quinta-feira, fevereiro 11, 2021

BC vai ganhar autonomia em relação ao governo, mas continua submisso ao mercado


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Charge do Kayser (Arquivo Google)

Nélson Barbosa
Folha

Há um ano, quando o Senado avaliava a autonomia do Banco Central, escrevi sobre o tema. Desde então, o projeto de lei mudou e volto ao assunto para comentar dois pontos. Primeiro, já disse e reafirmo que sou favorável a mandatos de quatro anos para dirigentes do BC, com nomeações intercaladas no tempo. Já  assim para as demais agências reguladoras.

No caso da autoridade monetária, dado que a proposta em discussão há um ano previa nove membros para o Copom, sugeri que o Presidente do BC começasse sua administração no primeiro ano de cada mandato presidencial, por exemplo, em julho, juntamente com dois diretores.

ERRO DO PROJETO – A mudança parece pequena, mas ela permitiria que, nos dois primeiros anos de cada ciclo político, os representantes eleitos pela população (Presidente e Senadores) renovassem mais de 50% do comando do BC.

A lei aprovada no Congresso prevê início do mandato do Presidente do BC no terceiro ano de cada mandato presidencial. Isto é um erro e prevejo ruídos no início de cada governo, quando o Presidente da República poderá trocar quatro diretores, mas não o Presidente do BC.

Que tipo de ruído? Imagine que os quatro novos diretores votem uma coisa, enquanto o Presidente do BC e os demais quatro diretores votem outra coisa. Já consigo ver manchetes dos jornais de sempre com acusações de sabotagem, “decisão política” e coisas do gênero, sobretudo se o governo eleito for de esquerda. Por isso insisto que é melhor começar cada ciclo de governo com novo Presidente no BC.

SUBMISSÃO AO MERCADO – Segundo ponto e mais importante, muito se fala sobre autonomia do BC em relação aos “políticos”, mas pouco se fala da autonomia do BC em relação ao mercado financeiro.

Em outras áreas da economia, há ampla literatura sobre o risco de captura do regulador pelo regulado. Uma das principais formas de captura é a porta giratória entre mercado e regulador, a nomeação de representantes dos bancos para o BC, que depois voltam para o mercado em cargos mais elevados.

O Brasil é um caso clássico de porta giratória no BC, basta ver de onde vieram e para onde foram vários membros do Copom nos últimos 30 anos. Como resolver isto? A solução não é proibir que pessoas do mercado assumam cargos no BC, pois isso privaria o Brasil de ótimos profissionais.

QUARENTENA CURTA – A solução é diminuir o incentivo para que nomeação para o BC sirva de trampolim para recompensas posteriores por agentes regulados pelo BC. Uma maneira de fazer isso é ampliar a quarentena após a saída do BC, hoje de apenas seis meses.

O Banco Central Europeu adota quarentena de 3 anos para cargos de alto escalão. No Brasil, dado o histórico de mão dupla entre BC e Faria Lima, acho que precisamos ir mais longe: ex-membros dirigentes do BC devem ficar proibidos de trabalhar para o mercado financeiro por período equivalente ao que trabalharam no BC.

Sei que a medida é dura, mas isto faria com que o BC fosse comandado por profissionais experientes em fim de carreira, uma espécie de “Supremo Tribunal Monetário”, em vez de estágio para jovens economistas turbinarem currículo.

BLINDAGEM CONJUNTA – Por fim, como apontou a Professora Julia Braga (Universidade Federal Fluminense), se autonomia é vista como forma de blindar o BC de pressões políticas, também seria bom que dirigentes do BC evitassem emitir juízo de valor sobre decisões fiscais do Presidente e do Congresso.

Vários analistas corretamente chiam quando o Presidente da República fala de juros, mas o oposto não ocorre quando membros do Copom dão opinião sobre política fiscal. A blindagem deve ser nos dois sentidos.

PF faz operação em SP e mira em operador investigado por receber pagamento em contas no exterior


PF informou que serão bloqueados R$ 5,2 milhões dos alvos

Isabela Leite, Pedro Borges e Pedro Brodbeck
G1 / GloboNews

A Polícia Federal (PF) cumpre, na manhã desta quinta-feira, dia 11, cinco mandados de busca e apreensão pela 80ª fase da Operação Lava Jato. Esta fase, segundo a PF, investiga pagamentos offshore de U$ 1 milhão. A TV Globo apurou que o alvo é o empresário Cláudio Mente.

Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba. Dois mandados são cumpridos em São Paulo e outros dois em Pindamonhangaba. A PF informou que também serão bloqueados R$ 5,2 milhões dos alvos.

GAECO – Esta fase, segundo a PF, é um desdobramento da 23ª fase da Lava Jato, que, em 2016, prendeu o marqueteiro João Santana, a esposa dele Mônica Moura e o engenheiro Zwi Skornicki, que era representante oficial no Brasil do estaleiro Keppel Fels.  É a primeira fase da Lava Jato desde que a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) passou a integrar o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Um dos alvos da operação, segundo a PF, recebeu pagamentos de cerca de U$ 1 milhão de um representante de um estaleiro estrangeiro, em 2013, por meio de uma empresa offshore em um paraíso fiscal. De acordo com as investigações, o pagamento aconteceu a pedido de João Vaccari Neto, então tesoureiro do PT.

DESTINO DO DINHEIRO –  Segundo a PF, a investigação tem como objetivo esclarecer os motivos pelos quais os pagamentos foram efetuados e rastrear a destinação do dinheiro no Brasil. O empresário Claudio Augusto Mente chegou a depor em 2015 na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão após acusação de ter pagado propina a dirigentes do Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. A acusação foi feita pelo advogado Carlos Alberto Pereira da Costa.

De acordo com Carlos Costa, teriam sido pagos R$ 3 milhões em propina a dirigentes do Petros em troca da compra, pelo fundo, de R$ 13 milhões em créditos da Indústria de Metais do Vale (IMV).

Claudio negou as acusações na época e disse que informou que nos últimos anos nunca teve qualquer relação com fundos de pensão. Mente explicou que participou da estruturação financeira de fundos de pensão entre 1986 e 1997.

Aras envia à Corregedoria do Conselho do MP pedido de investigação contra procuradores da Lava-Jato de Curitiba


Solicitação foi feita pelo presidente do STJ, Humberto Martins

Paulo Roberto Netto
Estadão

O procurador-geral da República Augusto Aras encaminhou à Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pedido de investigação contra procuradores da Lava Jato. A solicitação partiu do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, que pediu apuração sobre suposta intenção da força-tarefa de Curitiba em conduzir uma investigação ilegal contra ministros da Corte.

Em ofício enviado a Aras na sexta-feira passada, Martins pedia a Aras que o CNMP investigasse a conduta do ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e o procurador Diogo Castor de Mattos após conversas da dupla serem divulgadas pela emissora CNN Brasil.

MOVIMENTAÇÃO PATRIMONIAL – As conversas mostram suposta intenção dos procuradores de investigar, sem autorização, a movimentação patrimonial de ministros do STJ. A conversa faz parte do pacote de mensagens apreendidas na Operação Spoofing, e cujo acesso foi autorizado à defesa do ex-presidente Lula (PT) pelo Supremo Tribunal Federal.

Na conversa, Deltan escreve: “A RF [Receita Federal] pode, com base na lista, fazer uma análise patrimonial, que tal? Basta estar em EPROC [processo judicial eletrônico] público. Combinamos com a RF”, escreveu Deltan para, em seguida, emendar: “Furacão 2”. O procurador Diogo Castor de Mattos, que integrava a força-tarefa na ocasião, respondeu Deltan: “Felix Fischer eu duvido. Eh um cara serio (sic)”.

‘Furacão 2’ seria uma referência à operação Furacão, deflagrada em abril de 2007 e que atingiu o então ministro do STJ Paulo Medina, denunciado por integrar um esquema de venda de sentenças judiciais.

AVALIAÇÃO – O pedido de investigação de Humberto Martins foi recebido por Aras, que encaminhou a solicitação ao corregedor do CNMP, Rinaldo Reis, a quem caberá avaliar se há elementos suficientes no caso para justificar a abertura de um procedimento interno contra Deltan e Castor de Mattos.Em nota, a Corregedoria Nacional do Ministério Público afirmou que está analisando a representação movida por Humberto Martins e que ainda não há manifestação sobre o caso.

Na segunda, 8, os procuradores da Lava Jato enviaram ofício ao STJ informando que as mensagens não seriam autênticas e que a divulgação delas busca ‘criar factóides’ para ‘criar artificialmente um ambiente de irregularidades e ilegalidades’ com fim ‘sensacionalista’.

ARGUMENTO –  Uma cópia do documento também foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Corregedoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público. “Se fossem verdadeiras as alegações de supostas ilegalidades, seriam facilmente constatáveis nos respectivos autos”, argumentam.

No entanto, a denúncia diz que a operação ocorreu de forma extrajudicial, sem a comunicação com as instâncias superiores. Sobre isso, os procuradores dizem que uma investigação nesses termos seria ‘ilógica’: “pois esvazia a justiça que se busca, além de inútil, pois constituiria um mau emprego de tempo e recursos investigativos escassos. Além, claro, de sujeitar os seus autores às consequências legais”.

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

Dois casos mais do que imoral praticado pela comissão de licitação.



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Nota da redação deste Blog - Observem os prepostos do prefeito tentando justificar o injustificável, bem como a tentativa de distorcer o que determina a lei:
" Considerando, ainda, o disposto no art. 55 da Lei nº. 9.784/99 Lei de Processo Administrativo da União, que autoriza a convalidação, pela própria Administração, de atos em que se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, nos quais sejam constatados apenas defeitos sanáveis.".
Em primeiro lugar essa licitação é uma fraude, além disso já nasce morta, pois a Comissão de Licitação é Composta por três servidores Comissionados, quando a lei não permite.

Outra ilegalidade, a proprietária da Lanchonete que fornece as marmitas é genitora da Secretária; observem a seguir o que diz a Lei, a Constituição e o TCU; porém, esse é um caso para os vereadores e o Ministério Público.

O artigo 9º, III, da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações e Contratos) veda a participação de empresas que tenham sócios, dirigentes ou empregados com parentesco com agentes públicos do órgão ou ente contratante, até o terceiro grau, ainda que a contratação seja realizada por meio de credenciamento. Também é vedada a participação de empresa que tenha vínculo com dirigente ou servidor integrante da unidade responsável pela licitação, ou com qualquer servidor que, de acordo com a autoridade administrativa competente, tenha poder de influência sobre o certame.

Essas vedações incidem sobre servidores públicos efetivos, temporários ou comissionados; e aplicam-se também na hipótese de contratação direta, inclusive nos processos de credenciamento mediante inexigibilidade de licitação.

A proibição incide mesmo quando o servidor do órgão ou entidade contratante figurar como mero sócio cotista, sem poderes de administração, e ainda que não seja responsável pela prestação direta do serviço; e também na hipótese em que o servidor seja responsável pela prestação do serviço contratado, mesmo sem constar no quadro societário da empresa contratada.

A contratação direta por inexigibilidade ou dispensa deverá ser justificada expressamente pelo gestor. Portanto, caso escolha a modalidade de dispensa, prevista no artigo 24, IV, da Lei nº 8.666/93, o gestor deverá demonstrar de maneira objetiva a existência de situação emergencial ou de calamidade pública e que a contratação é necessária para evitar a ocorrência de prejuízo concreto a pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares. (https://m.tce.pr.gov.br/noticias/noticia.aspx?codigo=7197)

Até que enfim uma jovem de um bairro de Jeremoabo de forma corajosa exerce seu direito de cidadania, defendo sua vida e dos demais que ficam calados

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Milagres também acontecem em Jeremoabo principalmente nesse tempo de COVID-19.

Uma jovem de um simples bairro do subúrbio de Jeremoabo, indignada com um ato irresponsável do vice-prefeito, verdadeiro atentado contra a saúde púbica e, por tabela a vida humana, exerceu seu direito de cidadania, em sua legitima defesa e demais cidadãos residentes em Jeremoabo, que mesmo em quarentena, corre risco de contrair o coronavírus, cujos portadores  são aqueles que causam aglomeração, e o pior, sem máscara.   desrespeitando o decreto do Governador, do proprio prefeito e infringindo o Código Penal; caso de polícia.

Será que esses são os representantes que tanto o povo desejava?

"Muitos copos , abraços, bebida no gargalo, narguile, pegação.
Chega em casa, daquele jeito!
Vai na geladeira bem louco e dá aquele gole bem servido e cheio de saliva no gargalo da garrafa de água.
Come e joga o prato na pia, toma um banho, vai dormir.
Mãe e pai acordam, pegam na maçaneta, na torneira, lavam os pratos e talheres.
Usam o mesmo banheiro.
Logo o pai ou a mãe começam a tossir, passam mal - o filho vem no Facebook pedir oração.
Os pais não aguentam; agonizam e morrem.
Postagens de luto :
"Meu herói",
"Minha rainha"
"Mais uma estrela no céu".
Um enterro rápido e sem dignidade.
Fim.
Fatalidade ?
Pense nisso. É muito fácil culpar apenas as autoridades; cada um de nós tem seu papel nestes tempos sombrios."

Nazaré: Ex-prefeito é denunciado por causar prejuízo de quase R$ 320 mil


Nazaré: Ex-prefeito é denunciado por causar prejuízo de quase R$ 320 mil
Foto: Reprodução / Infosaj

O ex-prefeito de Nazaré, no Recôncavo, Milton Rabelo de Almeida Júnior, foi acusado pelo Ministério Público do Estado (MP-BA) de causar um prejuízo de quase R$ 320 mil aos cofres da prefeitura. Os casos ocorreram entre 2013 e 2018 quando Milton Rabelo esteve à frente da gestão. Segundo o promotor de Justiça Leandro Ribeiro Oliveira, o ex-gestor teria renunciado, de forma indevida, a receitas municipais por meio de cobrança ineficiente da dívida ativa municipal e de não recolher multas impostas a agentes públicos determinadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) no exercício de 2016.

 

A ação se baseia nos relatórios do TCM que rejeitou as contas do prefeito nos anos de 2014, 2015 e 2016. Ainda conforme o promotor, os quase R$ 320 mil não recolhidos poderiam ter sido aplicados na “implementação de políticas públicas que beneficiariam toda a sociedade de Nazaré e que representa, concretamente, o dano ao erário passível de ressarcimento aos cofres públicos”.

 

Na ação, o promotor afirma que Milton Rabelo foi advertido, sucessivamente, pelo TCM sobre a presença de irregularidades na prestação de contas, mas seguiu sem adotar qualquer providência. 

Bahia Notícias

Ex-prefeitas de Barra do Rocha e Uruçuca terão que devolver mais de R$ 190 mil, decide TCE


Ex-prefeitas de Barra do Rocha e Uruçuca  terão que devolver mais de R$ 190 mil, decide TCE
Foto: Reprodução / TCE-BA

A ex-prefeita de Uruçuca, no Litoral Sul, teve as contas de um convênio firmado junto à Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), desaprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). De acordo com o órgão, o convênio firmado destinava-se a pavimentação de um bairro da cidade.

 

O TCM informou que a ex-prefeita Fernanda Santos da Silva, além de uma devolução de cem mil reais aos cofres públicos, ainda terá que pagar multa no valor de R$ 2 mil, em razão da não comprovação dos recursos recebidos e de outras falhas apontadas pelos relatórios auditoriais na prestação de contas da quarta parcela convenial.

 

Já a ex-prefeita de Barra do Rocha, na região do Sudoeste Baiano, foi condenada a devolver aos cofres públicos a quantia de R$ 93.690,60 e a pagar multa sancionatória de R$ 2 mil, devido às irregularidades apontadas pelos auditores na execução do convênio 051/2014.

 

O Convênio firmado entre a então prefeita Vera Lúcia Franco Ramos Costa, também com a Conder, tinha por o objetivo a pavimentação de vias em paralelepípedos com drenagem superficial. Na sessão desta quarta-feira (10), os conselheiros  aprovaram a expedição de recomendação à Conder para que atenda o prazo de 180 dias para o envio de processos de tomada de contas.

Bahia Notícias

Com Lira no comando da Câmara, PT aposta no centrão para abrir CPMI da Lava Jato


Com Lira no comando da Câmara, PT aposta no centrão para abrir CPMI da Lava Jato
Foto: Magno Romero

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acesso às mensagens trocadas entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato, petistas no Congresso começaram a recolher assinaturas para instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A CPMI visa investigar a Lava Jato.

 

Segundo a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, esse é um sonho antigo que petistas acreditam que vão concretizar diante das sinalizações que receberão do centrão. O grupo agora tem um de seus representantes, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), no comando da Câmara.

 

Além disso, na semana passada, o líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), disse que a Lava Jato prendeu Lula para tirá-lo da eleição. Barros também foi alvo da operação.

Bahia Notícias

Efeito coronavírus: Municípios de São Paulo deixaram de arrecadar R$ 3 bilhões em 2020, aponta TCE


Maioria das prefeituras não elaborou plano de contingência de gastos

Deu no Estadão

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo fez um levantamento com as prefeituras paulistas e identificou que as arrecadações dos 644 municípios ficaram aquém dos R$ 125 milhões estimados inicialmente para os 12 meses do ano. Mais de R$ 3,6 bilhões deixaram de entrar nos cofres das cidades localizadas no interior, litoral e região metropolitana de São Paulo no exercício de 2020.

A análise não abarcou a capital, porque ela não é fiscalizada pelo TCE-SP. Os dados se referem ao período de 1º de janeiro a 31 de dezembro do ano passado. De acordo com levantamento, as arrecadações dos municípios paulistas atingiram, juntas, o montante de R$ 122.243.799.879,13.

PLANO DE CONTINGÊNCIA – O número está aquém dos R$ 125.844.324.994,97 estimados inicialmente. Mesmo com a situação de queda de arrecadação, estado de calamidade pública e reflexos econômicos causados pela pandemia, a maior parte dos municípios (78,57%) não elaborou plano de contingência orçamentária. Por outro lado, 95,34% das prefeituras editaram decreto de calamidade pública ou de estado de emergência por conta da crise sanitária.

Um total de 73,31% dos municípios declarou que não realizou estimativa de impacto sobre o equilíbrio orçamentário e financeiro para a abertura dos créditos adicionais destinados às despesas urgentes e imprevisíveis.

RESERVA – Apesar de 61,65% das prefeituras terem declarado que não realizaram medidas de contingenciamento de gastos em face da queda na arrecadação, 96,74% das administrações afirmaram ter reservas de contingência (ou seja, para eventos incertos que possam ocorrer no futuro) no orçamento de 2020, somando mais de R$ 711 milhões.

Ao todo, 42,38% dos municípios fiscalizados pelo TCE-SP também afirmaram que fizeram uso da reserva de contingência prevista para o último ano, totalizando R$ 258.387.566,00. Desse montante, R$ 55.610.220,95 foram destinados ao enfrentamento da pandemia da Covid-19.

CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS – Das 644 prefeituras fiscalizadas pelo Tribunal de Contas, 41,30% informaram que abriram créditos extraordinários no período analisado. Dos mais de R$ 2,38 bilhões, cerca de R$ 2 bilhões foram abertos exclusivamente para o enfrentamento da pandemia.

Os municípios paulistas empregaram R$ 4,9 bilhões, repassados pelos governos Estadual e Federal, no enfrentamento da COVID-19. De janeiro a dezembro, as cidades receberam R$ 4,8 bilhões, dos quais R$ 4,34 bilhões vieram da União. O restante, R$ 542 milhões, foi destinado pelo Tesouro Estadual.

‘Impeachment se faz com 14 milhões na rua, não com carreata’, diz Kalil, prefeito de BH


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Alexandre Kalil defende o isolamento e o uso de máscaras

Fernanda Canofre
Folha

Mesmo com a retomada das atividades não-essenciais em Belo Horizonte, depois de uma nova suspensão de três semanas em janeiro, a porta principal da prefeitura segue fechada. Reeleito em primeiro turno em 2020, confirmando as pesquisas que apontavam distância folgada para os demais adversários, Alexandre Kalil (PSD) conta que segue a mesma rotina do início da pandemia, indo de três a quatro vezes por semana ao gabinete e mantendo distanciamento social.

“Estou fazendo o que estou pedindo ao povo para fazer. Não entro em avião, bar, restaurante, não viajo, não tirei férias”, diz ele à Folha, sentado a uma distância de três metros em uma sala da prefeitura, o que permitiu que tirasse a máscara.

MENOS MORTES – A decisão de segurar o comércio fechado por mais tempo que outras capitais acarretou em críticas a Kalil durante a campanha eleitoral, mas garantiu um desempenho melhor que da maioria na pandemia: com 2,5 milhões de habitantes, a capital mineira tinha 2.369 mortes até a sexta-feira (5).

Durante a entrevista de cerca de uma hora, feita logo após a primeira reunião com os líderes da nova legislatura da Câmara Municipal, na terça-feira, Kalil falou sobre a gestão da pandemia, os governos Romeu Zema (Novo) e Jair Bolsonaro (sem partido), impeachment e eleições de 2022.

BH reabriu o comércio depois de quase três semanas fechado, devido aos índices da pandemia. O senhor avalia fechar novamente?
Sempre. Eu peguei os meses quentes do comércio, o Natal, antecipei o 13º e os salários em novembro, para que o comércio se aquecesse mais ainda, mas com distanciamento. Quando chegou janeiro, todo mundo voltou [das praias] e os índices de contaminação [subiram]. A pandemia é matemática, ela não é só problema de virologia.

O senhor não realizou evento para marcar o início da vacinação em BH, nem participou de agenda com o governador Zema relacionada às vacinas. Foi na contramão da maioria dos mandatários. Por quê?
Primeiro, por temperamento, eu sou meio avesso. Eu não inaugurei nenhuma obra que eu fiz, e não fiz poucas. Não tenho mérito nenhum na vacina. Não paguei por ela, eu ganhei. A vacina é do João Doria (PSDB), ele pagou, investiu. Não estou fazendo apologia a ele, mas o pai da CoronaVac é São Paulo.

E quando chegar a hora de o senhor se vacinar?
Eu quero fazer uma vacinação pública. Aí sim. Porque é uma questão de mostrar que vacinar não é problema, é um ato institucional até para a população mal informada, mas que mostrou que confia no líder, pela votação que eu tive.

Durante a pandemia, o governador Zema fez críticas duras às medidas adotadas em Belo Horizonte, chegou a dizer que era ‘um ponto fora da curva’. Como o senhor vê essas críticas?
Você acha que fechar a cidade dá ganho político para alguém? É só ele raciocinar um pouquinho. Foi muito desgastante. A grande surpresa que eles tiveram, que não sabiam, nem eu, nem ninguém, é qual seria o resultado do fechamento da cidade na urna.

No início da pandemia, o senhor publicou no Twitter que teve uma conversa com o governador, por telefone, e que não teria sido cumprido o acordo de vocês sobre fechamento das atividades. Depois disso, vocês voltaram a se comunicar?
Não, os prefeitos foram chamados, eu fui lá, como todos. O governo serve para a prefeitura para fazer convênio, dar dinheiro. Aqui é ele que está me devendo. Vou fazer o que lá, tomar café? Eu tenho aqui. Amigo novo não vou fazer, porque eu tenho 60 anos. Foi instalado o gabinete do ódio lá. Eu tinha uma relação cordial com ele, aí arrumou meia dúzia de assessores que me viram como inimigo número 1 do governador.

Como o senhor avalia o governo Zema?
O governo está quebrado, não fez uma reforma administrativa, não paga servidor em dia. Desde o Fernando Pimentel [PT] é o mesmo governo. Não mudou nada.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) publicou no Twitter um trecho da participação do senhor no programa Roda Viva, no fim de 2020, onde o senhor fala sobre fechar a cidade, e o chamou de ‘belo projeto de ditador’. O presidente Jair Bolsonaro usou o mesmo termo, no fim de janeiro. Como o senhor avalia a sua condução da pandemia?
Eu não tenho tempo de ficar brincando de Twitter. Ele quer falar de Belo Horizonte? Quando a cidade foi destruída pela maior chuva da história, ele veio com o AeroLula aqui, posou com o governador e ministros, falando em R$ 1 bilhão. Largou R$ 7 milhões aqui, e a reconstrução da cidade custou R$ 200 milhões, bancada unicamente pela prefeitura. “Eu sou contra fechar”. Temos 230 mil provas que tem que fechar, que tem que usar máscara.

O senhor chegou a receber Bolsonaro em BH, antes de ele ser candidato, mas apoiou Ciro Gomes (PDT) em 2018. Como o senhor avalia o governo dele?
Eu apoiei o Ciro, no primeiro turno, porque o achava mais bem preparado, e fiquei neutro no segundo turno. Estou esperando a entrega [do que o governo prometeu], porque não entregaram nada. Pauta econômica, tributária, desemprego, está certo que tem a pandemia, tem que dar um desconto. Se entregar o que prometeu, vai ser reeleito, se não entregar, vai perder eleição para qualquer um.

O senhor é a favor do impeachment? BH é uma das capitais que teve carreata recente a favor.
Não, não sou a favor. Impeachment se faz com 14 milhões de pessoas na rua, não com uma carreata. Nós não temos 14 milhões de pessoas na rua — e Deus me livre, com essa pandemia. Hoje não vejo clima, não vejo condição. Quando se fala em impeachment, vira um pandemônio o país. Nós estamos falando em alimentar quem está passando fome. Temos que olhar esse plano de dar cesta básica, um cartão, ajuda para esse pessoal que está abaixo da linha da pobreza.

Por que o senhor não apoiou Bolsonaro nem no segundo turno?
Trinta anos de vida pública, né? ‘Eu não vou te estuprar porque você é muito feia’, isso não se fala nem com uma cadela. Isso é uma frase que me marcou profundamente. Durante a campanha, ‘posto Ipiranga’. Pô, tem que estudar um pouco economia, uai.

E a posição dele sobre a ditadura militar?
Um golpe igual o de 1964 não é construído do dia para a noite. Quando tiraram o Jango, eu estava de calça curta. Eu vim conhecer o golpe com o Elio Gaspari, naqueles livros que ele escreveu. Conhecer o que foi, por que, onde, o que era DOI-Codi. No colégio, não podia ensinar, porque estávamos vivendo o regime militar. Eu vim entender a revolução depois que ela acabou.

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