terça-feira, maio 12, 2020

Bolsonaro afirma ter gasto R$ 739 mil com cartão corporativo para resgatar brasileiros retidos na China


Bolsonaro “economiza” desligando o aquecedor (que é solar)
Gustavo Uribe
Folha
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, dia 11, que gastou R$ 739 mil com seu cartão corporativo em operação de resgate de 34 brasileiros que estavam em Wuhan, na China, onde foram registrados os primeiros casos de coronavírus.
A despesa, feita em fevereiro, foi contabilizada no sistema do governo em março, mês em que o presidente teve seu maior gasto desde o início do mandato com o cartão corporativo: de R$ 1,9 milhão. A despesa mensal também foi a maior já lançada no Portal da Transparência.
RECORDE – O recorde anterior era da ex-presidente Dilma Rousseff, em outubro de 2014, quando foi gasto R$ 1,6 milhão, em valores atualizados pela inflação do período. Como a lista de gastos não é divulgada, não é possível saber o peso de cada atividade nas contas mensais.
“Três aviões da Força Aérea Brasileira foram à China buscar brasileiros que estavam em Wuhan. Na operação, foram gastos R$ 739.598 com cartão corporativo”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais. “Ao contrário do noticiado, retirando despesas extraordinárias, nossos gastos seguem na média de anos anteriores”, afirmou.
O gasto com a operação de resgate foi registrado em reportagem da Folha publicada no domingo, dia 10, a qual mostrou, com base em dados oficiais, que as despesas com cartão corporativo da Presidência da República têm sido maiores na atual gestão do que nas duas anteriores: de Michel Temer (MDB) e de Dilma Rousseff (PT).
MÉDIA – No governo atual, gastou-se, em média, R$ 709,6 mil por mês, o que representa uma alta de 60% em relação ao governo do emedebista e de 3% em comparação com a administração da petista.
No mês de fevereiro, além da despesa com a operação de resgate, o presidente viajou para São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. No Carnaval, ele se deslocou a Guarujá, cidade do litoral paulista.
CRESCIMENTO – Apesar da afirmação de que os gastos seguem na média de outros anos, desde outubro tem havido crescimento nas despesas com cartão corporativo da Presidência da República. O dispositivo foi criado em 2001 para cobrir despesas de urgência pela compra de produtos e serviços ou pela cobertura de gastos de viagens.
Até agora, em menos de dois anos de mandato, Bolsonaro já fez 13 viagens internacionais. Além de cumprir com agenda oficial, ele costuma frequentar, nas horas livres, restaurantes, pontos turísticos e áreas de comércio dos países visitados.
FIM DOS CARTÕES – Antes de assumir o governo, a equipe de Bolsonaro chegou a avaliar o fim desses cartões, que desencadearam um escândalo político com auxiliares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os cartões corporativos, porém, ainda continuam funcionando.
No discurso que fez após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, há duas semanas, Bolsonaro citou iniciativas que ele diz ter tomado para evitar gastos excessivos do dinheiro público e para “dar exemplo”.
“Na vida de presidente, eu tenho três cartões corporativos, dois são usados para despesas, as mais variadas possíveis. Afinal de contas, mais de cem pessoas estão na minha segurança diariamente. Despesas de casa, normal”, disse.
MUDANÇA DE CARDÁPIO – O presidente disse que não usou até o momento o terceiro cartão corporativo a que tem direito e afirmou que mudou o cardápio da residência oficial. Mas esses gastos são sigilosos.
Disse ainda que desligou o aquecedor da piscina do Palácio da Alvorada para diminuir o gasto. Só que ele é solar, não elétrico. Em agosto do ano passado, Bolsonaro prometeu mostrar aos veículos de imprensa o extrato de seu cartão corporativo pessoal, mas até hoje não o fez.

Valeixo relata pedido “por canal não apropriado” para operação que matou Adriano


Investigadores querem ouvir Maurício Valeixo, ex-diretor geral da ...
Valeixo deu um exemplo de interferência externa na Polícia Federal
Deu no Painel da Folha
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo confirmou, em depoimento dado nesta segunda (11), que a operação contra o ex-capitão Adriano da Nóbrega, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), teve conhecimento prévio do Ministério da Justiça e tentou envolver a PF. O episódio foi revelado pelo Painel em fevereiro.
Dias antes da ação, uma das Secretarias da pasta de Sergio Moro sondou a possibilidade de apoio de um helicóptero e alguns efetivos, a pedido da polícia do Rio. Em geral, operações sensíveis são tratadas pelos canais de inteligência entre órgãos, sem informações sobre o alvo.
PEDIDO RECUSADO – Valeixo disse que o pedido de apoio foi feito por canal não apropriado. O ex-diretor-geral citou ainda a participação do superintendente do Espírito Santo no episódio.
“Que houve uma consulta à Polícia Federal, não pelo canal apropriado, vez que se deu via Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça (SEOPI) e através do Dr. Jairo, Superintendente da PF no Espírito Santo, de um apoio aéreo a uma operação na Bahia, que o depoente respondeu que devia se observar os canais apropriados, via canais de inteligência se houvesse informações reservados, para que se avaliasse o apoio da Polícia Federal, que no entanto esse pedido nunca foi formalizado, logo não foi respondido”, disse o delegado em depoimento nesta segunda-feira (dia 11).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Importante essa revelação de Aleixo. Mostra que havia um grupo dentro do Ministério da Justiça e da Policia Federal que se comunicava e agia sem conhecimento do ministro Moro e do diretor-geral Valeixo. Se isso não significa interferência externa indevida, minha avó é bicicleta, como se dizia antigamente. (C.N.)

segunda-feira, maio 11, 2020

Governadores vão ignorar decreto de Bolsonaro que sabota o isolamento

Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro já se manifestaram contra a reabertura de academias e salões de beleza, classificadas como essenciais pelo presidente
Foto: Reprodução

Os governadores de Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro declararam na noite desta segunda-feira (11) que vão ignorar o decretado do presidente Jair Bolsonaro que sabota o isolamento necessário para combater o coronavírus.
Mais cedo, Bolsonaro publicou um decreto classificando como atividades essenciais academias, salões de beleza e barbearias, na tentativa de flexibilizar as medidas de distanciamento, a cargo de governadores e prefeitos, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal.
Na Bahia, Rui Costa (PT), anunciou que as “medidas restritivas serão mantidas respeitando critérios científicos reconhecidos mundialmente”. “A Bahia vai ignorar as novas diretrizes do Governo Federal. Manteremos nosso padrão de trabalho e responsabilidade. O objetivo é salvar vidas. Não iremos nos afastar disso”, escreveu o governador, no Twitter.
O governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB) e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), também afirmaram que vão ignorar o decreto de Bolsonaro e seguirão com as suas medidas de restrição.
Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco disse que “as próximas semanas exigirão restrições ainda mais duras, não é razoável admitir o contrário” e, por isso, “academias, salões, barbearias continuarão fechados”.
Camilo Santana (PT), governador do Ceará, foi outro que usou a rede social para declarar que os decretos de Bolsonaro não alteram a situação no estado e que os estabelecimentos continuarão fechados.
No Rio, a assessoria do governador Wilson Witzel (PSC) informou que o estado crê que a decisão do STF dando autonomia para governadores legislarem sobre o tema dá segurança para a manutenção das restrições.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou a medida do presidente e disse que nada muda pelo menos até dia 20.
João Doria (PSDB), de São Paulo, afirmou que vai avaliar e deve anunciar sua decisão nesta terça-feira (12).

Valeixo confirma que Bolsonaro queria um diretor da PF com “mais afinidade”

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Maurício Valeixo presta depoimento no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Jair Bolsonaro Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Maurício Valeixo nega que tenha havido uma “demissão a pedido”
Aguirre Talento e Bela MegaleO Globo
Em depoimento de mais de seis horas, o ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo afirmou nesta segunda-feira aos investigadores que o presidente Jair Bolsonaro gostaria de ter um diretor-geral da corporação com quem tivesse “mais afinidade” e que por isso Bolsonaro teria decidido demiti-lo.
O delegado também relatou no depoimento que recebeu, na noite de 23 de abril, um telefonema do próprio Bolsonaro. Valeixo relatou que, na conversa, o presidente comunicou sua exoneração do cargo de diretor-geral da PF.
SEM OFERECER OPÇÃO – A interlocutores, Valeixo já havia confirmado que Bolsonaro ligou para ele na véspera de sua saída para comunicar que o tiraria do comando da PF. O delegado também contou a pessoas próximas que, na ocasião, Bolsonaro não lhe ofereceu outras opções. Com a publicação da exoneração de Valeixo no dia 24 de abril, Moro pediu demissão.
O primeiro decreto de exoneração de Valeixo tinha o nome de Moro, mas o então ministro negou que tivesse assinado o documento. Com isso, o governo refez o decreto e publicou uma nova versão sem a assinatura de Moro. Em ambos os decretos constou que a exoneração de Valeixo foi “a pedido” dele próprio.
Caso a investigação comprove que o decreto de exoneração teve informações fraudadas, os responsáveis podem ser acusados do crime de falsidade ideológica.
DEPOIMENTO LONGO – Valeixo prestou depoimento a investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República das 10h15 da manhã às 16h30, no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal, aberto após as declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O ex-diretor-geral foi ouvido na Superintendência da PF em Curitiba, onde está passando férias após sua saída do cargo. O depoimento teve uma pausa para o lanche, por volta das 14h30, e foi retomado em seguida.
Segundo fontes que acompanham o depoimento, Valeixo relatou que o presidente desejava ter um diretor-geral da PF que fosse de sua confiança, por isso a decisão pela exoneração.
O inquérito investiga a possível ocorrência de diversos crimes por parte de Bolsonaro (advocacia administrativa, obstrução de Justiça e falsidade ideológica, por exemplo) e por parte de Moro (denunciação caluniosa).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– No caso de Valeixo, o mais importante é saber por que Bolsonaro queria um diretor com mais “afinidade”. Outro problema grave foi a falsa demissão “a pedido”, que na verdade era uma decisão presidencial. Ou seja, Bolsonaro decidiu e na hora resolveu amaciar. Foi uma postura aética e criminosa, sem a menor dúvida. (C.N.)

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