sábado, junho 06, 2026

Nasce o "Tariflávio": O mico do 01 nos EUA


EUA taxam produtos brasileiros e atacam o Pix logo após a visita do senador, gerando 78% de rejeição nas redes e o apelido de entreguista.


A Vaza Flávio voltou com tudo nesta semana. Desta vez, o Brasil ficou sabendo que Daniel Vorcaro tratava o envio de dinheiro para Flávio Bolsonaro como uma prioridade. Mas não era qualquer prioridade. Mandar a grana combinada com o senador Flávio Bolsonaro era o “mais importante disparado” — palavras do ex-banqueiro. 


O maior bandido do Brasil dava muito valor ao compromisso que ele tinha com a família do criminoso Jair Bolsonaro. Ambos estão presos, mas Flávio Bolsonaro segue solto e tramando contra o seu país. 


A viagem para os Estados Unidos foi uma tentativa de desviar o noticiário da sua relação promíscua com o banqueiro do Master, mas não adiantou. As novas revelações do Intercept e de outros veículos obrigaram o candidato a voltar ao tema. Deu tudo errado.

A campanha de Flávio foi para os EUA tentar resolver um problema e voltou com dois. Agora, além de ter que justificar sua relação financeira com o autor da maior fraude da história do Brasil, Flávio precisa explicar também por que o governo americano anunciou aumento da tarifa e atacou o Pix poucos dias após a sua visita à Casa Branca. O papo que rola na internet agora é o de que o 01 de Bolsonaro é ladrão e entreguista. Será?


Gol contra


O ataque norte-americano ao Pix e o aumento das tarifas imposto aos produtos brasileiros certamente ocorreria com ou sem a visita de Flávio. Os filhos de Bolsonaro, junto do golpista hereditário Paulo Figueiredo, não tem tanta moral assim no governo norte-americano. Lembremos o sufoco que foi para conseguir a foto com Trump, que nem se deu ao trabalho de levantar da cadeira para recebê-los. Eles têm um lance mais estreito com o secretário de estado Marco Rubio, é verdade, mas estão longe de influenciar a política externa dos norte-americanos. Marcam um golzinho ou outro, mas que muitas vezes são vistos pela maioria do povo brasileiro como gols contra. 


O fato é que, politicamente, é impossível dissociar a visita da nova ofensiva contra a economia brasileira. Já faz tempo que os Bolsonaros conspiram contra o país. No ano passado, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo admitiram que o aumento das tarifas para o Brasil como retaliação à condenação do criminoso Jair Bolsonaro foi discutido com o governo Trump. Desesperado com a repercussão negativa, inclusive dentro da sua própria base, Eduardo voltou atrás e passou a dizer que jamais se discutiu isso. 


Tariflávio


Mas eles não aprendem com os erros do passado. Agora, com o novo aumento tarifário e o ataque direto ao Pix — que é uma paixão nacional —  Flávio se deparou com uma nova onda de reação negativa nas redes. Um levantamento feito pela AtivaWeb Datalab revelou que, das 15 milhões de interações sobre o assunto, 78% foram de "sentimento negativo" contra Trump e a família Bolsonaro.

A humilhação na Casa Branca, tratada com uma solução eleitoral, virou um peso para a campanha.
O apelido "Tariflávio” pegou forte e tem alto potencial de estrago. 


Para tentar conter danos, Flávio enviou uma cartinha a Marco Rubio implorando para que ele reveja o aumento das taxas. Ao que parece, trata-se de uma jogadinha ensaiada: Flávio pede e depois Rubio retira o aumento das tarifas. 


No texto, o candidato afirma mentirosamente que “o Brasil atravessa um período de grave deterioração fiscal e econômica” e que o aumento tarifário “causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro". O tom de súplica da carta remete à imagem de um cão vira-latas complexado uivando de cabeça baixa aos pés do Tio Sam. 


Enquanto o governo Lula trata a questão com diplomacia e altivez, Flávio suplica por uma migalha de ajuda de maneira patética. A cartinha parece ter sido escrita de joelhos. Ora, o Brasil está entre as 10 maiores economias do mundo, mas Flávio insiste em tratá-lo como uma republiqueta das bananas à beira da falência. Esse vício pela humilhação diante dos norte-americanos está pegando mal até entre os “patriotas", que vão ter dificuldades de manter a bandeira do patriotismo durante a campanha eleitoral. Mais uma vez, Flávio tentou consertar um problema e voltou com dois. 


Pix, paixão nacional


Conheço brasileiros que não gostam de futebol, mas não conheço um que não seja apaixonado pelo Pix. O sistema de pagamento instantâneo é uma criação brasileira e motivo de orgulho nacional. Aparecer na foto ao lado de um presidente que trama contra o sistema de pagamento brasileiro é um tiro no pé.

A única possível vantagem nessa insistência em tratar Donald Trump como cabo eleitoral é a de manter a parte mais fanática da sua base eleitoral coesa e animada. Sabemos que o fetiche por presidentes norte-americanos é grande nessa fração da população. Ainda assim, a seita vai ter que rebolar muito para manter uma mínima coerência na narrativa do patriotismo.

O eleitorado que decidirá a eleição é aquele que não está fidelizado nem por Lula nem por Flávio Bolsonaro, mas que está fechado com o Pix.


Quem preza pela democracia tem que agradecer todos os dias pela profunda incompetência do grupo político que tentou dar um golpe no país. Já estamos quase no meio do ano eleitoral e o bolsonarismo insiste em ovacionar Trump. 


As relações espúrias com o maior bandido do Brasil e a relação humilhante com o laranjão que se acha dono do mundo serão as maiores pedras no sapato da candidatura bolsonarista.

Até pouco tempo, Flávio desfilava com uma camiseta com a frase: “o Pix é do Bolsonaro. O Master é do Lula". O slogan envelheceu rápido e mal. Lula está com a faca e o queijo na mão para roubá-lo e adaptá-lo: “O Master é do Flávio. O Pix é do Brasil".

Beauty not beauty


O tribunal de minúsculas causas das redes sociais condenou a influenciadora e empreendedora do setor de beleza, Natalia Beauty. Fui checar se a condenação foi justa e assinei embaixo. 


Viralizou um vídeo em que uma das alunas se queixa de que a mentoria não difere em nada das outras existentes no mercado. A pergunta é bastante razoável, já que as mentorias da influenciadora podem custar valores astronômicos, com algumas ultrapassando a casa dos 50 mil reais. Mas Beauty não tolerou a crítica. Bateu o pézinho e humilhou a mentorada na frente de todos: “Não quero você no meu grupo, não quero. Eu achei sua pergunta prepotente e você eu não quero. Não gostei, é meu direito. Você não vai ser bem-vinda no meu grupo”.


O nome peculiar da ilustríssima influenciadora não me era estranho. Fui pesquisar. Natalia Beauty é aquela colunista da Folha que foi acusada de escrever suas colunas com ajuda da inteligência artificial. Foi acusada, confessou e tratou o caso como algo normal: “IA é como Mounjaro: galera usa, mas não assume”. Ela disse ainda ter ficado “chocada” com a reação indignada dos que esperam uma coluna escrita por humanos. 


A Folha também não viu problema em mantê-la no seu time de colunistas. A última canetada de Beauty é essa: “Odeiam Virginia na Copa porque ela revela verdade humilhante: audiência vale mais que currículo". No texto, a sapiência artificial de Beauty defende que as empresas de mídia coloquem influenciadores no lugar de jornalistas, porque a “audiência é a moeda mais valiosa do mundo". A querida arremata com uma sacada infame: “Jesus Cristo não tinha estúdio, não tinha diploma de teologia, não tinha coluna na Folha, mas tinha audiência”. 


Pois é, meu caro Chatgpt. Jesus não tinha coluna na Folha, mas a Natalia Beauty tem. 


Amizade de milhões


Eu sempre me impressiono com a versatilidade do senador Ciro Nogueira. O cara consegue ser peça central de todos os grandes escândalos do país. Mas ele nega ser esse fenômeno da corrupção e jura ser vítima de perseguição. 

Há pouco mais de três meses, o vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro afirmou não ter uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro. Segundo ele, a relação que ele tinha era a mesma que “qualquer político em Brasília tem com banqueiros”. 


De lá pra cá, descobrimos que Ciro, além de ser “um dos grandes amigos da vida” do maior bandido do Brasil, ainda recebia uma polpuda mesada.


Nesta semana, a relação promíscua entre o senador e o banqueiro ficou ainda mais escancarada pela reportagem da revista Piauí. Um relatório da PF aponta que o Vorcaro bancou uma viagem de Nogueira para os alpes franceses. Foram 13 dias de férias de luxo na cidade de Courchevel, uma das estações de esqui mais luxuosas do mundo, com tudo pago. Os jantares chegavam até 63 mil reais. 


O clima entre os dois era de tanta intimidade, que a então noiva de Vorcaro tirou essa foto deles agarradinhos com as montanhas nevadas ao fundo:

 

Dá pra ver pela espontaneidade da foto que se trata de uma amizade verdadeira. Cara, mas verdadeira. Porém, se compararmos com a amizade de 61 milhões de reais do senador Flávio Bolsonaro, até que essa saiu baratinha pro Vorcaro.

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