domingo, março 22, 2026

24 navios atacados, oito pessoas mortas e 95% de queda no movimento: os números do bloqueio em Hormuz

 

24 navios atacados, oito pessoas mortas e 95% de queda no movimento: os números do bloqueio em Hormuz

OMI estima que 20 mil marinheiros estão presos em embarcações que passariam por Hormuz e estão paradas

Por Folhapress

22/03/2026 às 11:40

Foto: Divulgação/Marinha Real Da Tailândia

Imagem de 24 navios atacados, oito pessoas mortas e 95% de queda no movimento: os números do bloqueio em Hormuz

Navio-petroleiro pega fogo após ser atingido por drones próximo ao estreito de Hormuz

O estreito de Hormuz, uma rota de navegação crucial por onde costumava transitar 20% da produção mundial de petróleo e gás, encontra-se praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.

O conflito eclodiu em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã, que em represália atacou países aliados dos EUA na região e restringiu o acesso ao estreito, praticamente paralisando o trânsito marítimo na região.

Estes são os principais dados e números do bloqueio:

24 INCIDENTES DE SEGURANÇA

Desde 1º de março de 2026, 24 navios comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou notificaram incidentes no golfo, no estreito de Hormuz ou no golfo de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Se forem incluídos outros tipos de embarcações, é preciso somar quatro ataques reivindicados pela Guarda Revolucionária iraniana, mas que não foram confirmados pelas autoridades internacionais.

OITO MARINHEIROS MORTOS

Desde o início do conflito, pelo menos oito marinheiros ou trabalhadores portuários morreram em incidentes na região, segundo a OMI (Organização Marítima Internacional). Outros quatro estão desaparecidos e dez ficaram feridos.

QUEDA DE 95% NO TRANSPORTE MARÍTIMO

O canal costuma registrar cerca de 120 travessias diárias, segundo o portal de inteligência da indústria naval Lloyd's List.

De 1º a 21 de março, os navios de carga de matérias-primas realizaram apenas 124 travessias, segundo a empresa de análise Kpler, o que representa uma queda de 95%.

Destes, 75 foram realizados por petroleiros e navios gaseiros, e a maioria navegava em direção ao leste, saindo do estreito.

PETRÓLEO PARA A CHINA

Os analistas de commodities do banco JPMorgan afirmaram em um relatório publicado na segunda-feira (16) que a maior parte do petróleo que passa pelo estreito se dirige à Ásia, principalmente à China.

Cichen Shen, editor para Ásia-Pacífico do Lloyd's List, afirmou que há indícios de que as autoridades chinesas estão trabalhando em "algum tipo de plano de saída" para seus grandes petroleiros presos na região.

1,3 MILHÃO DE BARRIS DE PETRÓLEO IRANIANO

Segundo os analistas do JPMorgan, 98% do tráfego de petróleo através do estreito é iraniano, com uma média de 1,3 milhão de barris diários "no início de março".

Um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passa pelo estreito em tempos de paz.

20 MIL MARINHEIROS PRESOS

Cerca de 20 mil marinheiros estão afetados pelo bloqueio, segundo a OMI. A isso é preciso somar passageiros de cruzeiros, trabalhadores portuários e funcionários de instalações em alto-mar.

A OMI estima que pelo menos 3.200 embarcações se encontram na zona, incluindo dois terços de "grandes navios comerciais dedicados ao comércio internacional".

A consultoria marítima Clarksons apontou em uma nota de 18 de março que havia 250 petroleiros no Golfo, o que representa 5% da tonelagem mundial de navios-tanque de petróleo bruto.

PREÇO DE COMBUSTÍVEL PARA NAVIOS SOBE 90%

Os preços do combustível para navios subiram cerca de 90% desde o início do conflito, segundo dados do observatório do setor Ship and Bunker.

A Clarksons indicou que o custo de transportar um barril de petróleo bruto dobrou para US$ 10 desde o início do ano. Os aumentos atingem um nível que não se via desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão da Ucrânia.

51 NAVIOS SANCIONADOS

Desde o início da guerra, mais de 40% dos navios que transitam pelo estreito estiveram submetidos a sanções dos Estados Unidos, da União Europeia ou do Reino Unido, segundo uma análise da AFP baseada em dados de trânsito.

Dos petroleiros e gaseiros, 56% estavam sob sanções.

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