quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Infecção hospitalar

 
Artigo publicado na Tribuna da Bahia em 14/02/19
Infecção hospitalar
Um réquiem para o cidadão-estadista Ricardo Boechat
Saúde pública é um conceito móvel, na história dos povos, na medida em que o seu conteúdo depende, na prática, da ótica de cada Governo, construída a partir dos interesses que ela representa nas diferentes sociedades, em razão das distintas formas de organização social e política das populações. Tradicionalmente, Saúde Pública é compreendida como a aplicação de conhecimentos de múltipla natureza, e não apenas médicos, com o propósito de viabilizar serviços de saúde capazes de prevenir e curar doenças, controlando sua incidência nas populações, através de permanente monitoramento e intervenções governamentais. 
Segundo o Art. 196 da Constituição Federal, “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. 
A má qualidade da saúde pública é um dos males que nos afligem, como enfatizamos em nosso livro As sete pragas que assolam o Brasil Moderno. É mais uma das dimensões ostensivas do fracasso do Estado como gestor que, entre nós, tem se comportado de um modo muito distante do preconizado pelo americano Edward Amory, em 1920: 
“Saúde pública é a arte e a ciência de prevenir a doença, prolongar a vida, promover a saúde e a eficiência física e mental mediante o esforço organizado da comunidade. Abrangendo o saneamento do meio, o controle das infecções, a educação dos indivíduos nos princípios de higiene pessoal, a organização de serviços médicos e de enfermagem para o diagnóstico precoce e pronto tratamento das doenças e o desenvolvimento de uma estrutura social que assegure a cada indivíduo na sociedade um padrão de vida adequado à manutenção da saúde".
Nem a incorporação desse preceito pela Organização Mundial de Saúde, nem a ampla proteção constitucional à Saúde, nos artigos de 195 a 200, de nossa Carta Magna, permitiram ao Brasil consolidar uma prática capaz de atender sua população mal assistida. 
Do mesmo modo como acontece em muitas áreas de atuação do setor público, como na Educação, o mero aporte de mais recursos públicos ao SUS não produzirá a melhoria desejada, se não houver sensível elevação na qualidade da gestão. Um dos maiores problemas da gestão pública brasileira é agir como se tudo dependesse, apenas, do aumento das verbas, quando temos abundantes provas de que pouco avançaremos se não tivermos a coragem de reconhecer o óbvio: a má qualidade da gestão pública, ocasionada pela prevalência de critérios ideológicos ou eleitorais sobre os meritocráticos. As provas abundam. A saúde não é exceção. Impõe-se uma revisão de prioridades na aplicação dos recursos e na seleção dos gestores, a partir de critérios técnicos. A mais disso, impõe-se o treinamento sistemático dos quadros profissionais para que possam elevar os seus níveis de competência. Na realidade, o SUS precisa superar os seus vícios para que possa cumprir, de modo satisfatório, sua sagrada missão de curar.
Apesar da criação, em 1988, da primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, ainda não dispomos de estatísticas confiáveis sobre o número anual de mortes pelo chamado contágio nosocomial. A ANBIO, porém, Associação Nacional de Biossegurança, apresenta dados alarmantes, a começar pelo reconhecimento de que 80% da rede hospitalar brasileira não faz este controle. Segundo declara, a depender da unidade hospitalar, o percentual de pacientes que contrai infecção hospitalar pode variar de 14 a incríveis 88,3%, ocasionando cerca de cem mil mortes, anualmente, sendo, portanto, a principal causa mortis, entre nós, acima de outra qualquer, como câncer, cardiopatias, desastres e homicídios, quando, se houver cuidado, o índice pode ficar próximo de zero, segundo a direção da entidade. Mais conservadora a OMS, Organização Mundial de Saúde, considera razoável um percentual médio de 14% dos pacientes afetados. A verdade é que a possibilidade de contrair infecção hospitalar depende dos cuidados que as diferentes unidades dispensam à questão. Lavar repetidamente as mãos, não sair às ruas vestido com o jaleco, usar máscaras, atentar para a ingestão correta das dosagens medicamentosas, mudar, regularmente, o filtro dos aparelhos de ar refrigerado, não usar o pano de chão em diferentes unidades de tratamento são medidas preventivas de reconhecida eficácia. Desgraçadamente, a ANBIO estima que apenas 1% das unidades hospitalares cumprem, satisfatoriamente, essas medidas cautelares. Pela pneumonia que o Presidente Bolsonaro contraiu no irrepreensível Hospital Albert Einstein, vemos que a infecção hospitalar não discrimina suas vítimas.
Nos espaços urbanos, a grande maioria dos pacientes, vencida a fase emergencial, melhor seria tratada no recesso dos seus lares, livre do fantasma da infecção hospitalar, com o abono adicional da afetividade familiar. A exemplo da Inglaterra e outros países, a equipe médica sai em vilegiatura atendendo os pacientes a domicílio.
O atendimento domiciliar, somado ao acesso a saneamento básico para a metade da população brasileira que dele, hoje, não dispõe, representará uma revolução redentora na saúde pública nacional.

Joaci Góes

Marchantes realizam manifestação e bloqueiam trecho da BR-235, entre Itabaiana e Areia Branca

A manifestação ocorre em resposta ao fechamento de diversos matadouros públicos de Sergipe, entre eles, o de Itabaiana.
por Redação do Portal Itnet

Atenção. Neste momento, marchantes realizam uma manifestação na BR-235, na entrada para o povoado Junco, entre Itabaiana e Areia Branca.
A manifestação ocorre em resposta ao fechamento de diversos matadouros públicos de Sergipe, entre eles, o de Itabaiana, que está fechado desde novembro e era um dos principais do interior, recebendo marchantes de diversos municípios.
Foto: Jota Junior

O trânsito está parado no local nos dois sentidos, já que a rodovia está repleta de pneus sendo queimados pelos manifestantes. A fumaça da queima dos pneus pode ser vista de longe.
Além disso, moradores do povoado São José, em Itabaiana, onde está localizado um frigorífico particular, também protestam contra o mau cheiro no local. Eles estão em reunião com a direção do frigorífico.
Fotos: redes sociais

Com a manifestação, o deslocamento Itabaiana/Aracaju está interrompido. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) já foi comunicada e deve chegar ao local a qualquer momento. Em breve maiores informações.

PF e PRF desarticulam quadrilha que praticava furto e receptação de mercadorias em Feira


PF e PRF desarticulam quadrilha que praticava furto e receptação de mercadorias em Feira
Foto: Reprodução / Acorda Cidade
As Polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF) deflagram na manhã desta quinta-feira (14) a operação “Feira Livre”, visando desarticular uma associação criminosa, radicada em Feira de Santana, na Bahia, que praticava furto e receptação de mercadorias. 

Estão sendo cumpridos 17 mandados de prisão (quatro preventivas e 13 temporárias) e 17 mandados de busca nas cidades de Feira de Santana e Salvador, na Bahia; Santa Rita, na Paraíba; e São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Sumaré, no Estado de São Paulo. Além disso, foi determinado o bloqueio das contas dos principais investigados. Todas as medidas foram expedidas pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana. 55 policiais federais e 80 policiais rodoviários federais participam da ação.

Durante a investigação, constatou-se que a atuação da quadrilha era baseada no aliciamento de caminhoneiros, mediante vantagem financeira, para que realizassem o desvio, total ou parcial, da carga transportada.
O impacto dos crimes praticados pela associação criminosa ultrapassou a fronteira do estado baiano e atingiu comerciantes de outros estados, como Paraíba e São Paulo. Estima-se um prejuízo de milhões de reais em mercadorias desviadas.

O esquema criminoso se baseava no aliciamento dos motoristas de transporte de carga que forjavam uma situação de roubo da mercadoria ou escoavam parte da carga. Além disso, havia também os receptadores para a aquisição e posterior comercialização das mercadorias subtraídas, que figuravam como intermediários entre o núcleo da quadrilha e pequenos comerciantes estabelecidos na cidade de Feira de Santana.

Trata-se de um desdobramento da Operação “Transbordo”, deflagrada pelas Polícias Federal e Rodoviária Federal de Alagoas em julho de 2018, ocasião em que foram cumpridos mais de 170 mandados judicias em vários estados, inclusive 38 na Bahia.
Bahia Notícias

Relatório do Coaf vira árvore envenenada na Operação Detalhes. E quem pune o fruto podre?


por Fernando Duarte
Relatório do Coaf vira árvore envenenada na Operação Detalhes. E quem pune o fruto podre?
Foto: Reprodução/ Peter Paul Rubens
Em votação apertada, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) rejeitou a denúncia contra o deputado estadual Roberto Carlos (PDT) por supostamente se apropriar de recursos de servidores da Assembleia Legislativa da Bahia, alvo da Operação Detalhes. O voto de “minerva” coube ao presidente da Corte, Gesivaldo Britto, e a base para a rejeição da denúncia foi a doutrina dos frutos da árvore envenenada. Foi a mesma teoria que inviabilizou a Operação Castelo de Areia, que seria uma precursora da Lava Jato, mas acabou arquivada. Porém a aplicação dessa doutrina em um caso como esse é uma vergonha para todos nós.

A Operação Detalhes, deflagrada nos idos de 2012, deveria ter sido um marco para o uso de “laranjas” por parlamentares baianos. Além de Roberto Carlos, alvo desse processo, outros 16 deputados estaduais teriam praticado atos similares no Legislativo. No entanto, nenhum dos envolvidos foi punido e apenas o pedetista estava em julgamento no TJ-BA. Em suma, os desembargadores deram o aval para que a prática sequer tornasse um deputado réu – ainda que o relator do processo aponte que ao longo das investigações tenham sobrado provas de que o parlamentar estava envolvido até o pescoço com o uso de funcionários fantasmas para desviar recursos públicos.

Não adianta pegar Roberto Carlos para cristo, inclusive. Exemplos recentes de deputados acusados de fazer o mesmo com frequência já foram, inclusive, assunto de um artigo neste espaço (lembre aqui), vide os casos de Flávio Bolsonaro e Lúcio Vieira Lima. Todavia é importante discutir que, em algumas situações, a legalidade é uma afronta à moralidade. E o uso do fruto da árvore envenenada é constrangedoramente um atentado a qualquer tentativa de um país efetivamente sério. Afinal, se for olhar na gênese desse Brasil, sempre há algo de errado.

A doutrina do fruto da árvore envenenada é um modelo importado dos Estados Unidos. Porém já devidamente prevista no Direito brasileiro. Na origem, preconizava que uma prova obtida de maneira ilícita comprometeria todo o processo legal. Porém existem variações de entendimento que permitem que essa prova obtida de maneira não lícita possa ser considerada numa investigação. Desde a boa fé na obtenção da prova até a independência da fonte de origem. Pouco comum no processo penal brasileiro, nenhuma dessas interpretações parece ter sido avaliada na decisão final do Pleno do TJ-BA.

No caso da Operação Detalhes, o relatório de movimentações suspeitas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi encaminhado para a Polícia Federal antes que Roberto Carlos pudesse explicar administrativamente transferências e depósitos atípicos. Não haveria explicação, até porque, após o relatório, outras provas comprovariam que havia irregularidade na nomeação e controle das contas de servidores lotados no gabinete do parlamentar. Para a maioria dos desembargadores, as movimentações identificadas pelo Coaf foram uma medida “drástica” contra Roberto Carlos. Então uma agressão ao bolso do contribuinte, que assistiu recursos públicos sendo usurpados, é menos drástico?

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) avalia se vai ou não recorrer da decisão do Tribunal. Caso opte por não recorrer e reinicie uma investigação por um ponto diferente do novelo, talvez haja algum sucesso. Pena que a morosidade do Judiciário deve provocar a prescrição do crime que eventualmente tenha sido cometido. O que fica, sem sombra de dúvidas, é a indignação. Ao invés da árvore ser envenenada, poderíamos considerar apenas o fruto podre, não é mesmo?

Este texto integra o comentário desta quinta-feira (14) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.
Bahia Notícias

Anvisa proíbe venda de lotes de frango da Perdigão por suspeita de salmonella


por Renata Farias
Anvisa proíbe venda de lotes de frango da Perdigão por suspeita de salmonella
Foto: Shutterstock
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a distribuição e comercialização de diversos lotes de frango da marca Perdigão. A ação foi motivada pela suspeita de contaminação por salmonella na carne.

De acordo com resolução publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14), a empresa BRF, dona da marca, comunicou à Anvisa o recolhimento voluntário do produto. A bactéria identificada foi a Salmonella enteritidis.

A agência determinou que a empresa promova o recolhimento de todo o estoque existente no mercado. Veja os lotes afetados pela medida:

ProdutoLote recolhido
Cortes Congelados de Frango – Filé de Peito – Embalagens Plásticas – 2 Kg30/10/18 e 09/11/18
Miúdos Congelados de Frango – Coração – Embalagem Plástica – 1 Kg30/10/18, 05/11/18, 06/11/18, 07/11/18, 09/11/18, 10/11/18 e 12/11/18
Cortes Congelados de Frango – Filezinho (Sassami) – Embalagem Plástica – 1 Kg30/10/18, 05/11/18, 06/11/18, 07/11/18, 09/11/18, 10/11/18 e 12/11/18
Cortes Congelados de Frango – Meio Peito sem osso e sem pele – caixa de papelão (interfoliado) 15 Kg30/11/18, 07/11/18, 09/11/18 e 10/11/18
Cortes Congelados de Frango06/11/18, 09/11/18 e 10/11/18

Em nota emitida nesta quarta, a BRF informou o recolhimento voluntário dos produtos. O texto ainda explica que, "caso esses alimentos não sejam completamente fritos, cozidos, assados ou manuseados conforme descrito nas embalagens, a Salmonella enteritidis representa risco à saúde, podendo causar infecção gastrointestinal".

Os consumidores que tiverem comprado os produtos devem entrar em contato com a empresa, por meio do telefone 0800-0311315 ou pelo e-mail recolhimento.sac@brf-br.com. O objetivo é esclarecer dúvidas e realizar troca ou devolução.

Bolsonaro manda Polícia Federal investigar Bebianno, que não admite se demitir


Bolsonaro na Record
Jair Bolsonaro já transformou a Record em sua emissora “oficial”
Robson BoninO Globo
Na entrevista concedida a Record nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro poderia ter defendido seu ministro Gustavo Bebianno das denúncias da “Folha de S.Paulo” de uso irregular de recursos do fundo eleitoral do PSL durante a campanha. Poderia, mas não o fez. Abriu o caminho da demissão, ao dizer que pediu investigação da Polícia Federal sobre o caso e ao dar a entender que uma minoria no partido comete irregularidades. Se algo restar comprovado contra Bebianno…
— Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens — disse o presidente.
APOIO AO FILHO – Não perguntaram a Bolsonaro se ele colocaria a mão no fogo pelo auxiliar – e nem precisava. O presidente fez coro com o filho Carlos ao chamar Bebianno de mentiroso em rede nacional de televisão. Estranhamente, porém, não anunciou, na sequência, a demissão do autor das “mentiras”. Preferiu manter, ainda que na berlinda, o aliado na Secretaria-Geral da Presidência.
A crise reafirma a impressão de que o presidente move-se pelo temperamento dos filhos e por postagens em redes sociais. Algo que apavora a ala militar do Planalto, afeita aos movimentos de bastidores. Com um novo dia inteiro para Carlos tuitar, a quinta-feira no palácio promete.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Excelente a análise de Robson Bonin. Mas faltou dizer ter ficado claro que Carlos Bolsonaro agiu com autorização do pai. No caso, o ministro Bebianno foi ingênuo, tentou se proteger se escondendo atrás de Bolsonaro. Deveria ter jogado a culpa no Diretório de Pernambuco (comandado por Luciano Bivar, presidente licenciado do partido), responsável por armar a jogada da gráfica que nem tinha máquinas impressoras. E a entrevista de Bolsonaro à Record já estava acertada. Ele deu as declarações no Palácio da Alvorada em Brasília, ainda usando a mesma roupa com que viajara de São Paulo. Conforme anunciamos ontem, aguarda-se a demissão de Bebianno. (C.N.)

Pente-fino da Receita que mira Gilmar selecionou outros 134 agentes públicos


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Gilmar e Guiomar foram flagrados em movimentação atípica
Fabio Serapião e Adriana FernandesEstadão
A força-tarefa criada pela Receita Federal para mapear agentes públicos com indícios de irregularidades tributárias selecionou 134 pessoas de um universo de 800 mil. O trabalho foi desenvolvido pela Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias (EEP Fraude).
A criação do grupo foi revelada pelo Estado em maio de 2018. O grupo, diz a nota em que a equipe apresentou seus resultados, procurou identificar agentes públicos de todas as esferas de poder cujos dados tributários apontassem para a possibilidade de crimes tributários e correlatos, como lavagem de dinheiro e corrupção. Um dos selecionados foi o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
TUDO EM SIGILO – Os nomes de todos citados são mantidos em sigilo e não há informações se foram instauradas investigações formais para cada caso.
“Não existe foro privilegiado na Receita Federal”, afirmou à época da criação do grupo o subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins. Segundo ele, o trabalho do grupo visava utilizar a experiência acumulada na atuação conjunta com PF e MPF em grandes operações para fortalecer o trabalho de fiscalização tributária.
Para esse objetivo, explica a nota, o Fisco desenvolveu uma metodologia que, além da pessoa física alvo, mira pessoas relacionadas em 1º e 2º grau (cônjuge, dependentes e empregados), sócios relacionados a pessoas com ligação em 1º e 2º grau e empresas associadas a essas pessoas.
O CASO GILMAR – Foi exatamente o que aconteceu no caso no ministro Gilmar Mendes. Ao comparar as declarações de sua esposa, Guiomar Feitosa, e do escritório onde ele trabalha, a Receita encontrou discrepâncias entre valores declarados.
Assinada por dois auditores fiscais, a nota explica que nem todos 134 contribuintes selecionados cometeram crimes irregularidades tributárias e, em alguns casos, mesmo com irregularidade tributária não existe necessidade de uma representação para fins penais. Esse tipo de representação é feita à PF e ao MPF quando os auditores encontram, além de problemas de ordem tributárias, indícios de outros crimes como lavagem de dinheiro.
“É certo que cada situação analisada pode ter uma situação particular, não havendo uma fórmula única nem um conjunto de indícios determinados para decidir-se pela abertura de um procedimento fiscal. A metodologia ora apresentada visou a identificação de indícios, que não prescindem de um aprofundamento em Âmbito regional, ainda em sede de programação”, diz trecho da nota.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em tradução simultânea, isso significa que Gilmar Mendes não está sendo perseguido; simplesmente foi flagrado junto com outras 134 autoridades que apresentam movimentação financeira atípica, que é sinônimo de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele pode espernear à vontade, mas não adianta nada. Vai acabar sendo estraçalhado pela máquina, que não funciona mais a seu favor. (C.N.)

Armínio Fraga errou! Não é verdade que o país gaste 28% do PIB com a Previdência


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Armínio Fraga disse uma asneira incrível sobre a Previdência
Pedro do Coutto
O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em reportagem de Daiane Costa e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, disse que o Brasil gasta 28% de seu Produto Interno Bruto com o pagamento de aposentadorias pelo INSS e também pelas aposentadorias e pensões dos funcionários públicos, além de incluir nesse cálculo pagamento dos funcionários em atividade. Para mim, o ex-presidente do Banco Central exagerou na dose. Afinal de contas, o Produto Interno Bruto Brasileiro supera a escala de 6 trilhões de reais.
Projetadas sobre o PIB as despesas com todos esses itens, vamos verificar que o desembolso anual do governo com a folha de salários e a cobertura do déficit do INSS está muito longe de atingir a escala de aproximadamente 2 trilhões de reais.
FAZENDO AS CONTAS – Basta lembrar que recentemente o governo afirmou que o déficit do INSS em 2018 foi de 190 bilhões de reais. É preciso inclusive explicar que esse déficit decorre da diferença entre receita e despesa com o pagamento do INSS. O desembolso foi de 790 bilhões de reais, contra uma receita de 600 bilhões de reais. Daí o déficit apresentado pelo governo.
Não se pode confundir o déficit existente com o encargo total da folha de salários. De mesma forma, não vale a pena exibir a despesa do INSS como um todo isolado, sem incluir a receita. Da maneira equivocado que Armínio Fraga coloca, para os menos avisados pode parecer uma verdade absoluta. Mas no final de contas, não se pode achar que 790 bilhões devam entrar na relação de despesas, sem que também entrem os números da receita.
REDUÇÃO DE JUROS – Na última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 6,5 ao ano (reportagem de Gabriela Valente, também em O Globo), foi atribuída à reforma da Previdência a redução dos juros cobrados pelo mercado, além de incentivo ao crescimento do PIB. Não vejo como vincular os dois assuntos repousando-os na reforma do sistema previdenciário.
Os juros reais cobrados a empresários e pessoas físicas são fixados pelos bancos, principalmente pelo Itaú, Bradesco e Santander. Quanto ao crescimento econômico, não depende da reforma da Previdência, mas sim da queda do nível de desemprego.
DESINFORMAÇÃO – Vejam os leitores os absurdos que estão povoando a administração brasileira. A desinformação, por exemplo, é um problema crítico para qualquer governo. Vejam só. O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, além de não atribuir importância a Chico Mendes, assassinado em 1988, ainda por cima classificou o líder dos trabalhadores como um grileiro atuando na Amazônia.
Demonstrou não ter o mínimo conhecimento da luta de Chico Mendes pelo meio ambiente. A reação veio de todos os lados, inclusive do vice-presidente da República Hamilton Mourão.
“Chico Mendes faz parte da história do Brasil”, destacou o general, respondendo à insignificância cultural do ministro.

Médico de Bolsonaro exagerou muito ao afirmar que ele já está “perfeito”


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Bolsonaro vai seguir o tratamento até se recuperar plenamente
Carlos Newton
O exímio médico Luiz Antonio Macedo, um dos melhores do mundo em cirurgia de abdome, foi surpreendentemente exagerado nesta terça-feira, ao afirmar ao Estadão que Bolsonaro já estava “perfeito” e poderia receber alta na quarta-feira, conforme aconteceu ontem. Esse tipo de declaração devia ser evitado, porque o presidente é impulsivo, fica achando que já está curado e se arrisca a ultrapassar a linha divisória do gramado, como dizem os locutores esportivos.
É preciso que Bolsonaro continue o tratamento em casa, poupando-se ao máximo das atribuições presidenciais, porque somente dentro de alguns meses é que poderá ser declarada sua cura definitiva.
EXISTE RISCO – Reportagem de Cláudia Collucci na Folha, publicada nesta quarta-feira, revela que o risco estimado na literatura médica é baixo, menor que 5%, e vai diminuindo com o tempo. Por isso, nas primeiras semanas após a alta é preciso atenção aos sinais infecciosos, como indisposição, febre, tosse e dor abdominal.
O infectologista Artur Timerman, entrevistado pela repórter, revela que o período mais crítico será nos próximos dois meses, tempo que leva para que a flora intestinal nativa se recomponha. “O fato de ter havido uma alteração no trânsito normal do intestino faz com o microbioma já mude bastante e há riscos de novas infecções.”
O especialista considera fundamental uma dieta equilibrada, com fibra e bastante hidratação, para que o intestino funcione todos os dias. “Um trânsito mais lento pode expô-lo a risco de infecções.”
DIETA ESPECIAL – Também entrevistado por Cláudia Collucci, o médico Carlos Sobrado, professor de Coloprotoctologia da Faculdade de Medicina da USP, diz ser importante uma dieta antifermentativa (sem frituras, alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas) e fracionada, para não distender muito o abdome e retardar o esvaziamento gástrico.
Diz o especialista que outro cuidado adicional são com os cortes abdominais da cirurgia em si e do local onde estava implantada a bolsa de colostomia. “No local da bolsa, pode sobrar uma colonização [de bactérias] da pele e voltar a infectar”, diz Sobrado. Também há riscos (menos de 5%) de novas aderências (de uma alça ou tecido grudar no outro), que são inerentes à cirurgia de intestino.
O médico Diego Adão Fanti Silva, cirurgião do aparelho digestivo da Unifesp, diz que as aderência podem acontecer a qualquer momento e não existe medida preventiva. “Quando acontecem, mais de 80% podem ser resolvidas sem necessidade de cirurgia. O paciente precisa ficar atento se apresentar náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes.”
SEM FAZER ESFORÇOS – Bolsonaro deve evitar grandes esforços, como carregar peso ou fazer musculação. Mas precisa fazer exercícios leves para fortalecer a musculatura sem aumentar muito a pressão do abdome, recomenda o cirurgião Fanti Silva, para evitar o surgimento de uma hérnia no local operado. As chances estimadas são de 15% —maiores nos primeiros seis meses e com redução gradativa depois desse período.
A reportagem confirma as informações que temos transmitido aqui na Tribuna, no sentido de que Bolsonaro precisa se poupar, evitar viagens e deslocamentos. Quando o avião aterrissa, por mais hábil que seja o piloto, sempre há um choque do trem de pouso. Além disso, existem as famosas turbulências nas proximidades de Brasília.
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P.S. – Como dizia o Barão de Itararé, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Bolsonaro precisa lembrar que não é mais o “Cavalão” do pentatlo militar. Agora, é o presidente da República e precisa se preservar, para servir ao povo que o escolheu. (C.N.)

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