domingo, maio 18, 2008

Saiba como escolher o plano de saúde ideal para você e sua família

Gustavo Fernandes - Extra
RIO - As novas regras para os planos de saúde, que entraram em vigor no dia 2 de abril, ainda não foram totalmente absorvidas pelo consumidor e confundem muita gente. Mas há leis nesse mercado que permanecem valendo para orientar quem pretende contratar uma operadora, independentemente do alcance das novas coberturas. A principal dica é analisar as opções pelo perfil de uso que o consumidor necessita, para que ele não acabe pagando mais do que precisa.
A diferença de preços para clientes de uma mesma idade chega a 217%, de acordo com a abrangência do contrato. Segundo corretores, na Assim, por exemplo, um plano ambulatorial para clientes com faixa etária acima de 59 anos custa cerca de R$ 220. Já a opção mais completa - que abrange consultas, exames e internações - sai por R$ 699,24.
Entidades de defesa do consumidor alertam que, antes de escolher o melhor plano, o consumidor deve ficar atento às opções de prestadores de serviço. Quanto mais barato o contrato, menor a rede credenciada.
O corretor de planos de saúde Renato Eugênio recomenda que o cliente verifique se a cobertura é apenas ambulatorial ou hospitalar. Há ainda planos com co-participação dos associados, em que é preciso pagar uma taxa ao usar os serviços. No fim das contas, porém, a parcela mensal pode sair mais em conta.
Leia no jornal Extra deste domingo mais detalhes sobre como escolher o melhor plano de saúde adequado a você e sua família
Fonte: Extra Online

Arraiá abre festejos juninos

Marjorie Moura e Danile Rebouças, do A TARDE
Maior evento do mês de junho na capital baiana, o Arraiá da Capitá, projeto elaborado pelo Grupo A TARDE e comercializado pela Moura Marketing, tem neste ano a missão de transformar Salvador em porta de entrada das festas juninas da Bahia e do Nordeste. Com apoio institucional do governo do Estado, a expectativa é que mais de 50 prefeituras do interior montem estandes na festa, que acontece nos dias 6 e 7 de junho, no Parque de Exposições. Cada representação apresentará as características de suas celebrações, com manifestações culturais, folclóricas e gastronômicas, além de mostrar suas principais atrações turísticas.
Tudo isso numa cidade cenográfica que ocupa uma área de 20 mil metros quadrados, sendo dois mil destinados à Vila de Municípios. Cerca de 200 pessoas trabalham na montagem da estrutura do evento, que gera em torno de 600 empregos temporários, distribuídos entre os 50 pontos comerciais dentro da festa e com a venda de produtos na parte externa do parque. A capacidade do evento é de receber até 40 mil pessoas por dia.
A expectativa é que a festa priorize a valorização da cultura do São João. Com preços populares (R$ 10 para a pista e R$ 40 para o camarote), os ingressos são encontrados nas lojas do Pida, Ticketmix e Central do Carnaval, além do portal A TARDE On Line (www.atarde.com.br).
Até agora, 11 prefeituras já assinaram contrato confirmando a participação no evento, e outras 34 estão pré-inscritas. Um dos que aderiram ao projeto é Ito Meireles, presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Taperoá. Meireles destaca o formato da festa, que ressalta o interesse dos organizadores de mostrar não apenas como é comemorado o São João, mas também a força da festa em todo o Estado. “O evento tem a força duplicada porque parte da iniciativa privada. A Bahia tem o São João como festa forte em todos os seus rincões”, afirma.
O município de Camaçari também estará presente no Arraiá. Para o prefeito Luiz Caetano, será uma ótima oportunidade de divulgar os produtos turísticos e sua festa junina (Camaforró), que será celebrada de 21 a 24 de junho. “É muito importante a iniciativa do Grupo A TARDE em retomar esse projeto e manter na capital uma das mais importantes tradições do Nordeste, como é o São João”. No estande de Camaçari, a prefeitura apresentará a evolução da cidade, suas tradições culturais e artísticas.
A Prefeitura de Jequié pretende montar uma típica cidade interiorana no seu estande, com destaque para a produção de artesanato local. “O São João é o nosso forte como festa popular, e o Arraiá é um bom momento para difundirmos isso”, diz o presidente da comissão da festa junina de Jequié, Wilson Novaes.
Para Sylvio Simões, diretor-executivo do Grupo A TARDE, “a idéia levada ao governo do Estado e à Prefeitura de Salvador foi da importância de transformar Salvador no ponto de entrada das festas juninas no Estado. Ambas as instâncias governamentais perceberam este potencial, mas também contamos com apoio do setor privado e com a colaboração do publicitário Nizan Guanaes e do empresário Alex Amaral. O Arraiá da Capitá é onde se dará a abertura do São João na Bahia, mas a preocupação do Grupo A TARDE é que a festa seja essencialmente voltada para a família”, destaca.
Para Hélide Borges, gerente de marketing do Grupo A TARDE, o potencial das festas juninas da Bahia não é um fenômeno recente, mas nunca foi capitalizado por governos ou pela iniciativa privada. “A festa leva para o interior artistas e público da capital, mas nunca foi integralmente apresentada em todas as suas peculiaridades”, explica. Este é o objetivo do Arraiá da Capitá deste ano, que mostrará a multiplicidade dos festejos em cada canto do Estado.
COMO PARTICIPAR DO ARRAIÁ:
Prefeituras que desejarem se integrar ao evento devem entrar em contato com o Departamento de Marketing do Jornal A TARDE (71-3340-8780), ou procurar a Moura Marketing por meio da diretora Rita Moura (71-9974-0477).
Fonte: A TARDE

PTB pode deixar candidatura e ser vice de João

O professor e advogado tributarista Edvaldo Brito (PTB) pode abrir mão da sua candidatura à prefeitura de Salvador para ser vice do candidato à reeleição João Henrique Carneiro (PMDB). A informação circulou intensamente ontem nos meios políticos baianos, mas não foi confirmada pelo PMDB, partido do prefeito, nem pela assessoria de comunicação da prefeitura. Em entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia no início do mês, Brito, que já foi prefeito-tampão de Salvador, se colocou à disposição para ajudar o prefeito ainda nessa gestão e não descartou a possibilidade de alianças, mas ressaltou que não aceitaria ser coadjuvante. A equipe de reportagem tentou falar com o professor, mas ele está fora do Estado. O presidente estadual do PMDB, Lúcio Vieira Lima, que estava em viagem no interior do Estado, declarou que não tem conhecimento da composição de Brito com a chapa de João Henrique. A assessoria de comunicação da prefeitura afirmou que apenas o PMDB responderia pela questão. Apesar das negativas, informações do Palácio Thomé de Souza dão conta de que o acordo teria sido fechado no princípio da semana e deve ser anunciado oficialmente no final da manhã de segunda-feira (19), em local ainda a ser definido. O silêncio dos envolvidos seria proposital. A tentativa é de dar mais brilhantismo à data. De acordo com informações dos meios políticos, uma fonte do Thomé de Souza disse que o tributarista é o candidato a vice de João Henrique. Além de exaltar seu perfil pessoal e político, disse que Brito tem uma “aura” de técnico especializado na área financeira que ajuda muito na construção da imagem de que João Henrique vai resolver os problemas da capital nesta área. Doutor em Direito e Economia pela USP, Edvaldo Brito foi professor no primeiro reitorado da Ufba, na década de 40. Na vida pública exerceu os cargos de subsecretário de Saúde e secretário da Educação e Justiça do governo do Estado. Prefeito biônico da capital entre 1978 e 1982, em 1985 perdeu a eleição para Mário Kertézs. Em São Paulo foi secretário de Assuntos Jurídicos do ex-prefeito Celso Pitta. (Por Carolina Parada)
PT continua em busca do consenso entre candidatos
Depois de se reunir durante todo o dia de anteontem e estender as conversas até à noite, o PT decidiu por 8 votos a 4 adiar o calendário das prévias que começariam ontem com a realização de um debate entre os seus pré-candidatos à prefeitura de Salvador. A ala do partido que votou pelo adiamento alegou falta de tempo e de condições operacionais para a sua realização, mas houve protestos da ala ligada ao deputado Nelson Pelegrino, que defendia a manutenção do calendário. Ontem à noite, o partido voltou a se reunir para discutir um novo calendário para a realização das prévias. Segundo Edson Miranda, da executiva estadual, existe uma proposta para elas serem remarcadas para o próximo dia 25, ou para o dia 1º de junho, já que o dia 2, uma segunda-feira, é o último dia permitido pelas normas partidárias para isso acontecer. Diferente da tensão dos últimos dias, Miranda afirmou que “com o adiamento das prévias abriu-se um espaço para se dialogar mais”. Ontem circulou também a notícia de quer o partido estaria organizando uma plenária neste sábado para tratar destas questões. Contudo, a plenária que vai ser realizada no Colégio Central, às 9 horas, faz parte de uma iniciativa e tática de consenso sustentada pelas correntes Democracia Socialista (DS), Construindo um Novo Brasil (CNB), Reencampar e a Coletivo 2 de Julho. Com o adiamento das prévias, estas correntes acreditam na retomada do diálogo para que ainda saia uma candidatura de consenso. Por outro lado, provando que o partido não está parado, Edson Miranda disse que ontem foi realizado um seminário ampliado com lideranças e vereadores, “que discutiram as intervenções do governo federal em Salvador e Região Metropolitana”. Na prática, “seria uma forma de sintonizar os partidos que participaram dos debates”, completou. Segundo ele, além do PT, participaram o PSB, PCdoB, PV, PHS, PPS e PTB. “A partir daí, pode se pensar na formação da Frente Democrática Popular para disputar a eleição”, projetou. Ontem o PT distribuiu para a imprensa a carta do deputado Luiz Alberto, atual secretário da Promoção da Igualdade, o primeiro pré-candidato petista a retirar o seu nome na busca da unidade. Na carta Luiz Alberto relata a recente passagem de Lula pela Bahia, a parceria do seu governo com o de Wagner e a importância das transformações que vêm sendo experimentadas com esta parceria. Diante disso, o secretário afirma que “a cidade de Salvador precisa passar pela experiência de ser governada pelo PT. Infelizmente, parece que o grande obstáculo para que isso aconteça vem sendo o próprio PT”, advertiu ele. Luiz Alberto relatou também as dificuldades que o partido teve durante o PED, segundo ele prejudicando a tática eleitoral do partido e as discussões com as outras legendas para a formação de possíveis alianças. Além disso, ele relatou a difícil decisão de sair do governo João Henrique. Por fim, o secretário mostrou-se contrário à realização das prévias em razão do prazo e risco que elas demandariam. “A grande maioria das lideranças públicas do partido tem sido unânime em afirmar a necessidade de se evitar tal desgaste. O próprio governador, com seu espírito conciliador, tem se esforçado para que o PT, unido, escolha o seu representante sem a disputa de prévias”, disse. Na concepção de Luiz Alberto, “o PT, que está dirigindo o País desde 2003, e a Bahia desde o ano passado, não pode cometer a irresponsabilidade de marchar rumo às eleições de Salvador de forma totalmente isolada do arranjo político que dá sustentação aos nossos governos”. Ele disse ainda que, ao retirar a sua pré-candidatura, o fez “por entender que é esse o desejo da maioria da nossa militância e como demonstração para os demais companheiros, da necessidade de uma maior reflexão sobre o atual momento”. (Por Evandro Matos)
Governo amplia projeto de irrigação em Várzea da Roça
O projeto de agricultura irrigada do Rio Jacuípe, em Várzea da Roça, a 292 quilômetros de Salvador, vai contar com mais 54 lotes e chegar a um total de 100 até o fim deste ano, com investimentos de aproximadamente R$ 1 milhão. A ampliação do sistema foi anunciada ontem, pelo governador Jaques Wagner, que visitou o município na região do semi-árido baiano. A população da cidade também terá acesso a quatro Postos de Saúde da Família e 105 ligações de água. Na zona rural, o governo do Estado, em parceria com a União, vai ampliar o Programa Luz para Todos. Em apenas um ano, o número de famílias de pequenos produtores beneficiadas com o projeto de irrigação saltou de 19 para 53, num total de 160 hectares. Até o fim de 2008, mais 54 famílias serão beneficiadas com kits de irrigação que vão dar autonomia de plantio em mais 162 hectares. São pessoas como Paulo Guedes Rios, 49 anos, que trabalha na lavoura com a mulher e os filhos. A renda mensal obtida com as plantações de goiaba, banana, melancia e tomate chega a R$ 2 mil. Segundo o agricultor, outras quatro pessoas também sobrevivem da sua pequena propriedade. O gerente executivo do projeto de irrigação, Josenaldo Rios, explica que o ganho médio de cada produtor chega perto de dois salários mínimos. Segundo ele, toda a produção é vendida na própria cidade, além de municípios da região e até Salvador. Rios disse ainda que o sistema garante frutas, verduras e batata o ano inteiro. “A chuva sempre é bem-vinda, mas não dependemos exclusivamente dela para plantar”, contou.
PSDB promove o seminário “Juventude e Inclusão Social”
Depois de discutir temas como Gestão Pública, Educação e Cultura, o PSDB agora quer mobilizar a sociedade para refletir sobre os desafios da juventude. Com o tema “Juventude e Inclusão Social” o partido organiza mais um seminário hoje, através do Instituto Teotônio Vilela, às 9h, no Mar Azul Hotel, na Barra. O debate, que integra o Ciclo de Seminários “Salvador 2009 - Novos Caminhos”, terá a participação de Carla Aragão, jornalista e coordenadora executiva da ONG Cipó, de Selma Calabrich, diretora executiva da Escola Pracatum, de Elísio Pitta, diretor do Instituto Oyá, de Jane Vasconcelos, coordenadora de emprego e renda da Associação das Comunidades Paroquiais da Mata Escura e Calabetão, de Mestre Sabiá, coordenador da Associação Integrada de Esporte Arte e Cultura (Mandinga), e do economista Leonardo Dias, integrante da ala jovem do PPS e representante da Fundação Astrojildo Pereira. O objetivo do partido é reunir boas experiências desenvolvidas em diferentes áreas sociais como gestão pública, educação, cultura, saúde e juventude. “O evento terá apresentações de grupos que desenvolvem excelentes trabalhos com jovens. ”, comentou o ex-prefeito Antônio Imbassahy, coordenador do evento.
Fonte: Tribuna da Bahia

Especial Zélia Gattai/Adeus ao doce sorriso

Escritora paulistana, de coração baiano, morre aos 91 anos e deixa órfãos familiares e amigos


Zélia Gattai foi ao encontro de Jorge Amado quase sete anos após a morte do marido. Afinal, em 56 anos de convivência, nunca haviam passado tanto tempo distantes. “Eles estão de mãos dadas, juntos”, garante a filha Paloma Amado, referendando uma história de amor da qual é um dos frutos e que emociona todos que acompanharam a trajetória do casal. Com a morte de Zélia, aos 91 anos, vira-se uma das mais belas e delicadas páginas da literatura brasileira. Exímia memorialista, a escritora lançou 15 obras e dedicou os últimos anos a narrar momentos vividos com o amado Jorge. Hoje, às 16h30, seu corpo será cremado no Jardim da Saudade e, em data a ser definida, as cinzas serão depositadas na casa do Rio Vermelho, ao lado do eterno companheiro. Mas seu sorriso, doce e acolhedor, resistirá ao tempo.
'Escrever sobre Jorge para mim é uma fuga, é recuperá-lo à vida, trazê-lo bem juntinho de mim'
Fonte: Correio da Bahia

Brasil/Congresso altera lei penal seguindo ritmo das tragédias

SÃO PAULO - Se os empresários Abílio Diniz e Roberto Medina não tivessem sido seqüestrados, o Brasil provavelmente não teria a Lei dos Crimes Hediondos. Se Daniela Perez não fosse brutalmente assassinada, o homicídio qualificado poderia não estar no rol desses crimes. Se a imprensa não revelasse a violência policial na Favela Naval, em Diadema (SP), a lei contra a tortura poderia não existir. E assim por diante, com anticoncepcionais de farinha, as mortes de Liana Friedenbach e João Hélio Fernandes, os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo e tantos outros crimes de interesse nacional. É somente assim, aos trancos, a reboque de grandes tragédias, que se legisla no Brasil em matéria penal.
“Obrigada, Dorothy” foi o título dado pela novelista Glória Perez ao post de seu blog, publicado na quinta-feira , para comemorar a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 4.203/2001, que altera o funcionamento do Tribunal do Júri. Uma das mudanças foi a extinção do recurso chamado protesto por novo júri, pelo qual o réu poderia ter um novo julgamento caso sua pena fosse igual ou superior a 20 anos. A proposta do fim do recurso está no projeto de emenda popular levado ao Congresso por Cleyde Prado, mãe da menina Gabriela, morta num tiroteio na frente de uma estação de metrô no Rio, em março de 2003.
A aprovação se deu em reação à absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, acusado de ser mandante da morte da missionária americana Dorothy Stang. A absolvição só foi possível num segundo júri, realizado após o protesto. “O legislador brasileiro, especialmente no que diz respeito à lei penal, é incapaz de pensar em termos de sistema. Sua intervenção é pontual e casuística”, resume o criminalista Cristiano Avila Maronna. Segundo ele, a lei penal no Brasil “não é concebida no contexto de uma reflexão ponderada a respeito do rumo político-criminal mais adequado à nossa realidade, mas sim como fruto do estrépito causado na opinião pública”.
Prioridade para assuntos de segurança? Muito menos. A academia confirma. O estudo O que o Congresso pensa sobre a criminalidade, da socióloga Laura Frade, da Universidade de Brasília (UnB), mostra que, dos 9.244 projetos apresentados no Congresso Nacional, de 2003 a 2007, apenas 646 (7%) eram sobre crimes. Já o assessor do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Guilherme Paiva estudou, em sua dissertação de mestrado, como a comoção popular costuma influenciar nas atividades legislativas. “Ficou muito claro na minha pesquisa que as apresentações de projetos que ampliam pena ou criam crimes aumentam muito logo após um crime de comoção”, afirmou.
Segundo Paiva, isso ocorre porque o assunto criminalidade tem uma capacidade enorme de manter a atenção popular. “Tornar a lei penal mais rígida, portanto, é uma forma de o parlamentar se manter em evidência.” Por outro lado, quando se trata de acabar com privilégios, os parlamentares são bem mais comedidos. “No pacote antiviolência aprovado na quarta-feira, por exemplo, o único projeto que tratava de privilégios – aquele que previa o fim da prisão especial (para quem tem curso superior) – não foi votado.” O estudo da socióloga da UnB confirma a tese.
Das 646 propostas sobre criminalidade, no período analisado, apenas duas abordavam os chamados crimes do colarinho-branco. Então, além de os projetos serem votados sob pressão popular, há uma certa seletividade das matérias em pauta. (AE)
Fonte: Correio da Bahia

Pingue-Pongue/Marina Silva

Quem levou a fama dos bagres fui eu’


A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva diz, nesta entrevista concedida à Agência Estado, que deixa o governo motivada para fazer o que não pôde fazer. Ela repete que decidiu sair para dar uma sacudida na política ambiental. E faz uma autocrítica com relação ao segundo mandato do presidente Lula. Acha que, se fosse considerada a média do que se produziu neste um ano e cinco meses, o resultado ao fim de 2010 “seria pífio”. “Nosso desempenho nos primeiros quatro anos de governo foi fantástico. É algo que tem de ser recuperado e eu não podia mais fazer. É preciso continuar no ritmo em que começamos”. Ela, que reassumirá o mandato de senadora depois do feriado, avisa que, se a política ambiental piorar, não hesitará em usar a tribuna, “o diálogo e a capacidade de interagir que um senador tem com os ministros e o presidente”. Marina admite que a entrada das hidrelétricas na Amazônia é um processo irreversível, já que é a maior bacia hidrográfica do país. Para ela, a demora nas licenças das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, serviu de aprendizado. Nesse sentido, prevê que não haverá problemas com a de Belo Monte, no Rio Xingu. Ela planeja dizer a seu substituto, Carlos Minc, que não é necessário mudar as regras para a concessão de licença ambiental. Considera que elas são suficientes e que hoje é possível fazer uma concessão em até seis meses, como no caso da Usina de São Salvador, no Tocantins.
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Pergunta - Se a entrada das hidrelétricas na Amazônia é irreversível, por que não fazer logo as exigências necessárias, em vez de protelar a concessão de licenças, como aconteceu com Jirau e Santo Antônio?Marina Silva - O licenciamento levou dois anos, mas foi dado. Aprendemos demais com o processo. No governo a discussão envolvia Casa Civil, Integração Nacional, Minas e Energia, Meio Ambiente e Transportes. Não era discussão sobre filigranas. Por exemplo, a turbina prevista era uma tradicional, que faria com que o lago tivesse extensão oito vezes maior. Nas discussões foi sugerido, e decidido, o uso de turbinas de bulbo. Com a tradicional, haveria um septo na frente, de mais de 16m de altura, para protegê-la dos sedimentos, porque o Rio Madeira é o terceiro que mais carrega sedimentos no mundo. Com isso, as larvas dos peixes, os tais grandes bagres que me deram a alcunha de ministra dos bagres, ficariam retidas com os sedimentos. Teríamos também o problema de deposição de mercúrio. Segundo estudos, em dez anos o lago estaria assoreado. Era ou não relevante diminuir o lago, resolver o problema dos peixes, do mercúrio, da malária? Estas questões levaram aos debates. E o bom foi que percebemos que havia resposta técnica para tudo. E o determinante do ponto de vista político e ético foi que faríamos o empreendimento, mas resolvendo o problema do mercúrio, dos sedimentos, dos bagres e da malária. E o licenciamento não foi contestado na Justiça ao ser concedido porque foi feito com capacidade técnica, com cláusulas condicionantes.
Pergunta - Que empreendimento terá dificuldade para ter a licença ambiental?
MS - Angra 3 terá muita dificuldade.Pergunta - Quem fez a crítica à proteção aos bagres foi Lula. E a senhora só ficou sabendo que o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) comandaria o Plano Amazônia Sustentável no lançamento. Quando discursou, a senhora falou na história dos bagres. Foi uma vingança?
MS - Não tenho a informação de que foi o presidente Lula quem falou nos bagres. Os jornais noticiaram que um deputado disse que foi ele. Quando falei dos bagres, não estava me vingando. Procurei fazer uma brincadeira, uma metáfora. O político tem de ter certa leveza. Quem levou a fama dos bagres fui eu. Onde chegava, alguém perguntava: “E os bagres?”. Eu é que era folclorizada nessa história.
Pergunta - A senhora se irritava muito com essa questão dos bagres?
MS - Não. Tem gente com preconceito contra índio. Se alguém me chamar de índio, vou ficar orgulhosa. Se disserem que sou defensora dos bagres, vou sentir orgulho, porque defendo a vida deles e também a geração de energia para o país. Sou defensora do menor sapinho que tiver na margem de um rio, mas sou também defensora dos biocombustíveis. A resposta boa é que é possível ter energia protegendo os bagres, foi o que a gente fez. É possível produzir os biocombustíveis mantendo as áreas de preservação permanente, as unidades de conservação, os corredores ecológicos.
Pergunta - Carlos Minc defende uma legislação que dê mais rapidez à concessão das licenças ambientais.
MS - Recebi um recado de que Minc quer conversar comigo. Se tiver oportunidade, vou dizer que o Brasil tem uma excelente legislação ambiental. O que temos é déficit de implementação. Os ministros anteriores deram uma grande contribuição na questão do marco regulatório. Quando cheguei ao ministério, já com o marco regulatório, pudemos trabalhar o desenvolvimento sustentável e a lei de gestão de florestas públicas. O licenciamento é um processo difícil, complexo, que se firmou bem no Brasil. É um dos poucos países da América Latina que conseguiram consolidar uma política de licenciamento ambiental. Não é fácil. Vários países ainda estão na pré-história do licenciamento.Pergunta - Então, por que a demora na concessão das licenças?
MS - Quando cheguei ao ministério, havia cerca de 80 servidores e 90% contratados temporariamente. A média de licenças era de 145 por ano e 45 estavam na Justiça. Fortalecemos o Ibama, fizemos concursos. Hoje são mais de 180 servidores concursados, com mestrado, doutorado, técnicos respeitados. Apenas 20% são temporários. Com isso, os empreendedores passaram a ter maior responsabilidade, que é apresentar projetos com maior qualidade. Saímos de uma média de 145 para 230 licenças por ano. Com a diferença de que neste momento não há nenhuma judicializada.
Pergunta - A senhora disse que saiu do governo porque estava sem condição de tocar a política ambiental e seu gesto daria uma sacudida no setor, o que ocorreu. A senhora ficou decepcionada com os resultados obtidos?
MS - Se falar em termos de decepção vou deixar de falar sobre a coisa mais importante, a motivação. Quero manter a motivação para ajudar a fazer as coisas que não foram feitas. Saio motivada para fazer aquilo que não pude fazer. Espero que a agenda não sofra nenhum rebaixamento, que siga só para cima, e não para baixo.Pergunta - Se a política ambiental mudar, afrouxar, o que a senhora fará?
MS - Se estivesse no governo, usaria o espaço institucional. No Senado, terei a tribuna, comissões, o diálogo e a capacidade de interagir que um senador tem com os ministros e o presidente. Temos toda condição de implementar a resolução do Conselho Monetário Nacional, de vetar a concessão de crédito a partir de julho para quem tem investimentos em áreas ilegais.
Pergunta - Que análise faz do seu desempenho e do governo na área?
MS - Nosso desempenho nos primeiros quatro anos foi fantástico; nos primeiros um ano e cinco meses deste mandato, se pegarmos a média, ao chegar em 2010 seria pífio. Isso é algo que tem de ser recuperado e eu não podia mais fazer. No dia do lançamento do PAS havia expectativa de criação de uma unidade de conservação no Xingu. Mas não foi criada. Há violência, a comunidade quer a criação porque os jagunços estão lá, atirando. Quando criarmos as pessoas serão protegidas. É preciso continuar no ritmo em que começamos.
Fonte: Correio da Bahia

Punição para a má conservação

Tribunais começam a dar ganho de causa a vítimas de acidentes. Prefeitura é o grande alvo
Duilo Victor
Primeiro, veio o protesto em forma de campanha pelo boicote ao pagamento do IPTU. Passada a rebelião contra o mau uso dos impostos na conservação urbana, um movimento silencioso já ganha força nos tribunais do Estado do Rio. Se você se acidentou em um buraco na calçada ou quebrou o carro no asfalto com defeito, basta reunir provas para pedir na Justiça indenização pelos danos materiais e morais. Em uma das decisões mais recentes, o ressarcimento chegou a cerca de R$ 25 mil.
Desembargadores do Estado têm condenado prefeituras, inclusive a do Rio, a ressarcir os prejuízos causados pela negligência oficial. Mês passado, a cobradora de ônibus Rizoni Maria dos Santos, 47 anos, conseguiu importante vitória na 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça.
A cobradora, moradora de Vila Valqueire, no subúrbio, foi atingida de uma só vez por duas típicas mazelas cariocas. Na madrugada do dia 24 de junho de 2001, estava a trabalho pelo bairro de Guadalupe quando uma festa junina fez o ônibus desviar da Rua Marcos de Macedo. Junto com as luzes da festa, por volta das 4h30, veio o barulho de tiros.
Rizoni saiu do banco de cobradora e abaixou-se no fundo do ônibus até o tiroteio acabar. Passado o primeiro perigo, a cobradora não esperava cair na segunda armadilha. No mesmo instante em que pegava impulso para pular uma barra de ferro separando seu banco dos demais, o coletivo passou por um buraco no asfalto, causando um efeito catapulta no seu corpo.
O saldo do tombo foram seis anos em cadeira de rodas, oito parafusos e uma placa no tornozelo direito. Perdeu dois centímetros e meio da perna direita e, depois de oito meses de fisioterapia, hoje anda com muletas e teve de voltar para o trabalho, pois a Previdência não lhe deu a pensão por invalidez.
Os magistrados condenaram a prefeitura do Rio a pagar cerca de R$ 25 mil por reparação de danos morais e estéticos causados pelo acidente mais uma pensão de um terço do salário. Mas a Procuradoria Geral do Município ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.
– Ainda não recebi o dinheiro, mas quando vier, vai dar para comprar um terreno e construir um barraquinho, para sair do aluguel – conta a cobradora, satisfeita em recorrer à Justiça mas sem paciência com a demora que chegará ao sétimo ano.
O promotor Rodrigo Terra, da promotoria de Defesa do Consumidor Ministério Público Estadual, explica que, apesar de o contribuinte pagar com impostos pela rua que usa, a relação com o poder público não é simplesmente um caso de Procon.
– A questão é de responsabilidade civil – resume o promotor. – Uma vez que ocorre o acidente por causa de defeito na via pública, o município é diretamente responsável, mesmo que não haja culpa.
Numa cidade onde a conservação foi deixada para segundo plano durante os investimentos para o Pan, a tal responsabilidade "mesmo sem culpa", conforme disse Terra, pode dar grandes prejuízos aos cofres municipais. Na berlinda, o prefeito Cesar Maia – que admitiu em outras ocasiões ter deixado a conservação urbana em segundo plano para acontecer os Jogos Pan-Americanos – não questiona a lei: "Imprescindível", foi o que respondeu o prefeito sobre a responsabilidade objetiva de seu governo sobre os acidentes causados por buracos.
Cesar garante, no entanto, que os pedidos de indenização contra a prefeitura não têm conseguido sucesso ao chegaram aos tribunais superiores:
– Gostaria de conhecer os casos em que a prefeitura do Rio foi penalizada, pois há muito tempo que não me chegam.
Buraco metropolitano
O embate entre os buracos e o contribuinte não é exclusividade da capital. A bancária Maria Cristina Telles Lima, 50 anos, acidentou-se em Niterói em 2004. Também este ano saiu o acórdão da 17ª Câmara Cível que manteve a decisão de indenizar a niteroiense em R$ 10 mil por danos morais. O relator da apelação, o desembargador Henrique Carlos de Andrade Figueira foi claro: " O município tem o dever de zelar pelas pessoas que transitam nas vias públicas e responde pelos danos decorrentes de sua incúria e omissão...".
Maria Cristina tropeçou em uma falha no calçamento em frente À estação das barcas de Niterói, quando vinha do Rio. Teve três fraturas no pulso e fez cinco meses de fisioterapia:
– Nós, mulheres, trabalhamos de salto estamos sujeitas a cair em qualquer dessas calçadas. Mais pessoas estão se acidentando e não brigam por seus direitos.
Fonte: JB Online

Editoriais - A banalização das escutas telefônicas

Em março, convidado para depor na chamada CPI do Grampo, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence – alvo de escuta telefônica clandestina no seu gabinete – foi contundente ao criticar a "facilidade" com que juízes concedem autorização judicial para interceptações telefônicas em investigações criminais, embora a Lei 9.296/96, que regula a matéria, proíba a medida quando "não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal", ou "a prova puder ser feita por outros meios disponíveis". Pertence tachou de "intolerável" a "banalização" das escutas telefônicas legais, que chegaram a mais de 400 mil só no ano passado.
O perito criminal da Universidade de Campinas (Unicamp) Ricardo Molina comentou, em recente entrevista, que o medo do grampo é hoje tão generalizado que as pessoas passaram a falar pelo telefone sobre questões financeiras – às vezes até familiares – em linguagem cifrada. As conversas em código, além de complicarem a vida dos cidadãos, podem também prejudicar a obtenção de provas em interceptações autorizadas de telefonemas entre pessoas contra as quais há fortes indícios da prática de crimes.
A 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça começou a julgar, na última terça-feira, um caso sobre outro aspecto da grave questão – a legalidade e a razoabilidade dos prazos de permissão para interceptações telefônicas – que o ministro-relator, Nilson Naves, considera emblemático. Para ele, "estamos fazendo opção entre dois tipos de Estado: ou eminentemente de direito ou de orientação policialesca". O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Paulo Gallotti, mas o voto do relator merece destaque especial, por ser um indício de que o STJ deve alterar os precedentes, do próprio tribunal, que ainda permitem prorrogar a interceptação legal tantas vezes quantas forem necessárias, desde que bem fundamentadas.
Trata-se de um recurso em habeas corpus, no qual se discute se é nula a prova derivada de nada mais nada menos do que dois anos de escutas telefônicas feitas em linhas de empresas do Grupo Sundown, do Paraná, que serviram de base para a condenação, nas instâncias inferiores, dos dois empresários que seriam os "cabeças" do grupo, acusados de operações fraudulentas de importação, com graves prejuízos à fiscalização tributária. Ambos estão foragidos e a investigação ocorreu em conseqüência de operações da Polícia Federal e dos trabalhos da CPI do Banestado, que apuraram o envio ilegal de dinheiro para o exterior por meio de contas CC5.
O ministro-relator do processo lembrou, em seu voto, que o artigo 5º da Lei 9.296 dispõe que "a decisão (quebra do sigilo telefônico) será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de 15 dias, renovável por igual tempo, uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova".
De acordo com Naves, fica claro que a lei se refere a uma única renovação, e não a renovações em série que podem somar mais de dois anos, como ocorreu no caso em pauta. E é enfático, ao proclamar em seu voto: "Entre a liberdade e a segurança, fico com a liberdade; entre a exceção e a regra, fico com a regra. Minha opção é pelo estado de direito, não pelo estado de orientação policialesca".
O ex-presidente do STJ ressaltou ainda que nem mesmo no estado de defesa – medida excepcional prevista no artigo 136 da Constituição, em que são suspensas várias garantias do cidadão – há previsão de quebra de sigilo por tanto tempo, como ocorreu no recurso em julgamento. No estado de defesa – ao qual, felizmente, não houve necessidade de se recorrer até hoje – a escuta telefônica é permitida por 30 dias, prorrogáveis por igual prazo. O ministro questiona, com propriedade, que na vigência do estado de direito alguém tenha o poder de suspender, por tempo indefinido, a cláusula pétrea constitucional da inviolabilidade das comunicações telefônicas.
Fonte: JB Online

PDT agoniza em meio às denúncias

Partido criado por Leonel Brizola, em 1981, sente cada vez mais a falta do seu líder
Raphael Bruno
Brasília
A uma semana das comemorações relativas ao seu 28º aniversário, o PDT nunca sentiu tanta falta do seu maior expoente, Leonel Brizola. Nos últimos três meses, o partido amarga um de seus piores infernos astrais desde que foi fundado, em 26 de maio de 1981, por Brizola e outros trabalhistas históricos. Alguns de seus principais líderes da atualidade se viram repentinamente envolvidos em uma série de denúncias. Às vésperas, também, do aniversário de quatro anos da morte do antigo líder, a legenda tenta encontrar uma porta de saída da turbulência e chegar inteira nas eleições municipais de outubro.
– Os momentos atuais estão difíceis, não vou negar – admite o deputado federal e hoje presidente nacional do PDT, Vieira da Cunha (RS). – Mas creio que momentos assim são de afirmação, são oportunidades para o PDT reafirmar seus compromissos, sua coerência diante da população. O Brasil carece de partidos de identidade, de partidos que atuam orientados por bandeiras programáticas como o nosso – avalia Cunha.
O deputado conhece como poucos as entranhas pedetistas. Em tempos de promiscuidade partidária, sua trajetória de fidelidade dentro da legenda chega a impressionar. Está no PDT "a vida inteira", costuma dizer. Entrou para o partido ainda em 1981, aos 21 anos de idade. O grande impulso havia sido dado dois anos antes, quando o então jovem estudante Vieira da Cunha havia se impressionado com a palestra "Rumo a oposição", ministrada por Brizola logo após sua chegada do exílio. As palavras do líder pedetista contra o regime militar conquistaram Vieira. Desde então, o parlamentar se dedica às atividades político-partidárias.
Trajetória
Em 1982, aos 22 anos de idade, corre uma fracassada campanha para vereador. Posteriormente, se torna presidente da juventude do partido. Consegue o cargo de vereador em 1988. O de deputado estadual viria em 1994. Seria reeleito nas duas eleições seguintes, em 1998 e 2002. Em 2006, chega à Câmara dos Deputados. Dois anos depois, Vieira da Cunha assume a presidência nacional do partido. Mas não da forma pela qual gostaria.
O deputado, até então vice-presidente do PDT, foi empossado no cargo após conturbada saída do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, do comando da legenda. Lupi foi o primeiro líder do partido a sentir a pressão de denúncias de práticas irregulares pesar nas costas. Seria, também, o que mais facilmente se desvencilharia delas (confira quadro). Mas a saída da presidência da legenda persistiria mesmo com o apaziguamento das acusações contra ele.
Complicado
Em situação muito mais delicada estão o presidente da Força Sindical e deputado federal, Paulo Pereira da Silva (SP), e um dos dois governadores do partido, Jackson Lago (MA). Ambos na mira da Justiça Federal.
Cunha não deixa muitas dúvidas em relação ao que seria essa "reafirmação da coerência" do partido.
– O PDT não compactua com com atos de corrupção. Essa é a nossa história e vamos honrá-la. Na medida em haja comprovação de práticas irregulares, iremos aplicar as sanções que nos cabem – diz.
O discurso firme, por enquanto, é só discurso. Na eclosão das denúncias contra Paulinho, senadores do partido, como Osmar Dias (PR) e Jefferson Peres (AM), chegaram a declarar publicamente que seria melhor para Paulo se licenciar da legenda. Alguns dos principais caciques se reuniram na sede da Executiva Nacional para discutir as acusações e ouvir as argumentações de Paulinho. Na saída do local, decorado com largos quadros de figuras históricas como Getúlio Vargas, João Goulart e do próprio Brizola, as declarações foram de apoio ao deputado.
– Não podemos fazer pré-julgamentos – defende Vieira da Cunha.
Outra ala considerável do PDT é mais incisiva na defesa dos colegas e, em sintonia com as argumentações de Paulinho e Jackson Lago, atribuem as acusações à perseguição política.
– Creio que a elite não aceitou muito bem o PDT reinserido no governo e com o papel, vitorioso, de acabar com a agenda neoliberal – observa o deputado federal e presidente do PDT no município do Rio de Janeiro, Brizola Neto (RJ), um dos herdeiros do legado político do avô.
À esquerda
Líderes do PDT, juntamente com os de outros partidos do chamado bloquinho, como o PSB e o PCdoB, reafirmam em diversas ocasiões que o papel do bloco hoje é "puxar" o governo Lula para a esquerda. No segundo turno das eleições presidenciais de 2006, por exemplo, o PDT condicionou seu apoio à reeleição de Lula ao compromisso de que o governo não promoveria nova reforma da previdência.
Lula, a princípio, topou. Mas logo na primeira reforma ministerial de seu segundo mandato surpreendeu ao nomear Carlos Lupi para o Ministério do Trabalho ao invés da Previdência, como vinha sendo especulado. Justificando-se, o presidente comentou que seria difícil para Lupi realizar algumas das "mudanças necessárias" na Previdência.
Ao longo de 2007, o governo promoveu o Fórum Nacional da Previdência Social justamente com o intuito de apresentar sugestões para uma futura reforma. O fórum foi encerrado em outubro do ano passado. O Ministério da Previdência não avançou com a idéia desde então. Para Brizola Neto, tudo não passou de uma forma de driblar as pressões por uma reforma.
– Hoje o debate se esvaziou. O governo trabalha com sinais para o mercado, que cobra muito esta questão – salienta.
No final do ano passado, o PDT voltaria a condicionar seu apoio ao governo à adoção de posições mais à esquerda. O partido, capitaneado pelo senador Cristovam Buarque (DF), vinculou o voto favorável à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) ao fim da Desvinculação de Receitas da União (DRU) para os recursos da educação. As duas prorrogações foram votadas conjuntamente, embora a DRU, ao contrário da CPMF, tenha sido aprovada. A desvinculação permite ao governo destinar parte dos recursos vinculados constitucionalmente à Educação para o superávit primário, a economia feita pelo governo para pagar custos da dívida pública.
Fonte: JB Online

Coisas da política: Um voto lógico, coerente e racional

Rodrigo de Almeida
Diz certa regra canônica que cenários eleitorais configuram um terreno turvo, cheio de complexidades e mistificações – decifrar o comportamento aleatório, incoerente e ilógico do eleitor é, portanto, coisa para profissionais. Falso. Acaba de sair um belo estudo que reforça a negação do engodo: em A cabeça do eleitor, que a editora Record levou às livrarias esta semana, o cientista político Alberto Carlos Almeida demonstra que a lógica na qual o eleitor se orienta é mais simples do que supõe a vã sabedoria difundida entre nós. Depois de analisar 150 disputas eleitorais municipais, estaduais e federais, Almeida informa que o brasileiro vota a favor do governo ou do candidato do governo se estiver satisfeito ou considerar que melhorou de vida. Vota no candidato de oposição se sentir insatisfação ou achar que a vida está pior. Um cálculo racional.
Simples e fácil assim. "A cabeça do eleitor é uma só em um sentido bastante específico", diz o professor. "A lógica de decisão é a mesma. Mas, todos sabem: cada eleição é diferente. E não é diferente por causa da lógica de decisão, mas porque a situação é diferente". Ou seja, o que explicaria, lá atrás, a eleição de Fernando Henrique Cardoso também explicaria a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A conjuntura é outra, mas a lógica é a mesma – um cálculo racional leva o eleitor a trocar o voto por benefícios do passado recente e do presente. Se política é como nuvem, conforme dizia Magalhães Pinto, o mesmo não se aplica à opinião pública. (A frase sugeria que, no campo da conjuntura política e das articulações partidárias, num instante há um formato e, no passo seguinte, está de outro jeito).
Que lógica é essa a reger o voto? Seis, segundo o autor: 1) a avaliação do governo; 2) a identidade dos candidatos (quanto menos identidade reconhecida, mais vulnerável); 3) o nível de lembrança (recall) dos candidatos; 4) o currículo dos candidatos (e seu preparo para cumprir o que promete); 5) o potencial de crescimento dos candidatos, que combina a rejeição de cada um com o respectivo nível de conhecimento do eleitorado; 6) os apoios políticos (popularidade e simpatia não se transferem, diz Almeida).
Que fique bem entendido: o estudo de Alberto Almeida não é o primeiro nessa linha – nem dentro nem fora do Brasil. Mas tem potencial de expandir a contra-regra. O professor é bom de venda. Para quem não tem obrigação de saber, é dele A cabeça do brasileiro, do ano passado, no qual mostrava as crenças e valores dos brasileiros. O livro fez barulho e virou best-seller. Dizia que a parcela mais educada da população é menos tradicional do que os menos escolarizados. Tem valores sociais mais sólidos e é menos preconceituosa. Agora, com A cabeça do eleitor, Almeida alinha-se a uma galeria de estudos segundo os quais a escolha do eleitor se dá muito mais em função da sua avaliação das realizações do governo em curso do que com base em promessas de mudanças no futuro.
Almeida não diz claramente, mas a lógica do eleitor brasileiro é rigorosamente a mesma de outros países. Em matéria de análise eleitoral, a ciência política informa que os eleitores respondem favoravelmente a políticos que atendem a seus interesses, independentemente de nível de renda, de educação ou de local de residência. Há um jargão para descrever esse mecanismo: voto retrospectivo – aquele que avalia o comportamento do passado recente do político. Sem entender esse componente do voto, muitos analistas fundiram a cuca com a reeleição de Lula em 2006. Assombraram-se com a racionalidade de três tipos "mal vistos" pelo conservadorismo: os pobres, os negros e os nordestinos. Depositaram seu voto retrospectivo num governo que lhes proporcionou programas prometidos, nada mais.
O professor ignora o voto para o Legislativo, no qual a premissa também é a mesma. Estão dispensados os habituais ataques contra a (falta de) memória do eleitor. Como lembra outro cientista político, Wanderley Guilherme dos Santos, o Brasil apresenta níveis altíssimos de renovação no Parlamento, o que torna a competição eleitoral brasileira uma das mais duras do mundo. Este eleitor, diz ele, muda, e muito, o voto conforme as circunstâncias mas – aí é que são elas – não muda de lado. Tem lógica e coerência.
A cabeça do eleitor tem mais de 300 páginas com muitas análises, quadros, tabelas, regras e definições. Que o leitor não se espante caso não seja um analista eleitoral, um marqueteiro ou um pesquisador. Sendo eleitor, num ano de eleições, já terá valido a leitura.
Fonte: JB Online

Espião do Planalto culpa mais dois por dossiê

Pires cita subordinado e secretário de Administração
O ex-secretário de Controle Interno da Presidência José Aparecido Nunes Pires, responsável pelo vazamento do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique, nomeou à Polícia Federal outros dois funcionários da Casa Civil que participaram da montagem do documento.
Em depoimento na sexta-feira à Polícia Federal, do qual saiu indiciado, José Aparecido disse que recebeu a planilha pronta de Marcelo Veloso, da equipe que ele comandava no Planalto, e que a ordem para que cedesse servidores para o levantamento das despesas do governo tucano partiu de Norberto Temóteo, secretário de Administração.
José Aparecido admitiu que enviou o e-mail para o gabinete do senador tucano Álvaro Dias (PR), mas que a planilha Excel seguiu por engano.
– Reconheço que saiu da minha máquina, mas foi sem dolo ou má-fé – disse ao delegado. – Tive uma surpresa quando percebi que tinha enviado (...). Não lembro como.
O advogado Luiz Maximiliano Telesca confirmou que "em nenhum momento" seu cliente assumiu à PF que teve intenção de vazar dados.
O ex-secretário contou que Veloso, por ser seu subordinado, entregou-lhe um pen-drive. Dele, teria baixado dois documentos em seu computador: um texto em Word com o título Supervisão Ministerial e a planilha em Excel com os gastos de FH, Ruth Cardoso e ex-ministros, chamada de Suprimento de Fundos.
José Aparecido disse que pretendia enviar a André Fernandes, assessor do senador tucano, apenas um texto, não a planilha.
– Ele foi enfático ao dizer que não passou os dados propositadamente – disse o advogado.
O delegado Sérgio Menezes, encarregado do caso, perguntou se a ministra Dilma Rousseff ou a secretária-executiva Erenice Guerra tinham ordenado o levantamento ou tido algum envolvimento. Aparecido não as eximiu. Disse que não poderia fazer comentários sobre isso. Afirmou que foi Temóteo quem lhe pediu reforços porque o Planalto decidira preparar-se para responder a futuras indagações sobre gastos com cartões corporativos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus ministros.
Dirceu
Menezes questionou a eventual participação do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Aparecido, militante do PT e apadrinhado por Dirceu, negou ter submetido o dossiê ou combinado seu vazamento com o ex-chefe. Disse à PF que os dois conversam "freqüentemente", mas nunca trataram do assunto.
Aparecido foi indiciado por "quebra de sigilo funcional"', enquadrado no artigo 325 do Código Penal, que prevê pena de reclusão de dois a seis anos, além de multa. A PF já colheu o depoimento de Marcelo Veloso. Pretende ouvir esta semana Noberto Temóteo. Espera que ele esclareça quem encomendou o dossiê. A íntegra do depoimento de José Aparecido será revelada na terça, na CPI dos Cartões. (Folhapress)
Fonte: JB Online

sábado, maio 17, 2008

Uma reflexão para os exploradores da política


"Seita ortodoxa espera Apocalipse em abrigo subterrâneo de Moscou Publicado em 19.11.2007, às 11h26.
“Temendo o Apocalipse, previsto para maio de 2008, 30 adeptos de uma seita ortodoxa, que mantêm entre eles quatro crianças, estão entrincheirados num abrigo subterrâneo, ameaçando fazer-se explodir se as autoridades tentarem tirá-los de lá. "Dizem que tudo é diabólico no mundo. Que a globalização é diabólica e prevêem a chegada do Anticristo", explica o padre Alexei, que veio rezar no local perto da cidade de Nikolskoie na região de Pienza (sudeste de Moscou). "Lamento por eles, por terem se aprisionado por um sonho que não existe", acrescenta. O grupo ameaça explodir tudo com botijões de gás se as forças da ordem tentarem retirá-los de seu abrigo, instalado no fundo de um barranco, onde acreditam piamente que estão protegidos do fim do mundo. “
Por: J. Montalvão
Lendo a matéria acima me chegou à idéia que o Apocalipse não chegou na cidade russa, mas talvez tenha chegado ou vá chegar na Câmara de Vereadores de Jeremoabo/Bahia, se com Josadilson o povo já não está muito satisfeito, pior com o que está por vir, se a praga for concretizada, é de se chorar lagrimas de sangue, porque Jeremoabo/Bahia já se atolou até a medula no pior lamaçal de sua história.

Aproveito deste site para fazer um apelo aos homens de bens que ainda existem naquela casa, independente de partido político, que façam um exame de consciência e não deixem que os nossos antepassados estremeçam no tumulo onde se encontram, envergonhados de ter nascido nessa terra que tanto nos orgulhamos e amamos.

Espero que os homens de bem que ainda restam naquela casa, que não deixem o apocalipse se apoderar dela, e lembrem que tem filhos que no futuro poderão se orgulhar desse ato de bravura de não ter deixado a casa do povo mergulhar no podre lamaçal que está sendo desenhado, esqueçam dos mercenários e juntem-se aos homens de bem da nossa Jeremoabo, pois os aventureiros sempre são passageiros e por si só se destroem como já estamos começando a assistir.

Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá

O PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA E O REGISTRO DE CANDIDATO.


“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética.O que mais preocupa é o silêncio dos bons!" (Martin Luther King).

Ao abrir o site www,jeremoabohoje.com.br, no blog anexo do Dedé, encontrei a transcrição de um artigo da rubrica de Antonio Vital, apresentador do programa Expressão Nacional, publicado no congressoemfoco, sob o título: A Justiça vai legislar mais uma vez , dando conta da pretensão do TSE em barrar nas próximas eleições, o candidato que esteja respondendo a processo penal.

Na matéria mencionada, o articulista alinha algumas iniciativas do Poder Judiciário que impuseram regramentos novos ao processo eleitoral, como a cláusula de barreira e a verticalização nas eleições. Segundo ele, se não caísse à cláusula de barreira que seria aplicada pela primeira vez em 2006, se não tivesse sido derrubada, só sete dos 29 partidos registrados no TSE teriam sobrevivido. Segundo ele:

“ A diferença é que, agora, o TSE mudou, e muito. O novo presidente do tribunal, Carlos Ayres de Britto, já admitiu publicamente, em mais de uma ocasião, que é contra a candidatura dos processados. Ele votou a favor da impugnação da candidatura de Eurico Miranda nas últimas eleições, mas acabou sendo voto vencido no TSE. De lá para cá, o tribunal trocou quatro de seus sete ministros e uma nova decisão sobre o mesmo assunto virou uma incógnita.”

A teoria dos Três Poderes é o resultado do pensamento do francês Montesquieu, a partir da obra Política, do pensador grego Aristóteles, e de John Locke, que escreveu Tratado do Governo Civil. A divisão entre os poderes enterrou o pensamento absolutista e ficou cristalizada no art. 16 da Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, sendo encorpada pela nossa legislação constitucional, a partir da Constituição de 1881, repetida nas demais.

A nossa Carta Federal de 1988 no seu art. 2º traz o seguinte enunciado: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.” Já no seu art. 60, § 4º, III, veda que seja objeto de deliberação, emenda tendente a abolir a separação dos Poderes.

O mesmo texto primário da ordem jurídica nacional define a competência de cada um dos Poderes da União, Título IV – DA ORGANIZAÇÃO DOS PODÊRES -, reservando ao Poder Legislativo, a competência exclusiva para legislar, arts. 44, 48, 59 e 64. Mesmo a famigerada e viciosa Medida Provisória, por ato do Poder Executivo, é submetida ao crivo do Poder Legislativo, titular do processo legislativo, assim como as leis de iniciativa dos Poderes Executivo, Judiciário e popular.

Em razão da repartição entre os Poderes, surgiu o sistema de freios e contrapesos, em que um Poder controla o outro, evitando que um se sobreponha um sobre o outro, marco da sociedade democrática.

Sob que pese a divisão entre os Poderes acolhida pela nossa Carta de 1988, o Poder Judiciário, aproveitando o vazio, a omissão e o desprestígio do Congresso Nacional, passou a legislar, o que se constitui em sério risco a ordem constitucional brasileira, sob que pese a receptividade que vem tendo por segmentos da sociedade a até por parte dos pensadores nacionais na área jurídica.

Em dois artigos de minha rubrica, tive a oportunidade de citar o pensamento do Prof. Cláudio Lembo, pois, para ele, “admitir que o Poder Judiciário, sob o argumento de interpretar a lei, supra o legislador nacional, estará se proporcionando grave risco para a ordem democrática, com a possibilidade de se estabelecer a Ditadura dos tribunais. Segundo ele, “isso é apavorante, a pior ditadura é a ditadura do Judiciário. A ditadura da toga é a mais perigosa das ditaduras, porque é difícil de ser combatida.”

O TSE com a chancela do STF, criou o instituto da infidelidade partidária, que consiste na perda do mandato político, daquele que depois de eleito venha trocar de partido político. Embora a prática fosse imoral, não recebia reprimenda legal, por falta de previsão constitucional, já que o art. 55 da CF, não contemplou a hipótese. Mesmo assim, foi criada norma constitucional pelo Poder Judiciário e inúmeros parlamentares tiveram seus mandatos declarados perdidos.

No pensamento de Rui Barbosa, "Na ordem da autoridade o Supremo Tribunal está acima de tudo. Mas, na ordem da justiça, acima do próprio tribunal supremo, que eu reverencio, quanto os que mais o reverenciarem, se eleva uma Corte de Apelação, a que ele mesmo há de curvar-se: a consciência do país." A consciência no Brasil contemporâneo, vem repousando na descrença das instituições e validando atos ilegítimos, resultando graves distorções na ordem constitucional e para a democracia.

Em duas oportunidades o STF ratificou criações legislativas do TSE, ao validar as novas faixas para composição das Câmaras Municipais e na criação do instituto da fidelidade. Felizmente, o Judiciário não dispõe de Divisões do Exercito. Se houvesse, a violação da ordem constitucional seria muito mais violenta.

O TRE do RJ nas eleições passadas, indeferiu o registro de candidato que tivesse respondendo a processo penal, tendo as decisões sido reformadas pelo TSE. Agora se anuncia que o TSE pretende rever a matéria.

A CF de 1988, no art. 5º, LVII, consagra o princípio da presunção da inocência, ao dizer: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;.”

A mesma CF no art. 15, III, prevê, que é “Vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda só se dará nos casos de: III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;. O conceito da coisa julgada, é encontrado no art. 467 do CPC que enuncia: “Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.”

Tramitando processo penal contra o pretendente a se candidatar a cargo eletivo nas próximas e futuras eleições, não poderá o pedido de registro dele ser indeferido, em razão do processo, por força do quanto prescrito nos arts. 5º, LVII, e 15, III, da CF.

A LC nº. 64, que trata das Inelegibilidades, no art. 1º, I, letra e, diz ser inelegível: “e) os que forem condenados criminalmente, com sentença transitada em julgado, pela prática de crime contra a economia popular, a fé pública, a administração pública, o patrimônio público, o mercado financeiro, pelo tráfico de entorpecentes e por crimes eleitorais, pelo prazo de 3 (três) anos, após o cumprimento da pena;.”

O regime ditatorial militar implantado em 1964, com a LC nº. 05, de 29 de abril de 1970, impedia o registro de candidatura que tivesse contra si oferecida denúncia por iniciativa do Ministério Público, a teor do art. 1º., n, como se vê:

“Art. 1º - São inelegíveis:

n) os que tenham sido condenados ou respondam a processo judicial, instaurado por denúncia do Ministério Público recebida pela autoridade judiciária competente, por crime contra a segurança nacional e a ordem política e social, a economia popular, a fé pública e a administração pública, o patrimônio ou pelo direito previsto no art. 22 desta Lei Complementar, enquanto não absolvidos ou penalmente reabilitados;.”

O princípio da presunção da inocência do inciso LVII do art. 5º da CF, não admite interpretação extensiva ou restritiva. Em se tratando de garantia constitucional, impede ao Juízo Eleitoral indeferir pedido de registro de candidatura de quem esteja respondendo a processo penal. A LC 64, que revogou a LC nº. 05, se traduziu como uma conquista na preservação das garantias constitucionais, não podendo agora, a Corte Eleitoral, pretender negar vigência a norma constitucional e revogar a letra e do art. 1º, I, da LC 64.

Em todos os países onde a ruptura se deu por revolução, os efeitos sobre as Cortes sempre foram devastadoras. O que se tem a lamentar, é se pretender voltar ao tempo da LC 05, filha do período sombrio da República Brasileira. É uma pena.


Fernando Montalvão (OAB-BA 4425). Paulo Afonso, 16 de maio de 2008.
www.montalvao.adv.br
montalvao.adv@hotmail.com

“Chega de prefeitos tutelados em Salvador”

Que se preparem os adversários: o radialista Raimundo Varela é candidatíssimo à prefeitura de Salvador, e é importante fazer o anúncio, porque sua primeira palavra ao repórter é de queixa. Os comentaristas políticos e a imprensa em geral têm “preconceito” contra ele, desconhecendo que é o líder na única pesquisa em que confia, a Datafolha. “Dizem que eu não tenho tempo no horário gratuito, que não tenho ‘musculatura partidária’, prevêem até a minha desistência. Mas eu conheço o povo desta cidade e sei falar. Se não houver outro jeito, vou usar os 40 segundos do meu partido e vou mostrar do que sou capaz”. Varela recebeu a Tribuna na diretoria da TV Itapoan/Record e por quase duas horas respondeu às perguntas com a naturalidade e a fluência que tem em seu programa diário. Disse que convidou todos os candidatos (e todos os parlamentares) para a apresentação de seu projeto, no sábado da semana passada, e somente compareceram Antonio Imbassahy e ACM Neto, além dos senadores César Borges e Antonio Carlos Júnior, que assim, para ele, “foram os únicos que demonstraram um compromisso com a cidade”. Criticou o desempenho do prefeito João Henrique e afirmou que o ministro Geddel Vieira Lima, ao apoiá-lo, tenta fazer um “levantamento cadavérico”. Atento aos rigores da legislação, sempre usou as expressões “pré-candidato” e “pré-candidatura” ao se referir à sua postulação. (Por Luis Augusto Gomes)
ENTREVISTA
TB – Seu pouco tempo na propaganda de rádio e TV poderia ser muito aumentado por uma coligação com o PR. Como andam os entendimentos? RV – Estamos conversando muito. O PR não tem pré-candidato em Salvador e acredita no projeto do PRB, até os nomes se parecem, só lhe falta o B. A coligação depende apenas da decisão do senador César Borges. TB – O senador tem ligação umbilical com o carlismo. Não seria mais lógico ir para ACM Neto? RV – Hoje ele tem uma posição de independência. Foi um bom governador, trouxe para a Bahia a Ford, que exporta mais que o Estado de Pernambuco. Fez um governo de paz, soube conviver com as adversidades, da extrema-direita à extrema-esquerda. TB – Mas ele mandou a tropa de choque da PM invadir o campus da Ufba... RV – São coisas inerentes ao poder. Jesus também expulsou os vendilhões do templo. Decisões assim têm de ter uma noção de verdade, justiça e lei. TB – O senhor ensaiou uma candidatura em 2004. Daí decorre a dúvida agora... RV – Não ensaiei. O povo me chamou. Em janeiro, eu e João Henrique empatávamos em 28% pelo Datafolha. Confio no Datafolha porque é o único instituto que faz pesquisas para respaldar a análise política de um jornal, que é a “Folha de S. Paulo”, não é para vender a grupos políticos. César Borges tinha 14%. O senador ACM tentou me impor ser o vice de César, mas eu não aceitei, pois eu tinha o dobro na pesquisa. A verdade é que sempre fui resistente à política, tive muitos convites, mas nunca quis disputar. TB – O que mudou em 2008? RV – Mudou em 2006. Passei por um duplo transplante, de fígado e rim, fiquei seis meses numa UTI. Mudei minha forma de ser e de pensar. Tive conversas com Deus e fiquei sabendo que tinha de passar mais um tempo aqui, cumprir uma missão. TB – Aí veio a idéia da candidatura? RV – Não, ainda não. Eu pensei que o apelo popular era coisa do passado. De repente, lá vem a onda de novo. Eu vejo o porteiro do meu prédio, que pega três buzus para ir trabalhar e três para voltar todo dia, passa seis horas no buzu. Quando vai a um posto médico, tem que entrar em fila para pegar a ficha. Não é para ser atendido, não. É para pegar a ficha. A mulher precisa fazer um exame, tem que esperar seis meses. Ele me disse: “Seu Varela, cuide da gente”. Nesses anos todos, eu tenho sido porta-voz e intermediário dessa gente toda que vive abaixo da linha da pobreza em Salvador. Se não posso ajudar, procuro alguém que possa. O que não posso é dar as costas. Faço isso há 35 anos e agora me inspiro no vice-presidente José Alencar. De balconista chegou a maior empresário têxtil da América Latina e aos 60 anos resolveu ir para a política para ajudar quem precisa. TB – E com relação à cidade, infra-estrutura, saúde, educação... RV – Se você se afasta 100 metros da Salvador que encanta, que é basicamente o centro, você vai ver a cidade cheia de doenças sociais, sem escola, sem posto de saúde, sem pavimentação, sem esgoto, sem nada. Só problemas e falta de segurança. Um orçamento de 3 bilhões para atender a 3 milhões de pessoas significa que a prefeitura tem 80 reais por mês para cada habitante. Então, de início, vamos fazer como prega o PRB, que é uma administração como se fosse numa empresa privada. Cada munícipe é um acionista e tem direito de saber, plenamente e com transparência, para onde vai seu dinheiro. TB – Se o dinheiro não dá, como o senhor diz, como será feito? RV - Nós temos que fazer o que for mais justo e urgente, e ao mesmo tempo aumentar o lastro econômico da cidade. Eu quero ser um síndico, dar um choque de gestão, ver onde estão sendo gastos os recursos do contribuinte. As políticas públicas vão ser voltadas principalmente para o social. Ninguém vai receber sem trabalhar. Vou reunir os servidores num estádio para distribuir o primeiro contracheque pessoalmente. Tenho certeza de que, assim, sobra metade do orçamento. Salvador gasta 19 milhões por mês com a limpeza pública terceirizada. Alguma coisa está errada. Cidades modernas vendem seu lixo para fazer gás, reciclar papel, plástico. Aqui, a gente paga para tirar o lixo. Fora do Rio e São Paulo, é a coleta mais cara do Brasil. TB – Esse tipo de providência será suficiente? RV – Esse é o passo imediato. Fundamental mesmo será desenvolver as principais vocações de Salvador, que são o turismo e os serviços. Barcelona tem 2.015 anos e recebe por ano 6 milhões de turistas, mais que o Brasil inteiro, que agora chegou aos 5 milhões. Se vamos à orla atlântica, vemos assalto e favelização. Nossos monumentos públicos viraram sanitários públicos. O Centro Histórico vive nova fase de destruição. A Cidade Baixa, que é uma região lindíssima, está sofrendo de envelhecimento precoce. Olhando nosso patrimônio histórico, a sensação que temos é de abandono. Mas nós temos como mudar isso. A Baía de Todos os Santos, por exemplo, é a segunda maior do mundo, e temos sol praticamente o ano inteiro. O turismo tem de ser profissionalizado. Vamos buscar parcerias no mundo inteiro. Vamos atrair dinheiro da Europa e dos Estados Unidos para incentivar nossa grande vocação. Salvador não tem mais condições de crescimento horizontal. TB – Quer dizer que o senhor é a favor do PDDU e seus novos gabaritos para prédios na orla? RV – O PDDU é perfeito. Sou contra apenas a pressa, aprovar 170 emendas numa noite só. Mas a orla marítima da cidade é ouro puro na mão de qualquer investidor estrangeiro. Devemos fazer tudo para gerar renda e emprego. TB – Há pouco o senhor falou em buzu. Como vê a interminável obra do metrô? RV – O metrô de Xangai tem 480 quilômetros, o de Paris, 200. O nosso, quando funcionar, vai ter seis quilômetros. O cidadão pega um ônibus, depois pega o metrô e novamente tem que pegar um ônibus. Não é um metrô, é um bibelô. Com 25% da obra, vai gastar 1 bilhão. Com o custo do concreto que se gastou até agora eu acabaria com todas as sinaleiras da cidade somente construindo passarelas. TB – Ainda com relação ao turismo, a segurança é um aspecto dos mais importantes, e parece não ir muito bem. RV – Isso vai ter que mudar. Recomendei a um amigo da Grécia ir ao Pelourinho e lhe disse: “Lá é bem policiado”. Ele respondeu: “Então não tem segurança”. Aí eu me lembrei que em Atenas andei de madrugada, com relógio, com euros no bolso, não vi um policial, mas ninguém me assaltou. Aqui a gente vê, numa segunda-feira, 28 baleados no HGE. Cuidar de cada um custa 50 mil reais. Antes no Brasil se construía escolas. Agora são presídios, ou seja, em vez de investir no social, estamos apagando incêndios. Eu quero um Brasil melhor, uma Salvador melhor, porque pretendo morrer por aqui mesmo, sem ficar trancado em casa, no computador, ou andando de carro blindado. E para isso nossos empresários precisam entender que o lucro é importante, mas o espírito público é mais. TB – É inevitável traçar um paralelo entre o senhor e o falecido ex-prefeito Fernando José, que também era um radialista popular e fez uma má administração... RV – Não gosto de falar sobre isso, porque morto não pode se defender, mas, como você disse, é inevitável. Fernando José tinha dois chefes, que eram Pedro Irujo e Mário Kertész. Eu sou independente. Não sou empregado da Record, tenho minha própria empresa e sou parceiro da Record. Vou escolher meus assessores entre os melhores e os que tenham compromisso com a cidade. Salvador precisa de um líder. Chega de prefeitos tutelados. TB – Então o senhor se sente preparado. RV – O prefeito de Maceió, Cícero Almeida, também é radialista e é o prefeito mais bem avaliado do Brasil. Eu não quero ser mais um político. Quero ser tão grande político como consegui ser um grande radialista. Se eu trabalhar para reduzir as desigualdades, se eu arrumar Salvador, vou querer conquistar o Brasil. TB – Como o senhor vê os comentários de que a Igreja Universal do Reino de Deus apóia sua candidatura? RV – Não é verdade. Não tenho religião, apenas creio em Deus. Não sou da Igreja Universal nem de qualquer outra. Qualquer pré-candidato, e no futuro qualquer candidato, quer os votos dos fiéis da Igreja Universal. ACM Neto quer, Imbassahy quer. Mas a estrutura da Igreja Universal, sua organização, não tem nada a ver com minha pré-candidatura nem terá. TB – Como bitransplantado, como está sua saúde para enfrentar essa batalha e, se for o caso, a gestão da prefeitura? RV – Meus médicos me disseram que eu estou melhor do que eles. (Por Luis Augusto Gomes)
Fonte: Tribuna da Bahia

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