
Aproximação entre o PL e Ciro é criticada por Michelle
Luis Felipe Azevedo
O Globo
Estado que divide a família Bolsonaro, o Ceará ocupa posição estratégica nos planos eleitorais do PL nesta eleição. Segundo o senador Rogério Marinho, que coordena a pré-campanha de Flávio ao Planalto, a sigla projeta eleger seis deputados federais — a bancada é composta atualmente por três.
Até o momento, não há definição se a legenda estará na chapa do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. A aproximação entre o PL e o tucano é criticada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e motivou divergências internas no núcleo bolsonarista.
PONTO ESTRATÉGICO – “O Ceará, para nós, é estratégico. Vamos estar lá no dia 10 de julho para dar apoio às nossas candidaturas. Faremos seis deputados federais, essa é a nossa expectativa. Também teremos candidato ao Senado”, disse Marinho a jornalistas nesta semana. O estado deu vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. O petista teve 69,97% dos votos, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alcançou 30,03%.
O PL deve reunir Flávio e Michelle no evento do mês que vem, que não terá a presença de Ciro Gomes. O diretório do PL no Ceará deseja lançar o deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado na chapa do tucano. A articulação conta com o apoio de Flávio. Por outro lado, a possibilidade de aliança com Ciro é desaprovada pela ex-primeira-dama, que defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual.
Michelle irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas. Já Flávio acompanhará o lançamento da pré-candidatura de Alcides. O PL deve decidir até o fim da convenção partidária, no fim de julho, se optará pela candidatura de Fernandes ou de Costa ao Senado.
ROMPIMENTO – A relação de Michelle com Flávio azedou quase um mês antes do anúncio dele como pré-candidato ao Planalto, em dezembro do ano passado. O afastamento ocorreu após o senador ter feitos críticas públicas à madrasta, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”.
A fala do senador ocorreu após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro ao governo estadual. A ex-primeira-dama tentou articular o apoio da legenda à Girão, que se coloca como oposição ao tucano. Na época, as negociações para que um acordo entre Ciro e o PL fosse firmado foram rompidas diante da exposição da divergência. Nos últimos meses, entretanto, há sinais de reaproximação entre a ala do tucano e o bolsonarismo no estado.
“MOMENTO CERTO” – Recentemente, Michelle afirmou que apoiará a candidatura do enteado “no momento certo”, sem detalhar quando pretende se engajar de forma mais direta na campanha, se é que isso vai acontecer. Apesar disso, não há previsão de que ela faça manifestações explícitas de apoio ao senador durante a agenda no Ceará.
Reservadamente, integrantes do partido avaliam que a simples presença dos dois no mesmo palco já terá peso político e poderá ser interpretada como um gesto de unidade dentro do grupo bolsonarista. A avaliação, porém, não significa que exista qualquer ação coordenada para transformar o evento em uma demonstração formal de apoio da ex-primeira-dama à pré-candidatura presidencial de Flávio.