Por Mauricio Leiro / Paulo Dourado
O governador Jerônimo Rodrigues encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) o nome da procuradora Camila Vasquez Negromonte para ocupar a vaga aberta no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM). A publicação deve ser feita pela presidente da Asssembleia Legislativa da Bahia, deputada Ivana Bastos (PSD) na próxima segunda-feira (8).
Informações obtidas pelo Bahia Notícias são conta que a sabatina de Camila deve ser feita na terça-feira (9). A indicação, feita após quase um ano desde a entrega da lista tríplice, deve ser publicada nesta semana no Diário Oficial para dar início aos trâmites da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e à votação no plenário.
A indicação afunilou na semana anterior ao feriado. Interlocutores da gestão estadual apontaram ao BN que na última sexta, o deputado federal Mário Jr. foi chamado pelo governador. Já na quarta-feira, antes do feriado, foi a vez de Camila participar de um encontro com Jerônimo, sacramentando a indicação.
Camila é esposa do deputado federal Mário Negromonte Jr. (PSB) e procuradora de carreira do Ministério Público de Contas (MPC). A vaga era reservada ao MPC. Ela foi escolhida entre os outros dois nomes que compunham a lista tríplice: o procurador Guilherme Costa Macêdo e a procuradora Aline Paim Monteiro do Rego.
Nos bastidores, a escolha é interpretada como parte de uma negociação política. A demora de quase um ano na indicação teria servido como instrumento de pressão do governo sobre Mário Negromonte Jr., que nesse período deixou o PP e se filiou ao PSB, partido que integra a base governista. (Nosso Grifo)
A lista tríplice havia sido entregue a Jerônimo em agosto de 2025. A vaga surgiu com a aposentadoria do conselheiro Mário Negromonte, pai do deputado federal e sogro da indicada, que ocupava o cargo no TCM.
Fonte Bahia Notícias
Nota da Redação Deste Blog :
EDITORIAL: "Farinha Pouca, Meu Pirão Primeiro" – O Rigor da Lei para a Base e o Vale-Tudo no Topo da Pirâmide
O ditado popular brasileiro "Farinha pouca, meu pirão primeiro" é a tradução perfeita do individualismo, do egoísmo e, acima de tudo, da forma como o poder é distribuído e exercido em nossa República. Vivemos uma fase histórica crônica onde a estrutura social e política funciona como uma pirâmide injusta: para o topo da pirâmide, garante-se tudo; para o andar intermediário, oferece-se muita coisa, mas nem tudo; e para o andar de baixo — onde se encontra o cidadão comum —, se sobrar alguma coisa, muito bem, senão, que fique sem nada.
Estamos diante da clássica e hipócrita prática do "faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço". Enquanto os discursos oficiais pregam a moralidade, a impessoalidade e a ética administrativa para os pequenos, os bastidores do poder central operam na base do toma-lá-dá-cá e da velha política de privilégios.
A Indicação ao TCM e as Velhas Capitanias Hereditárias
Um exemplo cristalino dessa disparidade foi divulgado pelo portal Bahia Notícias: o governador Jerônimo Rodrigues encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) o nome da procuradora Camila Vasquez Negromonte para ocupar a vaga aberta no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM). A publicação do decreto deve ser realizada pela deputada Ivana Bastos (PSD).
Nos bastidores da capital baiana, a escolha não engana ninguém: é interpretada puramente como parte de uma intensa e demorada negociação política. A indicação, que se arrastou por quase um ano, funcionou como um nítido instrumento de pressão do governo sobre o deputado Mário Negromonte Jr., que, nesse período, deixou a oposição no PP para se filiar ao PSB, integrando formalmente a base governista.
O que vemos aqui é a perpetuação da velha prática das capitanias hereditárias. Os tribunais de contas, que deveriam ser órgãos puramente técnicos de fiscalização do dinheiro público, continuam sendo utilizados como moeda de troca, acomodação de parentelas e premiação política para o topo do andar. Para os grandes, o nepotismo e o apadrinhamento cruzado ganham verniz de legalidade.
Dois Pesos e Duas Medidas: O Rigor Contra os Prefeitos
Enquanto no topo da pirâmide estadual e federal o vale-tudo impera para garantir os privilégios das oligarquias, o cenário muda drasticamente quando olhamos para baixo. Os prefeitos dos municípios baianos, que transitam espremidos entre o andar intermediário e a base da pirâmide, enfrentam o rigor implacável e a vigilância constante dos tribunais e do Judiciário.
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e as regras de improbidade proíbem terminantemente os gestores municipais de nomearem parentes para cargos comissionados, sob pena de severas punições, multas e perda de mandato. Para o prefeito do interior, a lei é seca, o cerco é fechado e qualquer deslize administrativo é tratado como crime imperdoável. Já para as indicações de conselheiros nos tribunais superiores ou de contas, as amarras misteriosamente desaparecem e o sobrenome político passa a ser o principal requisito.
Conclusão: A Lei Deve Ser Igual para Todos
Essa assimetria de direitos e deveres é o que revolta o cidadão de bem. O princípio da moralidade administrativa deveria ser um teto universal, e não uma corda que só aperta o pescoço dos municípios menores. Não é justo que as prefeituras vivam sob o chicote da fiscalização enquanto as vagas vitalícias de órgãos fiscalizadores sejam loteadas como herança familiar e barganha partidária.
Este Blog continuará denunciando essa política do "pirão primeiro". O eleitor e o cidadão baiano precisam abrir os olhos: a verdadeira moralidade pública só existirá no dia em que o rigor da lei aplicado ao prefeito e ao cidadão comum for exatamente o mesmo aplicado ao governador, aos deputados e aos barões que habitam o topo da pirâmide.
Blog de Dede Montalvão: Praticando o jornalismo independente, combatendo a hipocrisia política e exigindo igualdade perante a lei para todos os cidadãos.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025
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