segunda-feira, janeiro 11, 2021

Fux garante STF “vigilante” para que Brasil não repita episódio semelhante à invasão do Capitólio nos EUA


Fux disse que “não há democracia sem respeito às instituições”

Deu no Correio Braziliense

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, garantiu que a Corte, “como guardiã da democracia constitucional, permanecerá vigilante para que a situação registrada nos EUA no último 6 de janeiro jamais ocorra no Brasil”.

A afirmação foi feita em artigo publicado no jornal O Globo deste domingo, dia 10. Segundo ele, o Judiciário tem papel essencial, porque cabe a esse poder ser o garantidor do cumprimento das leis e da Constituição. “Não se pode hesitar em cumprir essa missão”, escreveu Fux.

RESPEITO – O presidente do Supremo disse que “não há democracia sem respeito às instituições”, – sendo elas do Judiciário, do Legislativo, do Executivo ou mesmo as privadas -, e afirmou que qualquer líder que busque subjugá-las, “concentrando e abusando do poder a ele concedido pelo voto, deve sofrer imediata reação da imprensa livre, da sociedade crítica e dos demais poderes constituídos”.

“Vitórias eleitorais não representam carta-branca para desígnios individualistas ou decisões arbitrárias. O governo é das leis e não dos homens”, disse o ministro no artigo. “Preservaremos a democracia a qualquer custo”, concluiu.

Vale lembrar que, um dia após os fatos ocorridos nos Estados Unidos, quando extremistas invadiram a sede do Legislativo americano para interromper a confirmação da eleição naquele país, o presidente Jair Bolsonaro voltou a levantar dúvida sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e a pressionar pela instituição do voto impresso.

“PROBLEMA PIOR” – Na ocasião, sem citar diretamente o ataque ao Capitólio por uma multidão pró-Donald Trump na quarta-feira, Bolsonaro afirmou que o modelo eletrônico pode levar o Brasil a ter um problema pior que os EUA. “Se nós não tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos”, disse o presidente.

Também sem apresentar nenhuma prova, Bolsonaro repetiu que houve fraude nas eleições americanas. “O pessoal tem que analisar o que aconteceu nas eleições americanas agora. Basicamente qual foi o problema, causa dessa crise toda? Falta de confiança no voto. Então lá, o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatro vezes, mortos votaram, foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí”, disse Bolsonaro. “E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 2022, vai ser a mesma coisa. A fraude existe”, completou o presidente brasileiro.

E o Brasil esqueceu hoje os 80 anos de Gérson Nunes, o eterno “canhotinha de ouro”…

Publicado em 11 de janeiro de 2021 por Tribuna da Internet

DIA DE CRAQUE! Hoje, o Gérson Canhotinha... - FOX Sports Brasil | FacebookVicente Limongi Netto

Vergonha! A crônica esportiva, impressa e digital e analistas esqueceram de saudar os 80 anos de vida do cerebral meia Gerson Nunes, o canhotinha de outro do tricampeonato mundial de 1970.

Todas as homenagens ao Gerson ainda seriam poucas, pelo muito que fez pelo futebol brasileiro.  Pobre país onde os legítimos ídolos são esquecidos e tratados de forma triste e melancólica, por aqueles que deveriam ter o dever e a gratidão de enaltecê-los.  

SEM SUBSTITUTO – Até hoje, é incrível, Gerson ainda não encontrou substituto. Não encontrou tanto nos clubes, nem na Seleção penta campeã do mundo. Gerson, também conhecido como “Papagaio”, enxergava o jogo como ninguém.

Dentro de campo, com maestria, orientava o time e  alterava o posicionamento de determinado companheiro, para fugir da forte marcação homem a homem, do adversário e facilitando a penetração e a alternância de jogadas de outros colegas.  

Gerson tinha visão de jogo e conhecimento tático. Hoje, como comentarista da rádio Tupi, analisa o jogo com igual precisão. Tem canal no Youtube e página no Instagram. Critica e elogia com autoridade e respeito. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A amizade entre Limongi e Gerson, abrangendo suas famílias, é mais do que conhecida. O famoso craque e comentarista é uma exemplo de vida que Limongi não cansa de exaltar, nessas décadas de relacionamento. São grandes textos que tem escrito sobre Gérson, coisas que vêm do coração.

Também sou amigo do craque. Durante vários anos, trabalhamos juntos todos os domingos, na antiga TVE do Rio. Conversávamos muito no restaurante do hotel ao lado, onde rolava um chope. Detalhe: Gerson não bebia.

É impressionantemente modesto. Certa vez, numa roda de amigos, eu lhe disse que, depois dele, não apareceu nenhum armador igual. Ele me cortou na hora, citando Zenon, do Palmeiras. Todos caímos na gargalhada, inclusive o próprio Gerson e o ex-goleiro do Cruzeiro, Raul Plassmann, que era comentarista da emissora e participava das conversas. Realmente, Zenon foi um grande craque, o melhor armador do país na época, mas não era a mesma coisa do que Gerson. (C.N.)



Somadas, dez maiores cidades brasileiras perdem R$ 2,4 bilhões no orçamento neste ano


Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Dimitrius Dantas e Gustavo Schmitt
O Globo

A lenta recuperação da atividade econômica prevista para 2021 vai gerar um ano de caixa mais apertado para algumas das principais capitais brasileiras. Com a incerteza da continuidade da ajuda financeira do governo federal, que tem problemas com seu próprio orçamento, prefeituras de cidades como Rio, São Paulo, Curitiba, Salvador, Recife e Manaus preveem um desafio ainda maior neste ano do que em 2020 para enfrentar a queda de arrecadação.

Somadas, as dez maiores capitais do país aprovaram nas câmaras municipais um orçamento para 2021 com R$ 2 bilhões a menos do que o previsto para o ano passado. As dúvidas de gestores municipais sobre entrada e saída de recursos são aprofundadas pela pandemia.

INCERTEZA – Embora a possibilidade de início da vacinação ainda neste mês seja um alento, são incertos o ritmo das campanhas de imunização e seu impacto na queda de óbitos e casos do novo coronavírus — fator considerado crucial para uma retomada consistente da economia.

Em São Paulo, por exemplo, o número de novos diagnósticos e o de mortes por Covid-19 aumentaram 30% na primeira semana epidemiológica do ano. E, segundo especialistas, ainda está por vir o impacto das aglomerações no final de ano.

A maioria das cidades cujo orçamento foi analisado pelo O Globo recebeu em 2020 aportes do governo federal para o combate à pandemia. Em Manaus, onde há estimativa de queda de 10% nas receitas, o orçamento para 2021 não prevê os aportes federais. Curitiba, Recife e Salvador também enviaram ao Legislativo orçamentos menores que o de 2020. As duas últimas, assim como Fortaleza, têm entre suas principais fontes de receitas o turismo, setor muito afetado pela pandemia.

DÉFICIT – “As perdas vão continuar, o mesmo valendo para as despesas específicas com a pandemia. E não há dúvida de que serão os recursos próprios da Prefeitura que terão que suportar o déficit resultante. Já começamos o ano contingenciando orçamento porque temos como regra de ouro o equilíbrio fiscal”, afirma o chefe da Casa Civil de Salvador, Luiz Carreira.

Em algumas capitais, o impacto da redução do orçamento é sentido em áreas específicas. Em São Paulo, um dos setores mais afetados foi o Fundo Municipal de Desenvolvimento Social. Em 2020, a prefeitura planejou despesas de R$ 2,9 bilhões. Neste ano, o valor caiu para R$ 1,1 bilhão. A quantia planejada para “proteção à população em situação de vulnerabilidade” caiu de R$ 250 milhões para R$ 8 mil.

Segundo o secretário da Fazenda da capital paulista, Guilherme Bueno de Camargo, a redução decorre da perspectiva de frustração de receitas. Os últimos meses pré-pandemia indicaram arrecadação média diária de R$ 10 milhões, mas, devido à crise, reduziu-se significativamente, chegando a um piso de R$ 2,9 milhões.

REFLEXOS – “A pandemia teve reflexos nas receitas do município e na necessidade da alocação extraordinária de recursos em áreas como a Saúde, que terá orçamento R$ 328 milhões maior que o previsto no Orçamento de 2020. As áreas de Urbanismo, Habitação e Transporte são as que sofreram maior retração em 2021”, afirma.

Para compensar o corte, a gestão de Bruno Covas (PSDB) espera avançar na concessão de equipamentos públicos para aumento de receitas, casos do Vale do Anhangabaú, do Autódromo de Interlagos, do espaço de eventos Anhembi e do Serviço Funerário. A maioria dessas concessões é promessa da gestão anterior de João Doria, mas ainda não foram concluídas por Covas.

“HERANÇA” – No Rio, a nova gestão de Eduardo Paes (DEM) já arcou com uma despesa não prevista de R$ 2,8 bilhões, em sua primeira semana, para pagar o salário de dezembro e o 13º de 198 mil servidores. Segundo o secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Pedro Paulo, a cidade precisa honrar cerca de R$ 5 bilhões em restos a pagar com fornecedores. Além disso, a dívida com a União, BNDES, Caixa e o Banco Mundial soma outros R$ 15 bilhões, que a gestão atual trabalha para renegociar.

A gestão anterior, de Marcelo Crivella (Republicanos), aumentou gastos com pessoal, ultrapassando no segundo quadrimestre de 2020 o limite máximo de 54% da receita corrente líquida. O déficit da Previdência carioca é de R$ 1 bilhão. “Temos que melhorar a arrecadação, mas sem aumentar imposto. Vamos lançar mão de uma série de medidas para gerar receitas extraordinárias, como a venda de imóveis e renegociações de contratos “, afirma Pedro Paulo.

Mesmo em cidades que preveem aumento de receitas, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Goiânia, há incerteza e preocupação com os números. Na capital gaúcha, a gestão do prefeito eleito Sebastião Melo (MDB) crê que o orçamento terá R$ 1 bilhão a menos do que os R$ 8,6 bilhões que constam na lei orçamentária aprovada na gestão anterior, cujo valor é considerado “superestimado”. “Vamos iniciar o ano com uma política de contingenciamento”, diz o secretário de Fazenda, Rodrigo Fantinel.

Suspensão de mensagens de Trump se tornou solução e armadilha para redes sociais


 miram posts de Trump no dia das eleições - RENOVA Mídia

Twitter e Facebook serão questionadas pelos adeptos de Trump

Carlos Affonso de Souza
Portal UOL

Trump foi feito para as redes sociais. Fala com frases curtas, respeitando limite de caracteres. Provoca adversários como um verdadeiro troll. Cria memes de si mesmo. Engaja seguidores com várias publicações ao dia. Seu estilo de governar se moldou e foi moldado pelas redes.

Ao banir indefinidamente Donald Trump, o Twitter não vai fazer muitos amigos. Apoiadores do presidente vão dizer que é uma censura sem precedentes, ainda mais com a atuação confusa depois do banimento, apagando posts e contas que pretendiam se passar por Trump. Um grande whack-a-mole, com a empresa correndo atrás para apagar uma postagens só para logo em seguida ela aparecer em outro lugar.

HIERARQUIA -Mesmo no espectro contrário ao Trump vai ter muita gente criticando o Twitter pelo banimento, questionando a legitimidade de grandes empresas de tecnologia para decidir o que um presidente pode ou não falar nas plataformas. Empresas estariam acima de Estados?

São pelo menos duas armadilhas que o Twitter criou para si mesmo com o banimento do Trump: 1) a empresa vai ter que inventar uma forma de impedir que ele volte via outras contas e isso agrava o debate sobre liberdade de expressão; e 2) vai ter que seguir a mesma lógica com outras autoridades.

O Twitter inovou ao detalhar os motivos do banimento do Trump oferecendo uma interpretação dos conteúdos que levaram ao resultado. Mas como tudo na vida, quando você expõe os argumentos também é aberto o debate para que outros questionem a sua interpretação.

CONTEXTO IMPORTA – O episódio também revela que contexto importa. Se não fosse pela invasão do Capitólio esses dois tuítes que levaram ao banimento seriam apenas mais duas falas com a retórica de sempre de Trump. Mas lidos como a continuidade de um enfrentamento que pode ficar violento, a empresa resolveu adotar uma medida inédita

Vamos esperar que o banimento de Trump não vire mais um caso de “excepcionalismo americano”. É claro que os acontecimentos nos EUA geram atenção global, mas agora que o gênio está fora da lâmpada, vai ser importante ver como o Twitter aplica o mesmo racional para outros líderes.

Podemos esperar uma cobrança ainda maior em cima das plataformas por transparência e coerência na aplicação das suas regras de moderação de conteúdo agora que a solução mais drástica foi usada com Trump. A temporada de aplicação esotérica e assistemática dos termos de uso acabou.

QUESTIONAMENTOS – Banir Trump acabou sendo ao mesmo tempo uma solução e uma armadilha para as redes sociais, que passarão a ser questionadas à luz das medidas que adotaram nessa semana.

Mais um elemento a unir umbilicalmente Trump e as redes sociais. Mesmo que em algumas delas ele nem lá mais esteja.

Após ataques ao Capitólio, extremistas pró-Trump organizam novos atos para a posse de Joe Biden


Mais de 100 pessoas foram detidas por invasão da última semana 

Deu no O Globo

Enquanto os Estados Unidos lidam com a repercussão política da invasão do Capitólio, no último dia 6, aliados do presidente Donald Trump se organizam para realizar novos atos para coincidir com a posse de Joe Biden, em 20 de janeiro.

Até o momento, mais de 100 pessoas já foram detidas por participarem da invasão de quarta-feira — entre elas, o adepto do QAnon que usou chapéu de pele e chifres e o homem fotografado com o púlpito da presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Cada vez mais tóxico, por sua vez, Trump se vê prestes a enfrentar mais um processo de impeachment.

AMEAÇA – Nada disso, no entanto, parece intimidar os grupos fiéis ao presidente, que prometem que nada será capaz de pará-los daqui a 10 dias. O líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, disse neste domingo que a ameaça de grupos extremistas permanece alta quatro dias após o ataque.

“A ameaça de grupos violentos extremistas continua alta e as próximas semanas são críticas para o nosso processo democrático com a cerimônia de posse do presidente eleito, Joe Biden, e da vice-presidente eleita, Kamala Harris, no Capitólio”, ele disse, afirmando ter conversado com o diretor do FBI, Christopher Wray para pedir que a agência continue e buscar e prender os invasores.

À RFI, o ex-diretor-adjunto do FBI Frank Figliuzzi disse que a facilidade para invadir a sede do Legislativo parece ter feito com que os grupos pró-Trump se sentissem “invencíveis” — para além de demonstrar força, é uma forma de atrair novos seguidores.

“SEM PIEDADE” – Em fóruns e sites pró-Trump, manifestantes prometem “liberar o país sem piedade” e “não deixar os comunistas vencerem”. Há semanas, organiza-se um ato chamado por seus organizadores de “Marcha dos Milhões de Milícias”, para o dia 20. Eventos também são marcados para os dias anteriores:

“Nós recusamos a ser silenciados”, dizia uma postagem levantada pelo Grupo Alethea, que trabalha no combate à desinformação, em uma análise desta semana que levantou diversas postagens deste tipo. “Marcha armada no Capitólio e em todos os Capitólios estaduais em 17 de janeiro”, dizia outra.

No Twitter, a expressão “enforquem Mike Pence”, o vice-presidente dos EUA, chegou a figurar entre os assuntos mais comentados um dia após a expulsão de Trump da rede social por incitação à violência.

SINAL VERDE – Um dos últimos posts de Trump antes de ser banido da plataforma foi afirmar que não comparecerá à posse de Biden, algo visto por muitos como um sinal verde para que o evento seja mirado por seus aliados. Ele será apenas o quarto presidente americano a faltar à posse de seu sucessor — a última vez que isto ocorreu foi em 1869, com Andrew Johnson.

Diante do afastamento do presidente do Twitter e do Facebook, seus defensores aceleraram uma já corrente migração para o Parler, rede social que se apresenta como uma alternativa à “liberdade de expressão”. Há meses, a plataforma capitalizava em cima da raiva crescente, atraindo grupos de direita conforme as redes sociais tradicionais intensificavam o combate à desinformação. Foi lá que a invasão do Capitólio foi, em parte, orquestrada.

REMOÇÃO – Na sexta, a Apple e o Google removeram a plataforma de suas lojas de aplicativos, afirmando que não havia moderação suficiente sobre a postagem de usuários, muitas das quais incentivavam a violência. No sábado, a Amazon anunciou que tirará o Parler de seu serviço de hospedagem, devido a repetidas violações das regras, possivelmente deixando-a fora do ar.

 Na busca ativa pelos invasores, a polícia anunciou no sábado a prisão de três das figuras mais marcantes dos episódios do último dia 6. Jacob Anthony Chansley, conhecido como Jake Angeli, o homem fotografado sem camisa e com chifres na cabeça, é acusado de “entrar ou permanecer intencionalmente em um prédio ou terreno restrito sem autoridade legal e por entrada violenta e conduta desordenada nas instalações do Capitólio”.

O homem se descreve como um “soldado digital” da teoria de conspiração QAnon, que acredita que a pedófilos satanistas controlam o Partido Democrata e as principais instituições dos EUA. Outro preso foi Adam Johnson, cidadão da Flórida que foi fotografado acenando pelo Congresso com o púlpito da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, nas mãos. Richard Barnet, o homem fotografado com os pés da mesa da líder democrata, também foi preso na semana passada

Bolsonaro confundiu autoridade com popularidade, por isso é cada vez menos respeitado


A Charge do Dia | eliomar-de-lima | OPOVO+

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

William Waack
Estadão

Entre um país que está quebrado (Bolsonaro, na terça) ou que está uma maravilha (Bolsonaro, na quarta) há uma enorme diferença. Ela é igual ao tamanho da perda de credibilidade de quem faz essas afirmações de forma tão inconsequente. Um presidente que se gaba num dia de ter poder para quase tudo, e no outro declara que não pode nada.

Por achar que para governar bastava ser engraçadinho com a claque à qual se dirige na porta do Alvorada – além de animador de auditórios virtuais –, Bolsonaro arriscou a credibilidade e perdeu a autoridade.

INCAPACIDADE – Do ponto de vista formal (do relacionamento entre os poderes, por exemplo), a autoridade do presidente já vinha sendo encurtada desde o primeiro dia de mandato pela incapacidade dele de liderar e se articular frente ao Legislativo e ao Judiciário.

Em outras palavras, a caneta do presidente tem menos tinta hoje do que há dois anos. Mas a autoridade política, subjetiva, se deteriorou mais rápido ainda com a pandemia. Uma coisa é ser falastrão diante de desafios da política, como os de levar adiante reformas estruturantes, desatar os nós da economia, derrubar o governo da Venezuela, peitar os críticos internacionais das políticas ambientais, prometer maravilhas e por aí vai.

Outra coisa completamente diferente é ser falastrão diante de uma crise sanitária sem precedentes na memória de qualquer geração atual, em escala planetária. Cabe não confundir autoridade com popularidade, embora em ocasiões uma coisa tenha influência sobre a outra.

EM CRISE AGUDA – A autoridade de Bolsonaro que foi embora é preciosa: é aquela atribuída a quem se confia ser capaz de ajudar a resolver uma crise aguda de vida ou morte para milhares de pessoas.

Ao tratar assuntos (pandemia), pessoas (adversários políticos), instituições (chefes de outros poderes), eventos externos (eleições em outros países) com declarado desprezo ou desrespeito, pelos fatos e pela ciência, o presidente brasileiro em boa parte incentivou a atmosfera atual, na qual a ele se dá pouco respeito. De novo, estamos diante de um fator político difícil de quantificar, mas palpável: a ridicularização do personagem político, como acontece hoje com Bolsonaro, é um indício claro de perda de autoridade.

Dela ele precisará bastante se for capaz – há uma aparente unanimidade no mundo político de que ele não será – de proceder às difíceis escolhas que tem pela frente para, por exemplo, equilibrar as contas públicas ao mesmo tempo garantindo uma renda mínima e uma alta taxa de investimentos.

NAS MÃOS DO CENTRÃO – Bolsonaro vacilou diante de qualquer decisão abrangente até aqui, uma característica detectada pelo apurado olfato das feras do Centrão, em que está depositada no momento o que existe de autoridade política do presidente.

Não se pode criticar políticos, como Bolsonaro, que confundem índices de popularidade com autoridade. De fato, é difícil governar sem uma ou sem outra, em qualquer lugar. São fatores reais no mundo da política. Da mesma maneira, não se pode condená-los simplesmente pelo comportamento tão normal assumido por eles, que é aderir ao curto prazo deixando a visão de longo alcance para um eterno “depois”.

Bolsonaro sacrificou autoridade em busca de popularidade efêmera e volátil. Corre o gravíssimo risco de acabar ficando sem as duas.

Presidente do STJ mantém prisão de 'quase-cônsul' e de outros investigados na Faroeste


por Cláudia Cardozo

Presidente do STJ mantém prisão de 'quase-cônsul' e de outros investigados na Faroeste
Foto: Divulgação

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, manteve a prisão preventiva do “quase-cônsul” Adailton Maturino, da esposa dele, Geciane Maturino, da desembargadora Maria do Socorro, do juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, do advogado Márcio Duarte Miranda e do ex-servidor do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Antônio Roque do Nascimento Neves. Eles foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) na 1ª fase da Operação Faroeste. A decisão é do último sábado (9). 

 

Durante o plantão do último final de semana, o MPF requereu com urgência a reavaliação da necessidade da manutenção da prisão dos denunciados a cada 90 dias, conforme previsto no Código de Processo Penal (CPP). A prisão preventiva havia vencido no dia 6 de janeiro deste ano. Diante disso, a ex-presidente do TJ, desembargadora Maria do Socorro havia pleiteado a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar.  

 

O presidente do STJ ressaltou que em outras decisões proferidas durante o recesso do Judiciário tem sido adotada a mesma linha de entendimento do ministro Og Fernandes, relator das ações penais contra os investigados na Faroeste. O ministro vem negando todos os pedidos de conversão das prisões preventivas.  

 

A Operação Faroeste investiga organizações criminosas envolvidas em vendas de sentenças, corrupção, lavagem de dinheiro através de desembargadores, juízes, servidores e advogados em conluio com produtores rurais do oeste baiano. De acordo com Humberto Martins, o processo já conta com mais de 17 mil folhas, e mesmo assim, a ação penal tramita com celeridade. “Não há, portanto, que se falar em excesso de prazo. Além disso, permanecem incólumes os fundamentos que ensejaram a decretação da prisão preventiva de cada custodiado, conforme relatado, de maneira individualizada, pelo MPF”, disse na decisão.  

 

O presidente do STJ salienta que, no pedido do MPF, é apresentado diálogos entre Geciane e Adailton Maturino, junto com contadores, em que planejam produzir contratos de empréstimo fictícios, com datas retroativas, para dar legalidade a transferências de R$ 14 milhões. O ministro frisa que ainda está em andamento na Corte Especial o julgamento das revisões das prisões preventivas dos denunciados. Sobre a condição sanitária dos presídios, Martins afirma que os locais são monitorados com frequência e que a saúde dos custodiados vem sendo observada por órgãos competentes. Os denunciados estão detidos no presídio da Papuda, em Brasília, e em Lauro de Freitas. 

Bahia Notícias

Coronel defende que deputados não deixem Executivo interferir em eleições na AL-BA


por Bruno Luiz

Coronel defende que deputados não deixem Executivo interferir em eleições na AL-BA
Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

O senador Angelo Coronel (PSD-BA) defendeu na manhã desta segunda-feira (11) que a escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) seja feita somente pelos deputados estaduais, sem interferência do Poder Executivo.

 

A fala do parlamentar é em referência ao imbróglio que envolve os partidos PP e PSD, que integram a base do governador Rui Costa, mas protagonizam uma disputa pelo cargo. O confronto tem como origem um acordo celebrado pelo petista com as duas siglas, em dezembro de 2018. Para evitar um bate-chapa envolvendo as legendas, ele foi avalista do seguinte trato: Nelson Leal assumir a presidência da Casa pelo PP no biênio 2019-2020; Adolfo Menezes seria o substituto no cargo, pelo PSD, entre 2021 e 2022. O problema começou quando Leal passou a articular a reeleição dele, em descumprimento ao acordo, o que gerou reclamações do PSD. 

 

Sem conseguir levar à frente a reeleição de Leal, o PP não largou o osso e lançou a candidatura de Niltinho para concorrer ao cargo. Com receio de um racha devido ao confronto, Rui entrou em campo para conseguir um nome de consenso entre as siglas, que receberia o apoio de toda a base aliada.

 

A postura, no entanto, indica a mudança de posicionamento do petista. Em setembro, ele defendeu publicamente o cumprimento do acordo com o PSD (relembre). Recentemente, prometeu ao PP, nos bastidores, isenção caso houvesse disputa entre os partidos (veja aqui).

 

Ex-presidente da AL-BA, Coronel afirmou que uma interferência do governador afetaria a independência que o Legislativo precisa ter em relação ao Executivo. 

 

“Quando eu fui candidato à presidência, fui candidato dos deputados. Nelson Leal também. Espero que a decisão no dia 1º de fevereiro seja uma decisão dos deputados. Eu sei que as lideranças tentam influenciar. Acredito que os deputados vão ouvir, mas ainda coloco que a independência dos poderes é essencial. Se o Parlamento deixa de ser independente e passa a ser um apêndice do Poder Executivo, ele tende a ficar mais desmoralizado do que já é no Brasil”, afirmou o senador em entrevista ao “Isso é Bahia”, programa da rádio A TARDE FM em parceria com o Bahia Notícias.

 

O parlamentar, entretanto, evitou defender enfaticamente a candidatura de Adolfo Menezes, que é do seu partido. A postura vai na contramão de correligionários seus, como o presidente da sigla na Bahia, Otto Alencar. Em entrevistas à imprensa, ele reivindica o cumprimento do acordo selado em dezembro de 2018, o que colocaria o PSD no comando da AL-BA novamente. 

Bahia Notícias

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