Por: Folha
Em ofício sigiloso, a Polícia Federal repassou ao governo de São Paulo uma mensagem que o PCC fez circular pelos presídios paulistas dias antes de deflagrar a onda de ataques que subverteu a ordem em São Paulo entre os dias 12 e 19 de maio. O texto, mantido sob sigilo, concitava os presos a promover levantes nas cadeias e continha uma inusitada mensagem política.
Recolhido pelo setor de inteligência da Polícia Federal, o texto do PCC é manuscrito. Ocupa meia folha de papel ofício. Leva o nome de “salva”, como os integrantes da facção criminosa se referem às ordens expedidas pelo comando. Desaconselha o voto no PSDB. E recomenda explicitamente o voto no PT. O documento foi repassado ao governo paulista por ordem do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), que também tomou conhecimento do seu teor.
Nem o governo federal nem a administração de São Paulo deram importância à parte política do manuscrito. Num esforço para evitar a politização da crise, ativeram-se aos trechos que fazem referência às rebeliões nos presídios. Os levantes, conforme previsto no “documento” do PCC, sublevaram mais de oito dezenas de presídios paulistas.
Pelos cálculos da PF, o manuscrito do PCC foi redigido dias antes de o governo de São Paulo transferir para o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau os principais líderes da facção. Entre eles Marcos Willians Herba Camacho, apontado pela política como líder do PCC e autor da ordem que resultou nas rebeliões dos cárceres e na onda de ataques às forças de segurança do Estado.
Informado acerca do conteúdo do manuscrito do PCC, Lula tampouco atribuiu importância ao seu conteúdo político. Desde o início da crise, o presidente vem se manifestando, em reuniões fechadas e em manifestações públicas, contra a exploração política da crise. Discurso semelhante vem sendo adotado pelo ministro Thomaz Bastos.
Já na primeira hora, o governo petista procurou traduzir o discurso em gestos concretos. Antes mesmo de conversar com Lula, que se encontrava em Viena no instante em que começaram as rebeliões e a onda de ataques, o ministro da Justiça discou para o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Ofereceu-lhe ajuda.
Ao chegar ao Brasil, no dia seguinte ao início da crise, o sábado 13, Lula aprovou a iniciativa de seu ministro ao ser informado dela pelo telefone. Na segunda 16, em reunião no Planalto, o presidente pediu a Thomaz Bastos que voasse para São Paulo. Em reunião com Lembo, o ministro reforçou a disposição do governo federal de colaborar. O governador recusou o emprego de unidades da Força Nacional de Segurança e de tropas do Exército. Mas aceitou de bom grado a colaboração da área de inteligência da Polícia Federal.
Escrito por Josias de Souza às 02h01
quarta-feira, maio 24, 2006
Nesta terra, tudo pode acontecer
Por: Carlos Chagas (Tribuna da Imprensa)
BRASÍLIA - Em Recife, na Boa Viagem, um tubarão quase matou um jovem que se banhava do lado de cá da arrebentação das ondas, contrariando a história de que tubarões não atacam junto da praia. Em Caruaru, um terremoto de invulgar intensidade deixou todo mundo apavorado, menos pelo balanço das paredes, mais pelo barulho que veio das profundezas. Pelo sim, pelo não, a cidade está programando a maior festa de São João de todos os tempos.
A gente se pergunta o que está acontecendo, já que outros inusitados se sucedem. Chove no Agreste, faz seca na Zona da Mata. Na Assembléia Legislativa, a lista de presença mostra a totalidade dos deputados. Em Recife, no fim de semana, a polícia não registrou nada grave.
Verificam-se em Pernambuco ocorrências jamais vistas e a explicação só pode ser uma: os inusitados devem-se à escolha de José Jorge para candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. O senador imagina repetir a performance de seu colega Marco Maciel, duas vezes vice de Fernando Henrique.
Como a eleição de Alckmin e José Jorge parece coisa mais estranha do que tubarões na arrebentação, terremotos, deputados trabalhando, paz nas ruas e outros fenômenos, quem sabe Pernambuco reserve nova surpresa para o País? Afinal, como dizia mestre Gilberto Freire, pernambucano até a raiz dos cabelos, em sua terra tudo pode acontecer, até o Carnaval cair na Sexta-Feira da Paixão...
Pombo-correio
Se o Supremo Tribunal Federal não tiver decidido em sentido contrário, Delúbio Soares deporá na CPI dos Bingos. Sua convocação deve-se às recentes declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Dantas, de que o ex-tesoureiro do PT tentou achacá-lo, exigindo milhões para suas empresas não enfrentarem problemas com o governo. É claro que Delúbio vai negar, mas se quisesse cooperar poderia contar em detalhes pelo menos a história dos quatro milhões que o ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, confessou ter recebido do esquema de corrupção armado à sombra do Palácio do Planalto.
Esses quatro milhões vieram da agência de um banco controlado por Daniel Dantas, em São Paulo. O portador pegou o dinheiro em espécie e o acomodou em duas malas. Cauteloso, porém, contratou dois táxis para levá-lo ao aeroporto, onde embarcaria para Brasília. No primeiro, colocou as duas malas, no banco de trás. No segundo, instalou-se, determinando ao motorista que não perdesse o outro de vista.
Seguiria atrás. Caso algo desse errado, ou seja, se a polícia parasse o primeiro táxi, ele mandaria o segundo dobrar à direita e sumiria, perdendo o dinheiro mas salvando a pele. Nada aconteceu e o pombo-correio voou até a capital federal, entregando a encomenda a Roberto Jefferson, que poderá dar o nome do banco e do portador, se também for convocado a depor.
Encontro com o ministro
Está confirmado o encontro havido entre o polêmico Daniel Dantas e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na semana passada. Foi na residência do senador Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, aqui em Brasília. O banqueiro jurou ao ministro não ter dado qualquer declaração à revista "Veja", muito menos fornecido a lista de supostos integrantes e ex-integrantes do governo com depósitos bancários no exterior, inclusive o presidente Lula.
A divulgação da lista caiu no vazio, pelo absurdo e sua evidente falsificação, com sobrenomes errados e quantias sem fundamentação. Nem as oposições embarcaram na denúncia, restando à Polícia Federal e ao Congresso abrir investigações a respeito de quem realmente transmitiu ao semanário a falsa relação. Não se trata de quebrar os artigos constitucionais relativos à liberdade de imprensa e ao sigilo das fontes, mas de apurar esse abuso do direito de informar. Ninguém melhor do que o ministro Márcio Thomaz Bastos para liderar a apuração.
BRASÍLIA - Em Recife, na Boa Viagem, um tubarão quase matou um jovem que se banhava do lado de cá da arrebentação das ondas, contrariando a história de que tubarões não atacam junto da praia. Em Caruaru, um terremoto de invulgar intensidade deixou todo mundo apavorado, menos pelo balanço das paredes, mais pelo barulho que veio das profundezas. Pelo sim, pelo não, a cidade está programando a maior festa de São João de todos os tempos.
A gente se pergunta o que está acontecendo, já que outros inusitados se sucedem. Chove no Agreste, faz seca na Zona da Mata. Na Assembléia Legislativa, a lista de presença mostra a totalidade dos deputados. Em Recife, no fim de semana, a polícia não registrou nada grave.
Verificam-se em Pernambuco ocorrências jamais vistas e a explicação só pode ser uma: os inusitados devem-se à escolha de José Jorge para candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. O senador imagina repetir a performance de seu colega Marco Maciel, duas vezes vice de Fernando Henrique.
Como a eleição de Alckmin e José Jorge parece coisa mais estranha do que tubarões na arrebentação, terremotos, deputados trabalhando, paz nas ruas e outros fenômenos, quem sabe Pernambuco reserve nova surpresa para o País? Afinal, como dizia mestre Gilberto Freire, pernambucano até a raiz dos cabelos, em sua terra tudo pode acontecer, até o Carnaval cair na Sexta-Feira da Paixão...
Pombo-correio
Se o Supremo Tribunal Federal não tiver decidido em sentido contrário, Delúbio Soares deporá na CPI dos Bingos. Sua convocação deve-se às recentes declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Dantas, de que o ex-tesoureiro do PT tentou achacá-lo, exigindo milhões para suas empresas não enfrentarem problemas com o governo. É claro que Delúbio vai negar, mas se quisesse cooperar poderia contar em detalhes pelo menos a história dos quatro milhões que o ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, confessou ter recebido do esquema de corrupção armado à sombra do Palácio do Planalto.
Esses quatro milhões vieram da agência de um banco controlado por Daniel Dantas, em São Paulo. O portador pegou o dinheiro em espécie e o acomodou em duas malas. Cauteloso, porém, contratou dois táxis para levá-lo ao aeroporto, onde embarcaria para Brasília. No primeiro, colocou as duas malas, no banco de trás. No segundo, instalou-se, determinando ao motorista que não perdesse o outro de vista.
Seguiria atrás. Caso algo desse errado, ou seja, se a polícia parasse o primeiro táxi, ele mandaria o segundo dobrar à direita e sumiria, perdendo o dinheiro mas salvando a pele. Nada aconteceu e o pombo-correio voou até a capital federal, entregando a encomenda a Roberto Jefferson, que poderá dar o nome do banco e do portador, se também for convocado a depor.
Encontro com o ministro
Está confirmado o encontro havido entre o polêmico Daniel Dantas e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na semana passada. Foi na residência do senador Heráclito Fortes, do PFL do Piauí, aqui em Brasília. O banqueiro jurou ao ministro não ter dado qualquer declaração à revista "Veja", muito menos fornecido a lista de supostos integrantes e ex-integrantes do governo com depósitos bancários no exterior, inclusive o presidente Lula.
A divulgação da lista caiu no vazio, pelo absurdo e sua evidente falsificação, com sobrenomes errados e quantias sem fundamentação. Nem as oposições embarcaram na denúncia, restando à Polícia Federal e ao Congresso abrir investigações a respeito de quem realmente transmitiu ao semanário a falsa relação. Não se trata de quebrar os artigos constitucionais relativos à liberdade de imprensa e ao sigilo das fontes, mas de apurar esse abuso do direito de informar. Ninguém melhor do que o ministro Márcio Thomaz Bastos para liderar a apuração.
Advogados de Marcola caem em contradição
Por: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Apontados como cúmplices do Primeiro Comando da Capital (PCC), os advogados Maria Cristina de Souza Rachado e Sérgio Weslei da Cunha caíram em contradição ontem durante depoimentos tensos na CPI do Tráfico de Armas, na Câmara dos Deputados.
Os dois são acusados de comprar de um técnico de som a serviço da Câmara uma gravação da sessão sigilosa em que a CPI ouviu os delegados Godofredo Bitencourt Filho e Ruy Ferraz. Poucas horas depois o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, teria sabido de uma transferência e precipitado a onda de violência que assustou o Estado de São Paulo.
A primeira a falar foi Maria Cristina, que negou ter comprado e repassado a gravação, contrariando declarações do técnico de som Arthur Vinícius Pilastre Silva, que confessou ter vendido aos advogados por R$ 200 um CD com a íntegra da sessão secreta. Logo na chegada à CPI, a advogada levou um tombo na sala de reunião e depois permaneceu sentada em uma bancada usada por deputados até ser chamada para depor.
Durante o depoimento, Maria Cristina chorou, passou mal, mas não sensibilizou os deputados da comissão. Para integrantes da CPI, a advogada mentiu várias vezes.
Indiciados
Os dois advogados são considerados indiciados pela CPI, portanto, o falso testemunho no depoimento não pôde ser considerado motivo para declarar a prisão dos dois. Um pedido de prisão preventiva da dupla foi encaminhado à Justiça Federal em Brasília na segunda-feira passada. Os dois estão sendo investigados pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol) por corrupção ativa e, além disso, são acusados pela CPI por formação de quadrilha.
"É um depoimento cheio de mentiras que será desconstruído", afirmou o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Ele enumerou cinco pontos em que a advogada mentiu na comissão. "Em primeiro lugar, ela não conseguiu explicar o que estava fazendo em Brasília", disse Pimenta.
A advogada afirmou que foi à reunião da comissão do dia 10 porque pensou que seu cliente Marcola fosse depor na comissão. Mesmo depois de saber que não havia sido marcado o depoimento dele, ela permaneceu na Casa, porque, segundo ela, não tinha o que fazer.
Pimenta ressalta também que não havia motivos para que Maria Cristina buscasse a cópia do depoimento da sessão reservada, já que ela não é advogada de Leandro Lima de Carvalho, preso acusado de ligações com o PCC, que depôs no mesmo dia na CPI em sessão reservada. "Ela nega que tenha adquirido e ficado com o CD (cópia da gravação), mas Arthur e os funcionários da loja em que foram feitas as cópias dizem o contrário", continuou Pimenta.
Além disso, o relator afirma que a advogada mentiu ao se referir a troca de e-mail entre ela e Arthur. No depoimento, disse que sua secretária, de nome Sheila, respondeu à mensagem enviada pelo ex-funcionário, mas o relator mostrou cópia da mensagem assinada por "Cris".
Pimenta mostrou ainda imagens colhidas pelo sistema de TV interno da Câmara para contestar parte do depoimento da advogada na qual ela relata como se deu o encontro com o advogado Sérgio e o ex-funcionário Arthur, antes de seguirem para o shopping onde foram feitas as cópias em CD.
A CPI exibiu em um telão imagens do sistema interno da Câmara que registraram a movimentação dos dois na Casa e fotos do sistema do shopping mostrando os três nos corredores e na porta da loja onde foram feitas as cópias, segundo Arthur Silva.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) apontou outra contradição de advogada. Ela afirmou que não freqüentava presídios porque não tinha tempo. O deputado levou dados com registro do número da OAB da advogada em dez entradas em penitenciárias.
No depoimento, a advogada chorou. "Não sou pombo-correio. Eu sou uma advogada", disse Maria Cristina. "Não é justo vocês chamarem uma pessoa que não conhecem de pilantra, sem provar", disse, chorando. A advogada negou que tenha ouvido a gravação.
Nega
Assim como a advogada, Sérgio Cunha também negou fazer parte de facção criminosa. Ele disse que pensou que a cópia entregue pelo funcionário fosse autorizada pela comissão, mesmo sabendo que a sessão era reservada. Cunha, advogado de Leandro Carvalho, argumentou que tinha direito de saber o que foi falado na reunião. "Eu tinha direito. Eu solicitei na secretaria e subentendi que tinha sido autorizado, porque o próprio técnico foi fazer a cópia comigo", afirmou Cunha.
Os dois advogados acusaram Arthur Silva de mentir. Maria Cristina disse que sua carreira profissional está sendo "jogada na lama por um funcionário (Artur Vinicius) que mente". "Ele não é todo esse santinho que ele está querendo pintar", afirmou Cunha.
O advogado disse que não mentiu na entrevista que deu em São Paulo na qual afirmou que tinha seguido da Câmara direto ao aeroporto, sem passar no shopping, onde as câmeras de vídeo registraram sua presença. "Eu omiti na primeira vez. Na hora não era conveniente falar", disse Cunha. "Foi estratégia de marketing e de defesa", completou.
BRASÍLIA - Apontados como cúmplices do Primeiro Comando da Capital (PCC), os advogados Maria Cristina de Souza Rachado e Sérgio Weslei da Cunha caíram em contradição ontem durante depoimentos tensos na CPI do Tráfico de Armas, na Câmara dos Deputados.
Os dois são acusados de comprar de um técnico de som a serviço da Câmara uma gravação da sessão sigilosa em que a CPI ouviu os delegados Godofredo Bitencourt Filho e Ruy Ferraz. Poucas horas depois o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, teria sabido de uma transferência e precipitado a onda de violência que assustou o Estado de São Paulo.
A primeira a falar foi Maria Cristina, que negou ter comprado e repassado a gravação, contrariando declarações do técnico de som Arthur Vinícius Pilastre Silva, que confessou ter vendido aos advogados por R$ 200 um CD com a íntegra da sessão secreta. Logo na chegada à CPI, a advogada levou um tombo na sala de reunião e depois permaneceu sentada em uma bancada usada por deputados até ser chamada para depor.
Durante o depoimento, Maria Cristina chorou, passou mal, mas não sensibilizou os deputados da comissão. Para integrantes da CPI, a advogada mentiu várias vezes.
Indiciados
Os dois advogados são considerados indiciados pela CPI, portanto, o falso testemunho no depoimento não pôde ser considerado motivo para declarar a prisão dos dois. Um pedido de prisão preventiva da dupla foi encaminhado à Justiça Federal em Brasília na segunda-feira passada. Os dois estão sendo investigados pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol) por corrupção ativa e, além disso, são acusados pela CPI por formação de quadrilha.
"É um depoimento cheio de mentiras que será desconstruído", afirmou o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Ele enumerou cinco pontos em que a advogada mentiu na comissão. "Em primeiro lugar, ela não conseguiu explicar o que estava fazendo em Brasília", disse Pimenta.
A advogada afirmou que foi à reunião da comissão do dia 10 porque pensou que seu cliente Marcola fosse depor na comissão. Mesmo depois de saber que não havia sido marcado o depoimento dele, ela permaneceu na Casa, porque, segundo ela, não tinha o que fazer.
Pimenta ressalta também que não havia motivos para que Maria Cristina buscasse a cópia do depoimento da sessão reservada, já que ela não é advogada de Leandro Lima de Carvalho, preso acusado de ligações com o PCC, que depôs no mesmo dia na CPI em sessão reservada. "Ela nega que tenha adquirido e ficado com o CD (cópia da gravação), mas Arthur e os funcionários da loja em que foram feitas as cópias dizem o contrário", continuou Pimenta.
Além disso, o relator afirma que a advogada mentiu ao se referir a troca de e-mail entre ela e Arthur. No depoimento, disse que sua secretária, de nome Sheila, respondeu à mensagem enviada pelo ex-funcionário, mas o relator mostrou cópia da mensagem assinada por "Cris".
Pimenta mostrou ainda imagens colhidas pelo sistema de TV interno da Câmara para contestar parte do depoimento da advogada na qual ela relata como se deu o encontro com o advogado Sérgio e o ex-funcionário Arthur, antes de seguirem para o shopping onde foram feitas as cópias em CD.
A CPI exibiu em um telão imagens do sistema interno da Câmara que registraram a movimentação dos dois na Casa e fotos do sistema do shopping mostrando os três nos corredores e na porta da loja onde foram feitas as cópias, segundo Arthur Silva.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) apontou outra contradição de advogada. Ela afirmou que não freqüentava presídios porque não tinha tempo. O deputado levou dados com registro do número da OAB da advogada em dez entradas em penitenciárias.
No depoimento, a advogada chorou. "Não sou pombo-correio. Eu sou uma advogada", disse Maria Cristina. "Não é justo vocês chamarem uma pessoa que não conhecem de pilantra, sem provar", disse, chorando. A advogada negou que tenha ouvido a gravação.
Nega
Assim como a advogada, Sérgio Cunha também negou fazer parte de facção criminosa. Ele disse que pensou que a cópia entregue pelo funcionário fosse autorizada pela comissão, mesmo sabendo que a sessão era reservada. Cunha, advogado de Leandro Carvalho, argumentou que tinha direito de saber o que foi falado na reunião. "Eu tinha direito. Eu solicitei na secretaria e subentendi que tinha sido autorizado, porque o próprio técnico foi fazer a cópia comigo", afirmou Cunha.
Os dois advogados acusaram Arthur Silva de mentir. Maria Cristina disse que sua carreira profissional está sendo "jogada na lama por um funcionário (Artur Vinicius) que mente". "Ele não é todo esse santinho que ele está querendo pintar", afirmou Cunha.
O advogado disse que não mentiu na entrevista que deu em São Paulo na qual afirmou que tinha seguido da Câmara direto ao aeroporto, sem passar no shopping, onde as câmeras de vídeo registraram sua presença. "Eu omiti na primeira vez. Na hora não era conveniente falar", disse Cunha. "Foi estratégia de marketing e de defesa", completou.
"Eles não gostam de pobre", diz Lula
Por: Tribuna da Imprensa
AGUIARNÓPOLIS (TO) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um discurso duro contra os tucanos, seus antecessores no governo e rivais na eleição de outubro. Sem citar especificamente nenhum nome do PSDB, Lula disse que há no Brasil políticos que não gostam de pobres, fazem política no conforto do ar-condicionado e torcem para tudo dar errado para que então possam voltar ao poder.
O presidente esteve no Tocantins para visitar um trecho da ferrovia Norte-Sul entre as cidades de Araguaína e Aguiarnópolis. No pátio da ferrovia, Lula andou de trem num trecho curto e foi recebido por cerca de 1,5 mil pessoas. Entusiasmado, o presidente deixou de lado o discurso escrito e improvisou por cerca de meia hora.
"Neste País, tem um tipo de político que não gosta de pobre, tem um tipo de político que não respeita os trabalhadores, que acha que a gente dar dinheiro para a pessoa comprar arroz e feijão para comer é assistencialismo", disse Lula.
Ao assegurar ter percorrido 91 mil quilômetros pelo Brasil durante três anos, antes da eleição de 1994, o presidente afirmou que aprendeu a conhecer o Brasil e que seus adversários poderiam sair "andando pelo Brasil" para conhecer a real dimensão das necessidades do País. "Quem vive fazendo política só na capital ou na universidade, ou quem fica fazendo política só em Brasília, não tem dimensão do Brasil real que nós enfrentamos", disse o presidente. "É muito fácil fazer críticas sentado numa sala com ar-refrigerado, é muito fácil."
Ao se comparar mais uma vez ao presidente Juscelino Kubitschek, Lula afirmou que é mais atacado do que era o criador de Brasília. "Todas as ofensas que faziam a ele, fazem pior a mim", discursou. "Toda vez que eu fico aperreado lá dentro, eu fico pensando: deixa eu ir me encontrar com o povo porque o povo pensa outra coisa, o povo tem outra cabeça."
Durante todo o pronunciamento, o presidente tratou os adversários apenas por um genérico "eles", a quem acusou de apostarem no fracasso do País. "Tem um tipo de político no Brasil que, por mais experiência que eles tenham, por mais mandatos que tenham, por mais cargos que eles tenham exercido, estão sempre torcendo para que as coisas não dêem certo no Brasil, para ver se eles voltam", disse. "Vocês acompanham a política, vocês vêem televisão, vocês ouvem rádio, lêem jornal e vocês percebem claramente que há neste país um conjunto de pessoas que torce para o país não dar certo."
Lula lembrou a quitação das dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e disse ainda que só agora o Brasil tem auto-estima. "Este País hoje não é mais um paisinho onde o presidente da República tinha que mandar o seu ministro da Fazenda ao FMI pedir dinheiro emprestado para pagar as suas exportações. Agora, não precisa mais. Agora, nós não devemos mais ao FMI, não devemos mais ao Clube de Paris e não devemos mais a ninguém", afirmou. "Nós agora somos donos do nosso nariz. Nós agora dizemos e falamos o que queremos e fazemos aquilo que nós temos vontade."
Ao responder a uma pergunta de alguém da platéia sobre o atraso da construção de uma hidrelétrica na cidade de Estreito (TO), Lula cutucou mais uma vez a oposição: "Eu quero dizer para vocês: não tem nenhum brasileiro com mais vontade de que a gente possa construir as hidrelétricas que faltam do que eu, até porque eu não quero carregar nas minhas costas a marca do apagão que já carregaram antes de mim."
Festa com transporte e comida de graça
AGUIARNÓPOLIS (TO) - O período eleitoral ainda não começou, mas a cidade de Aguiarnópolis assistiu ontem o que pode ser chamado de um dos primeiros comícios da eleição nacional deste ano. A festa que recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ônibus de graça para levar eleitores, distribuição de comida gratuita e até um discurso entusiasmado do senador José Sarney (PMDB-AP) declarando seu apoio incondicional ao presidente.
No palanque de Lula, o senador José Sarney fez as vezes de apresentador do virtual candidato. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que tinha autoridade - por ser ex-presidente, mas também por tê-lo sempre apoiado - para afirmar que Lula é o presidente popular, do povo. "E ele terá sempre a minha solidariedade, sempre que necessitar", disse Sarney, em um apoio explícito a Lula no momento em que seu partido, o PMDB ainda briga para saber se terá candidato próprio ou se apóia Lula ou o tucano Geraldo Alckmin.
"É um dos mais populares presidentes da história do Brasil. É um homem que tem responsabilidade com suas bases populares e tem sido o grande presidente do povo", discursou Sarney. "Aí estão seus programas sociais, o Bolsa Família, a Farmácia Básica, o aumento do salário mínimo." Os elogios não foram em vão. Em seu discurso, logo depois, Lula voltou a dizer que tinha se enganado ao criticar, no governo Sarney, a construção da ferrovia Norte-Sul e citou o programa do leite, criado pelo ex-presidente, como um dos "maiores programas de combate à desnutrição" que o País já teve.
As cerca de 1,5 mil pessoas que esperavam o presidente, numcalor de 35 graus, foram ao pátio da ferrovia Norte-Sul entusiasmadas com a possibilidade de ver o presidente. Mas o transporte para a área, um pouco afastada da cidade, foi garantido pelo governo do Estado. Propagandas nas rádios convidavam os moradores da região para o evento, garantindo que haveria ônibus de graça.
Depois de mais de quatro horas debaixo de toldos brancos que protegiam do sol, mas não do calor, a população que se animou a ver o presidente ganhou um incentivo a mais: comida. No final do evento, o narrador da cerimônia avisou, pelo alto-falante, que todos os presentes ganhariam marmitex. No caminhão em que funcionários do governo estadual faziam a distribuição, uma fila enorme logo se formou. Nas embalagens, arroz, feijão, farinha e frango.
AGUIARNÓPOLIS (TO) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um discurso duro contra os tucanos, seus antecessores no governo e rivais na eleição de outubro. Sem citar especificamente nenhum nome do PSDB, Lula disse que há no Brasil políticos que não gostam de pobres, fazem política no conforto do ar-condicionado e torcem para tudo dar errado para que então possam voltar ao poder.
O presidente esteve no Tocantins para visitar um trecho da ferrovia Norte-Sul entre as cidades de Araguaína e Aguiarnópolis. No pátio da ferrovia, Lula andou de trem num trecho curto e foi recebido por cerca de 1,5 mil pessoas. Entusiasmado, o presidente deixou de lado o discurso escrito e improvisou por cerca de meia hora.
"Neste País, tem um tipo de político que não gosta de pobre, tem um tipo de político que não respeita os trabalhadores, que acha que a gente dar dinheiro para a pessoa comprar arroz e feijão para comer é assistencialismo", disse Lula.
Ao assegurar ter percorrido 91 mil quilômetros pelo Brasil durante três anos, antes da eleição de 1994, o presidente afirmou que aprendeu a conhecer o Brasil e que seus adversários poderiam sair "andando pelo Brasil" para conhecer a real dimensão das necessidades do País. "Quem vive fazendo política só na capital ou na universidade, ou quem fica fazendo política só em Brasília, não tem dimensão do Brasil real que nós enfrentamos", disse o presidente. "É muito fácil fazer críticas sentado numa sala com ar-refrigerado, é muito fácil."
Ao se comparar mais uma vez ao presidente Juscelino Kubitschek, Lula afirmou que é mais atacado do que era o criador de Brasília. "Todas as ofensas que faziam a ele, fazem pior a mim", discursou. "Toda vez que eu fico aperreado lá dentro, eu fico pensando: deixa eu ir me encontrar com o povo porque o povo pensa outra coisa, o povo tem outra cabeça."
Durante todo o pronunciamento, o presidente tratou os adversários apenas por um genérico "eles", a quem acusou de apostarem no fracasso do País. "Tem um tipo de político no Brasil que, por mais experiência que eles tenham, por mais mandatos que tenham, por mais cargos que eles tenham exercido, estão sempre torcendo para que as coisas não dêem certo no Brasil, para ver se eles voltam", disse. "Vocês acompanham a política, vocês vêem televisão, vocês ouvem rádio, lêem jornal e vocês percebem claramente que há neste país um conjunto de pessoas que torce para o país não dar certo."
Lula lembrou a quitação das dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e disse ainda que só agora o Brasil tem auto-estima. "Este País hoje não é mais um paisinho onde o presidente da República tinha que mandar o seu ministro da Fazenda ao FMI pedir dinheiro emprestado para pagar as suas exportações. Agora, não precisa mais. Agora, nós não devemos mais ao FMI, não devemos mais ao Clube de Paris e não devemos mais a ninguém", afirmou. "Nós agora somos donos do nosso nariz. Nós agora dizemos e falamos o que queremos e fazemos aquilo que nós temos vontade."
Ao responder a uma pergunta de alguém da platéia sobre o atraso da construção de uma hidrelétrica na cidade de Estreito (TO), Lula cutucou mais uma vez a oposição: "Eu quero dizer para vocês: não tem nenhum brasileiro com mais vontade de que a gente possa construir as hidrelétricas que faltam do que eu, até porque eu não quero carregar nas minhas costas a marca do apagão que já carregaram antes de mim."
Festa com transporte e comida de graça
AGUIARNÓPOLIS (TO) - O período eleitoral ainda não começou, mas a cidade de Aguiarnópolis assistiu ontem o que pode ser chamado de um dos primeiros comícios da eleição nacional deste ano. A festa que recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ônibus de graça para levar eleitores, distribuição de comida gratuita e até um discurso entusiasmado do senador José Sarney (PMDB-AP) declarando seu apoio incondicional ao presidente.
No palanque de Lula, o senador José Sarney fez as vezes de apresentador do virtual candidato. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que tinha autoridade - por ser ex-presidente, mas também por tê-lo sempre apoiado - para afirmar que Lula é o presidente popular, do povo. "E ele terá sempre a minha solidariedade, sempre que necessitar", disse Sarney, em um apoio explícito a Lula no momento em que seu partido, o PMDB ainda briga para saber se terá candidato próprio ou se apóia Lula ou o tucano Geraldo Alckmin.
"É um dos mais populares presidentes da história do Brasil. É um homem que tem responsabilidade com suas bases populares e tem sido o grande presidente do povo", discursou Sarney. "Aí estão seus programas sociais, o Bolsa Família, a Farmácia Básica, o aumento do salário mínimo." Os elogios não foram em vão. Em seu discurso, logo depois, Lula voltou a dizer que tinha se enganado ao criticar, no governo Sarney, a construção da ferrovia Norte-Sul e citou o programa do leite, criado pelo ex-presidente, como um dos "maiores programas de combate à desnutrição" que o País já teve.
As cerca de 1,5 mil pessoas que esperavam o presidente, numcalor de 35 graus, foram ao pátio da ferrovia Norte-Sul entusiasmadas com a possibilidade de ver o presidente. Mas o transporte para a área, um pouco afastada da cidade, foi garantido pelo governo do Estado. Propagandas nas rádios convidavam os moradores da região para o evento, garantindo que haveria ônibus de graça.
Depois de mais de quatro horas debaixo de toldos brancos que protegiam do sol, mas não do calor, a população que se animou a ver o presidente ganhou um incentivo a mais: comida. No final do evento, o narrador da cerimônia avisou, pelo alto-falante, que todos os presentes ganhariam marmitex. No caminhão em que funcionários do governo estadual faziam a distribuição, uma fila enorme logo se formou. Nas embalagens, arroz, feijão, farinha e frango.
Presos na Operação Sanguessuga estão livres
Por: Tribuna da Bahia
BRASÍLIA - Os desembargadores da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região decidiram ontem soltar todos os presos na Operação Sanguessuga, que investiga compras superfaturadas de ambulâncias. Além disso, os desembargadores também devem transferir ao Supremo Tribunal Federal (STF) inquéritos referentes ao caso que tramitam na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso.
A decisão foi tomada durante julgamento do pedido de habeas corpus do ex-deputado Carlos Rodrigues, preso na operação. Agora, o STF fará triagem sobre quem responderá em foro privilegiado e definirá se alguém deve voltar à cadeia. Os desembargadores concluíram que o juiz em Mato Grosso não era competente para conduzir o processo, uma vez que há a suspeita de envolvimento de parlamentares - que só podem ser investigados pelo Supremo.
Nova CPI
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende trabalhar contra a criação da CPI da Operação Sanguessuga. Ele se reunirá nesta semana com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e com lideranças para falar sobre o desgaste que nova comissão pode ocasionar. Para o presidente do Senado, há grandes chances de a CPI se esvaziar devido às eleições. Publicamente, Renan declara que "vai conferir as assinaturas, verificar se há fato determinado, se há preenchimento dos pressupostos constitucionais e decidir o que fazer".
O pedido de CPI, liderado pelos deputados Raul Jungman (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ), já tem o número exigido de assinaturas, que podem ser retiradas até a leitura do requerimento de instalação. Na Câmara, a comissão de sindicância que apura envolvimento de deputados na fraude apresenta hoje relatório que define nova lista de investigados. Podem ser 30, não 16, os parlamentares suspeitos.
BRASÍLIA - Os desembargadores da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região decidiram ontem soltar todos os presos na Operação Sanguessuga, que investiga compras superfaturadas de ambulâncias. Além disso, os desembargadores também devem transferir ao Supremo Tribunal Federal (STF) inquéritos referentes ao caso que tramitam na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso.
A decisão foi tomada durante julgamento do pedido de habeas corpus do ex-deputado Carlos Rodrigues, preso na operação. Agora, o STF fará triagem sobre quem responderá em foro privilegiado e definirá se alguém deve voltar à cadeia. Os desembargadores concluíram que o juiz em Mato Grosso não era competente para conduzir o processo, uma vez que há a suspeita de envolvimento de parlamentares - que só podem ser investigados pelo Supremo.
Nova CPI
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende trabalhar contra a criação da CPI da Operação Sanguessuga. Ele se reunirá nesta semana com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e com lideranças para falar sobre o desgaste que nova comissão pode ocasionar. Para o presidente do Senado, há grandes chances de a CPI se esvaziar devido às eleições. Publicamente, Renan declara que "vai conferir as assinaturas, verificar se há fato determinado, se há preenchimento dos pressupostos constitucionais e decidir o que fazer".
O pedido de CPI, liderado pelos deputados Raul Jungman (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ), já tem o número exigido de assinaturas, que podem ser retiradas até a leitura do requerimento de instalação. Na Câmara, a comissão de sindicância que apura envolvimento de deputados na fraude apresenta hoje relatório que define nova lista de investigados. Podem ser 30, não 16, os parlamentares suspeitos.
Preso trabalha há 19 anos no Senado
Por: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Apontado como um dos cabeças da quadrilha desmantelada pela Operação Castores, o assessor parlamentar José Roberto Paquier atua há pelo menos 19 anos em funções estratégicas do Senado, sempre vinculado ao PMDB e serviu a dois outros gabinetes até ser cedido pelo partido ao senador Valdir Raupp (RO), nos últimos três anos. Na legislatura anterior, ele foi um dos assessores mais próximos do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), que presidiu a poderosa Comissão de Orçamento do Congresso.
Durante a operação, a Polícia Federal esbarrou, sem querer, em outro assessor parlamentar, que a partir de hoje passa a ser investigado como suspeito de integrar a quadrilha. Amaury Martins, assessor do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), foi flagrado no Aeroporto "Afonso Pena", em Curitiba, recebendo uma mala do líder da quadrilha, Laércio Pedroso, no momento em que os policiais se preparavam para prendê-lo. Laércio foi detido e a mala, apreendida.
Como não havia mandado de prisão contra Amaury, o assessor de Hauly foi ouvido e liberado, mas hoje será intimado a prestar depoimento como suspeito. As investigações indicam Paquier como peça-chave do esquema de corrupção do setor elétrico brasileiro.
Mas a PF não levantou qualquer indício de que parlamentares como Raupp, cujos nomes apareceram nas investigações, tenham ligação com a quadrilha, segundo ressalvou o delegado Fernando Franceschini, encarregado do inquérito. Ele explicou que os nomes de vários parlamentares surgiram em diálogos telefônicos interceptados ou em outras diligências, mas não foram investigados porque têm foro privilegiado.
A PF enviou os nomes para que os presidentes da Câmara e do Senado decidam sobre eventual aprofundamento das investigações. Em nota, Raupp se disse surpreso com a prisão do assessor e com a invasão do seu gabinete por policiais que cumpriam mandado de busca e apreensão do computador e de documentos na mesa de Paquier.
BRASÍLIA - Apontado como um dos cabeças da quadrilha desmantelada pela Operação Castores, o assessor parlamentar José Roberto Paquier atua há pelo menos 19 anos em funções estratégicas do Senado, sempre vinculado ao PMDB e serviu a dois outros gabinetes até ser cedido pelo partido ao senador Valdir Raupp (RO), nos últimos três anos. Na legislatura anterior, ele foi um dos assessores mais próximos do senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), que presidiu a poderosa Comissão de Orçamento do Congresso.
Durante a operação, a Polícia Federal esbarrou, sem querer, em outro assessor parlamentar, que a partir de hoje passa a ser investigado como suspeito de integrar a quadrilha. Amaury Martins, assessor do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), foi flagrado no Aeroporto "Afonso Pena", em Curitiba, recebendo uma mala do líder da quadrilha, Laércio Pedroso, no momento em que os policiais se preparavam para prendê-lo. Laércio foi detido e a mala, apreendida.
Como não havia mandado de prisão contra Amaury, o assessor de Hauly foi ouvido e liberado, mas hoje será intimado a prestar depoimento como suspeito. As investigações indicam Paquier como peça-chave do esquema de corrupção do setor elétrico brasileiro.
Mas a PF não levantou qualquer indício de que parlamentares como Raupp, cujos nomes apareceram nas investigações, tenham ligação com a quadrilha, segundo ressalvou o delegado Fernando Franceschini, encarregado do inquérito. Ele explicou que os nomes de vários parlamentares surgiram em diálogos telefônicos interceptados ou em outras diligências, mas não foram investigados porque têm foro privilegiado.
A PF enviou os nomes para que os presidentes da Câmara e do Senado decidam sobre eventual aprofundamento das investigações. Em nota, Raupp se disse surpreso com a prisão do assessor e com a invasão do seu gabinete por policiais que cumpriam mandado de busca e apreensão do computador e de documentos na mesa de Paquier.
Delúbio diz em CPI que tinha chefes
Por : Tribuna da Imprensa
Ex-tesoureiro diz que alimentava caixa 2 com "procuração política" do PT
Em depoimento à CPI dos Bingos, Delúbio se negou a fornecer os nomes dos chefes
BRASÍLIA - Mesmo empenhado em proteger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que não atuava sozinho, pois tinha aval superior para as operações financeiras com que alimentava o caixa 2 do partido. "Eu tinha uma procuração política da direção do partido", disse Delúbio.
"De quem? Do presidente Lula, do José Dirceu?", perguntou o presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB). "O senhor tem um documento? Uma ata que diga isso?", insistiu o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Delúbio disse: "Não. Não há ata nenhuma. Eu tinha uma autorização política."
Na avaliação de Efraim, apesar de Delúbio ter-se mostrado escorregadio e muito atento - ao contrário das três outras vezes em que depôs nas CPIs dos Correios e do Mensalão, quando parecia sonolento -, ele acabou por deixar escapar que tinha chefes. "Está claro que fazia tudo a mando de alguém. Sabemos que eram ou Lula ou José Dirceu", disse o senador. A questão é que Delúbio não disse quem eram seus chefes.
O depoimento do ex-tesoureiro durou cerca de quatro horas e meia. Delúbio negou ter tentado achacar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões do banqueiro Daniel Dantas em troca do fim dos embaraços ao Grupo Opportunity: "Nunca pedi nem recebi nada do senhor Daniel Dantas." Admitiu, no entanto, que a pedido do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza teve uma reunião com Carlos Rodemburg, sócio do Opportunity. "Ele queria saber por que o PT não gostava do Opportunity. Eu respondi que nessa questão de negócio cada um tem a sua forma de agir", disse Delúbio.
O ex-tesoureiro voltou a insistir que o dinheiro do caixa 2 do PT veio de empréstimos de Marcos Valério e não da cobrança de propina de empresas ou de operações dos fundos de pensão. Disse que somente os diretórios petistas do Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Piauí não receberam dinheiro pelo valerioduto. Afirmou ainda que os partidos aliados o procuravam para pedir dinheiro. Ao todo, segundo ele, para o PT foram entregues cerca de R$ 30 milhões e para os partidos aliados, R$ 15 milhões.
O comitê financeiro da campanha do presidente Lula, segundo Delúbio, era formado por ele, pelo então presidente do PT José Dirceu, pelo ex-presidente do PL Valdemar Costa Neto e pelos presidentes do PCdoB e do PCB. Os novos aliados, como o PSB, o PTB e o PP apareceram durante a campanha para o segundo turno.
Em todas as oportunidades que teve, Delúbio negou que a campanha de Lula tivesse recebido dinheiro de quem quer que seja. Só admitiu o fato quando não teve jeito de negar. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) insinuou que a Companhia Vale do Rio Doce fez uma grande doação ao PT logo depois de um encontro do ex-ministro José Dirceu com Marcos Valério, quando foi discutido o futuro do nióbio. Sem ter como negar a doação da Vale, porque ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Delúbio disse que ela e outras empresas deram dinheiro ao PT, como também o fizeram a outros partidos.
O ex-tesoureiro negou ainda conhecimento de que empresas de bingo de São Paulo e do Rio de Janeiro tenham doado, por Estado, R$ 1 milhão para a campanha de Lula, em 2002. Afirmou que não conheceu o advogado Rogério Buratti, que afirmou, na própria CPI dos Bingos, ter havido a doação dos bingueiros. Também a respeito das denúncias de Buratti, disse que não é verdade que tenha recebido dinheiro doado às prefeituras de Ribeirão Preto e de Santo André, municípios administrados pelo PT e que, de acordo com denúncias do advogado, cobrariam propina de prestadores de serviços.
Por duas vezes, Delúbio se recusou a responder ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se era ou se é amigo do presidente Lula. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) pediu a palavra e repetiu a pergunta, agora acrescentando que Delúbio se recusava a falar qualquer coisa a respeito da amizade dele com Lula. Delúbio respondeu, de novo, de forma dúbia.
"Sou um admirador do presidente Lula. Já o admirava antes de ele ser presidente. Agora, com seu governo, passei a admirá-lo muito mais, principalmente pelo que ele está fazendo pelos mais necessitados. Se, quando deixar o governo, quiser minha amizade, aqui estou."
Em todo seu depoimento, Delúbio preservou não só o presidente Lula, mas também outros petistas, como José Dirceu. Os senadores quiseram saber por que o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, pagou uma conta de R$ 29 mil do presidente Lula junto ao PT. Delúbio disse que na campanha de 2002 Okamotto era o administrador do Diretório Nacional do PT. E, quando Lula venceu a eleição, passou a ser o seu procurador, justamente para resolver questões trabalhistas do recém-eleito.
"Desde 1990 Lula era assalariado do PT e, com a eleição, teria de deixar os quadros profissionais do partido. Foi encontrada uma dívida de R$ 29 mil, que Lula contestou. Eu a cobrei, porque essa era minha função. E o TSE exigia que a contabilidade fosse fechada. Então, Okamotto a pagou."
Ex-tesoureiro diz que alimentava caixa 2 com "procuração política" do PT
Em depoimento à CPI dos Bingos, Delúbio se negou a fornecer os nomes dos chefes
BRASÍLIA - Mesmo empenhado em proteger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que não atuava sozinho, pois tinha aval superior para as operações financeiras com que alimentava o caixa 2 do partido. "Eu tinha uma procuração política da direção do partido", disse Delúbio.
"De quem? Do presidente Lula, do José Dirceu?", perguntou o presidente da CPI, senador Efraim Moraes (PFL-PB). "O senhor tem um documento? Uma ata que diga isso?", insistiu o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Delúbio disse: "Não. Não há ata nenhuma. Eu tinha uma autorização política."
Na avaliação de Efraim, apesar de Delúbio ter-se mostrado escorregadio e muito atento - ao contrário das três outras vezes em que depôs nas CPIs dos Correios e do Mensalão, quando parecia sonolento -, ele acabou por deixar escapar que tinha chefes. "Está claro que fazia tudo a mando de alguém. Sabemos que eram ou Lula ou José Dirceu", disse o senador. A questão é que Delúbio não disse quem eram seus chefes.
O depoimento do ex-tesoureiro durou cerca de quatro horas e meia. Delúbio negou ter tentado achacar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões do banqueiro Daniel Dantas em troca do fim dos embaraços ao Grupo Opportunity: "Nunca pedi nem recebi nada do senhor Daniel Dantas." Admitiu, no entanto, que a pedido do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza teve uma reunião com Carlos Rodemburg, sócio do Opportunity. "Ele queria saber por que o PT não gostava do Opportunity. Eu respondi que nessa questão de negócio cada um tem a sua forma de agir", disse Delúbio.
O ex-tesoureiro voltou a insistir que o dinheiro do caixa 2 do PT veio de empréstimos de Marcos Valério e não da cobrança de propina de empresas ou de operações dos fundos de pensão. Disse que somente os diretórios petistas do Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Piauí não receberam dinheiro pelo valerioduto. Afirmou ainda que os partidos aliados o procuravam para pedir dinheiro. Ao todo, segundo ele, para o PT foram entregues cerca de R$ 30 milhões e para os partidos aliados, R$ 15 milhões.
O comitê financeiro da campanha do presidente Lula, segundo Delúbio, era formado por ele, pelo então presidente do PT José Dirceu, pelo ex-presidente do PL Valdemar Costa Neto e pelos presidentes do PCdoB e do PCB. Os novos aliados, como o PSB, o PTB e o PP apareceram durante a campanha para o segundo turno.
Em todas as oportunidades que teve, Delúbio negou que a campanha de Lula tivesse recebido dinheiro de quem quer que seja. Só admitiu o fato quando não teve jeito de negar. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) insinuou que a Companhia Vale do Rio Doce fez uma grande doação ao PT logo depois de um encontro do ex-ministro José Dirceu com Marcos Valério, quando foi discutido o futuro do nióbio. Sem ter como negar a doação da Vale, porque ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Delúbio disse que ela e outras empresas deram dinheiro ao PT, como também o fizeram a outros partidos.
O ex-tesoureiro negou ainda conhecimento de que empresas de bingo de São Paulo e do Rio de Janeiro tenham doado, por Estado, R$ 1 milhão para a campanha de Lula, em 2002. Afirmou que não conheceu o advogado Rogério Buratti, que afirmou, na própria CPI dos Bingos, ter havido a doação dos bingueiros. Também a respeito das denúncias de Buratti, disse que não é verdade que tenha recebido dinheiro doado às prefeituras de Ribeirão Preto e de Santo André, municípios administrados pelo PT e que, de acordo com denúncias do advogado, cobrariam propina de prestadores de serviços.
Por duas vezes, Delúbio se recusou a responder ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se era ou se é amigo do presidente Lula. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) pediu a palavra e repetiu a pergunta, agora acrescentando que Delúbio se recusava a falar qualquer coisa a respeito da amizade dele com Lula. Delúbio respondeu, de novo, de forma dúbia.
"Sou um admirador do presidente Lula. Já o admirava antes de ele ser presidente. Agora, com seu governo, passei a admirá-lo muito mais, principalmente pelo que ele está fazendo pelos mais necessitados. Se, quando deixar o governo, quiser minha amizade, aqui estou."
Em todo seu depoimento, Delúbio preservou não só o presidente Lula, mas também outros petistas, como José Dirceu. Os senadores quiseram saber por que o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, pagou uma conta de R$ 29 mil do presidente Lula junto ao PT. Delúbio disse que na campanha de 2002 Okamotto era o administrador do Diretório Nacional do PT. E, quando Lula venceu a eleição, passou a ser o seu procurador, justamente para resolver questões trabalhistas do recém-eleito.
"Desde 1990 Lula era assalariado do PT e, com a eleição, teria de deixar os quadros profissionais do partido. Foi encontrada uma dívida de R$ 29 mil, que Lula contestou. Eu a cobrei, porque essa era minha função. E o TSE exigia que a contabilidade fosse fechada. Então, Okamotto a pagou."
"Infelizmente, o PC Farias seria só aprendiz"
Por: Tribuna da Imprensa
SÃO PAULO - Altivo Ovando Júnior, de 45 anos, avalia que o esquema de corrupção nas administrações municipais do PT é muito mais organizado e grave que o de Paulo César Farias, o PC, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992). Assassinado a tiros em junho de 1996, PC tornou-se um símbolo da corrupção no País. "Eu digo que, infelizmente, o PC Farias seria só aprendiz em meio a essa indústria de arrecadar dinheiro que o PT montou", comparou o ex-secretário de Habitação de Mauá, na Grande São Paulo.
Ovando Júnior confirmou as declarações prestadas em fevereiro ao Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaerco), braço do Ministério Público Estadual que investiga a corrupção e desvio de recursos públicos. "Não lembro a data exata, mas prestei vários depoimentos em Santo André", afirmou.
Ele ressaltou ter presenciado conversas do então presidente nacional do PT, José Dirceu, com o prefeito Oswaldo Dias (PT), de quem foi secretário da Habitação entre 1997 e 2001. Ele retomou recentemente a secretaria em Mauá, agora sob a gestão do prefeito Leonel Damo (PV). Antes, relembra, trabalhou como superintendente de Projetos Viários de Marta Suplicy em São Paulo por seis meses. "Eu deixei os dois cargos por problemas dessa natureza, de institucionalização da corrupção", defendeu-se.
PERGUNTA - O ex-ministro José Dirceu esteve no gabinete do ex-prefeito de Mauá Oswaldo Dias, no período em que o sr. foi secretário?
ALTIVO OVANDO JÚNIOR - Ele foi várias vezes ao gabinete do prefeito. Teve vários encontros, era comum ele comparecer lá.
O sr. presenciou essas conversas? Ele falava sobre arrecadação de dinheiro para o PT?
Ele comentava abertamente que era obrigatório ter esquema de arrecadação de dinheiro, que todo município petista participava. Os esquemas de arrecadação eram obrigatórios em todas as cidades.
E envolvia o quê? Contratos de ônibus, de lixo?
Eu não gerenciava, nunca gerenciei. Mas com lixo e construtoras era em todas as prefeituras. Era aberto, todo mundo sabia que envolvia construtoras, contratos de lixo, essas coisas. Hoje isso está público, todo mundo conhece. Mas eles sempre fizeram, sempre existiu essa indústria de arrecadar dinheiro, infelizmente.
O sr. já trabalhou para a ex-prefeita Marta Suplicy?
Trabalhei por seis meses como superintendente de Projetos Viários da Prefeitura de São Paulo. Eu deixei o cargo pelo mesmo motivo pelo qual larguei a Secretaria de Habitação de Mauá: por problemas dessa natureza, de institucionalização da corrupção.
Por que deixou os dois empregos?
Deixei quando vieram e me enquadraram: "Ou você faz ou está fora." Saí na hora. Hoje todo mundo sabe dessa indústria de corrupção montada pelo PT. Mas ela já estava institucionalizada havia muito tempo.
E essa cobrança era pública, feita abertamente?
Digo que, infelizmente, o PC Farias seria só aprendiz em meio a essa indústria de arrecadar dinheiro que o PT montou. Infelizmente, o PC seria só aprendiz.
Além de secretário, o sr. é professor?
Sim. Sou professor de direito na UniABC. Sou formado em arquitetura e em direito. Tenho escritório de advocacia, mas não exerço, pois é proibido por eu estar ocupando cargo público.
Para advogado, MP foi desleal
SÃO PAULO - O criminalista José Luiz de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu, reagiu com veemência à divulgação do depoimento de Altivo Ovando Júnior. Segundo Oliveira Lima, os promotores "não agiram com lealdade processual, não agiram com ética". O advogado sustenta que os promotores não revelaram a existência e o teor da nova prova contra seu cliente, agora enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Esconderam provas da defesa", afirmou o advogado. "Isso é ilegal, isso lembra os procedimentos feitos na época da ditadura."
Oliveira Lima afirmou que pretende entrar com uma representação na Corregedoria do Ministério Público contra o promotor Amaro Thomé Filho, que teria entregue, por duas vezes, a um de seus assistentes, cópias do procedimento administrativo criminal 01/06 - instaurado para investigar Dirceu logo que a Câmara cassou seu mandato. Segundo o criminalista, as peças entregues pela promotoria não continham cópia do depoimento de Ovando Júnior.
"Os promotores informaram que o que havia nos autos era aquilo", disse Oliveira Lima. Para ele, a atitude dos promotores de Santo André demonstra "o desespero da acusação, que desprovida de provas, circunstâncias e indícios concretos usa dessa estratégia para defender seu ponto de vista".
O advogado avalia que "esta prova mágica do Ministério Público na verdade não é prova nenhuma porque é mais um depoimento isolado e não tem nenhuma relação com o fato de Santo André".
Os promotores de Justiça argumentaram ao ministro Eros Grau que "há robusta prova nova que justifica minuciosa investigação da conduta de Dirceu". Eles pediram ao ministro do Supremo que rejeite reclamação da defesa do deputado cassado e autorize "o desenvolvimento natural da investigação do MP".
SÃO PAULO - Altivo Ovando Júnior, de 45 anos, avalia que o esquema de corrupção nas administrações municipais do PT é muito mais organizado e grave que o de Paulo César Farias, o PC, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992). Assassinado a tiros em junho de 1996, PC tornou-se um símbolo da corrupção no País. "Eu digo que, infelizmente, o PC Farias seria só aprendiz em meio a essa indústria de arrecadar dinheiro que o PT montou", comparou o ex-secretário de Habitação de Mauá, na Grande São Paulo.
Ovando Júnior confirmou as declarações prestadas em fevereiro ao Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaerco), braço do Ministério Público Estadual que investiga a corrupção e desvio de recursos públicos. "Não lembro a data exata, mas prestei vários depoimentos em Santo André", afirmou.
Ele ressaltou ter presenciado conversas do então presidente nacional do PT, José Dirceu, com o prefeito Oswaldo Dias (PT), de quem foi secretário da Habitação entre 1997 e 2001. Ele retomou recentemente a secretaria em Mauá, agora sob a gestão do prefeito Leonel Damo (PV). Antes, relembra, trabalhou como superintendente de Projetos Viários de Marta Suplicy em São Paulo por seis meses. "Eu deixei os dois cargos por problemas dessa natureza, de institucionalização da corrupção", defendeu-se.
PERGUNTA - O ex-ministro José Dirceu esteve no gabinete do ex-prefeito de Mauá Oswaldo Dias, no período em que o sr. foi secretário?
ALTIVO OVANDO JÚNIOR - Ele foi várias vezes ao gabinete do prefeito. Teve vários encontros, era comum ele comparecer lá.
O sr. presenciou essas conversas? Ele falava sobre arrecadação de dinheiro para o PT?
Ele comentava abertamente que era obrigatório ter esquema de arrecadação de dinheiro, que todo município petista participava. Os esquemas de arrecadação eram obrigatórios em todas as cidades.
E envolvia o quê? Contratos de ônibus, de lixo?
Eu não gerenciava, nunca gerenciei. Mas com lixo e construtoras era em todas as prefeituras. Era aberto, todo mundo sabia que envolvia construtoras, contratos de lixo, essas coisas. Hoje isso está público, todo mundo conhece. Mas eles sempre fizeram, sempre existiu essa indústria de arrecadar dinheiro, infelizmente.
O sr. já trabalhou para a ex-prefeita Marta Suplicy?
Trabalhei por seis meses como superintendente de Projetos Viários da Prefeitura de São Paulo. Eu deixei o cargo pelo mesmo motivo pelo qual larguei a Secretaria de Habitação de Mauá: por problemas dessa natureza, de institucionalização da corrupção.
Por que deixou os dois empregos?
Deixei quando vieram e me enquadraram: "Ou você faz ou está fora." Saí na hora. Hoje todo mundo sabe dessa indústria de corrupção montada pelo PT. Mas ela já estava institucionalizada havia muito tempo.
E essa cobrança era pública, feita abertamente?
Digo que, infelizmente, o PC Farias seria só aprendiz em meio a essa indústria de arrecadar dinheiro que o PT montou. Infelizmente, o PC seria só aprendiz.
Além de secretário, o sr. é professor?
Sim. Sou professor de direito na UniABC. Sou formado em arquitetura e em direito. Tenho escritório de advocacia, mas não exerço, pois é proibido por eu estar ocupando cargo público.
Para advogado, MP foi desleal
SÃO PAULO - O criminalista José Luiz de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu, reagiu com veemência à divulgação do depoimento de Altivo Ovando Júnior. Segundo Oliveira Lima, os promotores "não agiram com lealdade processual, não agiram com ética". O advogado sustenta que os promotores não revelaram a existência e o teor da nova prova contra seu cliente, agora enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Esconderam provas da defesa", afirmou o advogado. "Isso é ilegal, isso lembra os procedimentos feitos na época da ditadura."
Oliveira Lima afirmou que pretende entrar com uma representação na Corregedoria do Ministério Público contra o promotor Amaro Thomé Filho, que teria entregue, por duas vezes, a um de seus assistentes, cópias do procedimento administrativo criminal 01/06 - instaurado para investigar Dirceu logo que a Câmara cassou seu mandato. Segundo o criminalista, as peças entregues pela promotoria não continham cópia do depoimento de Ovando Júnior.
"Os promotores informaram que o que havia nos autos era aquilo", disse Oliveira Lima. Para ele, a atitude dos promotores de Santo André demonstra "o desespero da acusação, que desprovida de provas, circunstâncias e indícios concretos usa dessa estratégia para defender seu ponto de vista".
O advogado avalia que "esta prova mágica do Ministério Público na verdade não é prova nenhuma porque é mais um depoimento isolado e não tem nenhuma relação com o fato de Santo André".
Os promotores de Justiça argumentaram ao ministro Eros Grau que "há robusta prova nova que justifica minuciosa investigação da conduta de Dirceu". Eles pediram ao ministro do Supremo que rejeite reclamação da defesa do deputado cassado e autorize "o desenvolvimento natural da investigação do MP".
Dirceu sabia de propina, diz ex-secretário
Por: Tribuna da Imprensa
SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual revelou ontem, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o nome de uma nova testemunha que pode reforçar as suspeitas de envolvimento do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) com o suposto esquema de propinas na administração Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André seqüestrado e morto em janeiro de 2002.
Altivo Ovando Júnior, ex-secretário de Habitação de Mauá, na Grande São Paulo, declarou aos promotores criminais que investigam fraudes na administração de Celso Daniel que Dirceu sabia da corrupção.
"O então presidente do PT, José Dirceu, também tinha conhecimento da arrecadação de propina em Santo André, como relatava em reuniões no gabinete do prefeito", afirmou Ovando Júnior, referindo-se a Osvaldo Dias (PT), prefeito de Mauá entre 1997 e 2001. "O Dirceu falava abertamente, sem constrangimento algum", confirmou.
O caso Santo André é uma história intrincada de corrupção que levou à execução do prefeito petista, segundo conclusão da promotoria criminal. O Ministério Público argumenta que "uma quadrilha organizada estável" tomou conta de setores da administração Celso Daniel para extorquir empresários. O dinheiro do esquema seria usado para abastecer campanhas eleitorais do PT.
Quatro meses depois do assassinato de Daniel, o irmão mais velho dele, João Francisco, denunciou ao Ministério Público ter ouvido de Gilberto Carvalho, hoje assessor especial do presidente Lula, que parte do dinheiro da propina era levado para Dirceu, então presidente do PT. À CPI dos Bingos, outro irmão do prefeito morto, Bruno Daniel, confirmou tudo.
O depoimento de Altivo Ovando Júnior foi tomado em fevereiro pelo Ministério Público, mas só agora os promotores de Santo André o divulgaram por meio de cópia que enviaram ao ministro Eros Grau, do STF. Há duas semanas, Grau concedeu liminar para a defesa de Dirceu, proibindo a promotoria de investigar o ex-presidente do PT. O ministro advertiu que a corte máxima da Justiça já havia barrado a apuração - em 2002, o ministro Nelson Jobim arquivou um pedido do MP para rastrear os passos de Dirceu no caso Santo André.
Provas novas
Inconformados com o veto, os promotores encaminharam ao STF documento de 22 páginas apresentando o que definem como "provas novas" que, para eles, justificam a investigação contra Dirceu. A meta dos promotores é convencer Eros Grau a revogar sua própria decisão. "A impunidade não pode imperar em nossa pátria."
O trunfo maior dos promotores é o relato de Ovando Júnior. "Este depoimento é mais uma entre tantas provas novas que justificam a investigação", sustentam os promotores, para quem as revelações de Ovando Júnior reforçam a suspeita de que Dirceu teria institucionalizado o esquema de arrecadação de propinas entre as prefeituras do PT.
"A simples ciência do esquema, por quem tem a função de zelar pela lisura da atuação daquela agremiação política, demonstra comprometimento de José Dirceu com a arrecadação de propina", escreveram . "No mínimo, esta nova circunstância enseja rigorosa apuração dos fatos. Estamos simplesmente no exercício regular da atividade estatal de apuração de ilícitos."
Três promotores subscrevem o ofício 139/06 ao Supremo - Amaro Thomé Filho, Roberto Wider e Adriana Ribeiro Soares de Morais. Eles são especialistas em inquéritos sobre corrupção e improbidade. Estão convencidos de que Dirceu tinha ligação com o desvio de verbas públicas de Santo André. "José Dirceu, que se auto-intitulava paradigma da ética e da probidade, hoje figura como denunciado porque seria o idealizador e principal articulador de um mega esquema de corrupção, que teve como um dos laboratórios, justamente, a cidade de Santo André", escreveram os promotores no ofício ao ministro Eros Grau.
SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual revelou ontem, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o nome de uma nova testemunha que pode reforçar as suspeitas de envolvimento do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) com o suposto esquema de propinas na administração Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André seqüestrado e morto em janeiro de 2002.
Altivo Ovando Júnior, ex-secretário de Habitação de Mauá, na Grande São Paulo, declarou aos promotores criminais que investigam fraudes na administração de Celso Daniel que Dirceu sabia da corrupção.
"O então presidente do PT, José Dirceu, também tinha conhecimento da arrecadação de propina em Santo André, como relatava em reuniões no gabinete do prefeito", afirmou Ovando Júnior, referindo-se a Osvaldo Dias (PT), prefeito de Mauá entre 1997 e 2001. "O Dirceu falava abertamente, sem constrangimento algum", confirmou.
O caso Santo André é uma história intrincada de corrupção que levou à execução do prefeito petista, segundo conclusão da promotoria criminal. O Ministério Público argumenta que "uma quadrilha organizada estável" tomou conta de setores da administração Celso Daniel para extorquir empresários. O dinheiro do esquema seria usado para abastecer campanhas eleitorais do PT.
Quatro meses depois do assassinato de Daniel, o irmão mais velho dele, João Francisco, denunciou ao Ministério Público ter ouvido de Gilberto Carvalho, hoje assessor especial do presidente Lula, que parte do dinheiro da propina era levado para Dirceu, então presidente do PT. À CPI dos Bingos, outro irmão do prefeito morto, Bruno Daniel, confirmou tudo.
O depoimento de Altivo Ovando Júnior foi tomado em fevereiro pelo Ministério Público, mas só agora os promotores de Santo André o divulgaram por meio de cópia que enviaram ao ministro Eros Grau, do STF. Há duas semanas, Grau concedeu liminar para a defesa de Dirceu, proibindo a promotoria de investigar o ex-presidente do PT. O ministro advertiu que a corte máxima da Justiça já havia barrado a apuração - em 2002, o ministro Nelson Jobim arquivou um pedido do MP para rastrear os passos de Dirceu no caso Santo André.
Provas novas
Inconformados com o veto, os promotores encaminharam ao STF documento de 22 páginas apresentando o que definem como "provas novas" que, para eles, justificam a investigação contra Dirceu. A meta dos promotores é convencer Eros Grau a revogar sua própria decisão. "A impunidade não pode imperar em nossa pátria."
O trunfo maior dos promotores é o relato de Ovando Júnior. "Este depoimento é mais uma entre tantas provas novas que justificam a investigação", sustentam os promotores, para quem as revelações de Ovando Júnior reforçam a suspeita de que Dirceu teria institucionalizado o esquema de arrecadação de propinas entre as prefeituras do PT.
"A simples ciência do esquema, por quem tem a função de zelar pela lisura da atuação daquela agremiação política, demonstra comprometimento de José Dirceu com a arrecadação de propina", escreveram . "No mínimo, esta nova circunstância enseja rigorosa apuração dos fatos. Estamos simplesmente no exercício regular da atividade estatal de apuração de ilícitos."
Três promotores subscrevem o ofício 139/06 ao Supremo - Amaro Thomé Filho, Roberto Wider e Adriana Ribeiro Soares de Morais. Eles são especialistas em inquéritos sobre corrupção e improbidade. Estão convencidos de que Dirceu tinha ligação com o desvio de verbas públicas de Santo André. "José Dirceu, que se auto-intitulava paradigma da ética e da probidade, hoje figura como denunciado porque seria o idealizador e principal articulador de um mega esquema de corrupção, que teve como um dos laboratórios, justamente, a cidade de Santo André", escreveram os promotores no ofício ao ministro Eros Grau.
terça-feira, maio 23, 2006
Dupla insossa, inodora e incolor
Por: Carlos Chagas (Tribuna da Imprensa)
BRASÍLIA - Se faltava, não falta mais. Fala-se de argumentos em favor da substituição da candidatura de Geraldo Alckmin à presidência. Esperava-se que ao menos o seu companheiro de chapa, indicado pelo PFL, pudesse contrabalançar o estilo do candidato. Nada contra a estratégia de Alckmin, de rejeitar apresentar-se como salvador da pátria, mas apenas como um funcionário público competente, dedicado a administrar o governo mais ou menos como um cidadão administra a própria casa. Talvez fosse essa a estratégia para recuperar o País, envolto até hoje pela frustração de falsos e demagogos super-homens.
O problema é que se tornava imprescindível contrabalançar a imagem amena de Alckmin com um vice agressivo, crítico, veemente, dos que não perdem oportunidade de denunciar adversários, empenhado em deixá-los na defensiva. O PFL, no entanto, preferiu indicar o senador José Jorge, espécie de alter-ego de Alckmin. A solução natural seria a escolha do também senador José Agripino, líder da bancada, de reconhecida atuação explosiva e contundente.
O resultado aí está: uma dupla insossa, inodora e incolor. Inatacável em termos de honestidade e de competência administrativa, mas incapaz de empolgar o eleitorado. De bater de frente com o governo que pretendem suceder. Alckmin e Jorge parecem sem condições de encher um palanque, quanto mais uma praça...
Apesar de todas as negativas, a tese da substituição parece estar pegando. No caso, a substituição dos dois. Agora, por quem, ninguém sabe...
Impunidade
Coube ao senador Pedro Simon o diagnóstico mais perfeito até agora apresentado sobre a crise verificada em São Paulo. Falando da tribuna do Senado, o representante do Rio Grande do Sul definiu o terror criado pelo crime organizado como um dos esquemas mais completos de organização e de ação política acontecidos no País. Algo que nada fica a dever às antigas estruturas da máfia italiana, felizmente agora reduzida a frangalhos. Tudo por conta da impunidade que grassa na sociedade brasileira.
Reprimir o crime com violência, investir em educação, reequipar o aparelho policial, essas podem constituir-se em soluções para combater a marginalidade, mas de nada adiantarão, segundo Simon, se continuarem impunes os verdadeiros responsáveis pela desmoralização do poder público e a desagregação da sociedade. Enquanto aqueles que roubam galinhas vão para a cadeia, e roubam por estado de necessidade, aqueles que roubam muito mais continuam passeando sua impunidade. Assim, nada se resolverá.
Indagou o senador como podem, um delegado ou um juiz do interior, ousar prender ladrões de colarinho branco, em suas regiões, se o STF aceita, mas engaveta pedido do procurador geral para processar o presidente do Banco Central, por formação de quadrilha e remessa de dinheiro para o exterior? Simon sugeriu um mutirão para buscar soluções. Deveriam reunir-se todas as semanas os presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado, da Câmara, do Tribunal de Contas da União, mais representantes do presidente, como o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça e outros.
Fazer como se fez na Itália, onde, para acabar com a máfia, desenvolveu-se a "operação mãos limpas", responsável pela prisão de quatro ex-primeiros-ministros, mais de cem deputados e presidentes de grandes empresas. Vindo o exemplo de cima, a ação chegará aos patamares inferiores e o crime organizado se desmantela. Caso contrário, pior.
Candidato?
Apelou o senador Simon em termos dramáticos aos dirigentes do PMDB para que revejam a decisão de não apresentar candidato à presidência. Em suas palavras, o PMDB acaba, se for para a eleição sem candidato. A maioria dos eleitos cairá fora. O partido irá para o fundo do poço. "Estamos nas últimas horas, querem até anular a próxima convenção e deixar definida a decisão fatal de não disputar o Planalto. Responderão pelo futuro os responsáveis por essa omissão" - disse.
O primeiro passo seria o partido estabelecer um programa de recuperação nacional, definindo-se logo depois o melhor candidato em condições de cumpri-lo. Existem, no PMDB, setores que concordam com Simon, alguns sugerindo que seja candidato. Indagado, concluiu: "E você acha que eles me aceitariam?..." É possível que a idéia possa progredir.
BRASÍLIA - Se faltava, não falta mais. Fala-se de argumentos em favor da substituição da candidatura de Geraldo Alckmin à presidência. Esperava-se que ao menos o seu companheiro de chapa, indicado pelo PFL, pudesse contrabalançar o estilo do candidato. Nada contra a estratégia de Alckmin, de rejeitar apresentar-se como salvador da pátria, mas apenas como um funcionário público competente, dedicado a administrar o governo mais ou menos como um cidadão administra a própria casa. Talvez fosse essa a estratégia para recuperar o País, envolto até hoje pela frustração de falsos e demagogos super-homens.
O problema é que se tornava imprescindível contrabalançar a imagem amena de Alckmin com um vice agressivo, crítico, veemente, dos que não perdem oportunidade de denunciar adversários, empenhado em deixá-los na defensiva. O PFL, no entanto, preferiu indicar o senador José Jorge, espécie de alter-ego de Alckmin. A solução natural seria a escolha do também senador José Agripino, líder da bancada, de reconhecida atuação explosiva e contundente.
O resultado aí está: uma dupla insossa, inodora e incolor. Inatacável em termos de honestidade e de competência administrativa, mas incapaz de empolgar o eleitorado. De bater de frente com o governo que pretendem suceder. Alckmin e Jorge parecem sem condições de encher um palanque, quanto mais uma praça...
Apesar de todas as negativas, a tese da substituição parece estar pegando. No caso, a substituição dos dois. Agora, por quem, ninguém sabe...
Impunidade
Coube ao senador Pedro Simon o diagnóstico mais perfeito até agora apresentado sobre a crise verificada em São Paulo. Falando da tribuna do Senado, o representante do Rio Grande do Sul definiu o terror criado pelo crime organizado como um dos esquemas mais completos de organização e de ação política acontecidos no País. Algo que nada fica a dever às antigas estruturas da máfia italiana, felizmente agora reduzida a frangalhos. Tudo por conta da impunidade que grassa na sociedade brasileira.
Reprimir o crime com violência, investir em educação, reequipar o aparelho policial, essas podem constituir-se em soluções para combater a marginalidade, mas de nada adiantarão, segundo Simon, se continuarem impunes os verdadeiros responsáveis pela desmoralização do poder público e a desagregação da sociedade. Enquanto aqueles que roubam galinhas vão para a cadeia, e roubam por estado de necessidade, aqueles que roubam muito mais continuam passeando sua impunidade. Assim, nada se resolverá.
Indagou o senador como podem, um delegado ou um juiz do interior, ousar prender ladrões de colarinho branco, em suas regiões, se o STF aceita, mas engaveta pedido do procurador geral para processar o presidente do Banco Central, por formação de quadrilha e remessa de dinheiro para o exterior? Simon sugeriu um mutirão para buscar soluções. Deveriam reunir-se todas as semanas os presidentes do Supremo Tribunal Federal, do Senado, da Câmara, do Tribunal de Contas da União, mais representantes do presidente, como o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça e outros.
Fazer como se fez na Itália, onde, para acabar com a máfia, desenvolveu-se a "operação mãos limpas", responsável pela prisão de quatro ex-primeiros-ministros, mais de cem deputados e presidentes de grandes empresas. Vindo o exemplo de cima, a ação chegará aos patamares inferiores e o crime organizado se desmantela. Caso contrário, pior.
Candidato?
Apelou o senador Simon em termos dramáticos aos dirigentes do PMDB para que revejam a decisão de não apresentar candidato à presidência. Em suas palavras, o PMDB acaba, se for para a eleição sem candidato. A maioria dos eleitos cairá fora. O partido irá para o fundo do poço. "Estamos nas últimas horas, querem até anular a próxima convenção e deixar definida a decisão fatal de não disputar o Planalto. Responderão pelo futuro os responsáveis por essa omissão" - disse.
O primeiro passo seria o partido estabelecer um programa de recuperação nacional, definindo-se logo depois o melhor candidato em condições de cumpri-lo. Existem, no PMDB, setores que concordam com Simon, alguns sugerindo que seja candidato. Indagado, concluiu: "E você acha que eles me aceitariam?..." É possível que a idéia possa progredir.
Dignidade nacional mobiliza só 60 em BH
Por: DENISE MOTTA (O Tempo - MG)
Os caras-pintadas, pelo menos os de Minas Gerais, já não são mais os mesmos. Por baixo das tintas verde e amarela nos rostos, sinais do tempo. Exemplo disso são as aposentadas Marina Flores, 70, e Maria Giselda Silva, 65.
Ontem elas se destacavam no meio do tímido grupo de mineiros que participou, na praça Sete, do Dia da Dignidade Nacional, movimento que mobilizou milhares de pessoas em mais de 20 cidades do Brasil, em passeatas simultâneas.
O grupo de manifestantes em Belo Horizonte, cerca de 60 pessoas, subiu no pirulito da praça Sete, e, vestidos de preto, com as faces pintadas, cantou o Hino Nacional diversas vezes, chamando a atenção de quem passava pelo local. Marina conta que sempre foi engajada politicamente e que continuará lutando, sempre, por um país melhor.
"Eu, que passei pela ditadura militar, hoje percebo que a democracia não existe mais. O país está uma baderna, a roubalheira, generalizada", lamenta, emendando que o jovem atualmente se sente desmotivado para lutar por seus ideais porque, entre outras coisas, não tem incentivo dos pais.
Mas não é só a falta de engajamento político por parte dos jovens que leva Marina à indignação. Mineira, ela reclama da falta de liderança política do Estado no cenário nacional. "Antigamente tínhamos políticos honestos e preocupados com o bem-estar da população. Hoje está tudo corrompido", opina.
Maria Giselda, assim como Marina, representa a nova classe de cidadãos indignados que vão às ruas, com os rostos pintados de verde e amarelo, para dizer basta à corrupção.
Também sempre engajada politicamente ao longo de seus 65 anos, ela faz uma dura análise da atual situação política do Brasil. "Vivemos numa escravidão. Somos escravos da pobreza, da desigualdade. É preciso mudar as leis para termos um país mais justo", diz ela.
Baixa adesão
O organizador do Dia da Dignidade Nacional em Belo Horizonte, Eduardo Augusto Souza, lamenta que apenas 60 pessoas tenham participado da passeata na capital mineira, que teve início por volta das 15h de ontem e terminou duas horas depois na praça da Liberdade.
"Todo grande movimento começa assim, com poucas pessoas. Da próxima vez, reuniremos mais pessoas", afirmou. Estudante de informática, ele conta que decidiu tomar frente do Dia da Dignidade Nacional em Belo Horizonte depois de saber da existência do Reforma Brasil, movimento apartidário de São Paulo.
Anarquistas
Na contramão da realidade de jovens mineiros alienados com a política nacional, a estudante do 1º ano do ensino médio, Cecília Reis Aquino, 16, esteve ontem na praça Sete, mesmo tendo ficado sabendo da manifestação horas antes.
"Infelizmente o jovem, hoje, é mais preocupado com bebidas e festas. Hoje, dia de futebol, eles não dão importância a um movimento como esse. Em ano de Copa do Mundo, todo mundo veste a camisa da seleção, mas depois guarda o patriotismo na gaveta. Isso me deixa triste, mas também me motiva a mobilizar meus amigos em próximas passeatas", diz ela.
Outros presentes na praça Sete ontem era um grupo de anarquistas, cerca de 15, que se mobilizou por meio da Internet. "Quem tem poder, tem poder para fazer corrupção, somos a favor de um país sem corrupção, apesar do anarquismo pregar ideais libertários e próximos ao socialismo", disse Otávio Vieira, 22.
A divulgação do encontro foi feita por email e pelo Orkut (comunidade de relacionamentos na Internet). Quase 300 pessoas integram a comunidade no Orkut feita por integrantes do "Dia da Dignidade Nacional", em Belo Horizonte.
O movimento partiu de São Paulo - de uma organização não governamental chamada Reforma Brasil - e caiu nas graças dos mineiros em setembro do ano passado. Na comunidade de São Paulo participam cerca de 3.000 pessoas.
Já a do Rio tem perto de 2.000 membros. Desde que teve início, em maio do ano passado, a crise política despertou reações de internautas. Quase 60 mil pessoas integram a comunidade no Orkut "Eu quero meu mensalão".
Na apresentação para angariar membros, a comunidade diz: "Para você que achou ridículo o aumento salarial de 0,01% do servidor federal e está cansado de ver seus rendimentos acabarem antes do final do mês. Junte-se a nós, lute por um digno mensalão de R$ 30 mil."
A comunidade "Fora Lula 2006" é uma das mais cheias: tem quase 110 mil membros, enquanto a "Lula Presidente 2006" tem pouco mais de 30 mil integrantes. "Odeio PT" reúne aproximadamente 93 mil pessoas, ao passo que a comunidade oficial do PT tem pouco mais de 12 mil membros.
Os caras-pintadas, pelo menos os de Minas Gerais, já não são mais os mesmos. Por baixo das tintas verde e amarela nos rostos, sinais do tempo. Exemplo disso são as aposentadas Marina Flores, 70, e Maria Giselda Silva, 65.
Ontem elas se destacavam no meio do tímido grupo de mineiros que participou, na praça Sete, do Dia da Dignidade Nacional, movimento que mobilizou milhares de pessoas em mais de 20 cidades do Brasil, em passeatas simultâneas.
O grupo de manifestantes em Belo Horizonte, cerca de 60 pessoas, subiu no pirulito da praça Sete, e, vestidos de preto, com as faces pintadas, cantou o Hino Nacional diversas vezes, chamando a atenção de quem passava pelo local. Marina conta que sempre foi engajada politicamente e que continuará lutando, sempre, por um país melhor.
"Eu, que passei pela ditadura militar, hoje percebo que a democracia não existe mais. O país está uma baderna, a roubalheira, generalizada", lamenta, emendando que o jovem atualmente se sente desmotivado para lutar por seus ideais porque, entre outras coisas, não tem incentivo dos pais.
Mas não é só a falta de engajamento político por parte dos jovens que leva Marina à indignação. Mineira, ela reclama da falta de liderança política do Estado no cenário nacional. "Antigamente tínhamos políticos honestos e preocupados com o bem-estar da população. Hoje está tudo corrompido", opina.
Maria Giselda, assim como Marina, representa a nova classe de cidadãos indignados que vão às ruas, com os rostos pintados de verde e amarelo, para dizer basta à corrupção.
Também sempre engajada politicamente ao longo de seus 65 anos, ela faz uma dura análise da atual situação política do Brasil. "Vivemos numa escravidão. Somos escravos da pobreza, da desigualdade. É preciso mudar as leis para termos um país mais justo", diz ela.
Baixa adesão
O organizador do Dia da Dignidade Nacional em Belo Horizonte, Eduardo Augusto Souza, lamenta que apenas 60 pessoas tenham participado da passeata na capital mineira, que teve início por volta das 15h de ontem e terminou duas horas depois na praça da Liberdade.
"Todo grande movimento começa assim, com poucas pessoas. Da próxima vez, reuniremos mais pessoas", afirmou. Estudante de informática, ele conta que decidiu tomar frente do Dia da Dignidade Nacional em Belo Horizonte depois de saber da existência do Reforma Brasil, movimento apartidário de São Paulo.
Anarquistas
Na contramão da realidade de jovens mineiros alienados com a política nacional, a estudante do 1º ano do ensino médio, Cecília Reis Aquino, 16, esteve ontem na praça Sete, mesmo tendo ficado sabendo da manifestação horas antes.
"Infelizmente o jovem, hoje, é mais preocupado com bebidas e festas. Hoje, dia de futebol, eles não dão importância a um movimento como esse. Em ano de Copa do Mundo, todo mundo veste a camisa da seleção, mas depois guarda o patriotismo na gaveta. Isso me deixa triste, mas também me motiva a mobilizar meus amigos em próximas passeatas", diz ela.
Outros presentes na praça Sete ontem era um grupo de anarquistas, cerca de 15, que se mobilizou por meio da Internet. "Quem tem poder, tem poder para fazer corrupção, somos a favor de um país sem corrupção, apesar do anarquismo pregar ideais libertários e próximos ao socialismo", disse Otávio Vieira, 22.
A divulgação do encontro foi feita por email e pelo Orkut (comunidade de relacionamentos na Internet). Quase 300 pessoas integram a comunidade no Orkut feita por integrantes do "Dia da Dignidade Nacional", em Belo Horizonte.
O movimento partiu de São Paulo - de uma organização não governamental chamada Reforma Brasil - e caiu nas graças dos mineiros em setembro do ano passado. Na comunidade de São Paulo participam cerca de 3.000 pessoas.
Já a do Rio tem perto de 2.000 membros. Desde que teve início, em maio do ano passado, a crise política despertou reações de internautas. Quase 60 mil pessoas integram a comunidade no Orkut "Eu quero meu mensalão".
Na apresentação para angariar membros, a comunidade diz: "Para você que achou ridículo o aumento salarial de 0,01% do servidor federal e está cansado de ver seus rendimentos acabarem antes do final do mês. Junte-se a nós, lute por um digno mensalão de R$ 30 mil."
A comunidade "Fora Lula 2006" é uma das mais cheias: tem quase 110 mil membros, enquanto a "Lula Presidente 2006" tem pouco mais de 30 mil integrantes. "Odeio PT" reúne aproximadamente 93 mil pessoas, ao passo que a comunidade oficial do PT tem pouco mais de 12 mil membros.
Não à corrupção
Por: Carlos Alberto Di Franco (Estado de Minas)
O recrudescimento da crise brasileira, com cenas próprias da pior delinqüência - flagrantes policiais de situações constrangedoras, depoimentos cinicamente falsos (emblemático o show protagonizado pelo ex-secretário do PT Sílvio Pereira na CPI dos Bingos) e o gritante silêncio do presidente da República -, conduz, inevitavelmente, a uma conclusão: as instituições estão submetidas a uma estratégia programada de desmoralização. A mentira, o cinismo e a impunidade, devidamente condimentados com o tempero do populismo, dão um caldo antidemocrático.
Recentemente, ao encerrar o seu 13º encontro nacional, o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou um documento constrangedor. Os petistas decidiram que o escândalo do mensalão não deve ser investigado no âmbito do partido este ano, mas só em 2007. A agremiação da "ética na política", preocupada com as conveniências eleitorais, mandou às favas quaisquer escrúpulos éticos. Mas o cinismo foi mais longe. Por aclamação, decidiu-se autorizar o partido a fazer "alianças com partidos que integram a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram a base", excluindo apenas o PSDB e PFL. Resumo da ópera: o PT do presidente Lula está renovando os contratos com o PTB de Roberto Jefferson, o PL de Waldemar da Costa Neto, o PP de José Janene, e, se possível, com o PMDB de José Borba. É de se esperar o lançamento do mensalão 2.
Por isso, não foi de estranhar o discurso de Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mau tivessem feito." O desabafo do ministro foi premonitório. Afinal, José Dirceu, "o chefe da quadrilha", segundo escreveu o procurador-geral da República, Antônio de Souza, na denúncia em que acusou a antiga cúpula do partido do presidente da República de ter-se convertido numa "organização criminosa", é, de fato, o articulador da reeleição de Lula. O procurador-geral, homem sério e nomeado pelo próprio Lula, falou o que todos sabiam: foi instalada uma rede criminosa no coração do Estado brasileiro.
Para encerrar a lambança com chave de ouro, caro leitor, os petistas querem eleger novamente os parlamentares e líderes partidários envolvidos na crise do mensalão. Em sondagens feitas por vários diretórios municipais de São Paulo na prévia para decidir o candidato a governador, os filiados do PT indicaram, entre os preferidos a uma vaga na Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor (que escaparam da cassação) e o ex-presidente do PT José Genoíno. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que deixou o governo sob a acusação de ser o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, foi o líder absoluto na prévia petista em seu reduto eleitoral, Ribeirão Preto. O presidente estadual (SP) do PT, Paulo Frateschi, disse que a direção partidária vê a participação desses personagens na eleição como uma necessidade política: "Vamos pedir para irem a luta e enfrentar as dificuldades". Vale tudo. O fim (o poder) justifica quaisquer meios.
As massas miseráveis, reféns do populismo interesseiro, da desinformação e da insensibilidade de certa elite, só serão acordadas se a classe média, fiel da balança de qualquer democracia, decidir dar um basta à vilania que tomou conta do núcleo do poder. O Brasil, caro leitor, pode sair desse pântano para um patamar civilizado. Mas para que isso aconteça, com a urgência que se impõe, é preciso que os culpados sejam punidos. Mesmo que se trate do presidente da República.
Carlos Alberto Di Franco, Doutor em comunicação e professor de ética em São Paulo
O recrudescimento da crise brasileira, com cenas próprias da pior delinqüência - flagrantes policiais de situações constrangedoras, depoimentos cinicamente falsos (emblemático o show protagonizado pelo ex-secretário do PT Sílvio Pereira na CPI dos Bingos) e o gritante silêncio do presidente da República -, conduz, inevitavelmente, a uma conclusão: as instituições estão submetidas a uma estratégia programada de desmoralização. A mentira, o cinismo e a impunidade, devidamente condimentados com o tempero do populismo, dão um caldo antidemocrático.
Recentemente, ao encerrar o seu 13º encontro nacional, o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou um documento constrangedor. Os petistas decidiram que o escândalo do mensalão não deve ser investigado no âmbito do partido este ano, mas só em 2007. A agremiação da "ética na política", preocupada com as conveniências eleitorais, mandou às favas quaisquer escrúpulos éticos. Mas o cinismo foi mais longe. Por aclamação, decidiu-se autorizar o partido a fazer "alianças com partidos que integram a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram a base", excluindo apenas o PSDB e PFL. Resumo da ópera: o PT do presidente Lula está renovando os contratos com o PTB de Roberto Jefferson, o PL de Waldemar da Costa Neto, o PP de José Janene, e, se possível, com o PMDB de José Borba. É de se esperar o lançamento do mensalão 2.
Por isso, não foi de estranhar o discurso de Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mau tivessem feito." O desabafo do ministro foi premonitório. Afinal, José Dirceu, "o chefe da quadrilha", segundo escreveu o procurador-geral da República, Antônio de Souza, na denúncia em que acusou a antiga cúpula do partido do presidente da República de ter-se convertido numa "organização criminosa", é, de fato, o articulador da reeleição de Lula. O procurador-geral, homem sério e nomeado pelo próprio Lula, falou o que todos sabiam: foi instalada uma rede criminosa no coração do Estado brasileiro.
Para encerrar a lambança com chave de ouro, caro leitor, os petistas querem eleger novamente os parlamentares e líderes partidários envolvidos na crise do mensalão. Em sondagens feitas por vários diretórios municipais de São Paulo na prévia para decidir o candidato a governador, os filiados do PT indicaram, entre os preferidos a uma vaga na Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor (que escaparam da cassação) e o ex-presidente do PT José Genoíno. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que deixou o governo sob a acusação de ser o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, foi o líder absoluto na prévia petista em seu reduto eleitoral, Ribeirão Preto. O presidente estadual (SP) do PT, Paulo Frateschi, disse que a direção partidária vê a participação desses personagens na eleição como uma necessidade política: "Vamos pedir para irem a luta e enfrentar as dificuldades". Vale tudo. O fim (o poder) justifica quaisquer meios.
As massas miseráveis, reféns do populismo interesseiro, da desinformação e da insensibilidade de certa elite, só serão acordadas se a classe média, fiel da balança de qualquer democracia, decidir dar um basta à vilania que tomou conta do núcleo do poder. O Brasil, caro leitor, pode sair desse pântano para um patamar civilizado. Mas para que isso aconteça, com a urgência que se impõe, é preciso que os culpados sejam punidos. Mesmo que se trate do presidente da República.
Carlos Alberto Di Franco, Doutor em comunicação e professor de ética em São Paulo
Não à corrupção
Por: Carlos Alberto Di Franco (Estado de São Paulo)
O recrudescimento da crise brasileira, com cenas próprias da pior delinqüência - flagrantes policiais de situações constrangedoras, depoimentos cinicamente falsos (emblemático o show protagonizado pelo ex-secretário do PT na CPI dos Bingos) e o gritante silêncio do presidente da República -, conduz, inevitavelmente, a uma conclusão: as instituições estão submetidas a uma estratégia programada de desmoralização. A mentira, o cinismo e a impunidade, devidamente condimentadas com o tempero do populismo, dão um caldo antidemocrático.
Recentemente, ao encerrar o seu 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou um documento constrangedor. Os petistas decidiram que o escândalo do mensalão não deve ser investigado no âmbito do partido neste ano, só em 2007. A agremiação da "ética na política", preocupada com as conveniências eleitorais, mandou às favas quaisquer escrúpulos éticos. Mas o cinismo foi mais longe. Por aclamação, decidiu-se autorizar o partido a fazer "alianças com partidos que integram a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram a base", excluindo apenas o PSDB e o PFL. Resumo da ópera: o PT do presidente Lula está renovando os contratos com o PTB de Roberto Jefferson, o PL de Valdemar Costa Neto, o PP de José Janene e, se possível, com o PMDB de José Borba. É de esperar o lançamento do mensalão 2.
Por isso, não foi de estranhar o discurso do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mau tivessem feito." O desabafo do ministro foi premonitório. Afinal, José Dirceu, "o chefe da quadrilha" - segundo escreveu o procurador-geral da República na denúncia em que acusou a antiga cúpula do partido do presidente da República de se ter convertido numa "organização criminosa" -, é, de fato, o articulador da reeleição de Lula. O procurador-geral, homem sério e nomeado pelo próprio Lula, falou o que todos sabiam: foi instalada uma rede criminosa no coração do Estado brasileiro.
Para encerrar a lambança com chave de ouro, caro leitor, os petistas querem eleger novamente os parlamentares e líderes partidários envolvidos na crise do mensalão. Em sondagens feitas por vários diretórios municipais de São Paulo na prévia para decidir o candidato a governador, os filiados do PT indicaram, entre os preferidos a uma vaga na Câmara, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor (que escaparam da cassação) e o ex-presidente do PT José Genoino. O ex-ministro Antonio Palocci, que deixou o governo sob a acusação de ser o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, foi o líder absoluto na prévia petista em seu reduto eleitoral, Ribeirão Preto. O presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, disse que a direção partidária vê a participação desses personagens na eleição como uma necessidade política. "Vamos pedir para irem à luta e enfrentarem as dificuldades." Vale tudo. O fim (o poder) justifica quaisquer meios.
E o Poder Legislativo, caro leitor? A pizzaria do Congresso tem tido muita demanda. Afinal, as absolvições de parlamentares apanhados com a boca na botija começam com samba no plenário e terminam em festa animada com um bom chopinho. É triste, mas é assim. Ao invés de se empenhar para esclarecer as suspeitas levantadas contra dezenas de deputados envolvidos no esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União, a Câmara reagiu à Operação Sanguessuga com ataques aos responsáveis pelas investigações. Depois de limitar a apuração interna a 16 dos 62 parlamentares citados pela Polícia Federal, líderes partidários não querem mais aceitar as listas de suspeitos por ela preparadas. Agora cobram explicações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça. As instituições estão, de fato, profundamente abaladas.
Uma democracia, no entanto, se constrói na adversidade. O Brasil, felizmente, ainda conta com um Ministério Público atuante, um Judiciário, não obstante decepções pontuais, bastante razoável (a politização do STF, por exemplo, começa a arrefecer graças à retidão da maioria dos seus integrantes e à competência da presidente Ellen Gracie) e uma imprensa que não se dobra às pressões do poder. É preciso, no entanto, que a sociedade, sobretudo a classe média, mais informada e educada, assuma o seu papel no combate à corrupção. Não tem sentido que os partidos continuem protegendo a imagem do presidente da República. Afinal, quem merece blindagem contra a corrupção é o Brasil e seu povo ordeiro e sacrificado.
As massas miseráveis, reféns do populismo interesseiro, da desinformação e da insensibilidade de certa elite, só serão acordadas se a classe média, fiel da balança de qualquer democracia, decidir dar um basta à vilania que tomou conta do núcleo do poder. Chegou a hora de a sociedade civil mostrar sua cara e sua força. É preciso, finalmente, cobrar a reforma política. Todos sabem disso. Há décadas. O atual modelo é a principal causa da corrupção. Quando falta transparência, sobram sombras.
O Brasil, caro leitor, pode sair deste pântano para um patamar civilizado. Mas, para que isso aconteça, com a urgência que se impõe, é preciso que os culpados sejam punidos. Mesmo que se trate do presidente da República.
Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia
O recrudescimento da crise brasileira, com cenas próprias da pior delinqüência - flagrantes policiais de situações constrangedoras, depoimentos cinicamente falsos (emblemático o show protagonizado pelo ex-secretário do PT na CPI dos Bingos) e o gritante silêncio do presidente da República -, conduz, inevitavelmente, a uma conclusão: as instituições estão submetidas a uma estratégia programada de desmoralização. A mentira, o cinismo e a impunidade, devidamente condimentadas com o tempero do populismo, dão um caldo antidemocrático.
Recentemente, ao encerrar o seu 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou um documento constrangedor. Os petistas decidiram que o escândalo do mensalão não deve ser investigado no âmbito do partido neste ano, só em 2007. A agremiação da "ética na política", preocupada com as conveniências eleitorais, mandou às favas quaisquer escrúpulos éticos. Mas o cinismo foi mais longe. Por aclamação, decidiu-se autorizar o partido a fazer "alianças com partidos que integram a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram a base", excluindo apenas o PSDB e o PFL. Resumo da ópera: o PT do presidente Lula está renovando os contratos com o PTB de Roberto Jefferson, o PL de Valdemar Costa Neto, o PP de José Janene e, se possível, com o PMDB de José Borba. É de esperar o lançamento do mensalão 2.
Por isso, não foi de estranhar o discurso do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mau tivessem feito." O desabafo do ministro foi premonitório. Afinal, José Dirceu, "o chefe da quadrilha" - segundo escreveu o procurador-geral da República na denúncia em que acusou a antiga cúpula do partido do presidente da República de se ter convertido numa "organização criminosa" -, é, de fato, o articulador da reeleição de Lula. O procurador-geral, homem sério e nomeado pelo próprio Lula, falou o que todos sabiam: foi instalada uma rede criminosa no coração do Estado brasileiro.
Para encerrar a lambança com chave de ouro, caro leitor, os petistas querem eleger novamente os parlamentares e líderes partidários envolvidos na crise do mensalão. Em sondagens feitas por vários diretórios municipais de São Paulo na prévia para decidir o candidato a governador, os filiados do PT indicaram, entre os preferidos a uma vaga na Câmara, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor (que escaparam da cassação) e o ex-presidente do PT José Genoino. O ex-ministro Antonio Palocci, que deixou o governo sob a acusação de ser o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, foi o líder absoluto na prévia petista em seu reduto eleitoral, Ribeirão Preto. O presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, disse que a direção partidária vê a participação desses personagens na eleição como uma necessidade política. "Vamos pedir para irem à luta e enfrentarem as dificuldades." Vale tudo. O fim (o poder) justifica quaisquer meios.
E o Poder Legislativo, caro leitor? A pizzaria do Congresso tem tido muita demanda. Afinal, as absolvições de parlamentares apanhados com a boca na botija começam com samba no plenário e terminam em festa animada com um bom chopinho. É triste, mas é assim. Ao invés de se empenhar para esclarecer as suspeitas levantadas contra dezenas de deputados envolvidos no esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União, a Câmara reagiu à Operação Sanguessuga com ataques aos responsáveis pelas investigações. Depois de limitar a apuração interna a 16 dos 62 parlamentares citados pela Polícia Federal, líderes partidários não querem mais aceitar as listas de suspeitos por ela preparadas. Agora cobram explicações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça. As instituições estão, de fato, profundamente abaladas.
Uma democracia, no entanto, se constrói na adversidade. O Brasil, felizmente, ainda conta com um Ministério Público atuante, um Judiciário, não obstante decepções pontuais, bastante razoável (a politização do STF, por exemplo, começa a arrefecer graças à retidão da maioria dos seus integrantes e à competência da presidente Ellen Gracie) e uma imprensa que não se dobra às pressões do poder. É preciso, no entanto, que a sociedade, sobretudo a classe média, mais informada e educada, assuma o seu papel no combate à corrupção. Não tem sentido que os partidos continuem protegendo a imagem do presidente da República. Afinal, quem merece blindagem contra a corrupção é o Brasil e seu povo ordeiro e sacrificado.
As massas miseráveis, reféns do populismo interesseiro, da desinformação e da insensibilidade de certa elite, só serão acordadas se a classe média, fiel da balança de qualquer democracia, decidir dar um basta à vilania que tomou conta do núcleo do poder. Chegou a hora de a sociedade civil mostrar sua cara e sua força. É preciso, finalmente, cobrar a reforma política. Todos sabem disso. Há décadas. O atual modelo é a principal causa da corrupção. Quando falta transparência, sobram sombras.
O Brasil, caro leitor, pode sair deste pântano para um patamar civilizado. Mas, para que isso aconteça, com a urgência que se impõe, é preciso que os culpados sejam punidos. Mesmo que se trate do presidente da República.
Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia
STF nega liminar e Delúbio Soares terá que depor para CPI
Por: FolhaNews
O Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu nesta segunda-feira liminar em habeas corpus impetrada pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Com isso, Delúbio terá que comparecer para prestar depoimento amanhã, a partir das 11h, na CPI dos Bingos. O ex-tesoureiro, um dos pivôs do escândalo do "mensalão", deve falar sobre o suposto pagamento de R$ 1 milhão por empresários de bingos à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relatório final da CPI dos Bingos deve apontar indícios que comprovariam essa doação. Em troca, os bingueiros seriam beneficiados com o envio ao Congresso Nacional de um projeto do governo que iria regulamentar o funcionamento do setor. Durante as investigações, a CPI teria identificado, conforme o esboço do relatório final, diversas coincidências que apontariam para a veracidade da acusação feita pelo advogado Rogério Tadeu Buratti de que o dinheiro dos bingueiros chegou à campanha do presidente com a participação do ex-ministro Antonio Palocci. Dentre essas coincidências estariam, por exemplo, telefonemas trocados pelos envolvidos nas datas da negociação. Os integrantes da comissão devem aproveitar para questionar Delúbio sobre o suposto pedido de milhões de dólares para a campanha do PT ao banqueiro Daniel Dantas. Em troca, de acordo com Dantas, o governo evitaria embaraços para o Banco Opportunity. Outro assunto a ser levantado trata da entrevista do ex-petista Silvio Pereira ao jornal "O Globo". Na ocasião, Silvinho disse que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza pretendia arrecadar R$ 1 bilhão até o final do governo e que Delúbio não tomava sozinho as decisões financeiras do PT. CPI dos Bingos O empresário Roberto Carlos Kurzweil, apontado como intermediador da doação, deverá ser indiciado por crime de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no relatório final da CPI. Ele teria entregue o dinheiro dos bingueiros ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O relatório da CPI reservará um capítulo para tratar do suposto pagamento da dívida de R$ 29,4 mil do presidente Lula pelo presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Também nesse caso, a comissão ficou impedida de analisar as contas bancárias e os dados fiscais do investigado. Por esse motivo, a investigação sobre o caso não será conclusiva e deve ser solicitado o aprofundamento das apurações pelo Ministério Público. Até onde a CPI investigou, Okamotto apareceria no relatório final apontado como um "tesoureiro para questões particulares do presidente Lula", de acordo com um técnico responsável pelo documento.
O Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu nesta segunda-feira liminar em habeas corpus impetrada pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Com isso, Delúbio terá que comparecer para prestar depoimento amanhã, a partir das 11h, na CPI dos Bingos. O ex-tesoureiro, um dos pivôs do escândalo do "mensalão", deve falar sobre o suposto pagamento de R$ 1 milhão por empresários de bingos à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O relatório final da CPI dos Bingos deve apontar indícios que comprovariam essa doação. Em troca, os bingueiros seriam beneficiados com o envio ao Congresso Nacional de um projeto do governo que iria regulamentar o funcionamento do setor. Durante as investigações, a CPI teria identificado, conforme o esboço do relatório final, diversas coincidências que apontariam para a veracidade da acusação feita pelo advogado Rogério Tadeu Buratti de que o dinheiro dos bingueiros chegou à campanha do presidente com a participação do ex-ministro Antonio Palocci. Dentre essas coincidências estariam, por exemplo, telefonemas trocados pelos envolvidos nas datas da negociação. Os integrantes da comissão devem aproveitar para questionar Delúbio sobre o suposto pedido de milhões de dólares para a campanha do PT ao banqueiro Daniel Dantas. Em troca, de acordo com Dantas, o governo evitaria embaraços para o Banco Opportunity. Outro assunto a ser levantado trata da entrevista do ex-petista Silvio Pereira ao jornal "O Globo". Na ocasião, Silvinho disse que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza pretendia arrecadar R$ 1 bilhão até o final do governo e que Delúbio não tomava sozinho as decisões financeiras do PT. CPI dos Bingos O empresário Roberto Carlos Kurzweil, apontado como intermediador da doação, deverá ser indiciado por crime de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no relatório final da CPI. Ele teria entregue o dinheiro dos bingueiros ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O relatório da CPI reservará um capítulo para tratar do suposto pagamento da dívida de R$ 29,4 mil do presidente Lula pelo presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. Também nesse caso, a comissão ficou impedida de analisar as contas bancárias e os dados fiscais do investigado. Por esse motivo, a investigação sobre o caso não será conclusiva e deve ser solicitado o aprofundamento das apurações pelo Ministério Público. Até onde a CPI investigou, Okamotto apareceria no relatório final apontado como um "tesoureiro para questões particulares do presidente Lula", de acordo com um técnico responsável pelo documento.
FHC critica políticos que querem ´tirar casquinha com tragédia´
Por: Eduardo Kattah (Estadão)
FHC reafirmou que não fez críticas à atuação do governo de São Paulo no enfrentamento da crise de segurança, alegando que houve "uma má informação"
BELO HORIZONTE - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou nesta segunda-feira os "maus políticos" que "querem utilizar uma tragédia para tirar casquinha". Ao ser questionado se a crise na segurança pública paulista virou uma disputa política, um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter publicamente prestado solidariedade ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), dando mais oxigênio ao mal-estar entre pefelistas e tucanos, FHC negou, de sua parte, qualquer gesto nesse sentido. E disse que só o presidente é quem poderia falar sobre sua intenção.
Mas, na seqüência, quando indagado se a onda de violência terá impacto na candidatura do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, ele deu o recado: "O impacto pela pesquisa foi para todo mundo. Tanto faz o governador Alckmin, o atual Lembo, o futuro, o presidente Lula ou quem seja. O povo não pensa dessa maneira. Isso é só quando alguns maus políticos querem utilizar uma tragédia para tirar casquinha da política. Isso não é bom", afirmou Fernando Henrique, após se encontrar com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no Palácio das Mangabeiras.
FHC reafirmou que não fez críticas à atuação do governo de São Paulo no enfrentamento da crise de segurança, alegando que houve "uma má informação". O ex-presidente pregou que é necessário a união de todas as esferas de governo para que a questão seja resolvida e negou que tenha faltado solidariedade dos tucanos a Lembo no auge dos ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nos últimos dias, em entrevistas, o governador paulista alfinetou Alckmin e o ex-prefeito José Serra (PSDB), sugerindo que eles teriam se omitido e o abandonado no momento mais crucial da crise. Ele ainda reclamou de FHC, que em tese criticou a suposta negociação com a facção criminosa. "Se ele tivesse ouvido tudo que eu disse em Nova Iorque, diria que eu expressei solidariedade às vítimas, à polícia de São Paulo. Falaram, ´ah, mas está havendo uma negociação´. Eu disse: ´não acredito. Se houver é tática´", explicou o ex-presidente. "Eu acho até que nessa hora devemos resolver solidariamente a questão. Pensar na segurança da população. E o governador (Cláudio Lembo) está fazendo isso e nós temos de apoiar".
Educação
Fernando Henrique observou que o combate à criminalidade hoje é um tema difícil, que ganhou novo foco com a globalização. E aproveitou para criticar a tese repetida por Lula, de que a violência tem origem na carência histórica de investimentos na educação.
"Infelizmente, o presidente Lula disse que isso é uma questão de escolaridade. Não é. Porque se fosse assim, no passado, quando a escolaridade era mais baixa, teríamos mais crimes", disse. "É preciso melhorar o desempenho de todos nós, das polícias, dos governos. Enfim, é um problema que não dá para você minimizado e muito menos politizado".
FHC reafirmou que não fez críticas à atuação do governo de São Paulo no enfrentamento da crise de segurança, alegando que houve "uma má informação"
BELO HORIZONTE - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou nesta segunda-feira os "maus políticos" que "querem utilizar uma tragédia para tirar casquinha". Ao ser questionado se a crise na segurança pública paulista virou uma disputa política, um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter publicamente prestado solidariedade ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), dando mais oxigênio ao mal-estar entre pefelistas e tucanos, FHC negou, de sua parte, qualquer gesto nesse sentido. E disse que só o presidente é quem poderia falar sobre sua intenção.
Mas, na seqüência, quando indagado se a onda de violência terá impacto na candidatura do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, ele deu o recado: "O impacto pela pesquisa foi para todo mundo. Tanto faz o governador Alckmin, o atual Lembo, o futuro, o presidente Lula ou quem seja. O povo não pensa dessa maneira. Isso é só quando alguns maus políticos querem utilizar uma tragédia para tirar casquinha da política. Isso não é bom", afirmou Fernando Henrique, após se encontrar com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no Palácio das Mangabeiras.
FHC reafirmou que não fez críticas à atuação do governo de São Paulo no enfrentamento da crise de segurança, alegando que houve "uma má informação". O ex-presidente pregou que é necessário a união de todas as esferas de governo para que a questão seja resolvida e negou que tenha faltado solidariedade dos tucanos a Lembo no auge dos ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nos últimos dias, em entrevistas, o governador paulista alfinetou Alckmin e o ex-prefeito José Serra (PSDB), sugerindo que eles teriam se omitido e o abandonado no momento mais crucial da crise. Ele ainda reclamou de FHC, que em tese criticou a suposta negociação com a facção criminosa. "Se ele tivesse ouvido tudo que eu disse em Nova Iorque, diria que eu expressei solidariedade às vítimas, à polícia de São Paulo. Falaram, ´ah, mas está havendo uma negociação´. Eu disse: ´não acredito. Se houver é tática´", explicou o ex-presidente. "Eu acho até que nessa hora devemos resolver solidariamente a questão. Pensar na segurança da população. E o governador (Cláudio Lembo) está fazendo isso e nós temos de apoiar".
Educação
Fernando Henrique observou que o combate à criminalidade hoje é um tema difícil, que ganhou novo foco com a globalização. E aproveitou para criticar a tese repetida por Lula, de que a violência tem origem na carência histórica de investimentos na educação.
"Infelizmente, o presidente Lula disse que isso é uma questão de escolaridade. Não é. Porque se fosse assim, no passado, quando a escolaridade era mais baixa, teríamos mais crimes", disse. "É preciso melhorar o desempenho de todos nós, das polícias, dos governos. Enfim, é um problema que não dá para você minimizado e muito menos politizado".
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