PT privilegia disputa ao Congresso na distribuição de fundo eleitoral e joga governos estaduais para o fim da fila
Por Folha de São Paulo
20/03/2026 às 08:03
Foto: Tuane Fernandes/Reuters
Lula e Fernando Haddad
O PT vai aumentar a prioridade às eleições para o Senado e a Câmara dos Deputados na distribuição do seu fundo eleitoral, deixando candidatos a governador mais para o fim da fila.
A ordem foi definida internamente por uma resolução aprovada no final do ano passado e deverá ser ratificada pelo diretório nacional em abril.
A sequência é encabeçada pela eleição presidencial. A mudança vem a seguir, com as disputas ao Senado ficando em segundo lugar e à Câmara, em terceiro. Os governos estaduais vêm em quarto, superando apenas as corridas pelas Assembleias Legislativas.
Na eleição de 2022, os governos estaduais figuravam logo após a disputa presidencial, à frente, portanto, das eleições congressuais.
Desde então, o cenário político mudou, com as críticas ao Supremo Tribunal Federal virando prioridade para o bolsonarismo. Neste contexto, aumentar a bancada ao Senado, que terá dois terços renovados neste ano, virou o foco da direita. São os senadores que votam o impeachment de ministros do STF
O PT acordou tarde para a ameaça de um Senado bolsonarista e corre atrás do prejuízo. O próprio presidente Lula tem dito que prefere vencer uma eleição para senador do que cinco para governador.
Integrantes da direção nacional petista preveem, no entanto, que haverá chiadeira de candidatos aos governos por causa da divisão do bolo.
Membros da Executiva Nacional respondem que campanhas estaduais têm de fazer sua parte, ajudando a captar doações, e não apenas depender do fundo eleitoral.
Os valores exatos para as campanhas ainda não foram definidos, porque o PT espera a indicação dos tetos de gastos pelo TSE e o valor exato do fundo.
A única decisão já tomada é que a campanha de Lula terá direito ao teto previsto. A estimativa é de cerca de R$ 130 milhões.
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