segunda-feira, junho 29, 2026

Supremo não surpreende ao “reaprovar” penduricalhos que ele próprio permitiu


Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

A imprensa finge se surpreender com a notícia de que Supremo Tribunal Federal formou maioria para liberar o pagamento de penduricalhos retroativos, destinados a engordar os contracheques de juízes, procuradores e promotores do Ministério Público.

Com o voto do ministro Luiz Fux durante julgamento virtual neste sábado (27), o placar está 5 votos a 0 pela liberação. Mas será que alguém esperava outra posição de Fux? Claro que não.

AUXÍLIO-MORADIA – Foi justamente Fux o ministro que, em 15 de setembro de 2014, proferiu decisão liminar que assegurou direito ao auxílio-moradia a todos os juízes federais em atividade no país.

Mesmo com esse pecado original de ter sido o grande incentivador dos penduricalhos, Fux deve ser reconhecido como maior (ou único) jurista da atual leva de ministros. Realmente, ele fez carreira brilhante como advogado, professor universitário e juiz, tornando-se o maior civilista brasileiro, principal responsável pela reforma do Código de Processo Civil, apelidado de “Código do Fux”.

Até permitir o escabroso auxílio-moradia, o currículo de Fux só tinha uma mancha – o esforço extraordinário que fez para a filha ser nomeada desembargadora no Tribunal do Rio de Janeiro.

CARREIRA ADMIRÁVEL – Penduricalhos à parte,  Fux estava fazendo uma carreira admirável no Supremo, votando sempre na forma da lei. Assim, foi contra a libertação do presidiário Lula da Silva em 2019, depois foi voto vencido também na anulação das condenações do político petista em 2021.

Em todas as ocasiões, somente escorregou ao aprovar o penduricalho inicial; ao permitir que o filho abrisse um escritório de advocacia em Brasília; e ao votar a favor daquelas penas absurdas que o relator Alexandre de Moraes conseguiu ilegalmente impor aos envolvidos no 8 de Janeiro, ao “duplicar” leis e inventar a “formação de quadrilha armada” por pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas.

Fux só viria a se arrepender na chamada undécima hora, no final de 2025, quando percebeu que esses julgamentos políticos precisavam ter fim, e então redigiu uma obra volumosa – as 429 páginas de seu voto pela absolvição de Bolsonaro na Primeira Turma.

PENDURICALHOS – Agora, Fux vota novamente a favor dos penduricalhos e acompanha os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino, que propuseram limite de 35% do teto salarial para o pagamento das chamadas “indenizações”, termo utilizado para criar novos penduricalhos, a pretexto de excesso de trabalho.

Quanto à qualificação de Fux como melhor integrante do STF, essa menção agora é ameaçada por dois ministros que nunca tiveram notório saber nem reputação ilibada, até porque eram praticamente desconhecidos – Nunes Marques e André Mendonça, que têm votado sempre na forma da lei. No entanto, se aprovarem os penduricalhos, também entrarão no bloco dos sujos, é claro.

O julgamento virtual segue até esta terça-feira (30), mas os penduricalhos já estão vergonhosamente aprovados, porque empate de 5 a 5 beneficia o réu.

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P.S.
No Japão, ocorre justamente o contrário. Lá os juízes não ganham altos salários e os tribunais mantêm alojamentos com quitinetes para abrigar os que ainda não possuem casa própria. Os magistrados também não têm salas próprias, trabalham junto com os escrivães. Mas quem se interessa? (C.N.)


A ganância pode custar caro

Cinco Tribunais de Justiça depositaram bilhões no BRB. Agora, arriscam perder um dinheiro que não é deles, mas de processos judiciais

O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Mauro Campbell Marques, quer que cinco tribunais enviem informações atualizadas sobre os depósitos judiciais que mantêm no Banco de Brasília (BRB).

A instituição está envolvida até o pescoço no escândalo do Banco Master, mas está com cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, um dinheiro que não pertence aos órgãos, mas a pessoas físicas ou empresas com processos em andamento nos Tribunais de Justiça (TJs) do Distrito Federal, da Bahia, de Alagoas, do Maranhão e da Paraíba.

A preocupação do ministro, com toda razão, é que os valores sejam perdidos caso o BRB venha a ser liquidado, o que não parece mais algo tão improvável.

O leitor talvez se pergunte por que razão os Tribunais de Justiça de Bahia, Alagoas, Maranhão e Paraíba, tendo a possibilidade de manter os depósitos judiciais sob sua custódia em instituições federais como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal, escolheram o banco do Distrito Federal para fazê-lo.

Qualquer investidor sabe que remunerações mais altas implicam riscos mais elevados.

A questão é que a taxa de retorno sobre esses depósitos não iria para a parte vencedora das causas, mas para os próprios tribunais. Foi assim que o ex-presidente do TJ-MA, José Ribamar Froz Sobrinho, admitiu ter conseguido recursos para honrar seu “compromisso” de pagar indenizações – ou seja, PENDURICALHOS – para magistrados e servidores.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) até tentou retirar os depósitos judiciais e enviá-los do BRB para o Banco do Brasil, mas o ministro LUIZ FUX, do STF, derrubou na semana passada uma liminar que autorizava o órgão a fazer a transferência.

Fux, afinal, intermediou e homologou um acordo que obrigou o Executivo federal a ampliar o limite de crédito do deficitário Distrito Federal para tomar um empréstimo e salvar o BRB.

O acordo saiu no final do mês passado, mas o empréstimo que o governo do DF pleiteia, de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), bancado por bancos públicos e privados, até agora não se concretizou.

O BRB, de sua parte, ainda não divulgou o balanço do ano passado, e ninguém sabe se o valor (se é que existe) será suficiente para cobrir o rombo.

Há cada vez mais motivos para temer o futuro do BRB. Foi a ganância que guiou as decisões dos tribunais, e o mínimo que se espera é que eles sejam responsabilizados.

O Estado de S. Paulo, Opinião, 29/06/2026 | 03h02 Por Editorial

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Publicado em 29 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Charge do Zappa (humortadela) Carlos Newton A impre...

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