quinta-feira, junho 04, 2026

Dino marca para 16 de junho julgamento sobre atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

 

Dino marca para 16 de junho julgamento sobre atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Ex-deputado é acusado de articular ações no país para impedir condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na trama golpista

Por Isadora Albernaz/Folhapress

03/06/2026 às 19:15

Foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo

Imagem de Dino marca para 16 de junho julgamento sobre atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal)

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), marcou nesta quarta-feira (3) para 16 de junho o julgamento da ação em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é réu pelo crime de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Mais cedo, o relator Alexandre de Moraes havia liberado o caso para análise do plenário da turma.

Hoje morando nos Estados Unidos, Eduardo foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em setembro de 2025 por supostamente atuar no país americano para pressionar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com o objetivo de impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A defesa do ex-deputado é feita pela DPU (Defensoria Pública da União), uma vez que ele não indicou advogados. Em documento ao Supremo, o órgão pede a nulidade do processo contra Eduardo por suposta falta de imparcialidade de Moraes ou, em caso de negativado pedido, a absolvição por ausência de provas.

"Aqui o julgador é, ao mesmo tempo, a principal vítima das condutas que é chamado a julgar", afirmou a DPU. Durante o julgamento que condenou Bolsonaro e outros por tentativa de golpe de Estado, pedidos para afastar Moraes foram rejeitados pela Primeira Turma.

Além disso, a defensoria afirmou que as condutas de Eduardo estavam protegidas pela imunidade parlamentar e pelo direito constitucional à liberdade de expressão e declarou que a denúncia da PGR "confunde atuação política com poder de coação".

"O acusado não tem, nem nunca teve, poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos. Não integra o governo norte-americano. Não exerce função pública naquele país. Atos de governo estrangeiro são expressão de soberania de outro Estado e não decorrem da determinação de um parlamentar brasileiro, ainda que este eventualmente se reúna com autoridades estrangeiras e manifeste sua posição política".

A DPU também alega que Eduardo Bolsonaro deveria ter sido citado por edital em vez de carta rogatória, "sendo que se encontrava no estrangeiro, em lugar sabido".

O jornalista Paulo Figueiredo, que também é réu na trama golpista, foi denunciado junto com Eduardo.

O processo contra os dois acabou desmembrado. Relator do caso, Moraes determinou que Eduardo fosse intimado por edital, sob alegação de que ele dificultava o andamento do processo, enquanto a orientação para Figueiredo, que mora nos EUA há mais de dez anos, foi de notificação pessoalmente, por meio de cooperação jurídica internacional.

A PGR afirma que Eduardo e Figueiredo mobilizaram contatos nos Estados Unidos para obter sanções pessoais contra ministros do STF e punições econômicas ao Brasil, numa estratégia de intimidação. As medidas foram publicamente defendidas pelos denunciados em entrevistas, redes sociais e transmissões ao vivo.

A denúncia da procuradoria foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma do STF em novembro do ano passado. Além de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, integram o colegiado e votaram nesse sentido Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

O crime de coação, para ser configurado, exige que a ação tenha grave ameaça. Em seu voto, o relator afirmou que essa ameaça se materializou na "articulação e obtenção de sanções" do governo de Donald Trump, citando a imposição de tarifas contra produtos brasileiros, a suspensão de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky a ele próprio.

"Há relevantes indícios de que as condutas de Eduardo Nantes Bolsonaro tinham como objetivo a criação de um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil, como modo de coagir os ministros do Supremo Tribunal Federal a decidir favoravelmente ao réu Jair Messias Bolsonaro, em total desrespeito ao devido processo legal", disse Moraes.

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