A Vaza Flávio voltou com tudo nesta semana. Desta vez, o Brasil ficou sabendo que Daniel Vorcaro tratava o envio de dinheiro para Flávio Bolsonaro como uma prioridade. Mas não era qualquer prioridade. Mandar a grana combinada com o senador Flávio Bolsonaro era o “mais importante disparado” — palavras do ex-banqueiro.
O maior bandido do Brasil dava muito valor ao compromisso que ele tinha com a família do criminoso Jair Bolsonaro. Ambos estão presos, mas Flávio Bolsonaro segue solto e tramando contra o seu país.
A viagem para os Estados Unidos foi uma tentativa de desviar o noticiário da sua relação promíscua com o banqueiro do Master, mas não adiantou. As novas revelações do Intercept e de outros veículos obrigaram o candidato a voltar ao tema. Deu tudo errado.
A campanha de Flávio foi para os EUA tentar resolver um problema e voltou com dois. Agora, além de ter que justificar sua relação financeira com o autor da maior fraude da história do Brasil, Flávio precisa explicar também por que o governo americano anunciou aumento da tarifa e atacou o Pix poucos dias após a sua visita à Casa Branca. O papo que rola na internet agora é o de que o 01 de Bolsonaro é ladrão e entreguista. Será?
Gol contra
O ataque norte-americano ao Pix e o aumento das tarifas imposto aos produtos brasileiros certamente ocorreria com ou sem a visita de Flávio. Os filhos de Bolsonaro, junto do golpista hereditário Paulo Figueiredo, não tem tanta moral assim no governo norte-americano. Lembremos o sufoco que foi para conseguir a foto com Trump, que nem se deu ao trabalho de levantar da cadeira para recebê-los. Eles têm um lance mais estreito com o secretário de estado Marco Rubio, é verdade, mas estão longe de influenciar a política externa dos norte-americanos. Marcam um golzinho ou outro, mas que muitas vezes são vistos pela maioria do povo brasileiro como gols contra.
O fato é que, politicamente, é impossível dissociar a visita da nova ofensiva contra a economia brasileira. Já faz tempo que os Bolsonaros conspiram contra o país. No ano passado, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo admitiram que o aumento das tarifas para o Brasil como retaliação à condenação do criminoso Jair Bolsonaro foi discutido com o governo Trump. Desesperado com a repercussão negativa, inclusive dentro da sua própria base, Eduardo voltou atrás e passou a dizer que jamais se discutiu isso.
Tariflávio
Mas eles não aprendem com os erros do passado. Agora, com o novo aumento tarifário e o ataque direto ao Pix — que é uma paixão nacional — Flávio se deparou com uma nova onda de reação negativa nas redes. Um levantamento feito pela AtivaWeb Datalab revelou que, das 15 milhões de interações sobre o assunto, 78% foram de "sentimento negativo" contra Trump e a família Bolsonaro.
A humilhação na Casa Branca, tratada com uma solução eleitoral, virou um peso para a campanha. O apelido "Tariflávio” pegou forte e tem alto potencial de estrago.
Para tentar conter danos, Flávio enviou uma cartinha a Marco Rubio implorando para que ele reveja o aumento das taxas. Ao que parece, trata-se de uma jogadinha ensaiada: Flávio pede e depois Rubio retira o aumento das tarifas.
No texto, o candidato afirma mentirosamente que “o Brasil atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica” e que o aumento tarifário “causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro". O tom de súplica da carta remete à imagem de um cão vira-latas complexado uivando de cabeça baixa aos pés do Tio Sam.
Enquanto o governo Lula trata a questão com diplomacia e altivez, Flávio suplica por uma migalha de ajuda de maneira patética. A cartinha parece ter sido escrita de joelhos. Ora, o Brasil está entre as 10 maiores economias do mundo, mas Flávio insiste em tratá-lo como uma republiqueta das bananas à beira da falência. Esse vício pela humilhação diante dos norte-americanos está pegando mal até entre os “patriotas", que vão ter dificuldades de manter a bandeira do patriotismo durante a campanha eleitoral. Mais uma vez, Flávio tentou consertar um problema e voltou com dois.
Pix, paixão nacional
Conheço brasileiros que não gostam de futebol, mas não conheço um que não seja apaixonado pelo Pix. O sistema de pagamento instantâneo é uma criação brasileira e motivo de orgulho nacional. Aparecer na foto ao lado de um presidente que trama contra o sistema de pagamento brasileiro é um tiro no pé.
A única possível vantagem nessa insistência em tratar Donald Trump como cabo eleitoral é a de manter a parte mais fanática da sua base eleitoral coesa e animada. Sabemos que o fetiche por presidentes norte-americanos é grande nessa fração da população. Ainda assim, a seita vai ter que rebolar muito para manter uma mínima coerência na narrativa do patriotismo.
O eleitorado que decidirá a eleição é aquele que não está fidelizado nem por Lula nem por Flávio Bolsonaro, mas que está fechado com o Pix.
Quem preza pela democracia tem que agradecer todos os dias pela profunda incompetência do grupo político que tentou dar um golpe no país. Já estamos quase no meio do ano eleitoral e o bolsonarismo insiste em ovacionar Trump.
As relações espúrias com o maior bandido do Brasil e a relação humilhante com o laranjão que se acha dono do mundo serão as maiores pedras no sapato da candidatura bolsonarista.
Até pouco tempo, Flávio desfilava com uma camiseta com a frase: “o Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula". O slogan envelheceu rápido e mal. Lula está com a faca e o queijo na mão para roubá-lo e adaptá-lo: “O Master é do Flávio. O Pix é do Brasil".