Por José Montalvão
Jeremoabo é uma cidade que caminha sobre camadas de glória e memória. Por muito tempo, assistimos, com o coração apertado, ao descaso corroer os alicerces do nosso passado. Por isso, é preciso registrar com entusiasmo: a reabertura da Casa da Cultura, promovida pela gestão do prefeito Tista de Deda, é um sopro de esperança para quem se recusa a esquecer quem somos.
O que vemos hoje naquele espaço são as "migalhas" do que restou, é verdade. Mas são migalhas sagradas, preservadas por "paladinos" da nossa história — homens e mulheres que, com sacrifício pessoal e sem apoio oficial no passado, recolheram peças, documentos e fragmentos para que o fio da nossa ancestralidade não se rompesse de vez.
O que o Vento Levou: As Feridas no Patrimônio
Ao percorrermos os corredores da Casa da Cultura, é impossível não sentir uma ponta de melancolia pelo que se perdeu. Jeremoabo viu riquezas arquitetônicas e históricas serem devoradas pelo tempo ou pela negligência de décadas passadas.
Lamentamos as lacunas deixadas por monumentos que hoje vivem apenas em fotografias amareladas ou na memória dos mais antigos:
A Casa do Caritá: A imponente residência do Barão de Jeremoabo, símbolo de um poder e de uma era que definiu a região.
O Casarão do Coronel João Sá: Um marco da nossa elite política e social que o descaso não poupou.
A Primeira Casa de Jeremoabo: O berço de tijolo e cal onde o nosso município começou a engatinhar.
O Mercado Municipal: O coração pulsante do centro da cidade, que guarda as vozes e o comércio de gerações.
Um Novo Olhar para o Passado: A Gestão Tista de Deda
A reabertura deste espaço cultural sinaliza que o prefeito Tista de Deda compreende que um povo sem memória é um povo sem destino. Não se trata apenas de abrir portas, mas de validar o trabalho daqueles voluntários que guardaram cada peça histórica com zelo de colecionador.
A expectativa agora é que este seja apenas o primeiro passo. A comunidade espera e confia que, sob esta nova ótica administrativa, seja possível:
Restaurar o que restou: Investir na preservação técnica das peças e documentos atuais.
Mapear as Ruínas: Identificar o que ainda pode ser salvo do patrimônio físico, como as estruturas remanescentes das grandes fazendas e casarões.
Educação Patrimonial: Levar os jovens de Jeremoabo à Casa da Cultura para que entendam que a história deles não começou ontem.
Conclusão: Reconstruir é um Ato de Amor
Reconstruir o que o "vento levou" é impossível no sentido literal, mas reconstruir o orgulho jeremoabense através da cultura é uma meta plenamente alcançável. Que a Casa da Cultura seja o quartel-general desse resgate histórico.
Parabenizamos a gestão pela sensibilidade e, acima de tudo, honramos os paladinos da história local que mantiveram a chama acesa no escuro. Jeremoabo volta a se olhar no espelho e, finalmente, começa a gostar do que vê.
Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando o presente e protegendo o nosso passado.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)