Publicado em 7 de junho de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Bruno Struzani (Instagram)
Roberto Nascimento
Os Estados Unidos, sob a gestão catastrófica de Donald Trump, estão se dando conta da progressiva perda de seu protagonismo político e econômico para a China. O Leão do Norte demonstra estar cansado, desdentado, mas busca a todo custo voltar a comandar sozinho a floresta.
Então, está rugindo para o mundo, porque ainda tem poderio econômico e um arsenal militar e nuclear suficiente para impor a força e o medo nos quatro cantos do globo terrestre.
FORTE CONCORRENTE – No meio dessa briga de gigantes, o Brasil acabou virando alvo de Trump, porque está se transformando num forte concorrente comercial, principalmente nas commodities agrícolas: soja, carne, laranja, açúcar, café, frutas e exportações de alimentos industrializados, além de produtos siderúrgicos, como aço e alumínio, assim como minerais estratégicos, notadamente o ferro e as terras raras.
Ideologia, eu quero uma para viver, como dizia o genial cantor e poeta Cazuxa, mas hoje em dia esses paradoxismos político-partidários são o que menos importa.
O X da questão é a economia, através do comércio mundial, que começa a ser liderado pela China, com a nova Rota da Seda e os investimentos na América Latina, na África e na Ásia.
AVANÇO CHINÊS – Os Estados Unidos estão assustados com o avanço da diplomacia e do comércio da China, que se tornou o maior mercado do mundo. Por essa razão, Donald Trump impõe tarifas absurdas a todos os concorrentes e a países estratégicos que tem comércio robusto com a China, caso do Brasil.
Nada do que ocorre na política externa é por mera coincidência. Trump tem de pressionar, devido às ligações com os Brics, grupo de países não-alinhados com os EUA e com a Europa, do qual o Brasil é fundador, junto com a China, a Rússia e a Índia.
Por essas circunstâncias é que a atuação dos irmãos Bolsonaro, ao se alinharem preferencialmente aos Estados Unidos, primeiro eles e nós, depois, significa uma traição nacional, pois o ideal seria uma postura brasileira de não-alinhamento político e comercial, porque não podemos perder exportações para os Estados Unidos nem para a China.
TODAS AS ARMAS – O momento é de grande preocupação, porque o governo Trump está usando todas as armas possíveis e imagináveis para forçar o alinhamento entre Brasília e Washington.
Mas não podemos adotar essa política ansiada pela despreparada família Bolsonaro, que age movida exclusivamente por motivos pessoais e ideológicos, sem analisar quais seriam os interesses do Brasil no intrincado xadrez da política internacional.
Se perdermos o comércio com a China e os 30 bilhões de dólares no superávit comercial, os Estados Unidos não comprarão nossos produtos na mesma proporção dos chineses e o Brasil entrará numa gravíssima crise econômica.
APOIO A LULA – Agindo com essa falta de visão econômica e de patriotismo, a família Bolsorano fará com que as classes produtoras da agricultura, da indústria e dos serviços apoiem a reeleição de Lula, por falta de alternativa. Isso já aconteceu em 2022 e pode voltar a ocorrer agora.
Lembrem que em 2018, quando venceu a eleição, Bolsonaro tinha o economista conservador Paulo Guedes como conselheiro, apelidado de “Posto Ipiranga”.
Agora, o inexperiente e desqualificado filho Flávio se apresenta sozinho, sem ter apoio de um administrador político-econômico de experiência e confiabilidade. E isso fará com que as classes produtoras desistam de apoiá-lo, preferindo novamente Lula, que é um líder que se diz socialista mas sempre foi aliado aos banqueiros.