segunda-feira, junho 08, 2026

A corrupção dos outros

 em 8 jun, 2026 2:35

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
              “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

O caso revelado pelo UOL, segundo o qual uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse recebeu R$ 1 milhão por meio de emenda parlamentar do deputado Mario Frias, sem que o projeto tenha avançado como previsto, expõe mais uma contradição de um movimento político que construiu sua identidade em torno do discurso da moralidade absoluta.

A denúncia merece apuração rigorosa e o devido esclarecimento dos responsáveis. Durante anos, o bolsonarismo vendeu a ideia de que havia uma divisão clara entre os honestos e os corruptos. De um lado, eles. Do outro, todos os demais. A realidade, porém, tem sido menos confortável para essa narrativa. Quando surgem suspeitas envolvendo aliados, amigos ou figuras identificadas com o movimento, a indignação costuma perder intensidade. O que antes era tratado como escândalo passa a ser explicado como perseguição, complô ou ativismo institucional.

O problema nunca parece ter sido a corrupção em si. O problema era a corrupção dos outros. A régua moral, tão rígida quando aplicada aos adversários, frequentemente se torna flexível quando alcança os próprios aliados.

A promessa de uma nova política acaba se parecendo, em muitos momentos, com a velha política vestida com novas palavras de ordem. A seletividade também aparece no discurso sobre segurança pública. O bolsonarismo costuma defender, corretamente, o combate firme a organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. Entretanto, quando o debate envolve milícias, o entusiasmo frequentemente diminui. O tema desaparece das palavras de ordem, dos discursos inflamados e das campanhas nas redes sociais. Se o princípio é combater o crime organizado, o critério deveria valer para todos os grupos criminosos, sem distinção de conveniência política.

A mesma incoerência pode ser observada na área cultural. Durante anos, a Lei Rouanet foi transformada em símbolo de tudo aquilo que estaria errado na relação entre Estado e cultura. Artistas eram apontados como beneficiários indevidos de recursos públicos e apresentados como exemplos de privilégios que precisavam acabar. Mas quando recursos públicos passam a beneficiar projetos, entidades ou iniciativas associadas a figuras próximas ao próprio movimento, a indignação desaparece. As cobranças ficam mais brandas. Os questionamentos se tornam raros. Como ironizou o jornalista Octávio Guedes, o bolsonarismo se apresenta como adversário da Lei Rouanet, mas frequentemente parece confortável com aquilo que seus críticos passaram a chamar de “Roubanet”.

A história recente mostra que muitos movimentos políticos chegam ao poder prometendo extirpar os vícios do sistema. Poucos resistem à tentação de apenas substituir os antigos beneficiários por novos protegidos. Mudam os discursos. Mudam os personagens. Mudam os slogans. Mas permanece a velha lógica segundo a qual corrupção não é um problema moral universal. É apenas o nome que se dá ao comportamento dos adversários.         

STF valida lei de Sergipe que reorganizou microrregiões de saneamento básico Consultor Jurídico: Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou improcedente uma ação em que o Partido dos Trabalhadores (PT) questionava a lei complementar 308/2023, de Sergipe, que reorganizou as microrregiões de saneamento básico no estado. A decisão foi tomada na sessão virtual encerrada em 29 de maio, de acordo com o voto do relator, ministro Cristiano Zanin. Na ação, o PT contestava a criação da Microrregião de Água e Esgoto de Sergipe (MAES), que reúne os 75 municípios sergipanos em uma estrutura única para organizar, planejar e executar os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Segundo o partido, a medida reduziria a autonomia dos municípios na definição e na gestão das políticas de saneamento. Toda matéria aqui.

Primeira Colônia Agrícola Representando o governador Fábio Mitidieri, o secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca, Zeca da Silva, participou da entrega dos lotes da primeira Colônia Agrícola Estadual do estado, denominada Colônia Agrícola Estadual Antônio Porfírio. O projeto beneficia 20 famílias de agricultores familiares no município de Pacatuba, no Baixo São Francisco. Durante a solenidade, também foram entregues Certificados de Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e documentos de adesão ao Programa Fomento Rural.

Primeira Colônia Agrícola II “Agradeço ao governador Fábio Mitidieri por proporcionar um momento tão importante na vida desses agricultores. É uma ação que traz desenvolvimento para Pacatuba, movimenta a economia, gera oportunidades e garante mais dignidade às famílias. Estamos entregando não apenas os lotes, mas também CAFs e adesões ao Fomento Rural, fortalecendo a agricultura familiar e criando oportunidades para quem vive e produz no campo”, afirmou Zeca da Silva.


https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/a-corrupcao-dos-outros/

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