quinta-feira, março 26, 2026

EDITORIAL: O Asfalto do Bairro São José – Entre a Cobrança Política e a Realidade da "Herança Maldita


EDITORIAL: O Asfalto do Bairro São José – Entre a Cobrança Política e a Realidade da "Herança Maldita"

Por José Montalvão 

Circula nos grupos de WhatsApp e redes sociais um vídeo do vereador Zé Miúdo cobrando do prefeito Tista de Deda a pavimentação asfáltica de um atalho no Bairro São José. O argumento do parlamentar é voltado ao bem-estar dos penitentes, para que não precisem caminhar no barro ou no cascalho. No entanto, para analisar essa cobrança com a seriedade que o povo de Jeremoabo merece, é preciso separar a conveniência política da realidade administrativa.

O que o vereador parece esquecer — ou prefere ocultar — é que o cenário atual não é fruto de má vontade, mas sim o preço amargo de uma gestão anterior marcada pela inoperância e pela irresponsabilidade.


1. O Fantasma da Obra Inacabada

A pavimentação da Avenida Barão de Jeremoabo até o entroncamento é o maior exemplo dessa "herança maldita". A gestão passada deixou o serviço incompleto e, onde chegou a aplicar asfalto, utilizou material de péssima qualidade. O resultado? Antes mesmo da inauguração, a via já estava tomada por buracos, transformando o que deveria ser progresso em um prejuízo aos cofres públicos.

2. O Impedimento Jurídico (Sub Judice)

Diferente do que prega a oposição, um prefeito não pode simplesmente "passar o trator" em uma obra que apresenta irregularidades graves herdadas. Muitas dessas intervenções ficaram sob o crivo da Justiça (sub judice). Enquanto o processo judicial não libera o trecho, qualquer nova aplicação de recurso público no local pode ser interpretada como crime de responsabilidade. Tista de Deda está de mãos atadas por erros que ele não cometeu, mas que agora é obrigado a sanar juridicamente.


3. A Lógica da Prioridade Administrativa

Administrar é escolher prioridades. Como pode um gestor pavimentar um atalho secundário enquanto a avenida principal, o coração do fluxo da cidade, foi entregue esburacada e tecnicamente comprometida?

  • Responsabilidade: Primeiro recupera-se a estrutura principal para garantir a mobilidade de todos.

  • Planejamento: Não se reconstrói uma cidade do dia para a noite quando o alicerce deixado pelos antecessores estava podre.


Conclusão: Reconstruir é mais Difícil que Fazer do Zero

É muito fácil gravar vídeos cobrando asfalto para os penitentes quando se ignora que os próprios aliados da gestão anterior foram os responsáveis por deixar o caminho em pedras. O prefeito Tista de Deda tem demonstrado um esforço contínuo para reconstruir Jeremoabo, mas ele o faz seguindo a lei e a lógica técnica, e não o populismo de curto prazo.

Os adeptos da gestão passada, que tanto elogiam o "legado" anterior, deveriam, na verdade, pedir desculpas ao povo pelo transtorno que causaram. Jeremoabo está sendo reconstruída, sim, mas com responsabilidade, para que o asfalto que vier agora não desapareça na primeira chuva, como acontecia antigamente.


Blog de Dede Montalvão: Memória viva contra a demagogia política.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

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