
Encontro com Trump pode ser definido durante o G7
Isabella Calzolari
Filipe Matoso
Túlio Amâncio
Kellen Barreto
G1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (14) para a França. Lula participará da reunião de líderes dos países do G7, marcada para terça-feira (16), na cidade de Évian-les-Bains. O governo trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula. Mas não há reunião previamente marcada entre os presidentes.
A estratégia do Palácio do Planalto é garantir que o presidente brasileiro esteja presente na segunda-feira (15), primeiro dia do evento, diante da possibilidade de Trump participar apenas da abertura da reunião, repetindo o que ocorreu no encontro do G7 realizado no Canadá no ano passado.
REUNIÃO – Não houve uma orientação de Lula para que seus auxiliares pedissem uma reunião bilateral com Trump. Também não houve nenhuma solicitação de encontro por parte da Casa Branca. A falta de pedidos formais dos dois lados, no entanto, não é vista como um impeditivo para uma reunião. O possível encontro ocorreria após uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros que pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas.
No governo, a avaliação é de que a proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociaçãoÇ. Já a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
O Brasil não integra o G7, porém, Lula tem sido convidado para encontros do grupo desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023. O G7 reúne algumas das maiores economias do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
OUTRAS BILATERAIS – Lula irá se reunir com o anfitrião do encontro — o presidente da França, Emmanuel Macron. O encontro está previsto para segunda-feira (15). Na sequência, o petista também deve se reunir com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
Na terça-feira (16), o presidente brasileiro deve ter uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Na agenda de Lula também há uma bilateral prevista com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia de chegada à cúpula do G7. Lula também quer conversar com os líderes dos outros países que compõem o grupo — Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
PROTECIONISMO – Lula deve adotar um tom crítico ao chamado protecionismo – por meio do qual um país ou um bloco adota medidas consideradas excessivas para proteger produtores locais em detrimento de estrangeiros – e o unilateralismo – termo usado na diplomacia para caracterizar medidas de um país contra outro sem que haja comunicações prévias ou negociações.
Segundo diplomatas, Lula passará o “recado” para os líderes do G7 de que é contra o tarifaço do governo americano sem apontar “o dedo na cara” do presidente dos Estados Unidos. Na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, comandou uma reunião preparatória para o G7, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil no encontro.
De acordo com fontes diplomáticas, Mauro Vieira fez justamente essa defesa, de que organismos com a OMC precisam ter mais força para atuar, considerando o cenário econômico global com medidas sendo adotadas de forma unilateral, a exemplo do tarifaço de Trump.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Uma das agendas previstas no G7 é um almoço para debater o tema da inteligência artificial. Lula deve argumentar que o Brasil não persegue as plataformas digitais nem tem discriminação por uma outra outra plataforma.
O presidente deve dizer que o Brasil está aberto para receber as operações de empresas de tecnologia, desde que atuem conforme as leis brasileiras.
Em uma das recomendações sobre o tarifaço contra o Brasil, o Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês) justifica a medida alegando que, entre outros pontos, o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia