quinta-feira, março 26, 2026

“EMENDA MASTER” E PORTA GIRATÓRIA: CIRO NOGUEIRA, CAMPOS NETO NO NU BANK E A GLOBO NO MEIO DO MAIOR ESCÂNDALO BANCÁRIO




Um escândalo bilionário sacodiu o sistema financeiro brasileiro e explode bem no meio do ano eleitoral de 2026. O Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, montou uma fraude que iludiu milhares de investidores com promessas de altos rendimentos. Quando o Banco Central decretou a liquidação em 2025, o rombo revelou-se gigantesco: títulos falsos e carteiras inventadas, com prejuízo que já custa dezenas de bilhões ao fundo que protege os clientes — dinheiro que, no fim, sai do bolso dos brasileiros comuns.


O problema não parou aí. A sujeira respingou na Caixa, no Bradesco e no Santander. Nesta quarta-feira (25 de março), a Polícia Federal deflagrou nova operação contra o Grupo Fictor, que tentou comprar o Master um dia antes do colapso. O CEO da Fictor virou alvo por suspeitas de fraudes que podem superar os R$ 500 milhões. O efeito cascata é inevitável: o prejuízo será pago, de uma forma ou de outra, pelos brasileiros.


No centro político do caso está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Bolsonaro. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram que o banqueiro o chamava de “um dos meus grandes amigos de vida”. Vorcaro celebrou quando Ciro apresentou a chamada “emenda Master”, que pretendia aumentar a proteção do fundo de garantia. A emenda não passou, mas reforça as suspeitas de que o esquema contava com proteção no Congresso. Ciro nega qualquer irregularidade e diz que renunciará se provarem o contrário.


Enquanto isso, o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, foi preso acusado de operar pagamentos milionários – Incluindo campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, e até financiar uma milícia privada do grupo.


O caso ganhou ainda mais peso porque o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — que comandou a instituição de 2019 a 2024, período em que o Master cresceu sem freios —, hoje ocupa cargo de alto escalão no Nubank. E o Grupo Globo tem participação societária no Nubank, por meio da Globo Ventures. Críticos acusam a Globo de omitir ou suavizar o nome de Campos Neto em suas reportagens sobre o escândalo, como no famoso “PowerPoint” da GloboNews que gerou polêmica e obrigou o canal a pedir desculpas públicas.


Em pleno calendário eleitoral, o caso vira munição pesada. De um lado, o governo Lula chama de “a maior fraude bancária da história” e aponta omissão na gestão anterior. Do outro, a oposição tenta desviar o foco. O eleitor, no fim das contas, é quem paga a conta — e decide em outubro se vê nisso apenas um crime isolado ou o retrato de uma elite financeira, política e midiática que se protege mutuamente. O Brasil assiste, perplexo, a mais um capítulo sombrio da relação entre poder, dinheiro e comunicação.

Por Jornalista Luis Celso

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