domingo, janeiro 10, 2021

É uma imoralidade que pessoas com dinheiro tenham acesso à vacina antes, diz sanitarista


Brasil ainda está na pandemia, não podemos descuidar,” afirma médico  sanitarista Gonzalo Vecina Neto | Brasil 61

Vecina Neto diz que faixas de risco devem ter prioridade

Cláudia Collucci
Folha

O anúncio de que o setor privado negocia a compra contra a Covid-19 tem dividido os especialistas em saúde entre os que veem a medida como benéfica ao SUS e os que a consideram uma “imoralidade” dentro do contexto de uma pandemia que já matou quase 200 mil pessoas e diante da escassez de doses.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, 67, professor de saúde pública da USP, afirma que, numa sociedade tão desigual quanto à brasileira, é uma “imoralidade” as pessoas com dinheiro possam ter acesso à vacina contra a Covid-19 nas clínicas privadas, antes dos usuários do SUS.

Para ele, uma parceria ética seria que o setor privado atuasse dentro das mesmas regras organizadas por uma política pública, priorizando os mesmos grupos mais vulneráveis.

 “Mas não é essa a proposta que está aí. A proposta é pegar gente que, do meu ponto de vista, estaria na posição número 30 [no grupo de prioridades para a vacina] e colocar na posição número 1. Isso não é parceria. Isso é inominável”.

Qual o risco de as clínicas privadas oferecerem a vacina contra a Covid-19 para um público que pode pagar por elas?
O maior risco é o moral mesmo. É uma imoralidade as pessoas que têm dinheiro terem acesso à vacina antes das pessoas que não têm dinheiro numa sociedade tão desigual como a nossa. As pessoas podem dizer: “ah, mas isso é galinha morta; no Brasil, é assim mesmo”. Só que é uma galinha morta no meio de uma pandemia onde os nervos estão muito mais expostos, onde a gente tem que tomar muito mais cuidado para que essa pandemia não produza mais desigualdade ainda. Nós sabemos que temos filas que andam diferente para tudo na saúde, exceto o transplante, para o qual há uma única fila rigorosamente seguida para ricos e pobres. Agora, a fila do tratamento do câncer, a fila da cirurgia cardíaca, a fila da cirurgia ortopédica, nenhuma é igual para quem tem dinheiro e para quem não tem dinheiro. Quem tem dinheiro é tratado antes, e nós ignoramos isso.

O que seria diferente então neste momento? 
Ter uma fila independente, que anda com velocidade diferente, no meio de uma pandemia, é imoralidade. Do ponto de vista comercial, numa economia liberal, tudo bem. Mas, no meio de uma pandemia, é eticamente insustentável. A sociedade vai ter capacidade de fazer a sua crítica a essa fila não ética. A gente tem que buscar formas de diminuir o nível de desigualdade na nossa sociedade. A própria pandemia já mostrou desigualdade no acesso ao tratamento e desigualdade na mortalidade. Nós sabemos que quem morre mais é preto, analfabeto e pobre. Esse é o perfil da mortalidade. Mas isso não afeta uma sociedade que está anestesiada para invisibilidade dessas diferenças. Porém, é diferente quando você diz: aqui é a fila da vacina para quem tem R$ 2.000 e aqui é a fila da vacina que não sabemos como é nem quando começa. Isso é grave.

Por que a sociedade não está mobilizada contra essas desigualdades na pandemia?
Por um lado, há um certo anestesiamento da sociedade. Por outro, tem um clima de salve-se quem puder. Não me interessa quem se salvará desde que eu esteja na primeira fila. É uma sociedade pouco civilizada. Eu não consigo enxergar uma coisa dessas acontecendo na Europa. No entanto, aqui no Brasil, isso é quase uma normalidade. Tenho certeza de que algumas pessoas vão dizer que estou falando bobagem: ‘Como o Gonzalo, uma pessoa de bom senso está contra isso, que parece tão positivo’. Ou seja, dar a vacina para quem eu conseguir dar e não para quem deve receber. Mas essa é a regra de uma sociedade não civilizada, que a gente tem que evitar. É a regra da imoralidade, é não ética.

Há um vácuo por parte do governo federal no enfrentamento da pandemia. Essa parceria com o setor privado não poderia ser uma saída no momento em que nem vacina há?
Uma coisa é uma parceria. O que é uma parceria? Eu pego parte do que eu tenho que fazer e passo para você. E você vai fazer a parte do que eu tenho que fazer como eu faria. Mas não é essa a proposta que está aí. A proposta é pegar gente que, do meu ponto de vista, estaria na posição número 30 [no grupo de prioridade para ser vacinado] e colocar na posição número 1. Isso não é parceria. Isso é inominável.

Qual seria uma saída para uma parceria ética?
Uma parceria ética seria você aplicar as vacinas que vou dar para você aplicar, com as mesmas regras que eu vou usar. Você só vai aumentar a velocidade. Por exemplo, posso pegar todas as farmácias do Brasil e distribuir vacina para que elas apliquem em quem estiver na ordem para tomar aquela vacina, naquele momento. Isso pode ser feito. A cooperação com a iniciativa privada é fantástica. Existem formas de fazer isso por meio da solidariedade, organizadas por uma política pública para que não sejam criadas mais desigualdades.

Como sr. avalia esse momento em que as políticas públicas de saúde estão tão fragilizadas? O que pode ser feito?
Estamos vivendo um desastre total. Aí o Ministério Público tem que se manifestar. A falta de política pública é um crime público, um crime contra o ordenamento jurídico. [Saúde] é dever do Estado e direito do cidadão executado através de políticas públicas. Está lá no artigo 196 da Constituição, depois da vírgula do direito e do dever. Precisa existir essa manifestação do Ministério Público. É preciso exigir que o Estado cumpra seu papel ou que se troque o Estado.

Do ponto de vista epidemiológico, há alguma justificativa que possa amparar a participação do setor privado na oferta da vacina?
Do ponto de vista epidemiológico, é insustentável a vacinação na rede privada neste momento da pandemia. É fundamental que a gente consiga alcançar a imunização de forma coletiva. Do jeito que está sendo proposto, há o coletivo, mas o coletivo não faz parte da ordem de prioridades.

Bolsonaro frustra o MDB no Senado e vai apoiar Rodrigo Pacheco, indicado por Alcolumbre


PSD anuncia apoio a Rodrigo Pacheco, do DEM, à presidência do Senado -  05/01/2021 - UOL Notícias

Até agora, Pacheco é o único candidato a presidir o Ssnado

Julia Lindner
O Globo

Nesta sexta-feira, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PE), que é pré-candidato ao comando da Casa, foi ao Palácio do Planalto e saiu da conversa com o presidente Jair Bolsonaro sem um compromisso em relação ao MDB. Assim, Após três partidos anunciarem apoio ao senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência do Senado, o MDB derrapa nas tentativas de conter novas alianças do seu principal adversário. 

Em outro revés, o líder do partido no Senado, Eduardo Braga (AM), que também almeja o cargo, procurou senadores do PT para pedir que adiassem um possível acordo com o DEM, mas não convenceu.

ESTÁ FECHADO – De acordo com aliados do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), Bolsonaro deixou claro desde o fim do ano passado que apoiaria o candidato escolhido por ele. Na avaliação de pessoas próximas a Alcolumbre, Bolsonaro manteve a sua palavra ontem durante a conversa com Bezerra.

Pacheco também conta com a simpatia do senador Flávio Bolsonaro (RJ). Na sexta-feira, o Republicanos, partido de Flávio, anunciou apoio a ele. Com isso, o candidato do DEM já possui o endosso do PSD (11 senadores), Pros (3) e Republicanos (3). A tendência é que, nos próximos dias, ele também receba apoio de siglas como PDT, PT e PL. Somadas ao DEM, se votassem sem traições, as legendas garantiriam a maioria necessária (41 votos) para a vitória do candidato.

EFEITO MANADA – Foi justamente o apoio do PSD, segunda maior bancada do Senado, no início da semana, que acendeu um alerta entre os emedebistas. Até então, a previsão era que eles só anunciassem o seu candidato no fim do mês, como é tradição na legenda, mas a decisão deve ser antecipada para a próxima quarta-feira.

Para tentar conter um efeito manada antes mesmo da definição do candidato do MDB, o líder da bancada atuou para que o PT não anunciasse na última quinta-feira o apoio ao DEM. Braga convidou a bancada para uma conversa ontem e pediu para que aguardassem a escolha do MDB, mas não teve sucesso. O anúncio deve ser feito nesta segunda-feira.

CÁLCULO PETISTA – Na visão dos petistas, o MDB está muito dividido, o que atrapalha. Além disso, eles gostam do perfil de atuação de Alcolumbre, mesmo diante da sua proximidade com o governo. Calculam ainda que apoiar o candidato do DEM com antecedência vai garantir maior poder de negociação por espaço em comissões e na Mesa Diretora.

O senador Humberto Costa (PT-PE) avalia que, apesar do pleito de Braga para que adiem a decisão, dificilmente a legenda vai mudar a data:

“Infelizmente Braga não pôde anunciar o candidato, pois a reunião do MDB vai ser ainda na quarta-feira. Ele falou mais como líder do que como candidato, então tinha uma limitação nesse discurso. Mas Braga colocou que, caso ele fosse escolhido, iria pela defesa da independência, do Estado de Direito. Foi conversa boa”.

QUATRO CANDIDATOS – Maior partido da Casa, com 13 senadores, o MDB está decidido a lançar candidatura própria. Entre os cotados estão Eduardo Braga, Simone Tebet (MS), Fernando Bezerra, e o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO). A sinalização de Bolsonaro de apoio a Pacheco, entretanto, favorece os nomes que mantém um distanciamento maior do Planalto, como Simone e Braga, que poderiam surgir como uma alternativa.

A bancada do Podemos, com nove senadores, deve se aliar ao PSDB, que tem sete, para firmar uma posição até o dia 15. A tendência é apoiar o MDB, mas isto dependerá da definição do candidato do partido.

Neste cenário, Simone Tebet pode se beneficiar, já que ela mantém boa relação com o movimento Muda Senado, que tem diversos membros do Podemos, e também circula bem no PSDB. Há, ainda, a possibilidade de a decisão ser ampliada para um bloco com Rede, Cidadania e PSL.

PP SEM DEFINIÇÃO – Já o PP, que possui sete senadores, sinalizou simpatia por Pacheco, mas só deve tomar uma decisão a partir do dia 11 de janeiro.

O presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), chegou a tentar um acordo com o MDB em troca do apoio ao candidato da legenda, Arthur Lira (AL) na Câmara, mas Baleia Rossi (MDB-SP) acabou lançando a sua candidatura na outra Casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Por enquanto, o que há é muita especulação. Se o MDB tiver juízo e lançar Simone Tebet, pode ganhar a eleição e assim o Brasil terá a primeira senadora na presidência do Senado. Vamos aguardar. (C.N.)

sábado, janeiro 09, 2021

Piada do Ano ! Governo enviou SMS até para presos cobrando devolução do auxílio emergencial


Governo chamou a ação de “estratégia de comunicação ativa”

Marcelo Parreira
G1 / TV Globo

Servidores públicos civis e militares, aposentados e até presos do regime fechado receberam mensagens de texto do governo, no fim de dezembro, pedindo a devolução de parcelas do auxílio emergencial recebidas indevidamente.

Ao todo, 1,2 milhão de beneficiários irregulares foram contatados nos dias 21 e 22 de dezembro. As informações constam de documentos do Ministério da Cidadania a que a TV Globo teve acesso. Até a noite desta sexta-feira, dia 8, a pasta ainda não tinha informado o número de pessoas que efetivamente devolveram o dinheiro, nem explicado por que enviou mensagens a detentos do regime fechado.

“DEVOLUÇÃO VOLUNTÁRIA” – A lista de pessoas que tiveram benefício cancelado e, em seguida, foram acionadas por SMS para fazer a “devolução voluntária” inclui: 119.688 aposentados ou beneficiários do INSS; 5.929 servidores públicos civis; 4.453 servidores públicos militares; 3.401 presos em regime fechado.

Todas essas condições deveriam impedir o recebimento do benefício, de acordo com as regras do programa. Responsável pela gestão do auxílio, o Ministério da Cidadania não explicou como pessoas que constam na própria folha de pagamentos da União tiveram os cadastros autorizados.

A TV Globo também questionou o governo sobre os benefícios pagos a presos em regime fechado e, também, sobre a lista de contatos telefônicos utilizada pelo ministério para enviar mensagens a esse grupo. O governo ainda não respondeu.

RANKING – A maioria dos cancelamentos – quase 600 mil – estava associada a pessoas com emprego formal. Em seguida, aparecem no ranking 320 mil beneficiários com renda familiar mensal superior ao teto para recebimento do benefício (meio salário mínimo por pessoa e três mínimos ao todo).

A lista conta ainda com beneficiários de seguro-desemprego ou seguro-defeso (93.032), donos de veículos e embarcações de alto valor (54.768) e dois políticos com mandato eletivo – os nomes não constam no documento obtido pela TV Globo. Há, inclusive, casos em que uma mesma pessoa descumpriu dois ou mais pré-requisitos para acessar o auxílio emergencial, mas recebeu o dinheiro mesmo assim.

Em um dos documentos obtidos pela TV Globo, o ministério reconhece que, mesmo utilizando 16 bases de dados do governo federal, não conseguiu evitar que os cadastros irregulares fossem efetivados. “No processo de verificação de elegibilidade e concessão do benefícios são utilizadas cerca de 16 bases de dados de registros administrativos do Governo Federal, e ainda, outras bases de dados, disponibilizadas por órgãos de Controle Interno e Externo da Administração Pública”, diz o texto.

CANCELAMENTOS –  Ao todo, os documentos do Ministério da Cidadania apontavam em novembro o cancelamento do benefício para 3,85 milhões de pessoas, todos “passíveis de ações de recuperação dos recursos financeiros pagos indevidamente”. O número incluía 1,23 milhão de integrantes do Cadastro Único que, nas bases do governo, não estavam associados a “dados consistentes” de números de telefone. Por isso, apenas os outros 2,62 milhões poderiam ser contatados por mensagem de celular.

Segundo o Ministério da Cidadania, se todos estes beneficiários devolvessem pelo menos uma parcela do auxílio recebido irregularmente, a arrecadação superaria R$ 1,57 bi. Mesmo assim, nem todos esses beneficiários receberam mensagens.

O governo tirou da lista, por exemplo, pessoas que receberam o auxílio por conta de decisões judiciais, que já haviam devolvido voluntariamente os recursos ou que tiveram as parcelas devolvidas automaticamente por não terem feito saques em até 90 dias. Ao fim, as mensagens foram enviadas apenas para 1,2 milhão de pessoas, com dois textos diferentes escolhidos aleatoriamente.

“ESTRATÉGIA” – As mensagens de celular foram uma tentativa do governo de recuperar os recursos sem partir para a cobrança formal. O ministério recorreu ao que chamou de “estratégia de comunicação ativa”, pedindo a “devolução voluntária” dos recursos. E reconheceu a existência de riscos na estratégia “experimental”.

“É possível que algumas pessoas – por não entender a natureza da mensagem –, acionem a justiça contra a União, alegando dano moral ou constrangimento. Tais iniciativas teriam pouco efeito, pois o envio de SMS não se trata de ação de cobrança e há possibilidade de contestação administrativa”, diz uma das notas que embasaram a estratégia.

COMO DEVOLVER –  Quem recebe o benefício indevidamente, sem se enquadrar nos critérios do governo, pode responder criminalmente pela infração. A medida está prevista no art. 2º da Lei n.º 13.982/2020, segundo o Ministério da Cidadania.

Em maio, o governo federal lançou um site para facilitar a devolução do Auxílio Emergencial: devolucaoauxilioemergencial.cidadania.gov.br. Ao acessar o sistema com o CPF, o usuário pode gerar uma Guia de Recolhimento da União (GRU) para ser paga nos canais de atendimento do Banco do Brasil ou em qualquer outro banco.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A atrapalhada ação governamental é mais uma piada pronta. Não houve o mínimo de organização no pagamento que poderia ter feito cruzamento de informações evitando que muita gente graúda recebesse indevidamente o auxílio emergencial. Agora, o governo, por meio de sua “estratégia de comunicação ativa”, apela para que os marotos devolvam a grana espontaneamente. A turma encarcerada, por exemplo, que conseguiu dar o golpe, deve estar morrendo de rir. (Marcelo Copelli)

Citado em investigações de fraudes e delação, Baleia Rossi diz que já foi tudo arquivado


Crédito: Cristiano Mariz

Candidatura de Rossi está crescendo e ameaça Bolsonaro

Marcelo Rocha
Folha

Após uma operação desbaratar uma quadrilha acusada de desviar mais de R$ 200 milhões da Prefeitura de Ribeirão Preto, o Ministério Público de São Paulo compartilhou com a PGR (Procuradoria-Geral da República) informações sobre suspeitas contra o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), hoje candidato à presidência da Câmara.

A PGR enviou essas informações a um inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que tramita sigilosamente na corte desde 2018. Sob a relatoria do recém-empossado ministro Kassio Nunes Marques, o inquérito está atualmente em fase de diligências.

SUSPEITAS – Nos últimos cinco anos, esse foi um dos casos em que Baleia, familiares ou uma empresa ligada aos Rossi tiveram os nomes mencionados em suspeitas levantadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Houve referências na Lava Jato e na delação premiada de Joesley Batista e executivos da holding J&F, controladora da JBS.

As informações enviadas à PGR fazem parte da Operação Sevandija, que mirou fraudes em licitações da Prefeitura de Ribeirão Preto. As investigações começaram a partir de suspeitas de direcionamento de contrato para o fornecimento de catracas a serem instaladas em escolas.

Após as menções a seu nome nos autos da Sevandija, Baleia recorreu ao STF para que a documentação da operação fosse enviada à corte em 2017, levantando a tese de que a competência do tribunal estaria sendo usurpada pela Justiça de São Paulo.

ROSSI RESPONDE – Por meio da assessoria de imprensa, o deputado Baleia Rossi afirmou que nenhum valor ilícito foi recebido por ele, como sugeriu planilha apreendida em poder de empresário alvo da Operação Sevandija, de 2016, que apurou fraudes em contratos da Prefeitura de Ribeirão Preto.

Baleia disse que o empresário investigado era figura pública em Ribeirão Preto, mas que eles nunca foram amigos, “nunca tiveram negócios nem sequer se reuniram” e que nunca fez indicações para o preenchimento de cargos na administração local.

Sobre as citações no bojo da Operação Alba Branca, que investigou a máfia da merenda em São Paulo, Baleia disse que, a pedido da PGR, o Supremo arquivou o caso.

DELATOR NEGOU – “Nos autos, o único delator Cássio Chebabi negou, em mais de um depoimento, qualquer participação de Baleia Rossi nos episódios. Infelizmente, o caso tem sido usado para manchar a sua imagem”, afirmou a defesa do congressista.

A nota afirma ainda que o marqueteiro Duda Mendonça, em sua delação, em nenhum momento envolveu o deputado. Duda disse que uma empresa ligada à família Rossi, a Ilha, recebeu valores da Odebrecht referentes à filmagem da campanha de Paulo Skaf ao Governo de São Paulo, nada tendo a ver com Baleia Rossi.

Sobre as menções em outra delação, a da JBS, a defesa do deputado afirmou que Joesley já apresentou três versões distintas sobre um suposto pagamento e nenhum elemento de prova. “Não obstante, o deputado nega ter recebido valores ilegais ou irregulares”, diz a resposta enviada à Folha.

A favor do voto impresso, Bolsonaro já defendeu, e muito, a “informatização” das eleições para combater fraudes


Bolsonaro agora questiona credibilidade do sistema eleitoral

André de Souza
O Globo

Antes de passar a defender publicamente a volta do voto impresso e a levantar suspeitas, sem provas, sobre a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro chegou a defender a “informatização” das eleições, como mecanismo para combater as fraudes. A defesa foi feita em 1993, quando era deputado federal e as urnas eletrônicas em todo o território nacional ainda eram uma realidade distante.

Nos últimos seis anos, no entanto, Bolsonaro elaborou propostas — enquanto congressista — a favor da reimplantação do voto impresso e passou a associar — enquanto candidato e presidente — o modelo brasileiro à possibilidade de fraudes, tese jamais comprovada.

“PROBLEMA PIOR” – Na quinta-feira, ao tratar da invasão do Congresso americano por apoiadores do presidente Donald Trump, Bolsonaro afirmou que o Brasil poderá viver um “problema pior”, caso o voto impresso não seja retomado até 2022. Veja abaixo a cronologia de manifestações de Bolsonaro sobre o assunto ao longo de quase trinta anos.

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HISTÓRICO DAS DECLARAÇÕES DE BOLSONARO

1993

Quando o voto ainda era de papel, Bolsonaro defendeu a informatização para evitar fraudes. Segundo a edição de 21 de agosto de 1993 do “Jornal do Brasil”, Bolsonaro, que estava ainda em seu primeiro mandato como deputado federal, disse em um encontro no Clube Militar: “Esse Congresso está mais do que podre. Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos e só serão computados 3.000.”

2015

Quando ainda era deputado, foi um dos autores de propostas reintroduzindo o voto em papel. Naquele ano, em acordo do qual ele participou, foi aprovada uma minirreforma eleitoral que, entre outros pontos, garantia o voto impresso. Esse trecho da lei foi derrubado em 2018 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

2018

Durante a campanha eleitoral, que ele viria a vencer, fez acusações sem provas de que teriam ocorrido fraudes na votação eletrônica e defendeu o voto impresso. “Um sistema eleitoral em que já tínhamos acertado uma maneira de auditá-lo, que é o voto impresso, lamentavelmente o Supremo Tribunal Federal derrubou. E também o sistema eleitoral que não é aceito em nenhum lugar do mundo. Então, a dúvida fica”, disse Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em 29 de setembro.

Março de 2019

Em entrevista nos Estados Unidos, o presidente afirmou que tinha “provas” de que houve fraude nas eleições do Brasil em 2018. Ele afirmou que tinha informações de que teria vencido o pleito já no primeiro turno. Ele nunca apresentou as supostas provas.

Julho de 2019

Anunciou que enviaria um projeto ao Congresso para estabelecer o voto impresso. A promessa ainda não foi cumprida.

Novembro de 2020

Ao votar no Rio, no segundo turno da eleição municipal, disse: “A questão do voto impresso é uma necessidade, está na boca do povo, e as reclamações são demais. Não adianta alguém bater no peito e falar que é seguro. Nós pretendemos, a partir do ano que vem, partir pra isso.”  

Janeiro de 2021

Por três dias seguidos, falou, sem provas, de fraudes tanto no sistema eletrônico brasileiro, como na eleição dos Estados Unidos, que terminou com a derrota de seu aliado Donald Trump, que tentava se reeleger.

Dia 5: “Se aprovar voto impresso, abstenção vai cair bastante. Parte considerável da população não acredita no voto como taí.”

Dia 6: “Era pra eu ter ganho no primeiro turno. Ninguém reclamou que foi votar no 13 (número do PT) e a maquininha não respondia, mas o contrário, quem ia votar no 17 (número do PSL, partido ao qual ele era filiado), ou não funcionava ou apertava o 1 e já aparecia o 13 lá.”

Dia 7: fez uma referência à invasão do Congresso dos Estados Unidos por apoiadores de Trump, que não aceita a derrota eleitoral: “Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos.”

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