
Charge do Cicero (Arquivo Google)
João Gabriel
Brasília
O Congresso Nacional colocou em pauta para a sessão desta quinta-feira (18) a volta dos vetos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez aos chamados jabutis da lei das eólicas offshore, dispositivos sem ligação com o tema principal do texto. Por falta de acordo entre os parlamentares, porém, a sessão foi cancelada, depois de divulgada a sua pauta.
A lei das eólicas offshore foi aprovada pelo Congresso Nacional no final de 2024 para regulamentar a geração de energia em alto-mar. Ao texto, porém, foram incluídos uma série de jabutis que podem ter um impacto de até R$ 545 bilhões sobre a conta de luz, até 2050.
CARAS E POLUENTES – Esses dispositivos determinavam, por exemplo, a contratação obrigatória de uma série de usinas termelétricas a gás —que têm uma operação mais cara e poluente— e de forma ininterrupta (o chamado regime inflexível). Em janeiro de 2025, o governo decidiu vetar parte dos jabutis.
Se derrubados, os vetos em pauta podem ter impacto de R$ 348 bilhões sobre a conta de luz até 2050. Somados aos pontos vetados e que já foram derrubados pelos parlamentares anteriormente, o pacote todo pode elevar o preço da energia em 9% neste período, de acordo com cálculos da consultoria PSR.
O estudo foi encomendado por entidades da indústria e de energia, como Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), a Fecomercio de SP e MG, que se mobilizam contra a volta dos jabutis e pela manutenção dos vetos.
VETOS DERRUBADOS– O Congresso já derrubou em junho de 2025, uma primeira parte destes vetos feito pelo governo, validando os trechos. Essa parcela já adicionava um custo de quase R$ 200 bilhões à conta de luz.
Este primeiro pacote incluiu quatro itens, que determinavam a contratação compulsória de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), hidrogênio no Nordeste, eólicas no Sul e a prorrogação dos incentivos fiscais do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica).
Como mostrou a Folha, o aumento do preço de energia é uma das preocupações do Palácio do Planalto em 2026, já que tem o potencial de impactar negativamente a aprovação do governo Lula no contexto de uma corrida eleitoral apertada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
EM PAUTA – Agora, para a sessão desta quinta, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), colocara na pauta o restante dos jabutis, o que pode resultar em preços mais altos para os consumidores.
A sessão deve acontecer em uma semana na qual os trabalhos legislativos estão esvaziados, com a maioria dos parlamentares fora de Brasília, atuando em seus estados durante a Copa com foco nas eleições.
Dentre os vetos em análise está um sobre o dispositivo que determina a contratação ininterrupta das termelétricas a gás. A Abrace, que representa os grandes consumidores de energia, estima que este item acrescentaria mais R$ 155 bilhões à conta de luz.
USINAS A CARVÃO – Outro jabuti que está na pauta é o que prorroga a contratação de usinas a carvão, ainda mais poluentes que as de gás e que podem custar R$ 92 bilhões ao consumidor.
Um terceiro veto que pode ser derrubado pelo Congresso é a ampliação do subsídio para a micro e minigeração distribuída de energia, modalidade de geração que acontece no próprio local — como painéis solares instalados em telhados das casas, por exemplo, ou em um condomínio. Esse ponto pode aumentar a conta em até R$ 101 bilhões.
Segundo os cálculos da PSR, o pacote ainda aumentaria em 25% a emissão de gás carbônico da matriz energética brasileira. É possível que a contratação de mais usinas aumente o excesso de energia na rede elétrica, agravando os cortes de geração. O custo para cada estado varia entre R$ 12 bilhões e quase R$ 20 bilhões, já que a tarifa de energia não é igual para todos os locais.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Matéria importante enviada pelo comentarista José Perez Jr.. Alcolumbre exige que o governo estanque a sangria do Master, mas Lula não tem como. Os Estados mais impactados são Pará (R$ 19,45 bi), Mato Grosso do Sul (R$ 18,03 bi), Rio de Janeiro (R$ 17,97 bi), Alagoas (R$ 17,88 bi) e Amazonas (R$ 17,77 bi). (C.N.)