
Apesar do momento de tensão, relação seguirá fluindo
Mônica Bergamo
Folha
A relação entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente Lula está novamente passando por um momento de teste e estresse, mas a aposta de empresários com trânsito na alta administração do governo dos EUA é a de que ela seguirá fluindo, apesar dos momentos de tensão.
Por essa análise, a decisão do governo norte-americano de designar o PCC e o PV como organizações terroristas já estaria tomada há mais de três meses, dentro de um novo contexto das relações dos Estados Unidos com a América Latina. Teria sido justamente a relação construída entre Trump e Lula que evitou que ela fosse anunciada antes da visita do brasileiro à Casa Branca, em maio.
CONCESSÃO – A foto de Flávio Bolsonaro com Trump, divulgada na semana passada, na visão desse mesmo empresário, teria sido uma concessão do presidente norte-americano aos seus falcões, ou seja, ao núcleo duro republicano de seu governo.
O grupo seria representado pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e desejaria influir fortemente nas eleições brasileiras, criando situações que beneficiem a família Bolsonaro. Com a foto e o anúncio vinculado a ela, já estariam atuando no pleito do país. Esse mesmo grupo não estaria conformado, até hoje, com o estabelecimento de relações de Trump com Lula.
Por isso, teriam organizado para que o pré-candidato Flávio Bolsonaro pegasse carona em uma decisão que já estava tomada com antecedência, colocando-o ao lado de Trump para uma foto dois dias antes do anúncio. Por essa visão ainda, o presidente norte-americano estaria fazendo gestos para agradar ao grupo.
AÇÃO UNILATERAL – Um diplomata brasileiro ouvido pela coluna, no entanto, discorda da avaliação e diz que não é possível dourar a pílula, ainda mais diante de uma segunda ação unilateral contra o Brasil que acaba de ser divulgada: a conclusão de uma investigação comercial do governo Trump contra o país.
Nela, há ataques, por exemplo, ao Pix, e é feita a proposta de uma nova taxação, de 25%, contra produtos brasileiros. Apesar, portanto, de todo o diálogo, a situação estaria no mesmo patamar de quando Trump ameaçou impor um tarifaço ao Brasil sob o argumento de que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo perseguido pela Justiça brasileira.