domingo, janeiro 10, 2021

Maia cita “Bolsolira” e diz que presidente é “chefe” de candidato na Câmara

 Arthur Lira é o favorito do Planalto

E fez acusação ao grupo de Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no Salão Negro do CongressoSérgio Lima/Poder360 - 7.dez.2020


09.jan.2021 (sábado) - 15h59

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), respondeu no início da tarde deste sábado a acusação de Arthur Lira (PP-AL). O deputado do PP é candidato a presidente da Câmara e disse mais cedo que o grupo político de Maia e Baleia Rossi (MDB-SP) ameaça demitir servidores para conseguir manter o comando da Casa.

Maia está em suas últimas semanas como presidente da Câmara. Haverá eleição em fevereiro. Lira e Baleia disputam o cargo.

“Cada vez mais o candidato do Bolsonaro usa das mesmas práticas do seu chefe. Por isso que cada vez mais eu ouço ele ser chamado de ‘Bolsolira'”, afirmou Maia.

“Esse tipo de atitude, com narrativas falsas, tentando transferir para o nosso campo atitudes que o padrinho dele defende e aplaude, é demonstração do desespero que já bateu na campanha do candidato do Bolsonaro”, declarou o presidente da Câmara.

“Eu prefiro responder ao chefe dele, como fiz ontem em relação às críticas às alianças no nosso campo”, disse. A fala de Maia foi enviada ao Poder360 por sua assessoria de imprensa. Leia a íntegra no fim deste texto.

O presidente da República havia atacado o deputado por se aliar ao PT. Maia respondeu“O bloco Democracia e Liberdade se une pra condenar o autoritarismo, o fascismo e a incompetência. São muito naturais as críticas e o incômodo de Bolsonaro à nossa união”.

Mais cedo Lira usou o Twitter para acusar Maia e Baleia“Chegam relatos de pressão de governadores nas bancadas, repressão das cúpulas partidárias e até ameaças de exonerações dentro da Câmara. Tudo isso lá do lado da turma que fala em democracia e liberdade”, escreveu o deputado.

CONTEXTO

Maia e seu grupo político fazem o possível para colar em Lira a pecha de governista. O deputado de Alagoas é o candidato favorito do Palácio do Planalto.

A preferência de Bolsonaro por Arthur Lira fez com que a cúpula dos partidos de esquerda se aliasse ao grupo de Maia e Baleia. Nas últimas semanas o atual presidente da Câmara passou a fazer críticas mais contundentes ao presidente da República.

Neste sábado (9.jan.2021), pelo Twitter, Maia chamou Bolsonaro de “covarde“. O adjetivo atribuído ao chefe do Executivo foi acompanhado de uma reportagem da revista Veja que afirma que Bolsonaro debita da conta do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sua perda de popularidade.

ÍNTEGRA DA DECLARAÇÃO

Eis a íntegra da resposta de Rodrigo Maia à acusação de Arthur Lira, enviada à reportagem pela assessoria de imprensa do presidente da Câmara:

“Cada vez mais o candidato do Bolsonaro usa das mesmas práticas do seu chefe. Por isso que cada vez mais eu ouço ele ser chamado de ‘Bolsolira’. Mesmo antes mesmo da eleição, ele já começa a usar práticas do seu chefe. E eu prefiro responder ao chefe dele, como fiz ontem em relação às críticas às alianças no nosso campo.

Esse tipo de atitude, com narrativas falsas, tentando transferir para o nosso campo atitudes que o padrinho dele defende e aplaude, é demonstração do desespero que já bateu na campanha do candidato do Bolsonaro.”

https://www.poder360.com.br/

Taxa de eficácia divulgada da CoronaVac iguala a de vacinas em uso no Brasil


Testes no país apontaram taxa de 78%

Cientistas estão contestando os dados

Anvisa analisa documentos da fórmula

Imagem mostra embalagem com doses da CoronaVac enviadas ao Brasil para testes em laboratório, em abril de 2020Reprodução/Instituto Butantan

 e 
09.jan.2021 (sábado) - 15h15

A CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, têm eficácia parecida com a de outras que já estão em uso ou em desenvolvimento no Brasil.

Segundo o Governo de São Paulo, o imunizante contra a covid-19 é capaz de reduzir em 78% o risco de contrair a doença. Também preveniu totalmente mortes pela doença e foi 100% bem-sucedido em impedir que os infectados desenvolvessem casos graves e moderados de covid-19.

Os dados completos, no entanto, ainda não foram divulgados, e as informações iniciais estão sendo contestadas por pesquisadores, que pedem números exatos de infectados em cada grupo de voluntários (os que receberam a vacina e os que receberam placebo). Do modo como os dados foram expostos pelas autoridades paulistas, alguns integrantes da comunidade científica calculam que a eficácia global da CoronaVac seja na verdade de 63,75%, ou 14,5 pontos percentuais a menos que a taxa de 78% divulgada oficialmente.

Se confirmada a taxa de eficácia de 78%, o imunizante entrará para o quadro com uma eficácia próxima a de outras fórmulas amplamente distribuídas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), como a da gripe e a tetraviral, que previne contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Poder360 compilou as taxas de eficácia da maior parte dos imunizantes presentes no Calendário Nacional de Vacinação. Os dados, consultados em informes técnicos do Ministério da Saúde e em artigos científicos, podem variar de acordo com a fabricante da fórmula, com a idade da pessoa vacinada e com o tipo de vírus ou doença combatido.

Butantan pediu à Anvisa o uso emergencial da CoronaVac na 6ª feira (8.jan.2021). Os dados completos dos estudos com a vacina no Brasil foram enviados e estão sendo analisados pela agência. Somente depois desse trâmite é que os números detalhados serão divulgados, segundo a gestão de João Doria (PSDB).

Em 24 de dezembro, a Turquia afirmou que a fórmula no país teve eficácia de 91,25%  após testagem com 1.300 pessoas. No mesmo dia, o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Carlo Gorinchteyn, disse que os testes com a população brasileira não haviam atingido 90% de eficácia.

No Brasil, os testes foram feitos com 12.476 profissionais de saúde voluntários em 8 Estados. Eles receberam duas doses do imunizante com 14 dias de intervalo entre elas. A fase 3 dos ensaios foi patrocinada pelo Butantan.

O imunizante é a aposta do governador João Doria, que trava embate com o presidente Jair Bolsonaro acerca da vacinação.

O chefe do Executivo é crítico das vacinas. Em outubro, chegou a vetar acordo firmado pelo Ministério da Saúde para compra de doses da CoronaVac, levantando a possibilidade do imunizante causar “morte“, “invalidez” e “anomalias. Nenhum dos voluntários relataram reações adversas dessa magnitude.

VACINAÇÃO EM 25 DE JANEIRO

A gestão de João Doria pretende iniciar a vacinação em 25 de janeiro. A imunização irá ocorrer de 2ª a 6ª feira, das 7h às 22h, e das 7h às 17h aos sábados, domingos e feriados.

O governo federal ainda não estipulou data exata para o processo. Trabalha com 3 hipóteses para o início. No pior dos casos, as vacinas só começariam a ser aplicadas depois de 10 de fevereiro. No cenário otimista, o processo começaria em 20 de janeiro.

O plano do governo paulista é vacinar 9 milhões de pessoas no Estado durante o 1º ciclo de vacinação. Como a CoronaVac precisa ser oferecida em duas doses, com intervalo de duas semanas entre elas, serão utilizadas 18 milhões de doses para a etapa inicial –10,8 milhões já chegaram ao Brasil.

Além de idosos com mais de 60 anos, serão vacinados os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas.

O Poder360 integra o

 

STJ suspende decisão que obrigou governo a se retratar por homenagem ao “Major Curió”


Secom tratou Curió como “herói do Brasil” em postagem 

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
G1 / TV Globo

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, suspendeu nesta quarta-feira, dia 6, decisão da Justiça Federal de São Paulo que determinou ao governo Bolsonaro a publicação de direito de resposta a vítimas e familiares de alvos da ditadura militar.

A decisão da Justiça Federal tinha sido motivada por homenagem da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal ao tenente-coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió. O ministro Humberto Martins atendeu a pedido da Advocacia-Geral da União. A decisão de Martins vale até que seja julgada uma ação popular que questiona a homenagem e não houver mais chance de recurso.

POSTAGEM – Em 2020, a Secretaria de Comunicação fez uma postagem que classificou como “heróis do Brasil” os agentes públicos que atuaram na repressão à Guerrilha do Araguaia. A publicação é acompanhada de imagem do encontro em maio do ano passado entre o presidente Jair Bolsonaro e Sebastião Curió, 81 anos, oficial do Exército que comandou a repressão à guerrilha e é acusado pelo Ministério Público de homicídios e ocultação de cadáveres. À Justiça, ele confessou duas mortes.

A postagem afirma o seguinte: “A guerrilha do Araguaia tentou tomar o Brasil via luta armada. A dedicação deste e de outros heróis ajudou a livrar o país de um dos maiores flagelos da história da humanidade: totalitarismo socialista, responsável pela morte de aprox. [sic] 100 milhões de pessoas em todo o mundo”.

Em dezembro do ano passado, o desembargador André Nabarrete Neto, da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), determinou o direito de resposta, atendendo a um pedido feito por uma ação popular.

DIREITO DE RESPOSTA – De acordo com o desembargador, a Secom deveria publicar a seguinte mensagem como direito de resposta: “O governo brasileiro, na atuação contra a guerrilha do Araguaia, violou os direitos humanos, praticou torturas e homicídios, sendo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por tais fatos. Um dos participantes destas violações foi o Major Curió e, portanto, nunca poderá ser chamado de herói. A Secom retifica a divulgação ilegal que fez sobre o tema, em respeito ao direito à verdade e à memória.”

Para Nabarrete Neto, a publicação da Secom aponta um agente público como um herói, o que, segundo ele, exige, no mínimo, a resposta das vítimas ou parentes. “É preciso acentuar que se trata de direito à memória e à verdade reconhecida pelo Estado brasileiro, o que enseja a legitimidade e o interesse processuais não só das vítimas, mas de todos os brasileiros, já que são fatos históricos que dizem respeito a todos, para a preservação da memória e verdade estabelecidas em leis, atos normativos, atos simbólicos, reparação, em que os agentes públicos ou em nome deles são qualificados como algozes, violadores dos direitos humanos e não heróis da pátria, como a nota expõe”, escreveu o desembargador.

CONDENAÇÃO – Em sua decisão, o ministro Humberto Martins afirmou que não estava decidindo sobre o mérito da publicação, que ainda será analisado no decorrer do processo, mas apenas evitando que a ordem represente uma condenação definitiva.

“Tal providência [direito de resposta] significa impor à União a condenação pretendida e de forma definitiva, pois, depois de publicado o texto pretendido, não será possível voltar à situação anterior”, afirmou o presidente do STJ.

“Médico nazista Mengele odiou viver no Brasil, por ser um país multicultural”, diz escritor


Os Filhos de Hitler: A História dos Filhos e Filhas de Líderes do Alto  Escalão do Terceiro Reich Após o Fim da Segunda Guerra Mundial |  Amazon.com.br

Livro mostra que o nazismo esta cada vez mais vivo

Fernanda Simas
Estadão

Situação econômica ruim, sociedade vivendo com medo e ódio disseminado. Esses foram alguns dos elementos, segundo o jornalista e autor do livro “Os filhos de Hitler”, Gerald Posner, que levaram ao surgimento e fortalecimento do nazismo.

Após conversar com filhos de nazistas do alto escalão ou que atuaram em campos de concentração, Posner encontrou histórias de pessoas que tentam compensar os crimes cometidos pelos pais, mas também se surpreendeu ao ver que muitos ainda defendem as atitudes dos pais. Um de seus objetos de estudo foi Josef Mengele, que viveu no Brasil e, segundo Posner, não gostou.

Qual a importância do seu livro atualmente (lançado agora no Brasil pela editora Cultrix), já que foi escrito em 1991?
Não há novidades nessas histórias, mas a importância das lições delas continua. Muitos entrevistados defendem o que os pais fizeram. Eles ainda acreditam que os pais estavam trabalhando por algo bom e necessário, é surpreendente.

Por que escrever o ponto de vista dos filhos de nazistas?
Mais do que falar da perspectiva dos nazistas e questionar “como você justifica o que fez”, eu estava interessado em mostrar que essas pessoas podiam ser monstros no que faziam e, ao mesmo tempo, pais afetuosos. Como jornalista eu achava muito simples dizer que eles eram apenas monstros, queria entender o que leva essas pessoas a fazerem isso. E ter essa análise nos faz perceber o quão complexo é entender o que leva essas pessoas a fazerem o mal, às vezes até mesmo suas famílias não entendem.

Qual foi a reação desses filhos após a publicação do livro?
Alguns deles ficaram felizes porque era a primeira vez que falavam publicamente sobre o assunto e sentiram alívio. Quando estava preparando o livro eu não contei aos entrevistados quem mais estaria na relação dos filhos. Quando o livro foi publicado, Wolf Hess (filho de Rudolf Hess) ficou chateado de estar no mesmo livro de filhos de nazistas de baixo escalão. Mesmo depois da guerra, ainda há reações de que aqueles nazistas estavam lutando por um ideal, que não têm sangue nas mãos.

Você acredita que alguns deles apoiaria um regime nazista hoje?
Para alguns deles, como o filho de Josef Mengele, Rolf, há uma questão muito forte de responsabilidade social. Sei que ele foi favorável a abrir as portas da Alemanha para quantos imigrantes pudessem entrar no começo da guerra síria. Ele sempre dizia “meu pai cometeu esses crimes e eu não posso estar ao lado das pessoas que dizem não entrem nesse país”. Mas sei que outros, como Wolf Hess, que está morto agora, estariam na linha de frente contra a entrada de muçulmanos no país. Eu não ficaria surpreso se alguns adotassem medidas de extrema direita sobre imigração.

Por que mostrar os generais nazistas em situações comuns e não durante atos criminosos?
Acredito que é muito importante entender o contexto, o que motivou os atos. Você não precisa concordar com um posicionamento para tentar entendê-lo. Se você entender, pode combater melhor. Há anos, quando eu trabalhava na biografia de Mengele, muitos me disseram ‘ele era um monstro, um sádico’. Mas não é tão simples. Se não tivesse ocorrido a 2.ª Guerra, muitos daqueles pais não teriam necessariamente se tornado serial killers, poderiam ter uma vida normal, Mengele por exemplo poderia ter vivido em uma pequena vila alemã. Não sabemos a capacidade de cada um de cruzar a linha e cometer o mal. Nos EUA, com a quantidade de ataques a escolas por exemplo, 9 em cada 10 casos os vizinhos do atirador diziam “ele parecia tão normal, amável”. Quando falamos do nazismo, os crimes cometidos são tão horríveis que pensamos que os autores eram pessoas horríveis o tempo todo. Mas muitos nazistas voltavam para casa no fim do dia e se sentavam com a família como se não tivessem comandado um massacre pela manhã. É assustador.

Como foi investigar a passagem de Mengele pelo Brasil?
Comecei meu trabalho em 1981 e pensava que Mengele estava vivo em algum lugar. E todos pensavam que ele estava no Paraguai por causa do ditador Alfredo Stroessner. Mas agora sabemos que Mengele se mudou para o Brasil com a ajuda de austríacos e húngaros. Ele passou o restante da vida no Brasil e morreu aí em 1979, mas tudo veio à tona em 1985. E algo superinteressante dessa história, e fiquei sabendo por meio do filho dele, que ele escreveu nas cartas para a família que odiava viver no Brasil. Odiava viver em uma sociedade multicultural, odiava o fato de a família ter voltado para a Alemanha enquanto ele tinha que fugir. No fim da vida, nos subúrbios de São Paulo, ele reclamava o tempo todo. Eu fiquei feliz de saber disso porque ele não passou um dia na cadeia, mas foi uma punição para ele viver numa sociedade multicultural, o que ele tanto combateu.

Como você vê o aumento do extremismo?
Sem dúvida a gente vê um aumento do extremismo de direita e de esquerda na Europa e nos EUA também. Isso mostra que os sentimentos antigos de ódio, as teorias da conspiração, isso vive. O extremismo cresce com base no medo, em antigos estereótipos. Quando as coisas estão financeiramente ruins, como vimos em 2008 e 2009, por exemplo, as pessoas procuravam bodes expiatórios. E acredito que o mesmo esteja acontecendo agora, com a pandemia da covid-19. Como resultado vemos o crescimento do ódio.

A pandemia e as fake news podem piorar o extremismo?
Sim. É incrível no que as pessoas são capazes de acreditar mesmo sem nenhuma informação fidedigna ou originária de algum lugar de confiança. Vemos um monte de teoria sobre a pandemia ser disseminada e assimilada como verdade.

É possível impedir isso?
A menos que um asteroide mude o curso do planeta, acho que não. A internet torna o acesso à informação fácil para o bem ou para o mal. E as pessoas que usam a internet para disseminar informações falsas são muito boas nisso, não colocam a informação em um e-mail, elas constroem um texto, com dados e entrevistas, que não são reais, mas parecem.

É possível voltar a haver um período nazista?
Pessoas dizem que não seria possível existir um regime nazista no Brasil, EUA ou outro país da Europa. Mas não estamos falando de uma réplica do que aconteceu nos anos 1930 em tempos atuais. Estamos falando do tipo de situação em que as pessoas estão numa situação de desespero tão grande que depositam suas esperanças e apoio em um governo que parece forte e as tire daquela situação. O exemplo é a Alemanha no fim da 1.ª Guerra, quando assina um acordo que é uma punição dos vencedores e, como resultado, as pessoas na Alemanha vivem em uma situação econômica ruim enquanto o resto da Europa está melhor. A raiva surge e as pessoas buscam bodes expiatórios. Então surge Hitler dizendo: “Não é sua culpa, vocês não foram responsáveis pela derrota na 1ª Guerra. Vocês deveriam ser o grande povo alemão, na realidade, vocês são uma raça superior, são melhores do que qualquer um e ninguém lhes disse isso”. Deve ter sido reconfortante escutar isso após a guerra. E se você abre mão de seus valores e esquece dos princípios que são importantes, você segue a multidão. Sempre me preocupo com a combinação de governos autoritários, mesmo em democracias, e população em desespero que está disposta a abrir mão de seus direitos e valores.

Precisa-se de um ministro da Saúde de verdade, que não se omita diante da tragédia


TRIBUNA DA INTERNET | Em meio à crise com declarações de Gilmar, Bolsonaro  diz que Pazuello é motivo de orgulho para o Exército

Charge do Adnael (Arquivo Google)

Deu no Estadão

Em vez de se arvorar em consciência crítica da imprensa brasileira, faria melhor o intendente Eduardo Pazuello se trabalhasse como se espera de um ministro da Saúde no curso de uma crise sanitária que já matou mais de 200 mil de seus concidadãos. Informação correta para nortear a atuação do poder público não falta. A bem da verdade, nunca faltou.O que anda em falta é coragem ao ministro para atuar de acordo com os dados científicos à disposição do governo para pôr fim a este descalabro que é a condução da pandemia no âmbito federal.

O ministro Pazuello prefere ignorar os fatos e adular cegamente o seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, um convicto negacionista da tragédia e sabotador das medidas de contenção ao espalhamento do novo coronavírus.

MANDA E OBEDECE – Afinal, como já dissera, “um manda, o outro obedece, é simples assim”. E não têm faltado cabotinos para obedecer.

E não deveria ser assim. Ordens ilegais ou imorais não devem ser cumpridas por quem tem brio, respeito às leis e norte moral bem calibrado. A infeliz declaração do intendente, que nem de seringas e agulhas entende, mostra a clara opção por lavar as mãos diante de uma tragédia que, em sua visão, tem múltiplos responsáveis, nenhum deles no governo federal.

Num pronunciamento em Brasília no dia 7 passado, no qual manifestou a intenção da pasta de adquirir 100 milhões de doses da vacina Coronavac, do Instituto Butantan, para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), o ministro da Saúde responsabilizou os jornalistas pela gravidade da pior emergência sanitária de que as atuais gerações têm notícia. Um ataque absolutamente despropositado à imprensa profissional, mas não incoerente. O governo do qual faz parte é useiro e vezeiro na desqualificação do trabalho dos jornalistas, a começar pelo presidente Bolsonaro.

DISSE O GENERAL – “Os meios de comunicação, os senhores e as senhoras (referindo-se aos jornalistas presentes no pronunciamento), comuniquem os fatos. Me mostrem quando um brasileiro delegou aos redatores a interpretação dos fatos. Eu não vi. Nós não queremos a interpretação dos senhores, a tendência ideológica ou a bandeira. Quero assistir à notícia e ver o fato que aconteceu. Deixem a interpretação para o povo brasileiro, para cada um de nós”, disse o ministro da Saúde.

Seja como oficial do Exército, seja como ministro de Estado, é inacreditável que o intendente mostre tamanho distanciamento da Constituição. A liberdade de imprensa é plenamente assegurada pela Lei Maior do País, assim como o direito da sociedade de ser informada.

Esta obtusa visão do ministro, segundo a qual os fatos não podem ser interpretados pela imprensa profissional, coaduna-se com uma percepção de mundo totalitária, em que não há espaço para contestação às versões que agradam aos poderosos de turno.

FUGINDO DA IMPRENSA – Não há de ser por outro motivo que o intendente não se dispõe a conceder entrevistas, esquiva-se como pode das perguntas dos jornalistas e até mesmo dos fotógrafos. “Eu não posso levantar um dedo que já apontam uma máquina fotográfica para mim”, disse. Ele pode voltar ao conforto de sua privacidade no momento que quiser. Basta pedir demissão.

O fato é que a calamitosa gestão do intendente no Ministério da Saúde não apenas não ajuda o País a sair da crise, como a aprofunda ao minar esforços dos entes federativos.

SUPREMO INTERVÉM – Mas há quem se preocupe com tal comportamento. Ao deferir uma medida cautelar pedida pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o ministro da Saúde não requisite seringas e agulhas adquiridas pelo governo paulista para sua campanha de vacinação contra a covid-19.

“A incúria do governo federal”, disse Lewandowski, “não pode penalizar a diligência da administração do Estado de São Paulo, a qual vem se preparando, de longa data, com o devido zelo para enfrentar a atual crise sanitária.”

Cabe lembrar ainda que o Ministério da Saúde também só se dignou a esboçar um plano nacional de vacinação sob ordens da Suprema Corte. O País não precisa de mais um intendente. Precisa de um ministro da Saúde.

Na disputa da presidência da Câmara, está em jogo a possibilidade de impeachment de Bolsonaro


Jair Bolsonaro já é alvo de 32 pedidos de impeachment e sete de CPIs -  Tribuna da Imprensa Livre

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Iara Lemos
IstoÉ

Em meio às polêmicas que giram em torno da incompetência do governo federal, o presidente Jair Bolsonaro verá seu futuro político ser colocado em xeque caso se confirme a tendência da eleição do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) como o novo presidente da Câmara, em sessão marcada para o próximo dia 1º.

O deputado paulista obteve a adesão de grande parte dos parlamentares da esquerda (PT, PSB e PDT), além dos integrantes dos partidos que fazem oposição ao presidente, como PSDB, DEM e MDB. Se as perspectivas de votos se mantiverem, o líder do MDB deve ser eleito e fazer com que a assombração do impeachment do ex-capitão volte a rondar as mesas de conversas no Congresso.

CONDIÇÃO DA ESQUERDA – Afinal, essa foi uma das condições impostas pela esquerda ao definir o apoio: a possível apresentação de processos de afastamento do presidente. Essa união da oposição em torno de Rossi pode abafar o poder governista do centrão, liderado pelo candidato bolsonarista Arthur Lira (PP-AL).

A expectativa do resultado é altamente favorável ao atual presidente da Casa e adversário de Bolsonaro, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se tornou o principal cabo eleitoral de Rossi. Ao questionar a interferência de Bolsonaro no Poder Legislativo, Rossi atraiu para a chapa de oposição uma aliança considerada improvável há pouco tempo e que uniu novamente o PT e o MDB.

PT CONTRAFEITO – Até a semana passada, os petistas acusavam os emedebistas de terem dado “um golpe” com o impeachment de Dilma Rousseff. Apesar das feridas ainda abertas, a união das duas legendas será decisiva na derrota do fisiologismo bolsonarista.

A rota seguida por Rossi, contudo, enfrenta mares revoltos, movimentados pelos ventos que sopram das benesses ofertadas pelo governo aos deputados.

Por ser o candidato apoiado pelo Palácio do Planalto, Lira começou a disputa com vantagem significativa em relação a Rossi. Afinal, a candidatura governista vinha sendo reforçada também pela oferta de cargos comissionados e até a negociação para o comando de ministérios. Tudo isso está sendo colocado na mesa pelos governistas para negociar votos a favor de Lira. É a velha política do toma lá dá cá.

500 CARGO EM OFERTA – Deputados ligados ao grupo de Baleia Rossi denunciam que Bolsonaro está oferecendo pelo menos 500 cargos aos deputados que aderirem à candidatura de Lira, além de farta distribuição de recursos de emendas parlamentares, para atrair os adesistas ao candidato governista.

Dados do Portal Transparência apontam que, no final de 2019, houve um recorde na liberação de emendas. Foram quase três vezes mais do que o valor liberado em 2018. Bolsonaro foi o que mais liberou verbas aos parlamentares desde 2015, fator que tem pesado na intenção de votos dos partidos ligados ao Centrão.

O peso da máquina governista, pela interferência de Bolsonaro na eleição, portanto, é um dos maiores temores dos aliados de Rossi. Segundo a coordenação de sua campanha, o emedebista teria hoje o apoio de 278 deputados, abrigados em 11 partidos, mas devido às pressões do Planalto temem que possa haver elevado índice de traições.

MUITA DISSIDÊNCIA – O PSL, por exemplo, que decidiu apoiar Rossi, conforme revelou seu presidente, Luciano Bivar, tem pelo menos 20 parlamentares bolsonaristas. Lira, por sua vez, teria apoio de 10 legendas, com um total de 206 votos. Entre eles, contabilizam-se os votos dos 35 parlamentares do PSD, presidido por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo.

A posição de Kassab surpreendeu os aliados de Rossi, pois o líder pessedista sempre disse ser independente. Acabou, contudo, não resistindo aos afagos governistas, rendendo-se a Lira.

Há receio até mesmo entre os partidários da esquerda, como o PSB, onde o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, teme cisões entre os 31 deputados da sigla. Embora o partido tenha fechado voto em favor de Rossi, as divergências na legenda são visíveis.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Matéria interessante, mas esqueceu de analisar as chances reais de Arthur Lira, porque os partidos do Centrão enfrentam o mesmo problema da dissidência. Há deputados centristas que não se dão com Arthur Lira e têm ótimo relacionamento com Rodrigo Maia, que vai continuar comandando o circo, atuando apenas nos bastidores. (C.N.)  

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