Presidente dos Estados Unidos avalia empregar fuzileiros navais para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz e remover o urânio enriquecido do Irã, mas prevê redução gradual das operações militares no Irã. Em novo ataque, republicano chama aliados da Otan de "covardes"
Donald Trump caminha por um dos corredores da Casa Branca: indisposição com aliados históricos - (crédito: Brendan Smialowski/AFP)
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No fim da tarde desta sexta-feira (20/3), Trump emitiu sinais trocados, ao admitir que estuda "reduzir gradualmente" as operações militares no Irã. "Estamos prestes a alcançar nossos objetivos enquanto consideramos reduzir gradualmente nossos importantes esforços militares no Oriente Médio contra o regime terrorista iraniano", escreveu na plataforma Truth Social. "O Estreito de Ormuz deverá ser vigiado e controlado, se necessário, pelos demais países que o utilizam — o que não é o caso dos Estados Unidos!", afirmou.
Mais cedo, o jornal The Wall Street Journal informou que a Casa Branca avalia utilizar os marines para assegurar o livre trânsito pelo Estreito de Ormuz. A imprensa norte-americana também admite que soldados poderiam ser utilizados para retirar o urânio enriquecido do Irã. Antes de falar sobre a redução das ações bélicas, Trump não quis revelar como as tropas serão empregadas no conflito com o Irã. Durante discurso em evento com cadetes da Marinha, o republicano fez um elogio aos marines, sem citar a guerra no Oriente Médico. "Nenhuma força na Terra pode derrotar os fuzileiros navais americanos nem o Exército dos Estados Unidos", insistiu.

Em outro momento, ao receber jornalistas na Casa Branca, Trump descartou suspender a "Operação Fúria Épica". "Não quero um cessar-fogo. Você não faz um cessar-fogo quando está literalmente aniquilando o adversário. Estamos atingido eles com uma força terrível. Não acho que seja possível receber golpes mais fortes", declarou. Apesar da retórica triunfante, ele tornou a atacar a aliança militar ocidental. "Sem os Estados Unidos, a Otan é um tigre de papel. Eles não quiseram se unir à luta para deter um Irã movido a energia nuclear. Agora que essa guerra está militarmente ganha, com muito pouco perigo para eles, reclamam sobre os altos preços do petróleo pelos quais são forçados a pagar", escreveu o presidente dos EUA em sua plataforma Truth Social. "Mas, não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz. (...) Covardes! Nós nos lembraremos (disso)."
Professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker não se surpreende com a postura errática de Trump. "Ele adota a mudança repentina de retórica como tática para confundir, no sentido de que o Irã poderia se preparar para um aumento de tropas americanas. A ideia é fazer com que seus inimigos não entendam qual será o próximo movimento. Trump tinha a expectativa grande de que os aliados europeus entrariam no conflito para apoiar a posição dos EUA, por meio da Otan. Mas a forma como ele tem tratado seus parceiros causou uma desconfiança. Os europeus também não têm um consenso em relação a um apoio militar e alguns países defendem atuar com o Irã de outra forma", explicou ao Correio.
Holzhacker adverte que o eventual uso de tropas no Irã é uma situação de "alto risco" para Trump. "Isso afeta a base política dele e pode expandir as perdas de soldados, algo sempre visto com preocupação nos Estados Unidos. A decisão poderia ser associada ao fracasso de outras operações americanas, como no Afeganistão e no Iraque", alertou, ao apontar um cenário de maior complexidade, o qual não descartaria uma presença ameicana no Irã. Ela lembra que, nos últimos dias, Israel bombardeou poços de gás do Irã e Trump pediu que o aliado parasse. "Trump calcula os riscos e os impactos da guerra na política interna americana e no preço dos combustíveis para o consumidor americano."

Em alusão ao Noruz, o Ano-Novo persa, uma mensagem atribuída ao aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo iraniano, garante que o Irã desferiu um "golpe fulminante" e "derrotou" o inimigo da guerra. "Neste momento, graças à unidade especial que se formou entre vocês, nossos compatriotas, apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política, o inimigo foi derrotado", assegurou o clérigo, que segue longe dos holofotes, em meio a rumores de que teria sofrido uma laceração no rosto e fraturado uma das pernas, em um bombardeio israelense. Também no Ano-Novo, Israel matou Ali Mohamadi Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Iraniana, e Esmail Ahmadi, chefe da unidade de inteligência da milícia paramilitar Basij — a força responsável pela repressão a protestos no país islâmico.
"Apesar de ter testemunhado que confessou sob tortura e coerção, o tribunal rejeitou sua alegação, baseando-se nas confissões feitas na reconstituição do crime e em 'depoimentos de testemunhas oculares' como prova de sua condenação", acrescentou Moghaddam. Por sua vez, Kamaran Taimori — membro da diretoria da Organização Hengaw de Direitos Humanos — disse à reportagem que Mohammadi foi executado com dois cúmplices, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi. "Entre outras acusações, eles responderam por 'incitar o povo à guerra e matar com a intenão de perturbar a segurança nacional'. Como no passado, as instituições de segurança e judiciais do Irã usam essas acusações para impor penas de prisão ou pena de morte a manifestantes detidos ou presos políticos e ideológicos", explicou Taimori. (RC)
