Charge do Olrando (Canal Meio)
Jonatas Martins
CNN
Uma perícia privada, solicitada pela defesa da dona da produtora Go Up Entertainment, apontou que contratos do filme Dark Horse previam um retorno financeiro de R$ 1,20 para cada R$ 1 investido pelos financiadores privados. Dessa forma, os documentos identificavam uma remuneração de 20% para quem fizesse aportes econômicos na produção.
A obra cinematográfica conta a vida pessoal e política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produção se tornou alvo de polêmicas e críticas após a divulgação de áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato ao Planalto, solicitando apoio econômico de Daniel Vorcaro para a realização do filme. A mesma perícia também constatou que a cinebiografia do ex-presidente teve o custo de R$ 75 milhões e não contou com dinheiro público para a sua realização.
WI-FI LIVRE – O documento foi apresentado pela defesa da produtora dentro do processo da Operação Wi-Fi Livre, realizada pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga supostas fraudes em licitação da Prefeitura de São Paulo com o ICB (Instituto Conhecer Brasil) no valor de R$ 108 milhões.
A empresa pertence à Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment. O inquérito da Operação Wi-Fi Livre não investiga diretamente fatos relacionados ao filme Dark Horse.
Por mais de uma vez, a CNN procurou a assessoria de Karina Ferreira para buscar esclarecimentos sobre a perspectiva de lucro do filme Dark Horse e manifestações sobre as investigações dentro do contexto da Operação Wi-Fi Livre. Não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
MOVIMENTAÇÕES RASTREÁVEIS – O documento produzido pelo instituto afirma que os recursos usados pela Go Up foram movimentados por “meios formais, rastreáveis e documentalmente identificáveis”. A perícia diz ainda não ter constatado uso de recursos públicos, incentivos fiscais ou verbas da Lei Rouanet na produção.
“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, alega o documento.
A análise contratada pelos advogados da dona da produtora levou em consideração entradas e saídas financeiras registradas nos extratos bancários da produtora. Foram examinadas despesas relacionadas à produção, equipe técnica, fornecedores, logística, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e equipamentos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
ORIGEM DOS RECURSOS – Apesar disso, o instituto não detalha no documento a origem dos recursos. A entidade afirma que os contratos analisados têm “natureza confidencial”, em razão de cláusulas relacionadas à LGPD, a Lei Geral de Proteção de Dados.
A perícia menciona o contrato firmado em 24 de fevereiro de 2025 entre a produtora e o fundo Havengate para investimento no filme. Segundo o documento, o aporte feito pelo fundo soma US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 75 milhões, valor utilizado para a realização da obra.
O Havengate é suspeito de ter sido o fundo usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear o Dark Horse. O fundo é sediado no Texas e consta como administrado pelo advogado ligado à defesa de Eduardo.
INVESTIGAÇÃO – Em 1º de junho, a Polícia Civil de SP deflagrou a Operação Wi-Fi Livre para investigar uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment.
A investigação apura suspeitas de fraude em uma licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões e verifica eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede pública de Wi-Fi em comunidades do município, no âmbito do programa WiFi Livre SP.
COLABORAÇÃO – Em nota enviada à CNN anteriormente, a Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e que “segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações”. A administração municipal disse ainda que o material requisitado já havia sido encaminhado às autoridades.
No dia da operação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que os detalhes da investigação não são condizentes com a realidade. “A matéria diz que foi contratado e pago 5 mil pontos, não procede. Poderia chegar a 5 mil, mas foi contratado e pago 3.200”, disse. A gestão de Ricardo Nunes também nega irregularidades no contrato do programa Wi-Fi Livre Comunidades, alvo da operação.