações de Lula, o ministro queria dar como encerrada a discussão sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. O relator Fachin acabou duplamente vencido na Segunda Turma: os colegas entenderam que a análise deveria ser retomada e, ao final do julgamento, formaram maioria (3 a 2) para declarar Moro parcial no caso do triplex.

“Uma vez confirmada (se confirmada) a incompetência do Juízo da Vara de Curitiba, entende-se que ficará prejudicada a questão relativa à suspeição do Juízo, porque com tal reconhecimento o processo retorna à fase de recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, decidindo o magistrado de primeiro grau se aproveita os atos instrutórios do processo ou não, inclusive prevenindo possível prescrição na esfera penal”, argumentam os advogados.

DEFESA REAGE – Na outra ponta, a defesa de Lula tenta manter a análise dos processos do petista na Segunda Turma. Os advogados pedem que o colegiado reafirme sua competência para analisar os casos do petista. Como a questão de ordem não foi analisada no julgamento que declarou a suspeição de Moro, a defesa tentou outro caminho: enviou na semana passada um novo pedido no âmbito da reclamação que garantiu a Lula acesso às mensagens apreendidas na Operação Spoofing.

Para a defesa dos procuradores, a pretensão ‘desafia a autoridade do Plenário do STF, principalmente se considerado que a afetação ao Plenário pelo Relator é providência irrecorrível’.

“Tenha-se presente também que foi a própria defesa técnica do ex- Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva que impetrou em novembro de 2020 o HC relativo à incompetência do Juízo (HC no 193.726), ou seja, depois de já iniciado o julgamento do HC da suspeição (HC no 164.493) e interrompido por pedido de vista, não lhe cabendo escolher qual matéria deve ser julgada antes ou depois”, argumentam.

NOVA ANÁLISE – Portanto, pode se dar uma eventual reanálise do processo que declarou a suspeição de Moro no âmbito do julgamento, previsto para a primeira quinzena de abril, em que o plenário do Supremo vai decidir se confirma ou não a decisão de Fachin que anulou as condenações impostas pela Lava Jato ao ex-presidente e reabilitou o petista a disputar as próximas eleições.

O julgamento no plenário do Supremo será dia 14, na próxima semana.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Para mim, trata-se de um assunto controverso e vergonhoso. Declarar a falta de competência territorial do maior juiz brasileiro, depois de seis anos de competência mais do que estabelecida diante de recursos? E fazê-lo através de habeas corpus, na undécima hora? Realmente, é desanimador. (C.N.)

ABI pede, em ação, que Supremo proíba assédio judicial contra jornais e jornalistas

 Foto: Divulgação/Arquivo

Advogado Cláudio Pereira de Souza Neto, um dos autores da ação da ABI08 de abril de 2021 | 17:44

ABI pede, em ação, que Supremo proíba assédio judicial contra jornais e jornalistas

BRASIL

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleça o entendimento segundo o qual o foro competente para apurar supostos crimes de imprensa seja a Justiça do domicílio do jornalista ou da sede da empresa de comunicação acusada de alguma impropriedade. Na ação, ajuizada na quarta-feira (07), a ABI argumenta que a definição do domicílio ou sede como foro é essencial para se coibir assédio judicial contra profissionais da imprensa. 

Assédio judicial contra a imprensa consiste na abertura de ações similares e simultâneas em várias cidades ou Estados com o objetivo de paralisar jornais ou jornalistas. A eventual obrigação de se deslocar constantemente para regiões distantes para se defender de ações, muitas vezes banais, pode causar sérios danos financeiros ou inviabilizar a prática profissional de jornalistas. Pode até mesmo impedir a própria defesa do profissional que, por razões óbvias, não comparecer em audiências obrigatórias. 

“O assédio judicial ou processual contra jornalistas é uma manobra nefasta que vem sendo usada no país para intimidar jornais e jornalistas. É importante que o Supremo examine a questão com a devida atenção e proíba de uma vez por todas esse truque. A liberdade de imprensa não pode estar subordinada ao poderio econômico ou político de acusadores de plantão”, afirma o advogado Cláudio Pereira de Souza Neto, um dos autores da ação da ABI.

Na ação são citados vários casos de jornalistas alvos de assédio judicial. O exemplo mais conhecido é o de uma repórter que foi vítima de nada menos que 115 ações em quase todo o país. A ABI entende também que as múltiplas ações propostas devem ser reunidas e julgadas pelo juiz que recebeu a primeira ação.

A ABI pede ainda que o STF defina o entendimento de que jornalistas e jornais só podem ser condenados mediante a comprovação de dolo e culpa grave. A partir daí, a responsabilização profissional da comunicação só seria possível naqueles casos em que a divulgação de informação imprecisa ou inverídica ocorre de forma deliberada e consciente. Ou seja, o autor de determinado artigo ou reportagem está ciente do erro, mas mesmo assim leva adiante a notícia com o claro propósito de atingir terceiros.

“O direito americano, que é muito mais avançada nesse aspecto, é assim. Um jornalista profissional não pode e não deve ser punido por erros involuntários. Às vezes alguns profissionais são induzidos a erros por autoridades ou por respeitadas instituições “, afirma Souza Neto. Para ele, eventuais punições devem recair apenas sobre profissionais que agem de má fé, movido por interesses espúrios.

A ABI também pede que o STF proíba o bloqueio de contas bancárias de jornalistas como forma de garantir, de forma antecipada, eventuais danos. Souza Neto argumenta que a penhora dos valores depositados nas contas de jornalistas podem atingir ,de forma drástica, as finanças das famílias desses profissionais.

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Rui acirra disputa com Bolsonaro e reverencia Lula, Dilma e Wagner por 'idealizar' Fiol

por Matheus Caldas

Rui acirra disputa com Bolsonaro e reverencia Lula, Dilma e Wagner por 'idealizar' Fiol
Rui ao lado de Lula, Dilma e Wagner em 2014 | Foto: Divulgação / PT

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), voltou a acirrar o terreno político com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Pelo Twitter, ele exaltou o trabalho na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e do ex-governador baiano, Jaques Wagner (PT). Nesta quinta (8), a empresa Bahia Mineração S/A (Bamin) venceu o leilão para concessão do trecho ferroviário entre Ilhéus e Caetité do empreendimento (leia mais aqui).

 

Para Rui, em projetos de longo prazo, ”quem começa não necessariamente vai inaugurar”.  “Idealizamos e executamos grandes projetos de infraestrutura para transformar a vida das pessoas. São projetos de longo prazo; quem começa não necessariamente vai inaugurar. Quem idealiza pensa nas gerações futuras, e não em fazer política”, escreveu.

 

Na visão do petista, Wagner “trabalhou incansavelmente pelo sucesso da FIOL e também viabilizou a implantação do Porto Sul, em Ilhéus”. “FIOL e Porto Sul são projetos “irmãos”, que se complementam e vão gerar emprego e renda para milhões de baianos”, pontuou.

 

“A Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a FIOL, obra iniciada pela então presidente @dilmabr com o apoio do ex-presidente @LulaOficial, é um dos mais importantes projetos de infraestrutura em execução no país”, acrescentou, citando os ex-presidentes da República.

 

No ano passado, a obra ganhou contornos de disputa política quando o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, exaltou Bolsonaro ao classificá-lo como “o responsável por destravar o mais importante projeto de infraestrutura do estado.” (leia mais aqui)

 

Na época, o presidente se capitalizou politicamente por inaugurar a obra de um trecho da transposição do Rio São Francisco, travada desde os tempos dos governos petistas (leia mais aqui). No Nordeste, Bolsonaro colhe os maiores índices de rejeição ao seu governo. A região também foi a única na qual ele foi derrotado por Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial em 2018.

 

A FIOL
Em abril de 2011, Lula esteve em Ilhéus e autorizou a ordem de serviço de quatro lotes do primeiro trecho da ferrovia. O projeto deveria ser concluído em 2014.

 

A concepção da ferrovia inclui três trechos: Ilhéus – Caetité, Caetité – Barreiras e Barreiras – Figueirópolis (TO). A concessão da obra como um todo está sob responsabilidade da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, empresa pública ligada ao Ministério da Infraestrutura.

 

Em setembro deste ano, Bolsonaro veio à Bahia para formalizar a parceria com o Exército Brasileiro, que ficará responsável pela construção de um trecho de 18.3 km da Fiol, correspondente ao lote 6 do empreendimento  próximo ao município de  Correntina, na Bacia do Rio Corrente (leia mais aqui). Esse trecho é o pedaço mais atrasado da obra.

 

O 4º Batalhão de Engenharia de Construção, de Barreiras, na mesma região, e o 2º Batalhão Ferroviário, de Araguari, em Minas Gerais, serão responsáveis pela conclusão do lote.

Bahia Notícias

STF nega liberação de missas e cultos durante a pandemia; estados devem decidir


por Lula Bonfim

STF nega liberação de missas e cultos durante a pandemia; estados devem decidir
Foto: Sérgio Lima / Poder360

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, no início da noite desta quinta-feira (8), contra a liberação judicial de missas e cultos durante a pandemia da Covid-19, mantendo sob poder de estados e municípios o direito de decidir acerca das medidas tomadas para combater a proliferação da doença.

 

Votaram contra a liberação os ministros Gilmar Mendes, relator do processo; Alexandre de Moraes; Edson Fachin; Luís Roberto Barroso; Rosa Weber; Ricardo Lewandowski; Marco Aurélio Mello; Luiz Fux, presidente da Corte Suprema; e Cármen Lúcia.

 

A favor da realização de missas e cultos durante a pandemia, votaram apenas os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Tóffoli, findando o placar da votação em 9 a 2.

hia 

Celso de Mello diz que Bolsonaro se julga um “monarca absolutista” que “desconhece o valor da vida”

Publicado em 8 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Ex-ministro enviou mensagem a amigos criticando postura de Bolsonaro

Aguirre Talento
O Globo

 O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello enviou uma mensagem a amigos na qual fez duras críticas à atuação do presidente Jair Bolsonaro na pandemia da Covid-19, afirmando que o presidente “desconhece o valor da vida” por impedir a decretação de um lockdown nacional.

Aposentado do STF em outubro do ano passado, Celso tem se mantido afastado da vida pública desde então. Tem vivido em reclusão na sua residência em Tatuí (SP), sua cidade natal, mas fez esse desabafo a respeito do assunto.

DESGASTES DE NUNES – A vaga de Celso no Supremo foi ocupada pelo ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro. Marques tem enfrentado desgastes dentro da corte após ter determinado, em uma decisão monocrática concedida no final de semana, a abertura dos cultos religiosos em meio ao recorde de casos e mortes da Covid-19.

O ex-ministro cita, em sua mensagem, o lockdown feito no município de Araraquara (SP), pelo prefeito Edinho Silva (PT), como exemplo bem-sucedido para o Brasil de combate à pandemia e elogia o fato de a medida ter seguido recomendações científicas das principais autoridades do mundo.

Após o fechamento das atividades, os casos e mortes na cidade foram reduzidos drasticamente. Especialistas têm defendido um lockdown nacional como única forma de frear o crescimento dos casos da Covid-19 e impedir o surgimento de novas variantes.

“MONARCA ABSOLUTISTA” – “Hoje, em nosso País, o Presidente da República (que julga  ser um monarca absolutista ou um contraditório ‘monarca presidencial’) tornou-se, com justa razão, o Sumo Sacerdote que  desconhece tanto o valor e a primazia da vida  quanto o seu dever ético de celebrá-la incondicionalmente !!! A sua arbitrária recusa em decretar o ‘lockdown’ nacional (como ocorreu em países de inegável avanço civilizatório) equivale a um repulsivo e horrendo ‘grito necrófilo'”, escreveu Celso de Mello.

A mensagem do ex-ministro foi revelada pelo site “Conjur” e obtida pelo O Globo. Esse grito necrófilo, explica o ex-ministro, refere-se a um fato histórico: “o conflito entre Miguel de Unamuno, Reitor da Universidade de Salamanca no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, e o General Millán Astray, que, seguidor falangista fiel ao autocrata Francisco Franco, ‘Caudilho de Espanha’, lançou o grito  terrível  ‘¡Viva la Muerte; abajo la inteligencia’!”.

“Esse gesto insensato do Presidente da República , opondo-se ao ‘lockdown’ nacional, mostra-se, de um lado, próprio de quem não possui o atributo virtuoso do ‘statesmanship'”. A expressão pode ser traduzida como sentido de Estado ou qualidade de estadista.

NEGACIONISMO – Conclui na mensagem: “De outro lado, essa conduta negacionista torna imputável ao Chefe de Estado, em face de seu inqualificável despreparo político e pessoal, a nota  constrangedora e negativa reveladora daquela ‘obtusidade córnea” de que falava Eça de Queirós , em 1880, no prefácio da 3a. edição de sua obra ‘O Crime do Padre Amaro’, no contexto da célebre polêmica que manteve com o nosso Machado de Assis”.

No prefácio da terceira edição do seu livro, Eça de Queirós rebate críticas de que a obra seria cópia de outra, dizendo que isso só poderia ser dito por quem tem “obtusidade córnea” ou age de “má-fé cínica”.

Anvisa pede alteração em bula da vacina de Oxford para citar coágulo como 'muito raro

 por Natália Cancian | Folhapress

Anvisa pede alteração em bula da vacina de Oxford para citar coágulo como 'muito raro'
Foto: Fernando Vivas/GOVBA

Após decisão da agência europeia, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou ter pedido à AstraZeneca alterações na bula da vacina de Oxford, que também é produzida no Brasil pela Fiocruz. O objetivo é incluir uma advertência sobre possíveis casos muito raros de formação de coágulos sanguíneos que podem estar associados ao uso da vacina.

A medida ocorre após casos como esses terem sido relatados em alguns países da Europa. Agências locais, porém, têm frisado que a recomendação de uso da vacina ainda está mantida e que os registros são muito baixos frente ao total de doses aplicadas.

Posição semelhante é reforçada pela Anvisa em comunicado emitido nesta quarta-feira (7).

No documento, a Anvisa mantém a recomendação de continuidade da vacinação com o imunizante de Oxford, "uma vez que, até o momento, os benefícios superam os riscos". Diz ainda que as ocorrências em investigação no mundo são "extremamente raras".

"A vacinação é efetiva na prevenção da Covid-19, reduzindo o risco de hospitalizações e mortes", completa.

Segundo a agência, a alteração na bula deve ser incluída no item "advertências e precauções". O objetivo é frisar o alerta sobretudo a profissionais de saúde.

Mais cedo, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) divulgou que passou a considerar acidentes vasculares raros relatados em pessoas que tomaram a vacina de Oxford/AstraZeneca como um "efeito colateral possível" do imunizante.

Em conjunto com a medida, a agência europeia frisou a recomendação de que o produto deve continuar a ser usado para prevenir casos graves de Covid-19 e mortes provocadas pelo coronavírus, já que os benefícios superam largamente os riscos do efeito colateral.

Em geral, o registro e a investigação de possíveis casos suspeitos de eventos adversos é comum a vacinas e medicamentos, e intensificada sobretudo quando há produtos novos, como as vacinas contra a Covid.

No Brasil, os casos são registrados no VigiMed e seguem para investigação.

Segundo a Anvisa, dentre 4 milhões de doses aplicadas da vacina de Oxford por aqui, foram registrados até o momento 47 casos suspeitos de eventos adversos tromboembólicos, sendo apenas um associado à trombocitopenia (diminuição do número de plaquetas, que são fragmentos de células que ajudam a coagular o sangue).

O volume é baixo, assim, frente ao total de doses já administradas, frisa a agência. Além disso, ainda não há comprovação de que esses casos tenham relação com o uso da vacina.

"Até o momento, não foi possível estabelecer uma relação direta e de causalidade entre esses 47 casos suspeitos de eventos tromboembólicos e o uso da vacina no Brasil. Também não foram identificados fatores de risco específicos para a ocorrência do evento adverso", informa.

A Anvisa reconhece, no entanto, que pode haver possível associação que precisa ser investigada, daí as medidas de precaução e alerta. A postura é semelhante à adotada por outras agências internacionais.

Ainda de acordo com a agência, "o risco de ocorrência de coágulos sanguíneos é baixíssimo, mas o cidadão deve estar atento a possíveis sintomas para que procure atendimento médico imediato".

Entre eles, estão falta de ar, dor no peito, inchaço na perna e dor abdominal persistente, além de sintomas neurológicos, como dores de cabeça fortes e persistentes ou visão turva, informa.

"Reforça-se que a maioria dos efeitos colaterais que ocorrem com o uso da vacina são de natureza leve e transitória, não permanecendo mais que alguns poucos dias", diz o órgão.

Em nota, a AstraZeneca disse que "tem colaborado ativamente com as agências reguladoras para implementar alterações na bula do produto e já está trabalhando para entender os casos individuais, a epidemiologia e os possíveis mecanismos que poderiam explicar esses eventos extremamente raros".

Antes da divulgação da Anvisa, o grupo de especialistas em risco farmacológico da OMS (Organização Mundia da Saúde) também divulgou uma avaliação nesta quarta, segundo a qual, "com base nas informações atuais, uma relação causal entre a vacina e a ocorrência de coágulos sanguíneos com baixo teor de plaquetas é considerada plausível, mas não foi confirmada".

"São necessários estudos especializados para compreender totalmente a relação potencial entre a vacinação e os possíveis fatores de risco", declarou o grupo.

De acordo com os especialistas, em campanhas extensas de vacinação, é normal que os países identifiquem eventos adversos potenciais. "Isso não significa necessariamente que eles estejam relacionados à vacinação em si, mas devem ser investigados para que questões de segurança sejam tratadas rapidamente", afirmou a OMS.

Bahia Notícias

Corregedor do TJ-BA manda juízes atenderem advogados em 24h

 por Cláudia Cardozo

Corregedor do TJ-BA manda juízes atenderem advogados em 24h
Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

O desembargador Osvaldo Bomfim, corregedor das Comarcas do Interior do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), determinou que os juízes atendam a advogados no prazo de 24h. O pedido foi feito pela seccional baiana Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA).

 

No aviso, o desembargador afirma que os magistrados de entrância inicial e intermediária deverão colocar em prática "mecanismos que permitam o agendamento direto, público e transparente, do atendimento por videoconferência entre os magistrados e os advogados, bem como assegure o retorno aos e-mails enviados no prazo de 24h estipulado pelo Decreto Judiciário nº 358/2020, bem como a disponibilização de horários de atendimento pelos magistrados". O atendimento deverá observar as regras editadas pelo TJ-BA relativas ao funcionamento dos serviços judiciários durante a pandemia do coronavírus.

 

Para o presidente da OAB-BA, Fabrício Castro, a medida, se cumprida, será muito boa para o Judiciário. “Vai ser bom para o tribunal, que terá uma produtividade muito maior; vai ser bom para a advocacia, que vai conseguir trabalhar - a advocacia é indispensável para a administração da Justiça; e ao final será muito bom para o cidadão, que terá o seu direito observado”, declarou Fabrício em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, na Rádio Salvador FM. 

Bahia Notícias

Associações e federações da PF pedem independência e da valorização da corporação

Publicado em 8 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Nos bastidores, chamaram Maiurino de “Nunes Marques da PF”

Luiz Calcagno e Sarah Teófilo
Correio Braziliense

A nomeação do novo diretor da Polícia Federal, Paulo Gustavo Maiurino, repercutiu entre agentes, delegados e associações da corporação. A escolha incomodou grupos de delegados de concursos mais recentes, que apontam que o novo chefe passou muito tempo fora, como assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Nos bastidores, alguns chegaram a chamar Maiurino de “Nunes Marques da PF”, fazendo referência jocosa ao ministro do Supremo nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro. Os mais receptivos destacaram que Maiurino teve experiência como delegado antes de ir para o Supremo e argumentam que o ministro da Justiça, o também delegado da PF Anderson Torres, fez uma escolha por antiguidade, com um membro de turmas de formação de delegados de 1998, e colocou no cargo alguém que tem boa relação com o Judiciário e com o Ministério Público, o que é bom para o entrosamento entre as corporações.

ATUAÇÃO – O novo diretor-geral ocupou cargos de chefia da Interpol e participou como investigador no Mensalão Mineiro, foi corregedor-geral do Departamento Penitenciário Nacional e, além de ter trabalhado junto com Toffoli, atuou nas Secretarias de Segurança Pública de São Paulo, do Rio de Janeiro e do DF. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) divulgaram uma nota parabenizando Maiurino e destacando a trajetória do policial, afirmando que a corporação foi abandonada pelo governo de Jair Bolsonaro.

No texto, a associação e a federação também mandaram recados ao novo diretor-geral. Afirmaram que “se colocam à disposição para ajudar no objetivo de proteger e fortalecer a Polícia Federal”, e que “desejam que sua gestão deixe também como legado uma efetiva atuação que consolide a valorização da instituição e de seus profissionais, que fazem da PF um órgão de excelência reconhecido por todos”.

“Paradoxalmente, tais servidores se sentem hoje abandonados pelo governo, em momento de emergência de saúde pública nacional, diante de reformas constitucionais que injustamente lhes retiram direitos e ameaçam a continuidade da Polícia Federal como órgão forte e capaz de executar suas funções constitucionais”, segue o texto, que também parabeniza o diretor que deixou o cargo, o delegado Rolando Alexandre de Souza.

POLÍCIA DE ESTADO – A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) também divulgou um texto parabenizando Maiurino e mandando alguns recados ao novo diretor-geral. A federação propõe uma reunião com o indicado para “reforçar pontos que entendem como essenciais”. A Fenapef elencou três tópicos: o primeiro deles é que “a Polícia Federal é polícia de Estado, não de Governo”; o segundo, que a instituição “defende o combate incessante à corrupção; e, por último, “entende que o mais importante patrimônio da corporação é o seu componente humano”.

“A Federação Nacional dos Policiais Federais não se furtará à defesa intransigente de todos os policiais federais e da melhoria e independência das investigações no nosso país. Também seguirá na defesa dos interesses da categoria e de todos os integrantes das forças de segurança civis do país, que já foram duramente afetados por reformas anteriores e se veem agora ameaçados pela proposta de reforma administrativa”, afirmou a entidade na nota.

PACIFICAÇÃO – Ao Correio, o presidente da Fenapef, Luís Antônio de Araújo Boudens, defendeu a escolha de Paulo Gustavo Maiurino, lembrou que ele entra em um momento de maior pacificação que o ex-diretor-geral, Rolando Alexandre de Souza, e que a fiscalização é parte do trabalho da federação. “Respeito a escolha da antiguidade para fazer a escolha do nome. Ele (o ministro da Justiça) pegou alguém que não trabalhava necessariamente nas investigações, estava cedido ao STF, mas resgatou um nome anterior, que simboliza um tempo maior de corporação”, destacou.

Boudens lembrou, ainda, que havia, por parte da população, um medo de ingerência do presidente da República na corporação na nomeação de Rolando, o que não se confirmou. “ O Rolando Alexandre fez uma direção discreta. E temos processos internos para fiscalizar (as ações da direção-geral) como entidade representativa. E apesar de o Paulo Maiurino entrar em uma situação melhor, com menos tensão, o nome foi anunciado pelo próprio ministro da Justiça, e isso tirou muito o peso dos ombros dele”, avaliou. “Mas temos que manter essa vigilância para que a PF não passe por nenhum processo de interferência”, disse.

Anistia Internacional: Bolsonaro aprofunda desigualdades durante pandemia

 

A retórica negacionista do presidente Jair Bolsonaro em relação à doença teria agravado ainda mais a situação no País

Anistia Internacional: Bolsonaro aprofunda desigualdades durante pandemia
Notícias ao Minuto Brasil

11:53 - 07/04/21 POR ESTADAO CONTEUDO



A  pandemia de covid-19 aprofundou as desigualdades estruturais do Brasil, exacerbou a crise econômica, política e de saúde pública e virou pretexto para o aumento nas violações de direitos humanos no País. A análise está no Informe 2020/21 da Anistia Internacional "O Estado dos Direitos Humanos no Mundo", divulgado nesta quarta-feira, 7. Segundo o documento, a retórica negacionista do presidente Jair Bolsonaro em relação à doença agravou ainda mais a situação no País.

De acordo com a Anistia Internacional, o governo federal não garantiu o acesso da população aos serviços de saúde. Também não garantiu proteção social aos mais prejudicados pela pandemia. O número de pessoas vivendo na pobreza aumentou para 27 milhões no ano passado. Em 2020, 200 mil pessoas morreram de covid-19 no País.

O Brasil se tornou o epicentro da pandemia, com mais de 13 milhões de casos de covid-19 até a noite desta terça-feira, 6. O enfrentamento da pandemia foi um desafio em todos os países, diz o informe, mas o surto no Brasil foi exacerbado pelas constantes tensões entre autoridades federais e estaduais. Faltaram um plano de ação claro e baseado nas melhores informações científicas disponíveis e transparência nas políticas públicas, diz o relatório.

O impacto foi ainda maior nas comunidades mais empobrecidas e historicamente discriminadas, aponta o informe. São negros, povos indígenas, comunidades quilombolas, populações tradicionais, moradores de favelas e periferias, mulheres, LGBTQIs, migrantes e refugiados, pessoas em situação de rua e em privação de liberdade, idosos, trabalhadores informais.

"A lentidão e a recusa do presidente Jair Bolsonaro em cumprir seu dever de liderar as ações capazes de mitigar os impactos da pandemia e proteger a saúde de brasileiras e brasileiros e a falta de coordenação nacional no enfrentamento da covid-19 levaram o País ao triste índice de milhares de vidas perdidas", afirmou a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck. "Desde o início da pandemia temos insistido que mortes evitáveis têm culpas atribuíveis."

Feminicídios

O isolamento social imposto pela covid-19 contribuiu para o agravamento da violência doméstica. Dados consolidados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelaram que a taxa de feminicídio aumentou em 14 dos 26 Estados brasileiros. O indicador cresceu entre os meses de março e maio de 2020 em comparação ao mesmo período de 2019. No Acre, por exemplo, houve um aumento de 400% nesse índice que mede os assassinatos de mulheres.

"Existe uma pandemia dentro da crise da covid-19, chamada violência de gênero", afirmou Jurema Werneck. "Há 14 anos o Brasil possui a Lei Maria da Penha que prevê a proteção das mulheres, mas ainda convive com números elevados de agressões e mortes. Exigimos o cumprimento integral desta lei e seus mecanismos e a criação de outras medidas para garantir o direito básico das mulheres à vida. As autoridades brasileiras precisam agir urgentemente."

De forma geral, as mortes provocadas pela polícia aumentaram 7,1%, em relação a 2019. Foram 17 óbitos por dia. Pelo menos 3.181 pessoas - 79% das quais negras - foram mortas por policiais entre janeiro e junho.

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão continuou ameaçada no Brasil, Bolívia, Cuba, Uruguai, Venezuela e México, segundo a Anistia Internacional. Autoridades públicas de mais de uma dúzia de países se aproveitaram das restrições adotadas por causa da pandemia para violar direitos de liberdade de associação e de reunião pacífica. Indevidamente, esses direitos foram restritos pela polícia ou pelos militares, com o uso ilegal da força, diz o texto.

"A Anistia Internacional acompanha com preocupação os ataques constantes do presidente Jair Bolsonaro e demais membros do seu governo a jornalistas e parte da sociedade civil organizada", afirmou Jurema Werneck. "Estas atitudes são graves flagrantes de violações de parâmetros internacionais de direitos humanos. Tanto a sociedade civil organizada quanto a imprensa têm papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa."

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Jurista faz três sugestões para melhorar o STF e reduzir a insegurança jurídica


Manoel Gonçalves Ferreira Filho faz críticas ao Supremo

José Carlos Werneck

O jurista Manoel Gonçalves Ferreira Filho, em artigo publicado nesta terça-feira no jornal “O Estado de S. Paulo”, explica, de maneira magnífica, um tema que tem sido muito comentado na mídia brasileira – as decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal.

O eminente professor emérito de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da USP destaca que “entre os fatos relevantes, seja política, seja juridicamente, que têm impactado a vida brasileira de modo profundo, incluem-se decisões monocráticas tomadas por eminentes membros do STF, com base em suas interpretações da Constituição (às vezes personalíssimas). Delas, algumas importam até em construções sutis e elaboradas de caráter doutrinariamente contestável. E, mais, chocam-se não raro com a jurisprudência do próprio Tribunal, tendo a semelhança com incoerência”.

PERPLEXIDADE – E acentua que tais decisões “geram insegurança jurídica, suscitam conflitos com autoridades e, pior, perplexidade entre o povo. Este, cego para sutis construções jurídicas – que às vezes nem juristas compreendem – as vê com espanto e, por ignorância, as suspeitam de atenderem a objetivos que não se enquadram na guarda da Constituição, tarefa cometida pela própria Lei Magna ao STF”.

“À guisa de exemplo, podem-se citar duas que ainda pendem de reapreciação. Ambas contrariando posicionamentos anteriores da Corte e às vezes do próprio prolator. Uma, anulando os processos criminais que condenam importante líder político, já ratificadas por tribunais que já as reviram tanto do ângulo da prova como do direito. Outra, com relação a medidas que podem ou não serem tomadas com relação à pandemia de Coronavírus. Estas, inclusive, põem em causa, a própria estrutura federalista do País”.

VALIDADE – Diz o jurista que “o impacto deriva do fato de que decisões monocráticas dos eminentes Ministros do STF têm força obrigatória até que haja a deliberação do Plenário. E às vezes não vem de pronto” e que “no caso de decisão pela inconstitucionalidade a questão se torna mais grave. Com efeito, para esta é exigido claramente pelo art. 97 da Constituição o apoio da maioria absoluta do Tribunal.

Nele está: “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”.

DOUTRINA AMERICANA – Quanto o que ocorre nos EUA, Ferreira Filho diz: “É o que os mestres americanos chamam da regra do Full bench. E a razão disto é óbvia. A importância das decisões sobre a Lei das Leis não precisa ser exaltada, nem a delicadeza de tais posicionamentos que afetam a vida nacional, assim não pode ficar na dependência da opinião de um só, por ilustrado que seja”.

E que, “sem dúvida pode haver razões relevantes e de urgência – como está no Regimento Interno da nossa Suprema Corte – que justificam a decisão liminar monocrática. Esta decisão – note-se – importa numa decretação – embora provisória, mas de caráter obrigatório para todos os demais Poderes, e suas autoridades, e para os juízos inferiores. Assim atingem a aplicação de leis votadas pelo Legislativo e sancionadas pelo Executivo, sustando a sua aplicação e como consequência afetando a atuação do Executivo. E, dada a estrutura federal do Brasil, elas têm alcance sobre leis e atos dos governos estaduais e municipais”.

“Ocorre, porém, que – como é típico do nosso país – o provisório tende a se tornar definitivo (pois há liminares que já foram editadas há vinte anos e não foram levadas à decisão do Plenário). Ou ao menos a perdurar por longo e longo tempo.”

TRÊS SUGESTÕES – E finaliza o professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho: “Tenho a ousadia trazer a debate algumas alternativas. Uma, drástica, é ficar prescrito que liminar em matéria constitucional tem de ser apreciada pelo Plenário em prazo breve (não ouso estipulá-lo) sob pena de caducar. Se a importância de evitar a violação é urgente, a de eliminá-la de vez também o é”.

“Outra é, numa emenda constitucional, despir-se o STF de competências outras que não as de guardião da Constituição. A Suprema Corte ganharia tempo para exercer sua função principal”.

“A última seria criar-se, como se faz pelo mundo afora, uma Corte constitucional, com a função exclusiva de guarda da Constituição. Isto, sem dúvida, colidiria com nossa tradição, pois tais Cortes têm membros com mandato limitado no tempo e são estes escolhidos, uns pelo Executivo, outros pelo Legislativo e outros tantos pelo Judiciário.”

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