Cunha diz que pedido da PGR é mais uma retaliação à deflagração do impeachment
postado em 16/12/2015 21:19
Brasília, 16 - Ao deixar seu gabinete na noite desta
quarta-feira, 16, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), disse que o pedido de afastamento do mandato parlamentar é
mais um "fato político" e uma retaliação do procurador-geral Rodrigo
Janot, que segundo ele, o "escolheu para ser investigado". "É tentativa
de desviar o foco da discussão de hoje", disse, referindo-se ao
julgamento do rito de impeachment pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo com o pedido, ele acha possível continuar comandando a Casa por
não crer que haverá interferência do STF.
O peemedebista ficou
sabendo do pedido de Janot pelo Broadcast Político e disse acreditar ser
pouco provável que a solicitação da PGR tenha andamento. Ele creditou a
peça a "mais uma retaliação à deflagração do impeachment" e avaliou que
a divulgação hoje da ação foi para "atrapalhar" a cobertura
jornalística e colocá-lo no centro dos acontecimentos. "No momento em
que está tendo uma decisão do Supremo confirmando os atos que foram
praticados aqui, aí tenta-se criar mais uma cortina de fumaça, mais um
fato político para talvez tentar dividir ou atrapalhar a mídia do dia",
concluiu.
O presidente da Casa confirmou que tinha em sua casa
cópia dos inquéritos contra ele e afirmou que as provas apresentadas
contra ele por Janot foram retiradas do próprio inquérito, proveniente
de depoimentos existentes. "Colocar que isso é um fato estranho, que
motiva o afastamento, aí cita coisas de cinco anos atrás, cita coisas
continuadas. Achei um absurdo as colocações lá", declarou.
Cunha,
que acompanhou nesta tarde pela TV o julgamento no STF, disse que o
voto do ministro Edson Fachin corrobora para a não existência de
manobras imputadas a ele. O peemedebista rebateu "a gritaria do golpe"
feita, segundo ele, por parlamentares do PT, PCdoB e PSOL e destacou que
o voto do relator mostrou "que tudo foi feito dentro da correção".
"Aquilo tudo que chamaram de golpe está confirmado, a votação secreta, a
possibilidade disputa. Foi tudo confirmado pelo voto do ministro
relator. Cadê as manipulações, os golpes, as manobras?", insistiu.
O
deputado reiterou nesta quarta-feira que pretende recorrer da decisão
do Conselho de Ética de aprovar a admissibilidade de seu processo por
quebra de decoro parlamentar. Ele pretende apresentar recurso à Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) e deve impetrar mandado de segurança no
STF por "cerceamento" do direito de defesa no colegiado. Segundo Cunha,
amanhã às 8h será notificado do processo, mas de acordo com o colegiado
a notificação será feita às 9h. O peemedebista se considera vítima de
um processo de "justiçamento". "Não há dúvidas de que isso vai cair.
Quando insistem em fazer a coisa equivocada, acaba dando nisso", previu.
Cunha
disse desconhecer a informação divulgada pela revista Época de que dois
delatores confirmaram à PGR que ele cobrava propina para liberar
dinheiro do FI-FGTS para empresas e recebia os valores em contas na
Suíça e em Israel. Segundo a revista, Cunha recebeu R$ 52 milhões em
propina. "Não li, não posso comentar", respondeu.