Os senhores me desculpem a franqueza, mas sou obrigado a usar uma palavra forte, porém necessária: a situação está virando uma verdadeira esculhambação. A gravidade e a frequência dos fatos que vêm a público correm o risco de passar uma mensagem perversa para os cidadãos menos esclarecidos: a de que o crime compensa e de que a impunidade é a regra no nosso país.
Digo isso porque virou rotina semanal — quando não diária — acompanharmos o professor Marcelão vir a público denunciar supostas improbidades administrativas cometidas no âmbito da Prefeitura de Coronel João Sá. O cerne das denúncias, que já foram levadas às autoridades, aponta para o uso do erário público para bancar supostos funcionários "fantasmas", que atuariam como cabos eleitorais em prol da pré-candidatura a deputado estadual de Carlinhos Sobral.
Desta vez, o professor subiu o tom e apresentou novos dados, denunciando que parte desses supostos servidores fictícios residiria inclusive na capital baiana, Salvador. Diante disso, fica o questionamento que ecoa na mente de todo cidadão de bem: será que as autoridades competentes, em especial o Ministério Público, ainda não ouviram esse barulho ensurdecedor?
Entre a Verdade Documentada e o Silêncio que Consente
Lamento profundamente ter que analisar um cenário tão degradante. Diante de tantas denúncias firmadas e respaldadas por documentos apresentados pelo professor, a lógica nos empurra para apenas duas alternativas: ou o denunciante não está falando a verdade — o que ensejaria uma reação imediata dos acusados —, ou os padrinhos e beneficiários desses supostos "fantasmas" preferem o recolhimento do silêncio. Ocorre que, como bem diz o ditado popular, quem cala, consente.
É extremamente triste notar que, justamente quando surge uma pré-candidatura que se propõe a representar a nossa região na Assembleia Legislativa, ela venha cercada de um volume de denúncias dessa magnitude. No mínimo, por uma questão de respeito, moralidade e ética, o eleitor regional merece uma satisfação detalhada, límpida e convincente.
A Política Como Escudo e o Eco de Castro Alves
Infelizmente, o sentimento que toma conta do povão é aquele velho e cínico ditado de bastidor: “quem quiser se acobertar de maracutaias, que se candidate a um cargo político de alto escalão”. A política não pode continuar sendo utilizada como um escudo de proteção ou como um balcão de negócios para o enriquecimento ilícito e a perpetuação no poder à custa do dinheiro que deveria ir para a saúde e para a educação do povo.
Diante do constrangimento de ver o patrimônio público sob constante suspeita, e vendo a aparente lentidão das respostas institucionais, nos pegamos repetindo os versos imortais do poeta baiano Castro Alves em seu clamor de indignação:
"Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? / Em que mundo, em qu'estrela tu te escondes / Embuçado nos céus?"
Os Ossos do Ofício do Jornalismo Independente
Como jornalista e editor deste Blog, confesso que me sinto profundamente constrangido em ter que republicar e comentar matérias que expõem de forma tão crua as mazelas e as suspeitas que rondam as administrações da nossa região. Não tenho prazer em ver nossa terra nas páginas policiais ou de fiscalização financeira.
Contudo, o silêncio também é uma forma de cumplicidade. Trazer o fato à luz, cobrar o posicionamento das autoridades e exigir respostas dos homens públicos faz parte dos ossos do ofício. Este Blog continuará cumprindo o seu papel, sem medo e sem amarras, mantendo o espaço aberto para que a verdade apareça e para que os envolvidos, caso queiram, deem a resposta que a sociedade tanto aguarda.
Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando o poder público, combatendo o silêncio dos culpados e exigindo respeito para o eleitor do nosso sertão.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025
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