segunda-feira, maio 11, 2020

Valeixo confirma que Bolsonaro queria um diretor da PF com “mais afinidade”

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Maurício Valeixo presta depoimento no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Jair Bolsonaro Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
Maurício Valeixo nega que tenha havido uma “demissão a pedido”
Aguirre Talento e Bela MegaleO Globo
Em depoimento de mais de seis horas, o ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo afirmou nesta segunda-feira aos investigadores que o presidente Jair Bolsonaro gostaria de ter um diretor-geral da corporação com quem tivesse “mais afinidade” e que por isso Bolsonaro teria decidido demiti-lo.
O delegado também relatou no depoimento que recebeu, na noite de 23 de abril, um telefonema do próprio Bolsonaro. Valeixo relatou que, na conversa, o presidente comunicou sua exoneração do cargo de diretor-geral da PF.
SEM OFERECER OPÇÃO – A interlocutores, Valeixo já havia confirmado que Bolsonaro ligou para ele na véspera de sua saída para comunicar que o tiraria do comando da PF. O delegado também contou a pessoas próximas que, na ocasião, Bolsonaro não lhe ofereceu outras opções. Com a publicação da exoneração de Valeixo no dia 24 de abril, Moro pediu demissão.
O primeiro decreto de exoneração de Valeixo tinha o nome de Moro, mas o então ministro negou que tivesse assinado o documento. Com isso, o governo refez o decreto e publicou uma nova versão sem a assinatura de Moro. Em ambos os decretos constou que a exoneração de Valeixo foi “a pedido” dele próprio.
Caso a investigação comprove que o decreto de exoneração teve informações fraudadas, os responsáveis podem ser acusados do crime de falsidade ideológica.
DEPOIMENTO LONGO – Valeixo prestou depoimento a investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República das 10h15 da manhã às 16h30, no inquérito que apura supostas interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal, aberto após as declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O ex-diretor-geral foi ouvido na Superintendência da PF em Curitiba, onde está passando férias após sua saída do cargo. O depoimento teve uma pausa para o lanche, por volta das 14h30, e foi retomado em seguida.
Segundo fontes que acompanham o depoimento, Valeixo relatou que o presidente desejava ter um diretor-geral da PF que fosse de sua confiança, por isso a decisão pela exoneração.
O inquérito investiga a possível ocorrência de diversos crimes por parte de Bolsonaro (advocacia administrativa, obstrução de Justiça e falsidade ideológica, por exemplo) e por parte de Moro (denunciação caluniosa).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– No caso de Valeixo, o mais importante é saber por que Bolsonaro queria um diretor com mais “afinidade”. Outro problema grave foi a falsa demissão “a pedido”, que na verdade era uma decisão presidencial. Ou seja, Bolsonaro decidiu e na hora resolveu amaciar. Foi uma postura aética e criminosa, sem a menor dúvida. (C.N.)

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